Changes of Destiny

2 A loucura perfeita


— Por que ele não iria me querer, nerd? — Sam esbravejou estupefata com a audácia de Freddie. Pensou que ele havia mudado muito depois que foi morar no Canadá.

Era verdade. Freddie saiu de Seattle sem ter beijado nenhuma garota, mas quando conheceu Griffin nas reuniões do Prêmio de Tecnologia Avançada de Toronto, Freddie aprendeu a ser mais como ele.

Griffin era um verdadeiro encantador de mulheres, todas as meninas em que cruzavam seu caminho eram atingidas de alguma forma pelo seu jeito galanteador. Ele tinha tudo: era inteligente, bem sucedido, independente e bem charmoso. Apesar de bad-boy, ele era um dos melhores alunos de sua classe, se interessava por mecânica de motos e por tecnologia. Foi chamado para ser juiz do Prêmio quando ganhou um no ano anterior pela sua invenção de telas personalizadas e touchscreen para motos Harley Davidson.

Freddie se encantara pelo jeito de viver do garoto e nunca esqueceu o vexame que passara quando a escola inteira descobriu que ele ainda não havia beijado ninguém. Ele queria se provar, mesmo que ninguém o visse. Ele queria estar ali, no mesmo patamar de Griffin e não ser mais um nerd bobalhão como dizia Sam Puckett.

A esse ponto ele já tinha transado com uma quantidade considerável de mulheres. Sentia-se orgulhoso por ter aprendido a dominar práticas de sedução e conseguir satisfazê-las completamente na hora H. Ele gostava de sexo e não podia negar. Desejava até mesmo Samantha, antes fosse pra ela gemer o nome dele a noite inteira. Isso faria bem ao seu ego. Imagina estar por cima da garota que fez você passar por tanta humilhação.

Sem metáforas. Literalmente por cima.

— Sei lá, Sam! — Freddie ficou nervoso — não sei se você faz muito o estilo do cara... — ele mentiu.

Como ele queria levar a provocação anterior adiante... mas não conseguia. Parecia estar hipnotizado por ela. Parecia ter voltado aos seus 15 anos com ela por perto. Ele tinha certeza de suas habilidades com mulheres, mas ficou desconcertado com a presença de Sam. Estava se odiando por estar deixando esse assunto se prolongar. Se alguém queria transar com ela, esse alguém era ele. Se alguém seria homem o suficiente para satisfazer a loira, ele tinha certeza que esse alguém era ele.

Não sabia porque estava tendo esses pensamentos. Afinal, ele odiava aquela garota, não odiava?

Então, Freddie viu a cena perfeita que tiraria essa ideia da mente de Sam. Griffin estava conversando com Carly de uma maneira bem próxima na cozinha. Sua mão esquerda estava na parede em que a morena estava encostada. Eles pareciam rir juntos enquanto bebiam e conversavam.

— E além do mais — Freddie começou — acho que ele gostou da Shay. — ele apontou em direção aos dois.

Sam se virou para olhar e viu os dois num clima que não parecia amistoso. Parecia que poderia pegar o tesão no ar de tanta faísca que Carly e Griffin soltavam. Ela quis se esconder em qualquer lugar que Freddie não a visse. Quanta humilhação pedir pro nerd um favor desses e o cara já estar com outra. Sua melhor amiga, ainda por cima!

Se virou de volta para Freddie e ele estava com um sorriso vitorioso. Quis acertar um soco no meio do nariz dele para que aprendesse a nunca mais debochar dela. Não sabia o que dizer, nem o que pensar, estava prestes a ver sua melhor amiga beijar o cara em que ela estava afim. Ela quis isso primeiro! Assim que ele adentrou a casa dos Shay ela o quis!

— Desencana, Puckett. — Freddie tentou amenizar a situação — Vamos pegar mais uma cerveja, essa sua está quente, credo.

Disse ele após colocar uma de suas mãos sobre a garrafa da garota.

— Beleza. — foi só o que ela conseguiu responder.

Sam abriu a geladeira e pegou duas cervejas, uma para ela e outra para Freddie. Encarou o moreno que parecia a olhar com uma certa pena. Ela sentiu seu corpo esquentar. Por que a estava encarando assim? Sam odiara isso.

— Aí, Freddonho, pode tirar essa cara de derrotado pra mim, existem outras pirocas por aí, não estou choramingando pelo seu amiguinho — ela cuspiu as palavras tentando fazer Freddie parar com toda aquela postura que a estava incomodando.

— Não tenho cara nenhuma, garota. Só acho que deveria ir se divertir em vez de ficar secando os dois a noite inteira.

Sam sabia que não estava secando os dois coisa nenhuma. Freddie tinha falado aquilo pra provocá-la. Mas, se ele achava que poderia falar do jeito que quisesse com ela, estava muito enganado.

— Tem razão, nerd. Vou me divertir muito essa noite.

Então, a loira saiu de onde estava e começou a aumentar o som que estava tocando "Boss Bitch" de Doja Cat num remix eletrônico. Diminuiu ainda mais as luzes do apartamento e subiu na bancada que existia entre a sala e a cozinha dos Shay.

Quando todo mundo começou a gritar com ânimo, Sam começou:

— E aí, galera? Estão gostando da nossa festinha pré começo do inferno?

As pessoas se viraram para ela e começaram a gritar em comemoração. Todos sabiam que o ano na Ridgeway não era fácil e essa teria que ser uma noite para se viver ao máximo. Alguns estavam sóbrios, outros estavam alegrinhos dançando por toda a extensão da casa e outros até vomitavam no banheiro de tanta bebida que ingeriram.

Sam sabia que nem todo mundo se lembraria de detalhes daquela noite, mas sabia que teria o poder de fazer ser inesquecível de verdade.

Começou a dançar de forma sensual em cima da bancada, arrancando atenção dos meninos, principalmente dos mais novos. Todos percebiam que ela não fazia aquilo por excesso de álcool, ela fazia porque queria.

Alguns começaram a aplaudir e gritar seu nome enquanto desejavam que ela começasse a tirar a roupa.

Griffin se virou para Sam e riu abobalhado, não acreditando o quão louca e fascinante era aquela garota. Carly olhou para ela incrédula incapaz de esboçar alguma reação. Freddie queria descê-la dali imediatamente, mesmo que admirasse o quão gostosa ela estava com aquela roupa e atitude.

Quando estava prestes a arrancar seu top e ficar apenas de sutiã diante de todos, ela hesitou e sorriu maliciosa.

— Eu sou muito gostosa, não é mesmo? — começou e ouviu os assobios de todos — Vocês acham loucura o novato do Griffin Andrews não querer transar com a mamãe aqui?

Sam apontou para Griffin que estava com seus olhos totalmente arregalados. Os olhares começaram a se virar para o garoto e ele não sabia como agir ou o que responder. Carly quis levar ele para o andar de cima para explicar a situação, mas esperou que todos ficassem distraídos de novo.

Freddie revirou os olhos e começou a tirar Sam da bancada a força. Ignorou quando ela começou a bater nos seus braços e gritar para que ele a soltasse.

As pessoas deram de ombros e voltaram a fazer o que faziam antes do show de Sam começar.

— Está maluco, Benson? — disse Sam olhando com fúria para o nerd em sua frente.

— Você quase tira sua roupa na frente de todo mundo e eu que estou maluco? — riu Freddie depois de pensar que aquilo realmente havia acontecido — Você é doidona de pedra, Puckett. Nem conhece o Griffin direito e quase arruinou o lance dele com a Carly.

Sam deu de ombros e começou a procurar os dois para saber como estavam suas caras depois do que ela tinha acabado de fazer.

Carly estava chegando no quartinho do segundo andar e disse para Griffin que precisava conversar com ele. Adentrou depois de abrir a porta com a chave reserva em cima do banco ao lado e sentou-se no puff olhando para o menino.

— Pode sentar — ela disse apontando para um puff colorido que estava ao seu lado.

— Valeu — Griffin respondeu.

Carly queria explicar para Griffin que Sam estava afim dele desde que ele entrara na festa e por isso estava fazendo aquilo. Queria, também, dizer que ela não poderia beijá-lo essa noite porque isso seria falta de consideração com a loira. Não sabia como dizer isso, porque ela queria aquilo tanto quanto ele. A conversa que os dois tiveram na cozinha fez a morena perceber que Griffin era incrível. Ele tinha boas notas, habilidades legais e também era um doce.

Mas então, Andrews quis quebrar o silêncio:

— Maneiro, o quartinho... usam pra guardar o que? — ele perguntou dando uma olhada em volta.

Na verdade, era um quarto extra usado para visitas e também para estudo. Como Spencer estava sempre barulhento no andar de baixo, Carly achava esse um espaço confortável para ficar em paz, ouvir música ou estudar.

— Nada... — Carly disse um pouco pensativa.

Ela realmente não estava sabendo lidar muito com essa conversa.

— Mas, me diz, Shay... por que me trouxe aqui? Quer falar algo importante? — Griffin perguntara olhando nos seus olhos.

A morena sentiu um arrepio estranho. Ela desejava tanto ele, estava molhada desde que ele se aproximara da sua boca na cozinha. Suas respirações começaram a se misturar, mas tudo desandou quando Sam havia subido na bancada.

— Sei lá... A Sam é minha melhor amiga, ela se interessou por você logo de cara, por isso ela falou aquilo na frente de todos, — começou a ficar um pouco nervosa — ela deve ter visto nós dois conversando e quis desviar a atenção. Acho que não seria legal se a gente ficar... — ela começou a olhar para as mãos enquanto mexia nas unhas — Quer dizer, eu até quero, porque estamos nos dando bem e você é bem gostoso...

— Espera, o quê? — Griffin soltou um sorriso e uma risada silenciosa que fez Carly sentir vergonha até o seu dedo do pé.

— Foi mal, — ela continuou tentando ignorar o que havia dito — é que não é legal fazer isso com uma amiga.

— Eu sei. Relaxa. Mas o problema é que eu não estou afim da Sam. Gostei mesmo foi de você... — ele tentou se explicar — Sabe, até achei que o Benson poderia ficar com ela para que a gente pudesse ficar juntos hoje, mas parece que os dois não se dão bem.

— Eles tem um problema antigo, é uma merda. Mas, na verdade, sempre achei que os dois escondiam algum tipo de atração atrás desse jogo de ódio que sempre faziam. — Carly confessou se virando para olhar Griffin.

— Eu conheço o Benson. Sei que o problema dele com ela é ego ferido. Ele a olhou por um tempão enquanto estávamos lá embaixo, o cara quer ela nua! Acredite! — ele riu pelo nariz enquanto arrancava uma gargalhada de Carly.

— Mas, sem chance disso ser verdade com a Sam. — falou depois de umas respiradas — Ela não quer o Freddie nem pintado de ouro.

Carly achava que os dois se odiavam, e era parcialmente verdade. A implicância que os dois tinham, só eles entendiam e sabiam até onde ir. Sam ultrapassou esse limite, mas o tempo no Canadá fez bem para Freddie. Ele achava que tinha superado toda aquela coisa de ser um virjão quando começara a andar com Griffin. Todas as palavras da loira pareciam ter caído por terra, mas ele ainda queria provar para ela o quanto ele era bom. Isso tudo ainda era uma confusão que só pairava na cabeça deles, então era impossível que alguém de fora soubesse.

— Acho que o Freddie mudou muito. Ele, com certeza, se arranjaria com a Sam rapidinho. Só um tempo com ele e eu consigo convencê-lo que é melhor que a Sam desencane da ideia de ficar comigo.

Griffin queria muito que a Sam não ficasse no caminho entre ele e Carly. A loira era linda, gostosa e ele se amarrava numa maluca, mas sabia que não desistiria da ideia de ter pelo menos uma experiência significativa com Shay. Ele precisaria tirar Samantha daquilo e ele sabia exatamente o que fazer.