Changes of Destiny
3 A teoria querendo ser praticada
Sam acordara sozinha naquela tarde de sábado depois da festa com um cansaço um pouco maior que o normal.
Reconheceu o quartinho do segundo andar da casa de Carly quando decidiu sentar ainda sonolenta na cama. Sabia que não tinha bebido o bastante para estar de ressaca, mas a cerveja a fez ficar tão cansada que a garota simplesmente apagou. Se perguntou se tinha ajudado a arrumar a bagunça que o apartamento tinha ficado. Era pouco provável. Sentia fome e sentia vontade de esquecer que tinha se jogado para Griffin daquela maneira. Afinal, o quão desesperada ela estava para ficar com aquele garoto?
Não estava desesperada, de fato. Apenas não se interessava por alguém assim há tempos. Seu último namoro com Jonah Gilbert, assistente de T-Bo no Groovie Smoothie, tinha sido um fracasso e a loira tomou um pouco de repulsa de todas essas baboseiras de paixão.
Se sentiu meio esquisita em pensar que tinha se apaixonado por Griffin a primeira vista. Talvez só quisesse transar com ele ou transformar os dois num lance exclusivo por um tempo. Sabia que não queria se casar com o garoto, por Deus, que nojo ela tinha dessas bobagens.
Tomou coragem ao levantar quando sua fome falou mais alto, por mais que estivesse evitando encarar a melhor amiga que provavelmente estaria logo abaixo as escadas. Ela queria se desculpar, tinha ciência que não tinha sido a melhor atitude deixar Griffin envergonhado enquanto ele e Carly faziam sei-lá-o-quê juntos. Sam sabia que tinha um clima entre os dois assim que os vira. Isso não se faz com uma amiga.
Queria conversar com Carly sobre ter se interessado pelo motoqueiro logo de primeira e que isso era raridade de acontecer ultimamente em sua vida. Ela tinha certeza que ele era seu número só pelo jeito que se vestia e falava. Ela nem sabia que Griffin era um apaixonado por motocicletas e pegadinhas como ela. Isso faria seu interesse aumentar, com certeza.
Finalmente desceu as escadas se preparando para conversar com Shay. Assim que chegou no andar de baixo viu a morena preparando o almoço na cozinha.
— Oi, Sam! Você está aí! — disse Carly com um tom animado — Achei que fosse dormir até amanhã.
Sam sorriu com um olhar admirado. Sua amiga, depois de tudo que ela fizera, estava ali a acolhendo como nunca, até a casa bagunçada da festa dela havia arrumado. Tinha provavelmente entendido que a loira não tinha condições de ir para casa e preparou a cama do quartinho para que ela dormisse. Sam notou que estava com uma roupa diferente e que parecia de Carly. Ela sentiu uma culpa sobrecarregar em seus ombros, queria desistir de insistir em Griffin se Carly estivesse mesmo afim dele. A amiga não merecia o que ela havia feito na noite anterior.
— Obrigada, Carlotta! — disse Sam tentando transparecer sua genuína gratidão.
Carly sorriu confusa tentando entender porque sua amiga estava agindo tão estranho. Sam não era tão boa com as palavras, raramente agradecia assim e demonstrava mais com ações.
— Pelo quê, maluca? — a morena riu — O almoço está quase pronto, não vai querer perder, né?
— Não! Valeu mesmo, Carls. — Sam olhou para ela pensativa — Podemos conversar enquanto a gente almoça? Sabe... assunto sério...
Carly se assustou um pouco, mas rapidamente deduziu o que era. Provavelmente, Sam tinha se empolgado em estar interessada por alguém pela primeira vez em tanto tempo que não mediu as consequências que seu show na bancada trariam.
— Claro! — exclamou respondendo — Vai fazendo seu prato enquanto eu ajeito a mesa.
Sam olhou para a panela salivando. Não sabia se comia apenas o macarrão ao molho de tomate ou junto com os tacos que Carly havia deixado na bancada da cozinha. Talvez comeria os dois.
Abriu o armário de cima pegando um prato e colocou uma quantidade generosa de macarrão ali. Adorava a comida de Shay e com certeza tudo era melhor do que a gororoba que sua mãe tentava fazer.
Sentou-se sem tirar os olhos do seu prato imaginando devorá-lo em segundos, mas sabia que não podia adiar essa conversa.
— Foi uma merda o que eu fiz ontem. — disparou — Eu nem conhecia o moleque e o deixei constrangido na frente da escola inteira. Acho que ele vai querer voltar para Toronto depois dessa.
Carly tentou segurar o riso. Não estava incomodada com o que Sam havia feito, muito menos Griffin estava. Ela gostou muito do plano que o bad-boy apresentara a ela com relação a Freddie e Sam, também sabia que para funcionar teria que fazer sua parte.
— Tenho certeza que ele nem ligou, Sam. O Griffin é de boa — disse Carly tranquila enquanto pegava uma garrafa de chá gelado que havia posto em cima da mesa.
Sam levantou as sobrancelhas e riu um pouco. A morena já conhecia o cara nesse nível? Sabia até como ele ia reagir...
— Ah, é, Shay? Já está conhecendo bem o menino, né não? — a loira falou descontraída enquanto dava uma garfada no macarrão.
Carly corou e quis sumir quando percebeu a burrada que havia feito. Não adiantaria dizer para Sam que estava gostando de Griffin, isso até poderia causar uma briga entre elas. A morena não queria estragar seu primeiro grande interesse em um garoto depois de todo aquele tempo praticamente sem nem dar um beijo. Não queria de jeito nenhum tentar "roubar" o que Sam queria.
Deveria seguir o plano de Griffin à risca. Os dois não poderiam revelar que estavam se gostando, apenas deveriam deixar Freddie fazer todo o trabalho de sedução em cima de Sam para que ela em algum momento esquecesse que Carly e o motoqueiro estavam tentando ficar juntos. Se Sam tivesse alguém depois de tanto tempo, com certeza não se incomodaria em não ter ficado com Griffin.
Ou pelo menos era assim que o garoto pensava.
— Não é nada disso, é que conversamos ontem e ele pareceu ser tranquilo — disse Carly fingindo dar de ombros.
Sam se lembrou da cena dos dois juntos e da raiva que sentiu. Queria o garoto, é verdade, mas estava na cara que sua amizade com Carly era mais importante.
— Eu vi... — disse a loira — Fiz aquele showzinho pra ver se roubava a atenção dele. Sei que não foi legal, foi mal, Shay.
A morena a olhou com ternura. Sabia que não tinha sido por mal, deve ser frustrante gostar de alguém a primeira vista e nem ter tido uma chance para conhecê-lo melhor. Mas, Carly, também sabia que não era culpada do interesse mútuo surgido entre ela e o garoto. Sabia que Sam logo ficaria bem depois de estar com Freddie, aquilo devia ser apenas carência.
— Não tem porque pedir desculpas. Estávamos só conversando e nem teve nada demais. — Carly estava disposta a seguir aquele plano.
Sam a encarou por alguns segundos. Tinha vontade de conhecer Griffin mais a fundo porque realmente se interessou por ele. Parecia que Carly não ligava para ele tanto quanto ela. Não queria magoar sua melhor amiga, mas parecia que não ia fazer nem perto disso se tentasse se aproximar de Griffin.
— É que, você sabe, não me interesso por ninguém faz séculos ,- disse terminando seu macarrão — nem estava ligando pra isso quando o vi. O cara me atraiu de verdade, Carls.
A morena sentiu gelar a espinha. Ela estava querendo demais o Griffin para deixar esse comentário de Sam passar. Será que Sam estava, então, apaixonada? Pela primeira vez?
— Então, você tá... — Carly deu um gole no seu chá gelado — tipo apaixonada?
Sam quis gritar de rir. Sabia que não estava apaixonada, só era legal estar interessada em alguém que não estivesse em condicional ou preso. Ela realmente queria conhecer alguém novo, se envolver até quando for bom pros dois e depois seguir em frente.
— Não! — Sam gargalhou — Sabe como eu sou, né Shay? Quero ficar com ele até onde der, mas me dá calafrios essa besteira de "apaixonada". Nem pelo Jonah eu fui direito...
Carly suspirou em alívio. Aquilo seria somente um interesse repentino, nada que fosse causar grandes danos a loira. Ela estava então determinada a seguir com o plano.
As duas acabaram de almoçar e Carly ainda estava pensativa sobre aquilo tudo. Queria conversar com Griffin sobre o plano ali mesmo, mas sabia que seria impossível com Sam em sua casa.
Sam estava perambulando pela sala enquanto pensava.
— Shay, talvez eu até me apaixone no meio do caminho pelo Griffin... mas acho muito cedo pra pensar nisso agora. — falou enquanto sentava no sofá.
Carly quis rir, mesmo sem entender porque achara graça. Ela tinha a sensação que Sam se apaixonaria aquele ano, mas não por Griffin e isso ela não conseguiria explicar.
— Pode ser... — a morena disse enquanto olhava para a pia que provavelmente deixaria suja até Spencer chegar no dia seguinte.
— Conviver todo dia pode impulsionar que isso aconteça. — continuou Carly indo em direção a sala — Será que ele está resolvendo as papeladas da matrícula na Ridgeway agora?
Perguntou retórica. Ela sabia onde Griffin estava e tinha certeza que a essa hora seu plano estava sendo colocado em prática. Quando foi embora da festa depois da conversa com Carly — onde não rolou nada mesmo, por sinal — Griffin disse que dormiria na casa de Freddie no centro de Seattle naquela noite.
Os dois já haviam acordado faz tempo porque a mãe de Freddie os havia despertado alegando que preparara o café da manhã. Estavam jogando video game no quarto do nerd enquanto comiam um Cheetos sabor queijo.
— Sua mãe vai surtar quando ver esse controle todo engordurado — disse Griffin dando uma risada alta.
Senhora Benson era maníaca por limpeza e controle. Ela realmente tinha horror a gordura, poeira e sujeira no geral. Freddie nem sabia como havia convencido a mesma de comer o biscoito no seu quarto com Griffin. A saudade que sentiu de seu filho enquanto ele esteve no Canadá a deve ter deixado mais flexível.
— Agora ela está toda light porque sentiu minha ausência quando eu não estava em Seattle — disse rindo um pouco.
— Que bom, porque eu não aguentaria os gritos dela de novo. Aquela vez que ela te ligou e eu tive que atender porque você estava fodendo a louca da Sabrina no outro quarto, eu quase fiquei surdo — falou Griffin fingindo uma cara de sofrimento.
Freddie riu e fez uma cara de nojo se lembrando que tinha ficado com Sabrina por estar muito bêbado. Ele tinha se tornado um pouco garanhão sem sentimentos depois da sua vontade de deixar de ser uma chacota pública. Sua mente sempre o pregava peças e ele se lembrava com frequência daquela fofoca maldita que teve que aguentar por dias.
Griffin olhou para Freddie e pensou um pouco. Estava perto daquela partida de Battlefield acabar para que ele pudesse conversar com o amigo sobre Sam. Quando conseguiu matar a última pessoa no jogo, gritou com sua vitória e se virou para sentar na cama de Freddie.
Freddie pegou seu celular e começou a se demorar ali. Griffin estava o encarando pensando na melhor maneira de começar aquele assunto.
— Cara... — começou Freddie — se estiver apaixonado por mim, lamento, não sou gay...
Griffin gargalhou enquanto jogava uma das almofadas em direção ao amigo.
— Estou pra te falar uma parada importante, mas acho que você vai me zoar — disparou Griffin colocando outra almofada atrás de sua cabeça.
— Fala logo — disse Freddie voltando a atenção pro celular.
— Sabe aquela gata? A Carly Shay?
Freddie o olhou com malícia. Não acreditara que uma menina havia finalmente amarrado Griffin mesmo que minimamente. Ele estava afim mesmo da morena. Ele matutou um pouco confuso, porque para ele, Carly era no máximo bonita, gata mesmo era a Sam.
— Claro que sei, idiota. Fomos muito amigos durante anos — revelou Freddie.
Griffin pensou que seria mais fácil conseguir Shay se Sam já não estivesse interessada por ele. Estava com a faca e o queijo na mão. Seu melhor amigo, de certa forma, tinha intimidade com a garota e poderia acelerar as coisas pedindo a ajuda dele. Mas, essa não era a realidade. Precisava seguir com o plano para não desapontar Sam e nem estragar a amizade da loira com Carly.
— Eu estou amarradão nela. — falou Griffin — Sabe, a loira é maneira, delicinha, mas a Shay me pegou de jeito.
Freddie riu pelo nariz jogando aquela almofada de volta no garoto.
— Você está gamadão, cara! Quem diria? A Carly é toda doce, frágil e inofensiva. Você não gostava dessas.
— Eu sei. Isso está me deixando até atordoado. — o garoto sentou na cama para continuar — Acho que a loira ficou na minha, mas só consegui pensar o que poderia fazer com a Carly se estivéssemos no quarto dela.
Freddie se lembrou que Sam estava completamente interessada em Griffin e se aliviou por saber que ele não estava de volta. Não tinha conseguido esquecer o quão sensual Sam estava naquela noite e já tinha imaginado em quantas posições diferentes poderia comê-la. A queira só para ele, nem que fosse por uma noite.
— A Sam estava na sua mesmo, — Freddie disse com certo desprezo — mas deve ter desencanado depois que te viu com a Carly.
Griffin balançou a cabeça negativamente.
— Quem dera. Carly falou que ela ficou bem interessada em mim como não ficava há um tempão. Acho que ela se apaixonou e deu merda, então ficou com um pouco de tédio nessas coisas de amor. — explicou Griffin se acomodando de volta na cama de Freddie.
Freddie quis bufar, mas isso seria tão estranho. Ele estava com raiva de Sam estar tão gamada em um cara que queria sua melhor amiga. "Achei que a Puckett fosse mais inteligente", pensou.
— Ela praticamente fodeu minha vida na Ridgeway. Espalhou um boato de que eu nunca tinha beijado ninguém e eu tive todos os apelidos possíveis por dias. — comentou Freddie revirando os olhos — Queria pegar ela de jeito pra mostrar que não sou nenhum virjão.
Bingo! Griffin pensou que seria mais difícil, mas estava com a carta na manga. Conhecia tão bem Freddie que adivinhara ontem que seu problema com Samantha era de ego ferido. Só precisaria propor suas ideias e seria perfeito.
— Então aproveita, — começou Griffin — quero meio que você distraia ela enquanto eu tento minha vida com a moreninha. Seduz ela, cara. Faz ela cair na sua lábia, sei lá. Fica de companhia até ela esquecer o fato de que queria ficar comigo. É a melhor proposta que já te fiz em anos, fala aí! — Griffin o olhava esperançoso querendo rir um pouco — Comer uma gostosa sem compromisso não é nada mal, né?
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