Notas iniciais
Hoy! Fui rápida, né? Estou muuuuito in love com as fichas! MUITO MESMO! Espero que aproveitem esse cap *-*

–Você não vai contar para o meu pai- disse imediatamente, sem pensar nisso por um segundo. Abençoada seja a princesa Helena por está fazendo aniversário!

Minha mãe me encarou por alguns segundos, ainda transtornada. Uma semana havia se passado depois de tudo, apenas uma semana! E agora eu teria esse… ser dentro de mim me lembrando desse momento a minha vida inteira.- Eu quero abortar.

Minha mãe ficou horrorizada e começou a balançar a cabeça. Era tão horrível, seus olhos azuis estavam cansados e opacos, seu cabelo ruivo estava sem brilho. Usava apenas um robe normal e sua postura estava abatida. Eu não devia estar muito pior, sentia as olheiras embaixo dos meus olhos e meu cabelo estava opaco. Tivera pesadelos toda essa semana.

–Eu…- o médico disse desconfortavelmente.- Vou deixar as senhoritas a sós.

–Não!- minha mãe disse e se levantou da poltrona ao meu lado assim que o médico saiu.- Não!

–A decisão não é sua!- gritei descontrolando- me.- Eu que vou carregá- lo a minha vida toda!

–Você não pode, Samantha! É uma criança!

–Fruto de qual amor, mãe?

America estancou e me olhou dolorosamente. Ficamos nos encarando por alguns segundos, eu estava morrendo de raiva. Eu teria que mudar a minha vida, mudar o meu estilo… tudo porque um homem me forçou a isso. Eu não quero isso para mim.

–Você que sabe- minha mãe concluiu firmemente e pude notar seus olhos lacrimejando. Ela se aproximou da minha cama, ficando na minha frente.- Só espero que saiba o que está fazendo, Sam. É uma vida, é uma parte de você que está aí dentro. Não importa com quem você teve, mas sim o fato dele estar aí. Não posso imaginar a sua dor, querida. Não posso falar que se estivesse em seu lugar eu faria diferente. Mas posso te dar um conselho de amiga: sei que pode olhar para o bebê e lembrar desse dia da sua vida, mas eu espero que não olhe para um filho seu e lembre desse dia aqui, quando você decidiu tirar a vida de um.

Encarei- a com os olhos marejados. Droga, sabia que ela estava certa! Tentei controlar a minha respiração e pensar com clareza.

–Vamos pensar com carinho, filha- ela sugeriu.- Vamos falar com o seu pai e tentar visualizar uma alternativa…

–Não! Não quero falar com ele!

–Você vai ter que falar, Samantha! Ele é o seu pai, ele está ciente de tudo o que acontece nesse palácio!

–Nem tudo- murmurei sem pensar.

–O que?

–Nada!- respondi, rapidamente mudando de assunto.- Então quando ele chegar amanhã… eu falarei. Não você, eu. Deixe que ele saiba por mim.

Minha mãe me encarou cansada e pôs as mãos nas têmporas dizendo:

–Se é assim que você quer.

–Sim. É assim que eu quero.

***

–Samantha?- alguém bateu na porta e eu prendi a respiração, logo reconhecendo a voz de meu pai.

–Pode entrar- respondi com uma voz firme, deixara tudo preparado em meu quarto. Havia comida para tomarmos café da tarde juntos e deixei alguns quadros com fotos minhas e dele na parede do meu quarto.

Sim, eu tinha essa mania. Havia chegado a conclusão que se colocasse um monte de uma vez, não teria tempo de admirar todas, então a cada dia eu ia trocando as fotos de acordo com o que queria lembrar. As únicas fotos fixas era uma da família toda, uma com Jonatah e outra com minha mãe e meu pai no meu baile de debutante. Era uma das minhas preferidas, pois meu pai e minha mãe beijavam meu rosto um em cada bochecha e faziam cosquinhas enquanto eu gargalhava.

Meu pai entrou no quarto sorridente. Não havia visto nem Jonny, nem ele quando chegaram à Illéa (deixando o meu irmão furioso). Ele sentou- se na minha cama e olhou para a mesa com comida.

–Está se sentindo melhor, amor?- ele perguntou carinhoso quando viu minha cara angustiada. Rapidamente, ele levantou e me abraçou.

–Sim- disse com minha voz abafada pelo seu ombro.

Sentamos na cama e começamos a comer e conversar. Havia escolhido suas comidas preferidas (que muitas delas também eram minhas) e conversamos coisas banais e simples, apenas um momento de pai e filha que eu insistira para que tivéssemos. Depois de um tempo ele começou a analisar as fotos que eu escolhi e sorriu.

Meu quarto era bastante anormal, havia pôsteres de super- heróis, várias estantes cheias de livros e HQs, várias coisas nerds (como minha luminária do Homem- Aranha) e também vários bichinhos de pelúcia (o meu preferido é o Banguela, o Fúria da Noite, é claro). Mas ao mesmo tempo, eu tinha espaço para as minhas fotos, os meus instrumentos musicais e o meu gosto pela pintura. Era o meu mundo resumido em um só espaço.

Jonny sempre dizia que esse local cheirava a Samantha.

–Pode parecer história- meu pai me interrompeu dos meus desvaneios e apontou para uma foto em que eu havia acabado de nascer e estava em seus braços. Seu sorriso era do tamanho do mundo e ele beijava a minha testa.- Mas eu lembro da felicidade que senti nesse dia. Como o amor me dominou por completo e a minha vida começou a girar em torno de duas coisinhas pequenininhas que só sabiam chorar.

É isso. Essa é a minha deixa.

–Sobre filhos, pai- comecei a dizer.- Recebemos os exames do médico.

–E?

–Está tudo certo- comecei a dizer e respirei fundo tomando coragem.- Exceto pelo fato… exceto por… por…

–Por o que, Samantha?- ele perguntou visivelmente afoito.

–Eu estou grávida, papai.

Ouvi um engasgo por parte dele. Seus olhos estavam arregalados e ele parecia não ter ouvido direito.

–Pai?

Então sua respiração começou a ficar acelerada e ele cerrou os punhos.

–Grávida?- ele perguntou nervoso, já havia se levantado da cama e andava em círculos.- Grávida?

–Pai, eu…- comecei a dizer e levantei da cama. Tentei colocar a mão em seu ombro, mas ele afastou rapidamente.

–Como isso pôde acontecer?- ele perguntou enfurecido.

–Você sabe muito bem o que aconteceu!- gritei e comecei a chorar.

Seu olhar raivoso se tornou brando e ele veio me abraçar. Sussurrava que entendia e pedia desculpas. Meus soluços estavam agonizantes e dessa vez eu não queria contê- los.

–Eu não quero mais abortar, pai. Mas não sei o que fazer!- disse angustiada e ele afagou as minhas costas.

–Daremos um jeito, querida.

***

Por um momento, senti- me furioso. Sam engravidara. A minha irmã engravidara de um monstro e eu não conseguia acreditar. Havíamos recebido essa notícia há dois dias e eu não conseguia absorvê- la até agora. Já havia conversado com ela, ela já chorou no meu ombro e dormiu abraçada comigo, mas não comentamos sobre isso mais porque daqui há cinco dias os nomes das selecionadas seriam anunciados. Daqui há uma semana e cinco dias, elas chegariam. O palácio estava uma loucura.

Guardas chegavam cada vez mais, o número de empregadas aumentava a cada instante. Pessoas e pessoas passavam por aqueles corredores correndo. E o que eu tinha a dizer quanto a isso? Eu não estava com um milímetro de empolgação em meu corpo. Nada. Talvez seria legal ter várias garotas por aqui, mas não passaria disso. Diversão.

–Jonatah, resolvi as coisas com o rei da Grécia. O príncipe virá no dia em que as selecionadas chegarem e, devo admitir, que é um bom partido para Samantha- meu pai me tirou dos meus desvaneios falando sobre o possível pretendente de Samantha. Tínhamos que arranjar um logo, já que ela começaria a ficar com uma aparência mais transformadora.

–E ele sabe da gravidez?- perguntei desconfiado, realmente não queria um cara em cima da minha irmã desse jeito, mas ela havia concordado e quem sou eu para tirar alguma coisa da cabeça de Samantha Delly Schreave?

–Saberá- meu pai respondeu.- O rei contará na hora certa.

Assenti e voltei a analisar as papeladas.

–Tem alguma ideia do que o ataque quis dizer?- ele perguntou para mim.

Por ser o príncipe herdeiro, meu pai sempre me colocava nas questões políticas e sociais de Illéa. Eu trabalhava com ele e o mesmo sempre pedia a minha opinião. Quando eu reclamava, ele sempre dizia que eu era sortudo e que na minha idade ele não tinha o mesmo privilégio de ser ouvido.

–Não faço a mínima ideia- respondi e ele soltou um “nem eu” olhando para as papeladas com o cenho franzido.- Mas vamos descobrir.

–Não é tão fácil- ele disse e eu olhei pra ele confuso.- Nós precisamos descobrir.

***

–Kassy, venha aqui- Kaden chamou e Kessy veio em nossa direção.

Assim que ela chegou, começou a rir conosco. Espiávamos os nossos pais num… encontro (?), meu pai tentava ensinar a minha mãe a atirar com arco e flecha, mas não estava adiantando muita coisa porque ela acabou de acertar o próprio queixo.

–Já disse para ela não tentar bancar a Katniss- Sam disse rindo e todos assentimos.

–Ou o Legolas- intervi sorrindo.

–Sou mais o Gavião Arqueiro- Kaden opina sorrindo.

–O Arqueiro Verde!- Kassy se exalta e mandamos ela calar a boca.

–Nossos pais vão ouvir- ralhei e ela revirou.

–Cala a boca, Jonatah!

–Você não sabe de nada, querida irmã- Sam voltou ao assunto.- o Gavião Arqueiro supera todos dessa nossa listinha medíocre.

–Então por que não disse o nome dele?- perguntei para irritá- la e ela arqueou a sobrancelha para mim. Sabia que estava em terreno perigoso, o Gavião era um de seus personagens preferidos.

–Porque quis comparar a mamãe a uma personagem feminina!

–Não foi nada!- eu gritei.

–Foi sim!

–Eu acredito na Sam!- Kessy interviu levantando a mão.

–É claro que acredita, você é maior puxa saco dela- Kaden argumentou e em poucos segundos uma briga imensa. Eu e Kaden defendiam meu lado e Samantha e Kessy defendiam o delas. Uma briga estúpida que começou sem sentido. Fazer o que, era coisa de irmãos.

–Em que parte vocês pararam de nos espiar para causar essa gritaria toda?- ouvimos a voz de meu pai e encaramos as duas figuras na entrada do quarto de Kaden (que era a melhor visão do jardim ondr estavam) atônitos.

–Acho que parte em que mamãe bateu o arco no queixo- Samantha disse pensativa.

–Foi nessa parte mesmo!- confirmei e o resto assenti. Vi que nossos pais prenderam o riso.

–Vamos logo, vamos comer torta de morango- minha mãe chamou e sorrimos feito bobos.

–É pra já!- Samantha disse e correu escada a baixo.

–E ainda está grávida!- ouvi minha mãe revirando os olhos e suspirando.

Sorri involuntariamente observando Kessy dá a mão para o meu pai e Kaden abraçando a minha mãe de lado. Os quatro seguiram o percusso do mesmo jeito. Eu amava esse momento família, em que nada mais éramos que pessoas normais, fazendo coisas normais.

Mas, como tudo o que é bom nessa vida, dura pouco. Sam iria voltar para as festas, eu iria começar a trazer garotas novamente, Kessy iria cantar para as borboletas e passarinhos enquanto ficava sozinha no jardim e Kaden iria ficar recluso e estudando no quarto, e meus pais… iriam continuar os mesmos. Com um amor infreável que os consumia por inteiro.

Infelizmente, agora só resta torcer para que a seleção seja um consolo para todos nós.

Notas finais
E aí? Continuem mandando as fichas!