Changes- Interativa
5 Rumo ao castelo.
Notas iniciais
”Caro príncipe Damon Ícaro Miller, da Grécia, a corte de Illéa o convida para fazer parte da seleção de pretendentes da princesa Samantha Delly Schreave.
A realizar- se em Illéa, no período da seleção do príncipe Jonatah. Duração de dois meses. Será com um imenso prazer que receberemos vocês.
Favor nos dar a resposta o mais rápido possível.
Obrigada,
Corte de Illéa”
–Você vai participar?- minha irmã, Cassandra, perguntou ansiosa. Ela lia a carta com o queixo apoiado em meu ombro direito.
–Não sei…- eu disse de forma vaga e balancei o meu ombro para tirá- la de lá.- Nosso pai quer que eu vá.
Cassandra bufa e senta numa cadeira perto de mim. Fico a analisando enquanto ela parece pensar, sei que falará alguma coisa para me persuadir a participar, mas nós dois podemos jogar esse jogo.
–Seria muito bom para você- ela começa a dizer de um jeito pensativo.- Conhecer novas pessoas, uma princesa bonita, ficar perto do seu amado tio Maxon…
–Eu não vou conquistar a princesa Samantha, Cassie- disse e ela revirou os olhos.- Se eu for participar, vou por causa do privilégio de ficar um tempo fora e conquistar alianças. Ponto final.
–Então você está me dizendo que vai para conhecer a princesa para cortejá- la, mas não vai conquistá- la? Que tipo de homem é você, sua Alteza?
–Eu não quero me envolver com ninguém- disse e ela encarou profundamente e soltou um grunhido.
–Damon! Você precisa de alguém ao seu lado! A princesa é legal, já falei com ela umas mil vezes!
O pior é que ela está certa.
Que droga, desde quando ela consegue ser tão persuasiva?
–Vou me inscrever sim- disse e sorri quando os olhos de Cassandra brilharam.- Vou falar com meu pai.
Enquanto ia andando até o gabinete real, milhares de pensamentos começaram a tomar minha cabeça. Sabia que meu pai já havia confirmado com o rei o meu nome lá sem sequer me perguntar. Eu tinha uma relação bastante boa com o meu pai, mas ele tomava decisões como um rei… e a princesa Samantha seria boa para mim.
Já havia a visto várias vezes e sabia que ela era teimosa e tinha um gênio forte, mas era uma boa princesa e encantava todos que passavam por ela. Nunca senti nada e sabia que ela já saiu várias vezes escondida com várias pessoas, porém diplomaticamente falando ela é praticamente perfeita. Se porta bem, fala bem e consegue impor seu ponto de vista sem eliminar o ponto de vista do outro.
Cheguei ao gabinete real em poucos minutos e bati na porta, recebendo um “entre” abafado de meu pai. E assim o fiz, estava ele e suas costumeiras papeladas. Nada de muito novo.
–Oh, Damon!- o rei da Grécia, Alexandre Théo Miller, disse e abriu um sorriso.- Sente- se- Sentei- me na macia poltrona e esperei ele falar.- Está de acordo?
–Claro.
***
Meu Deus! O resultado da Seleção irá sair hoje.
É hoje.
Hoje.
Ai, merda.
–Anne, ansiosa?- meu pai perguntou e eu assenti. Faltava poucos minutos para o Jornal Oficial começar e eu estava pirando. Será que eu seria a escolhida?
Havia visto a família real algumas vezes já que me pai era fornecedor de tecidos do palácio e a rainha America já o chamou para um baile. Mas apenas isso.
–Um pouquinho- respondi e dei um sorriso amarelo.
Não posso falar que eu não sentia nada pelo príncipe (afinal, quem não não sentiria atração por aquele rosto?), mas ele parecia apenas um rosto bonitinho. “Então por quê, em nome de Deus, você se inscreveu para a seleção?”. Simples, queria ampliar meua contatos e fazer algumas amigas.
O Jornal começou e o hino de Illéa ecoou por toda a sala. Acomodei- me no sofá esperando ansiosamente o momento em que as selecionadas seriam anunciadas.
O rei Maxon subiu no palanque e começou a falar:
–Boa noite, Illéa- ele começou a dizer com um sorriso. Maxon Schreave era um pedaço de mal caminho, isso era um fato contestável até para os cegos.- Vamos começar a falar sobre os novos programas sociais que Illéa está desenvolvendo em parceria com outros países…
Enquanto ele ia falando, fui ficando cada vez mais ansiosa. A rainha America subiu no palanque para falar sobre as novas oportunidades de emprego e, depois de maia ou menos uma meia hora, eles chamaram Gavril Fradaye.
–Boa noite!- ele exclamou com seu acostumado entusiasmo.- Essa noite iremos contemplar as mais novas selecionadas! Então, iremos chamar nosso príncipe Jonatah Schreave para sortear os formulários!
Jonatah apareceu com um sorriso e seu costumeiro terno. Se o rei Maxon era um pedaço de mal caminho, Jonatah era o caminho todo. O príncipe se posicionou atrás de várias bolas de cristal, cada uma continha o nome da província e vários papeizinhos.
–Está preparado, sua Alteza?- Gavril perguntou.
–Sim, claro- Jonatah começou. Como eu disse, apenas um rosto bonito.- A seleção se expandiu internacionalmente e eu estou muito ansioso.
Acho que não ouvi muita coisa, estava muito nervosa para ouvir qualquer coisa seja ela o que fosse. Ai, meu Deus, ele iria começar por Angeles! Ele ia começar por Angeles!
–A selecionada de Angeles- o príncipe começa e eu prendi a respiração.- É
Mary Anne Baskers!
Ah, meu pai amado! Oh, meu Deus! Eu estou dentro!
–Você conseguiu!- meu pai gritou levantando- se da cadeira e eu encarei a televisão em choque.
–Eu percebi!- gritei de volta animada meio óbvia.
Ai, Senhor, daqui há uma semana estaria no palácio.
Eu estou na seleção.
Aaaaah!
***
O telefone da minha casa não parou de tocar por um segundo desde que meu nome saíra naquele bendito sorteio. O que deixou minha mãe e meu padrasto radiantes, já que eu iria participar da seleção e eles iriam lucrar bastante com isso.
–Senhorita Melanie Moreau, sou da equipe de preparação para a seleção- Ouvi uma voz de um cara, provavelmente um pouco mais velho de fora da minha casa e logo depois uma batida.
Eu era pobre na província de St. George. Vim da França quando eu era pequena e meu pai caiu de uma calha enquanto trabalhava, eu tinha quatro anos quando isso aconteceu e, infelizmente, ele veio a falecer e minha mãe, Catelina Moreau, teve que cuidar de mim.
Abri a porta e dei um rriso. Um homem alto, de idade e que tinha um nariz enorme e fino olhava pra mim, analisando- me da cabeça aos pés.
–Posso entrar, senhorita?- ele perguntou e eu assenti, dando um sorriso para um senhor magrelo, de nariz arrebitado e vestido num terno sufocante. Convidei- o para entrar e olhei em volta aflita, tentando arranjar um lugar para o mesmo sentar. Achei a poltrona menos acabada e pedi para que ele se sentasse. Depois, chamei meus pais e lá estávamos nós no sofá encarando um homem com cara de rato.
Fiz uma lista mentalmente de todas os funcionários que já me ligaram e passaram por aqui. Os guardas, para passar medidas de segurança, uma mulher chata que veio inspecionar a minha casa toda, franzindo o cenho quando via algum lenço remendado ou uma tábua solta, e tinha uma mulher chamada Silvia, que parecia uma senhora de idade, que me ligou umas duas vezes para se certificar se precisávamos de alguma coisa.
–Então, senhora, senhor e senhorita- ele começou e limpou a garganta, nos olhando com olhos estreitos.- Pode parecer grosseiro, mas agora você é propriedade de Illéa e devemos tomar certos cuidados com o seu corpo.Tenho diversos formulários que a senhorita deverá assinar enquanto lhe passo as informações necessárias. É meu dever informá-la de que qualquer falha de sua parte em cumprir nossas exigências implica sua exclusão imediata da Seleção. A senhorita compreende?
–Sim- respondo e solto um suspiro mentalmente, já sei no que isso vai dar e já consigo sentir a queimação dos olhares fixos de minha mãe e Edgar.
–Vamos começar pelas vitaminas que precisa tomar, já que vendo sua condição financeira, percebemos que não deve se alimentar direito- ele disse e pude ver um pouco de pena no seu olhar.
Depois de um monte de formulários, um monte de baboseira e coisas sobre exames médicos (Sério, o cara encrencou comigo, afirmando que eu tinha que ter alguma doença graças à situação precária… o que eu posso dizer… que tenho saúde de ferro?), ele ficou mais sério e aproximou mais de nós.
–Agora uma pergunta séria: a senhorita é virgem?- ele perguntou direto e eu engasguei com a minha própria saliva. Que tipo de pergunta era essa? Que tipo de porcaria de pergunta era essa?- Não temos nada contra, senhorita.- O homem disse e murmurou acrescentando:- Não mais.
–Sim!- disse esbaforida. O “incidente do estacionamento” logo passou pela minha cabeça, mas eu apenas ignorei.- Claro que sou virgem!
–É bom que seja mesmo- meu padastro, Edgar, disse colocando a mão nas minhas costas. Quase tremi com o toque dele, mas sorri.
–Claro!
E ele voltou a explicar mais um monte de coisa, de como era a eliminação, o quanto a seleção podia durar. Eu já estava distraída com a mosca que estava grudada na teia de aranha ali na parede. Torcia para que ela sobrevivesse, mas a aranha já estava chegando e não acho que essa mosca seja tipo o flash e…
–Senhorita Moreau?- o homem perguntou e eu logo prestei atenção nele, dando um sorriso sem graça.- Está tudo bem com os termos, certo?
–Sim, claro- respondi e pude ouvir os suspiros de minha mãe e Edgar animados.
–Então… bem- vinda à seleção, senhorita.
***
–Jonatah, está nervoso?- minha mãe perguntou sorrindo e eu neguei com a cabeça.
–Claro que não!- disse óbvio.
–Sei…- ela me olhou desconfiada e sorriu, voltando a arrumar a minha gravata. Diferente da das anteriores, nessa seleção eu mesmo iria receber as selecionadas quando chegarem. Um pedido meu, que queria as ver antes dos cosméticos e mais um monte de coisa as tomarem.
Ta, quem eu quero enganar?
Eu não quero uma seleção. Eu não quero uma seleção. Eu não quero uma seleção! Vou tentar aproveitar o máximo e escolher a mais gostosa. O plano perfeito! Minha mãe e meu pai acham que eu vou me esforçar. Ah, sim… claro, já me esforcei até,
–Panaca- ouvi a voz de Sammy e me virei.
–Que delicadeza, Samantha- minha mãe disse e Samantha deu um sorriso.
–Sempre, mãezinha- ela rebateu e virou- se para mim novamente- Pronto?
Seus pretendentes iriam chegar à tarde, enquanto as selecionadas estivessem no salão das mulheres, a chegada deles seria mais uma recepção igual fazíamos a todos os países. Afinap, são príncipes herdeiros.
Bom, eu tenho princesas em minha seleção, mas passar por pessoas normais havia sido escolha delas, então… nada de luxo.
–Vai lá- minha mãe disse e eu abri a porta. As selecionadas estavam no andar de baixo conversando entre si. Esperei cada uma se tocar que eu estava ali e elas foram se calando uma por uma. Observei- as atentamente, fazendo careta para algumas e achando outras bonitas (tudo isso internamente, é claro), algumas eu chegava até a lamber os lábios. 45 garotas no palácio disputando por mim e desesperadas para fazer o que eu quisesse.
Maravilha.
–Senhoritas- disse com uma voz alta e diplomática.- Sejam bem- vindas ao palácio de Illéa. E sejam bem- vindas à seleção.
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