Changes- Interativa
8 A Conversa
Notas iniciais
Toquei no ombro de uma garota e a olhei de cima a baixo, ela era bem bonita, com olhos azuis fortes e cabelos negros até um pouco abaixo dos ombros. A pele era branca e seu olhar era de puro nervosismo.
–Venha comigo, por favor- eu disse e ela assentiu rapidamente, como se fosse um tique.
Andamos até aonde estava posicionado as cadeiras e nos sentamos. Sorri e eu consegui ver as pupilas dela dilatando. Sei que as selecionadas estavam bastante nervosas, mas meu Deus… ela era gostosa.
–Olá, senhorita- eu disse e ela sorriu.
–Oi, alteza.
–Poderia me falar o seu nome?- perguntei e ela enxugou as mãos no vestido.
–Mary Anne Baskers- ela respondeu meio enérgica.- Não precisa falar seu nome. Já sei.
Arqueei a sobrancelha no meu melhor jeito galanteador e coloquei meus cotovelos em meu joelho me apoiando e me deixando com uma postura mais próxima dela e a vontade.
–Imagino. Então, senhorita Baskers, o que acha do palácio?- perguntei com uma expressão interessada. Meu Deus, eu deveria ganhar um Oscar.
–Eu estou amando! Tudo tão lindo estilo unicórnios e arco-íris! E os príncipes, nossa eles são tão…
Prendi o riso quando ela percebeu que havia falado demais e tampou a boca arrependida. Sua cara de desespero era visível. Gatos no palácio? Sei que ela está me incluindo (obviamente), mas não sei se eu iria ficar ofendido. Os outros iriam ficar muito orgulhosos.
–Que bom que está gostando dos príncipes. E me sinto lisonjeado- eu disse e dei uma piscadela pra ela. Me ajeitei mais na cadeira e cruzei as pernas casualmente.
–Claro que Vossa Alteza estaria incluído!- ela disse e tombou um pouco a cabeça para o lado.- Não vai me desclassificar por causa disso, né?
Gargalhei a achando bem espontânea, pensei um pouquinho na fala dela e cheguei a conclusão de que ela seria uma boa surpresa na seleção, algo para não ficar entediado.
–Não, mas quero deixar claro que você é minha propriedade, certo?- disse meio feroz e pude ver ela se remexendo na cadeira. Gostei disso, mas prefiro ficar quieto.- Agora, por favor, chame outra selecionada para mim?
Ela assentiu, levantando- se rapidamente e se curvando. A próxima foi uma selecionada que só sabia falar e nem dava espaço para eu perguntar. Só apoiei meu queixo na minha mão e fiquei ouvindo ela falar sobre como o palácio era “lindo, lindo, lindo!”. Bufei e vi que ela nem era tão bonita assim (não que valesse os ouvidos doendo) fazendo- me pedir para ela ficar depois do café da manhã.
A próxima era uma garota chamada Melanie Moreau. Voltei a analisar e ela se sentou olhando para os lados. Não estava tão nervosa, mas também não estava tão calma. Ela estava normal… eu acho, não sei o normal dela.
–De onde você é, senhorita?- perguntei. Isso estava tão chato.
–St. George, mas sou originalmente da França- ela respondeu. A gola de seu vestido ia até o pescoço e eu fiquei bastante curioso sobre o que ela estava escondendo.
–O que a senhorita está escondendo com essa gola?- pergunto como quem quer nada.- Uma tatuagem?
–Uma mordida de cachorro, minhas criadas acharam melhor escondê- la no nosso primeiro encontro- ela respondeu e olhou as unhas, logo depois me lançando um sorriso.
–Ainda está aí?- perguntei interessado e dessa vez realmente interessado.
–Não, só uma cicatriz- ela respondeu e abanou as mãos e me encarou com a sobrancelha arqueada.- Sério que só vamos falar disso?- depois, ela arregalou os olhos e deu um sorriso amarelo.- eu não poderia ter dito isso, certo?
–Provavelmente não, mas vou deixar quieto.
–Que bom que Vossa Alteza é tão boa- ela disse e piscou um dos olhos.
Ér... sou nada.
–Felizmente para a senhorita- respondo e ela sorri e concorda.- Bom, nosso tempo é curto infelizmente, obrigada pela conversa, senhorita. Chame a outra, por favor.
Helena, a princesa da Inglaterra. Que ótimo! Eu já a conhecia (falei esses dias com ela) e sabia que ela não era um pé no saco.
–Vossa Alteza- ela exclamou se curvando e depois sentou na poltrona. Analisei- a atentamente e ela se remexeu um pouco na cadeira.
–Senhorita, nos conhecemos de algum lugar?- perguntei brincando e ela me olhou divertida.
–Acho que sim, não tenho tanta certeza- ela disse e pôs a mão no queixo de um um jeito pensativo.
–Nossa, eu jurava que havia visto uma garota bonita como você em algum lugar- eu disse só para tentar colocar ela na minha. Sempre assim, você fingia ser atencioso, elogiava e a garota já estava fisgada pronta para te dar mais intimidade.
–O senhor me acha bonita?- ela perguntou corando, seus olhos se arregalaram um pouco e vi o peito dela subir e descer um pouco mais rápido que o normal.
Bingo!
–Quem não a acharia?- pergunto e dou um sorriso.- Mas não é pra isso que estamos aqui, não é? Fale- me sobre você.
–Bom… acho que somos parecidos, ambos fomos criados para termos nossos lugares no país e falarmos palavras chiques- ela disse e começou a contar os itens nas mãos.- E sermos diplomáticos, bons atores, e mais sei lá o que.
Achei graça e assenti.
–Sim, mas a semelhança no método de ensino não me convence que a senhorita é tão magnífica quanto eu- respondo e dou uma piscada.
–Uh, palavras difíceis, né? Posso jogar esse jogo também. Isso realmente não condiz, Vossa Alteza, mas a semelhança diz que minha índole e boa- ela responde e eu dou de ombros.
–Não queria interromper nosso diálogo, porém nossa prosa chegou ao fim. Peço para que convoque a próxima convidada a vir aqui- eu digo e ela assente.
–Imediatamente, Alteza.
A próxima era Olívia Darcy, achei ela com uma aparência bem angelical. Vamos ver se estou enganado. Ela sentou e ficou me encarando como se esperasse que eu começasse a conversa e me desafiasse a fazer isso.
–Do que a senhorita sente saudades?- pergunto e olho bem nos olhos dela, aproveitando sua expressão desconfortável. Eu amava isso. E além do mais, de onde eu estava tirando tanta pergunta?
–Da minha família- ela responde como se fosse óbvio.- Acho que até o senhor ficaria, não?
Uh, fazendo perguntas pra mim? Quem a deu autorização para fazer isso? Gostei disso, então vou parar de reclamar.
–Sim- digo pensando.-
– De quem ficaria mais?- ela perguntou e eu pude ver a curiosidade saltando de seus olhos.
–Minha irmã- digo sem pensar. Não aguentaria ficar muito tempo sem Samantha e só a possibilidade me deixava com uma dor no coração.
–Qual delas?- ela pergunta.
–Isso eu não vou te contar, senhorita- eu respondo e faço uma careta.
–Vou descobrir um dia- ela responde e eu dou de ombros.
–Você pode tentar- digo e vejo seus olhos brilhando com o desafio imposto.
–Tentarei. Eu sentiria mais falta do meu irmão mais velho.- ela diz e eu a encaro compreensivo.
–Sei como é esse lance com irmãos- digo gostando da compreensão que ela tinha.
–São as pessoas que mais amamos odiar- ela diz e eu sorrio.
Com toda a certeza.
–São as pessoas que sentimos prazer em ficar irritados com elas- digo para ver sua reação e vejo seu sorriso vacilando um pouco.- Desculpe, não queria deixar a senhorita triste.
–Não é nada que eu não possa aguentar- ela diz e dá uma piscadinha. Sorrio involuntariamente. Ela é aceitável.
–Gostei muito de conversar com a senhorita- digo e ela dá uma risada.
–Obrigada.
Depois dela se retirar, a próxima a falar comigo foi a princesa da Alemanha, ela era bem gentil e sofisticada como uma princesa. -Está sentindo diferença no seu estilo de vida?- perguntei. Que pergunta tosca, acho que meu estoque está acabando.
–Só o fato de não me chamarem de Vossa Alteza- ela respondeu e piscou um olho de brincadeira.- Mas estou gostando de ser uma pessoa normal.
–Eu gostaria de ser uma pessoa normal- digo e ela assente como se estivesse pensando.
–É bom. Talvez Vossa Alteza consiga algum dia- ela diz e eu sorrio irônico.
–Isso nunca vai acontecer, sou o herdeiro, tenho deveres, nunca iriam me deixar ter um pedaço de uma vida normal- digo meio nervoso, mas logo me lembro que não é culpa dela.
–Mesmo que eu não seja a herdeira, eu consigo imaginar como é- ela diz e me observa seriamente.- Não escolhemos o mundo que vivemos.
–Não, não escolhemos.
Mais umas duas garotas passaram por mim, uma era linda demais e eu só consegui encarar seu corpo durante toda a entrevista, a outra era horrível e rapidamente pedi para ela me esperar depois do café da manhã. Isso estava ficando tedioso.
***
–O Johnny vai ficar ali pra sempre?- perguntei emburrada. Queria sair daquele lugar
–Sam, ele vai precisar conversar com todas as 46- Kassie diz no meu lado e para de comer a sua torta de maçã.- Foram 8, faltam 38.
–Como você é boa de conta, Kass- Kaden zombou e deu um peteleco no braço da mesma, fazendo- a reclamar.
–Já foi meia hora, se continuarmos assim terminamos isso em mais ou menos 2 horas e alguma coisa?- perguntei pensativa.
–Olha, outra boa em cálculo- Kaden zombou.
–Deixa de ser idiota, Kaden- digo e reviro os olhos continuando a comer meu musse de chocolate.
–Não tem jeito- ele diz e eu dou de ombros.
Mais 2 horas. Que maravilha.
***
Falei com mais 6 selecionadas e vi que não iria gostar de nenhuma dessas. A próxima foi Charlotte Carpentier. A primeira coisa que percebi? Seus cabelos coloridos. Já vi que essa aí tem um gênio muito forte, afinal… ela foi contra a todos os cabeleleiros que certamente mandaram a garota trocar a cor.
–Alteza- ela diz meio contrariada e se senta sem cerimônias. Escondo meu sorriso de escárnio e tento vasculhar em minha mente alguma coisa para perguntar. Ela ergue as sobrancelhas e abre um sorriso amarelo.- Demora tanto assim para formular uma frase?
Olhei pra ela meio surpreso. Nenhuma selecionada (ninguém, a não ser minha família) havia usado esse tom de voz comigo.
–Bom, com uma pessoa tão bonita como você na minha frente é aceitável eu perder a fala- digo tentando contornar e não me passar por idiota.
–Corta essa. Sem cantada- ela diz e solta uma risada sarcástica, deixando- me sem palavras. Garota difícil… e eu amo desafios.
–Ok! Sem nenhuma, prometo- digo e bato as mãos.- Onde a senhorita trabalhava?
–Numa boate- ela responde ainda me encarando de um jeito sem muito interesse. Ah, senhorita, não pense que eu não a vi com a respiração acelerada quando apertou a minha mão. Ela me acha bonito, só não quer admitir e me dar esse gostinho.
–Gostaria de falar com a senhorita algum dia talvez, sei que não vai muito com a minha cara, mas eu amaria fazer você simpatizar comigo- eu jogo a ideia no ar estudando a sua reação. Primeiro é um leve arregalar de olhos e depois sua expressão volta ao normal.
–O que sua Alteza quiser- ela diz e lanço um olhar irônico.
–Exatamente. O que eu quiser- digo e ela dá uma piscadinha pra mim.
Desafio aceito, senhorita.
Depois de conversar com umas 10 e só gostar de 4, veio mais uma selecionada interessante. Seu nome era Lílian Rosier, ela era bem calma, mas ao mesmo tempo.parecia um furacão.
–Espero que esteja gostando do palácio- digo voltando às perguntas iniciais. Minha criatividade foi para o espaço.
–Eu estou, é bem diferente do que estou acostumada- ela responde com um olhar neutro.
–Imagino... do que a senhorita gosta?
–Vingadores, batman, natal, letras de músicas…- ela responde contando nos dedos.
–Minha irmã ama os Vingadores...e o batman… e letras de música!- interrompo, até ruiva ela é.- Eu também fui influenciado a gostar.
–Qual é seu vingador preferido?- ela pergunta curiosa. Não acredito que estou tendo uma conversa dessas com uma selecionada.
–Natasha Romanoff- respondo.
–Por quê?- ela pergunta.
Porque ela é uma das mulheres mais gostosas que eu já vi.
–Porque ela é demais!- respondo e dou de ombros.
–Não posso discordar!- ela exclama e eu sorrio. Geek, ok. Pode ficar na minha seleção.
Conversamos mais um pouco até outras selecionadas virem conversar comigo. A última era Marina Mattedi.
–A senhorita é de Paloma, certo?- pergunto e ela assente.- Gosta da sua província?
–Sim, apesar de eu ser considerada um pouco nerd- ela responde balançando um pouco a cabeça.
–Por quê?- pergunto com falso interesse. Já estava cansado de tudo.
–Gosto de ler- ela responde e eu franzo o cenho.
–Só por causa disso?- pergunto inconformado.- Mas ler é uma das melhores coisas que existe nessa vida!
–Vossa Alteza gosta?- ela pergunta animada e eu confirmo com a cabeça.- Que legal!
–Já leu quantos livros na sua vida?- pergunto e ela encara o teto pensativa.
–Sei lá. Muitos- ela responde e eu assinto, consigo entender sua situação.
–Está gostando da experiência?- pergunto e ela diz que sim.-O que mais gostou?
–Tudo. Não sei definir- ela responde e eu dou de ombros.
Conversamos e finalmente acabei com tudo. Anunciei que todos podiam passear pelo palácio e Samantha foi uma das primeiras a correr para a saída, fazendo- me prender o riso. As que eu tinha pedido para ficar ficaram e quando souberam que iriam ser eliminadas choraram e espernearam. Eu disse que sentia muito, mas era melhor do que iludi- las. Enfim, eu já havia eliminado 14 garotas. De 46, o número baixou para 32.
Nada mal para o primeiro dia.
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