Changes of Destiny
4 A pré-prática
O despertador tocara naquela manhã de segunda e Griffin acordou irritado sabendo que essa seria a pior parte sua rotina dali para frente. "6:30 não é horário de gente acordar", pensou.
Depois de passar o resto do fim de semana na casa de Freddie, ele sabia que precisaria começar suas buscas por um apartamento em Seattle. Estava passando aquela noite no Shelton Hotel perto de Ridgeway e pretendia ficar lá até arrumar o seu próprio canto. Achava-se privilegiado por ter conseguido sua emancipação aos 16 anos depois que recebera uma boa grana do Prêmio de Tecnologia Avançada de Toronto em dólares americanos. Fez muitas economias e claro que seu serviço como juiz na edição em que Freddie ganhara também lhe rendeu um dinheiro extra.
Levantou depois de muito reclamar em pensamento e resolveu tomar um banho gelado que seria capaz de despertá-lo. Estava animado para começar o ano letivo na nova escola, sempre gostara das mudanças e nunca ficava em um lugar por muito tempo. Sua cidade natal era San Diego, mas havia saído dali com 13 anos quando seu pai foi transferido para Nova Iorque afim de representar uma grande empresa de engenharia.
Com 15 anos teve que ir para Toronto receber seu prêmio pela invenção de telas personalizadas e ficou lá até perceber que vir para Seattle com Freddie seria mais interessante do que permanecer no Canadá. Com parte de sua grana arrecadada, tinha realizado seu sonho de comprar uma moto potente e reconhecida no mercado: uma Softail Harley Davidson. Era seu bem mais precioso, Griffin tratava aquela moto como sua filha.
Com sua rotina matinal completa, Griffin resolveu colocar as velhas roupas que gostava de usar naquela manhã. Não dava muita importância em estar impecável, não importasse se ia a uma festa, ou para a escola. Pensou em Carly e no que ela acharia de sua blusa personalizada com uma arte que ele mesmo fizera. Achava a garota muito vaidosa e aprendeu a apreciar isso nela. Seus gostos realmente haviam mudado quando a morena apareceu, antes, tinha horror às patricinhas e agora queria levar uma para cama e talvez acomodá-la em seu peito depois.
Enquanto esperava o elevador no hall principal do andar de seu quarto, lembrava da conversa que teve com Freddie no sábado.
— A garota me odeia, cara — dizia Freddie para Griffin depois de ouvir seu amigo externar todo aquele plano maluco.
Freddie desejava Sam desde que a vira na festa pela primeira vez. Sentiu um misto de ódio, atração, formigamento e nervoso ao reencontrá-la. Não conseguia esquecer essa sensação desde que tinha saído daquela festa. A verdade é que ele queria topar na hora o plano de Griffin, mas sabia que a loira não era nenhuma boba e muito menos burra.
— E daí? — Griffin sorria enquanto dava um tapinha amigável no ombro do amigo — Conhecemos várias garotas que nos odiaram nas baladas de Toronto e, mesmo assim, você levou todas elas para a cama depois.
Freddie sorriu sem jeito.
— É diferente, Griff, — suspirou — eu e a diaba loira temos uma história antiga. Não é como se ela fosse qualquer uma.
Griffin fez uma expressão confusa. Será que Freddie gostava de Sam? Nunca viu o amigo ter um interesse romântico antes, eles apenas saíam e ficavam com algumas garotas, nunca havia nada demais.
— Você está, tipo, afim da loirinha?
Freddie o olhou com deboche. Ele queria mostrar para Sam que não era mais aquele nerd que ela conhecera. Achava que essa era sua única motivação além de ter uma atração forte por ela.
— Que nada... — disse dando de ombros — mas, vamos nos ver todos os dias na escola. Não posso transar com ela e simplesmente sumir.
O moreno não queria admitir que achava que Sam riria da sua cara quando ele tentasse se aproximar no sentido sexual. Só de pensar nisso sentia ódio dessa garota. Ele era incrível pra tantas pessoas, por que justo ela tinha que duvidar de suas habilidades?
— Então, não suma. Não é como se sexo casual levasse a paixão. Você sabe disso, teve uns três rolos seguidos em Toronto. — Griffin lembrou — E além do mais, reparei que vocês estavam meio em paz antes da doidona subir na bancada e querer tirar a roupa.
Freddie riu discretamente se lembrando dessa loucura de Sam. A garota podia até ter mudado um pouco no seu jeito agressivo, estilo de roupas e seu corpo, com certeza, havia desenvolvido bastante desde a ultima vez que a vira. Mas, algumas coisas nunca mudariam... Samantha era louca de pedra, assim pensava Freddie.
— Uhum. — o moreno respondeu — Ela mesmo disse que não é mais a garota de dois anos atrás que faz pegadinhas o tempo inteiro e que gosta de pegar no pé dos nerds.
Griffin a admirou porque gostava de fazer exatamente aquelas coisas de vez em quando.
— Ela é uma fera, cara! — Griffin exclamou e fez Freddie esquentar — Se você come essa garota, acho que ela acaba contigo. — desmanchou seu sorriso tentando passar um ar mais sério — Acho que vai ser mais fácil ainda se vocês têm uma história antiga e ela já não te odeia mais como antes.
Freddie olhou pro teto pensando que seria mesmo difícil aguentar ver Sam todos os dias e conter seu ímpeto de empurrá-la no banheiro do zelador e a ter nua só para ele. Se estivermos falando de dificuldade, Freddie preferia arriscar levar um fora do que não tentar e nunca saber o que teria acontecido.
— Eu vou tentar. — Freddie disparou e Griffin abriu um sorriso grande — Mas, se ela me bater, eu vou atrás de você e da Carly e faço os dois contarem tudo a ela. Estou avisando.
Griffin quis gargalhar na cara do amigo, mas já estava exigindo demais dele, não poderia abusar.
— Se ela te bater, vai ser no sexo selvagem que ela deve fazer. — depois de ouvir isso, Freddie se arrepiou — Me agradeça depois, irmão.
Griffin saiu dos seus devaneios quando o elevador apitou um som suave e abriu as portas elétricas. Desceu direto para a garagem do hotel afim de pilotar sua moto até a escola.
Chegando na esquina da Ridgeway viu uma movimentação que parecia um pouco incomum. Estacionou sua moto na calçada em frente e conseguiu avistar cabelos negros que ele reconhecia muito bem encostados na grande porta da escola.
— Oi.
Disse Griffin sereno se aproximando de Carly. A morena estava bufando ali e isso fez com que Griffin a olhasse com curiosidade. Ela tinha gloss mais brilhantes que a lataria de sua moto e o garoto quis saber que gosto tinham.
— Oi, Griffin! — disse Carly tentando mostrar empolgação enquanto Sam se aproximava.
— Carlotta! Tem uma Harley Softail na calçada da frente! Estou tentando me beliscar para saber se é um sonho! Essa moto saiu de linha tão rápido, é praticamente exclusiva! Sempre foi meu sonho ter uma!
A loira disse com um ânimo que ninguém tem às 7 da manhã. Percebeu que Griffin estava ali olhando ao redor confuso pelo o que estava acontecendo. Virou para Sam e riu abafado.
— Isso é porque as motos da Harley sempre são as mais desejadas do mercado. — disparou Griffin — Você sempre precisa correr para garantir uma.
Sam o olhou confusa com um sorriso de lado.
— Como você sabe disso?
— Ué, porque a Softail é minha! É como uma filha para mim.
Depois que Griffin parou de falar e deu de ombros, Sam não acreditara. O bad-boy era, além de tudo, um amante de motos como ela. Queria mais que tudo continuar aquela conversa, mas sentiu alguém se aproximando na rodinha em que formaram.
Freddie estava tão arrumado que parecia mentira. Como alguém estava tão impecável aquela hora da manhã? Sam não entendia. O olhara de cima abaixo tentando conter uma admiração pelo seu cabelo estar tão bem penteado como na festa.
— O que rolou? — disse Freddie olhando confuso para multidão de alunos que já estava se formando.
— A energia da escola deu um pau sinistro e estão pedindo para esperarmos aqui fora porque pode ser perigoso ficar lá dentro. — a loira respondeu rapidamente enquanto abria sua mochila para pegar um sanduíche de presunto.
Sam estava farta daquela demora, queria ir pra casa pegar um pacote de bacon que guardara na geladeira e dormir a tarde inteira. Sinceramente, ela esperava que o problema de energia fosse apenas resolvido no dia seguinte para que pudesse ter uma desculpa para voltar para casa.
— Acho que vou ralar daqui, — dizia Sam entre mordidas no sanduíche — está na cara que essa coisa não vai se resolver tão rápido.
Freddie concordou. Por mais que seus instintos gritassem para que ele permanecesse lá porque esse seria o certo, pensou, também, que seria uma boa hora para colocar o plano em ação.
— Estou com a Puckett nessa. — disse Freddie arremessando um olhar de cumplicidade para Griffin — A única merda de ir para casa é ter que aguentar a minha mãe pedindo para montar quebra-cabeça com ela. Tudo menos isso.
Sam olhou para Freddie e soltou uma risada um pouco alta. Ela se lembrava de Senhora Benson porque os dois já moraram no prédio de Carly. Pensou que ela poderia ter mudado, mas parecia ser a mesma depois daquele comentário de Freddie.
— Por que não vamos para o meu quarto de hotel, então? — soltou Griffin — Quer dizer, vocês podem ficar lá o tempo que quiserem, se não rolar escola mesmo, vou ter que dar uma saída daqui a pouco. — mentiu o garoto.
Não podia negar que essa seria a oportunidade perfeita para deixar Sam e Freddie um pouco sozinhos. Mas, pensou que seria um desafio a loira aceitar se Carly não fosse junto.
Griffin lançou um olhar significativo para Carly e ela começou:
— Acho uma boa. — Sam e Freddie a olharam incrédulos — Que foi? Se não vai ter aula mesmo é inútil ficar aqui. — ela continuou — Até pode ser divertido fazermos algo juntos até Griffin ter que sair. Vocês não topam?
Sam e Freddie se entreolharam como se estivessem tentando decidir. Claro que o convite era bom demais, nada melhor do que passar o que seria a primeira aula do ano num quarto de hotel com algumas coisas diferentes para fazer e algumas comidas boas para experimentar. Era, principalmente, na segunda coisa que Sam pensava.
— Eu acho de boa... — Sam começou — se tiver serviço de quarto, mamãe está dentro!
Freddie a olhou com malícia sem que a loira percebesse. Será que o plano finalmente andaria pra frente hoje?
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