Changes- Interativa
7 Definitivamente, é o começo.
Notas iniciais
–Não! Não! Não!
–Mas, senhorita, não sabemos se o príncipe gostará de te ver com esse cabelo- a criada disse angustiada e eu bufei. Que se dane!
–Eu não vou pintar! Ele é assim porque eu quis!- retruquei e me olhei no espelho com os braços cruzados.
–Mas, senhorita Charlotte, eu nem sei se tenho como deixar o seu cabelo assim- a cabeleleira dissse e eu a olhei bem no fundo dos seus olhos.
–Eu não me importo- disse e voltei a olhar para frente.
Suspirando, ela voltou a repicar os meus cabelos e passar alguns produtos para deixá- lo macio. A sensação era boa, especialmente quando eles molhavam meu cabelo com a ducha morna.
Por falar em sensação, a de ver o príncipe pela primeira vez era… diferente. Sabe, eu trabalho em uma boate, e em boates existem caras muito bonitos, mas muito poucos se comparavam a ele. Mas, meu Deus, ele deve ser a pessoa mais mimada nesse mundo todo. E eu não sei como esses “seres humanos” caem de amor por ele.
–Senhorita?- a criada me chamou e eu abri os olhos prestando atenção em minha volta.- Vamos vesti- la agora.
Assenti e fomos para um lugar cheio de araras e nomes de selecionadas. Olhei em volta para cada selecionada no recinto, algumas pareciam extremamente agradáveis, outras deviam ser um saco. A criada me deu um cabide revestido num negócio preto. Tirei- o e analisei atentamente. Era um vestido branco simples de manga e rodado na saia, que ia até um pouco acima do joelho.
Agradeci e fui levada até uma poltrona esperando uma equipe de câmera que falaram que iriam nos filmar antes e depois. Sim, era meio invasivo esse lance com as câmeras.
–Senhorita Charlotte Allen Carpentier, certo?- o homem com uma câmera perguntou e eu sorri.
–Sim.
–O que está achando?- ele perguntou e eu pensei um pouco. O que falar?
–É… legal.
***
Andava pelos corredores do palácio procurando pelo meu quarto. Segundo corredor à esquerda, ótimo, mas nem sabia o que viria a seguir. O que eu faria quando conversasse com o príncipe, o que… argh!
Achei o corredor e contei os quartos mentalmente. Quarto quarto. Ai, é tão legal fala isso! Achei e abri a porta, encontrando três criadas com os olhos brilhando. As três se curvaram rapidamente e quase as vi dando pulinhos.
–Senhorita Lílian Alasca Evans Rosier!- uma delas, baixinha e de olhos castanhos- mel, começou a dizer.- É um prazer conhecê- la! Eu sou Jane, ela é Katherine e a outra e Gena.
Katherine era uma garota por volta dos 30 anos, loira dos olhos verdes e Gena era a mais nova, com cabelos cacheados e uma pele morena linda.
–Prazer em conhecê- las!- eu disse e sentei na minha cama. Nossa! Que macia! Eu estava adorando tudo isso.
–Será que eu posso dar uma volta no palácio?- perguntei, já era à noite e já haviam falado que não poderíamos andar mais pelo palácio, já que o príncipe poderia nos ver ou algo assim.
–Acho que já falaram sobre isso, não?- Katherine perguntou e eu mordi o lábio, o que confirmou sua teoria.
–É, mas não acho que devemos obedecer, sabe… sei lá- disse meio sem graça e deitei na cama, soltando um suspiro cansado. A curiosidade sobre tudo estava me dominando e eu não queria ficar quieta.
Comecei a lembrar de meus familiares e de como eles deviam estar, minha tia, meu irmão, minha avó… minha melhor amiga. Já sinto tantas saudades! E o fato acabou me levando a lembrar de meus pais, fazendo meus olhos se encherem de lágrimas e eu me segurar para não chorar. Não queria chorar na frente das meninas. Soltei um suspiro estrangulado e me levantei, apoiando meus cotovelos na cama.
–E aí? Como é a vida no palácio?- perguntei numa tentativa de me distrair. As três se mexeram desconfortavelmente e eu percebi que elas estavam em pé esse tempo todo.- Ah, que grosseria minha! Sentem- se!
–Não,senhorita, estamos bem. Só achamos que você podia nos dar alguma ordem para fazermos algo, estamos tão ansiosas! Que tal se desfazermos sua mala para a senhorita?- Jane disse e as outras duas me encararam com os olhos brilhando.
Pensei em qualquer coisa para agradar… eu não queria nada! A minha mala não tinha praticamente nada, e eu nem iria desfazê- la, talvez…
–Vocês podem trazer comida?- perguntei com um sorriso.
–Que tipo de comida?- elas perguntaram se agitando. obviamente contentes de terem algo para fazer.
–Não sei… nada que tenha pistache ou chocolate amargo. Vocês escolhem- digo e elas assentiram e correram para fora do quarto me deixando sozinha nesse quarto enorme. Meu Deus. Eu realmente estou na seleção.
***
Acordei com um sorriso enorme no rosto. Ah, como era bom dormir, meu Deus. Jennifer, uma das minhas criadas, já me esperava com o banho pronto e o mais perfeito vestido que eu já vi. Ele era de um tecido levíssimo e esvoaçante, era verde e ia até os pés. Eu me sentia uma verdadeira princesa, eu podia me tornar uma princesa.
–Senhorita Olívia, agora você terá a entrevista com o príncipe. E isso é de extrema importância, não sabemos o jeito que ele escolheu fazer, mas é a primeira refeição com a família real. Lembramos que a senhorita disse que quanto mais verde melhor, então… aí está!- Hilary disse e eu assenti meio nervosa, não sei o que iria fazer para chamar a atenção do príncipe. Eu nem sabia se queria chamar a atenção do príncipe.
–Obrigada, meninas!- eu disse com um sorriso e me olhando no espelho, o meu cabelo estava perfeitamente penteado, minha maquiagem bem leve e meus olhos pareciam brilhar.- Está incrível.
–Agora vá!- elas disseram e eu sorri.
Fui andando pelo castelo e acabei encontrando duas selecionadas no caminho, olhei em seus broches e vi que uma se chamava Helena e a outra Melanie. Arregalei os olhos quando percebi que a tal Helena era a princesa da Inglaterra.
–Olá!- ela disse para mim e eu sorri. Não tinha me simpatizado tanto com as que vieram comigo no avião, talvez com essas eu me simpatizaria. Olhei para os lados, tentando prever se era para eu fazer alguma reverência. Eu realmente estava muito sem graça. A princesa percebeu minha hesitação na hora e gargalhou.- Sem reverências, sou normal.
–Mas a senhorita não era antes?- perguntei num tom brincalhão e ela riu.
–Normal- ela buscou meu nome em meu broche.- Olívia, não me chame de senhorita, por favor. Lena ou você.
–Sou a Olívia- disse e apertei sua mão. Corei, percebendo que ela já tinha falado o meu nome.- Mas você sabe disso. Me chame de Liv.
–Tudo bem, Liv, vamos lá!- ela disse e eu a segui, descendo as escadas. Será que todas as selecionadas poderiam ser tão amigáveis assim?
Minha pergunta foi respondida quando uma selecionada passou por nós parecendo uma modelo e dirigiu um olhar de desprezo e uma piscadela. Ta, nem todas. Entramos no salão olhando tudo em nossa volta. Eu estava amando a estadia. Sentei- me e sorri quando vi que Helena ficaria bem do meu lado, e no outro estava uma tal de Thea. Interessante. Fiquei alguns minutos sem fazer nada e finalmente Thea senta ao meu lado e eu percebo que era a princesa da Alemanha.
Não falo mais nada até que vejo os pretendentes da princesa Samantha entrarem no salão e prendo a respiração. Que homens lindos! Que homens perfeitamente lindos! Tentei ficar quieta e ouvi Helena soltar um “uau”, tentei, juro que tentei segurar, mas a gargalhada saiu baixa e ela me olhou sorrindo também.
–Senhoritas e Senhores- um mordomo anunciou.- Todos de pé para receberem a saudosa família real!
Todas nós nos levantamos e nos curvamos quando a família real entrou no recinto. Eles passavam mais ainda a imagem da perfeição pessoalmente. Enxuguei minhas mãos mais algumas vezes, sem conseguir conter meu nevorsismo.
–Sentem- se, senhoritas- o rei Maxon disse e todas nos sentamos, inclusive a família real.
Bom, chegou a hora.
***
Estávamos no salão com todas as selecionadas presentes. Minha mãe havia falado que era meu dever recepcioná- las e explicar como o processo de conversar comigo iria funcionar. Resolvi, dessa vez, deixar o café progredir ao invés de só começarmos quando eu terminar de falar com todas. Em parte por causa da minha irmã, que estava comendo mais que esse mundo e por outro lado… não… só tinha isso mesmo.
A conversa de ontem ainda latejava em minha cabeça e parecia que eu só tinha espaço para ela em meus pensamentos. Nem algumas selecionadas com aqueles vestidos bem chamativos que dava para ver as curvas não desviava minha atenção. Eu estava muito preocupado. Acho que Sam é o meu ponto fraco, quando eu virar rei vou trancá- la num quarto para que nenhum inimigo ameaçasse fazer algo com ela e eu acabasse cedendo.
–Johnny, pronuncie logo- meu pai disse e eu bufei. O meu pão de queijo estava tão bom.
Fazer o que né, era o meu dever.
Levantei- me e soltei um pigarro. Todos os olhares foram direcionados a mim e eu amava a sensação de ser o centro das atenções.
–Vou começar a conversar com as senhoritas agora- eu disse e ouvi murmúrios aprovadores.- Nos direcionaremos até aquelas duas poltronas ali no canto para termos um pouquinho de privacidade. Irei chamar da ordem do começo da mesa até o final.
Agora, definitivamente, a seleção está começando.
E eu não podia fazer nada para impedir.
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