Changes- Interativa
9 A Notícia
Notas iniciais
Haviam liberado todos os concorrentes (meus e as selecionadas do meu irmão) para andar pelo palácio, fazendo- me ficar meio nervosa por não poder andar livremente pelo palácio sem dar de cara com uma pessoa nova. Acho melhor passar todos os dias no meu quarto e pronto.
–Sam!- ouvi uma voz grave e franzi o cenho logo reconhecendo a voz do melhor amigo da minha mãe.
–Tio Aspen?- perguntei, virando- me para trás e abri o maior sorriso do mundo. Corri um pouquinho e o abracei com todas as minhas forças.
–Que saudade, ruiva! Mas não pode correr desse jeito, hein- ele disse e logo me encarou com seus olhos verdes.
–Já sabe?- perguntei e fiz uma careta. O que ele e a tinha Lucy estavam pensando de mim?
–Sim, mas fica tranquila. Estamos aqui em tudo o que precisar, ok?- ele perguntou e eu assenti, fazendo- o abrir um sorriso.- Agora vá conversar com seus pretendentes.
Revirei os olhos e me despedi dele. Não podia me dar o luxo de brincar com a minha escolha, eu tinha que contar para cada um o que eu estava fazendo realmente aqui. O que faria? Um pronunciamento individual, um coletivo… eu estava mexendo num assunto muito delicado. Talvez devesse contar depois. Sabe, cada um na sua hora.
Ou não.
Ai, que coisa.
Fui para o jardim e sentei num banco qualquer e olhei para a minha casa. O castelo era tão bonito. Uma jaula bem bonita.
A melhor que tinha.
***
Saí do castelo pronto para continuar observando a beleza dele. Gostava do palácio de Illéa, ele era realmente lindo. Na verdade, eu vim pensar. Será que o que estava fazendo com a princesa é o certo? Eu sempre a odiei, aquela menininha irritante que quando eu brincava com seu irmão ela queria brincar junto e não gostava de se sujar com várias coisas. Mas era necessário. Eu tinha que realizar o meu maior sonho, eu queria ser piloto. E esse era o único jeito.
Por falar nisso, olha quem estava aqui! A princesa era muito bonita (eu tenho que admitir), seus cabelos ruivos estavam iluminados pelo sol e um vestido longo bege se fazia presente em seu corpo, mas ele era bem larguinho, diferente das suas roupas que eu costumava vê- la usando.
–Olá, Samantha- eu disse e ela se virou assustada para mim. Quando me reconheceu, vi seus olhos se estreitarem e ela bufando.
–Príncipe Alexander, que desprazer em vê- lo- ela disse com um sorriso e eu revirei os olhos me sentando em seu lado.- Bom ver que seu olho roxo sarou.
–Bom ver que não ficou careca- respondi, ambos nos referindo ao nossa última briga em meu palácio, na Suécia.
–Quer saber, acho que você deveria ser o primeiro a saber… sabe, para pular fora- ela disse e se virou para mim e olhando nos meus olhos, fazendo- me ficar um pouco distraído com o mar de chocolate que se encontrava perto de mim.
–Que você já transou com mais caras que tem de guarda aqui, já sei disso- eu disse e ela me deu um soco no ombro.- Ai.
–Não, idiota- ela respondeu e bufou, como se estivesse pensando muito no caso. Depois de um tempo ela virou para mim e sussurrou:- Eu estou grávida.
Demorei um tempo para assimilar o que ela quis dizer. Ela disse alguma coisa sobre gravidez, certo? Pera… é ela que está grávida? E como ela faz uma seleção estando grávida? E como ela ficou grávida? O que está acontecendo aqui, meu Deus? Levantei- me rapidamente e comecei a andar para os lados.
–Você convoca pretendentes estando grávida?- perguntei raivoso. Se eu pulasse fora agora, adeus aeronáutica.- Por quê?
Ela olhou para mim e eu percebi uma coisa muito incomum em Samantha.
Ela estava chorando.
Um remorso me atingiu de repente, eu não sabia o que faria. Samantha estava chorando? Estava chorando? Como ela estava chorando? Aproximei- me perto dela e me ajoelhei.
–O que realmente aconteceu, Samantha?- perguntei preocupado.
–Eu fui violentada- ela disse e eu senti como se tivesse levado um soco no estômago. Primeiro, pensei em Johnny e como ele havia reagido a isso, depois em tia America e tio Maxon, depois nela… meu Deus. Ela deve estar inconsolada, acho que o medo de o que pensaríamos dela ou algo assim.
–Ei. Eu prometo que vou ficar do seu lado. Sei que te odeio, mas não precisa ficar assim, ok?- eu pergunto e ela assente. Bom, essa garota insuportável vai ter um filho e eu tenho que ajudá-la de alguma forma. Mas como?
***
–Olá, Vossa Alteza- disse irônico e me curvei.- Chamou?
–Oi, Kenji- a princesa disse e sorriu.- Chamei sim.
Eu sentei em um dos bancos da enorme biblioteca e a analisei. Meu Deus, ela era gata. Fiquei atento na sua expressão, mas ela não ficou desconfortável por eu estar a analisando tanto tempo, ela tinha uma expressão séria, porém pude ver um pouco de divertimento.
–E por quê?- perguntei ansioso. Eu já estava de saco cheio de fazer nada.
–Para conversarmos- ela disse e logo mordeu o lábio nervosa.- Não de um jeito bom, acho que mais para um ruim.
Franzi o cenho confuso.
–O que é tão sério, princesa?- perguntei.
–Bom, tenho que te falar o verdadeiro motivo de vocês todos estarem aqui- ela começou a dizer e eu quase revirei os olhos. Eu não queria estar aqui, mas fazer o que, né.- Meu pai quer arranjar um pretendente pra mim…
–Porque você é uma princesa e já está na hora, não?- perguntei e ela revirou os olhos.- Meu pai também fica falando isso. Quer dizer, não que eu sou uma princesa, mas sim que já está na hora.
Ela deu uma risada e eu olhei pra ela com a sobrancelha erguida. Eu não queria conquistá- la, ela não parece tão mimada e nem parece que vai ficar me infernizando, mas eu só estou aqui graças às minhas festas e o jeito duro de meu pai. Acho que vou tentar pelo menos fazer amizade para ele não dizer que eu não fiz nada nesse meio tempo.
–Mas não é isso que eu quis dizer, esse motivo é só uma parte do verdadeiro motivo- ela disse e eu olhei para a mesma com um nó na cabeça de todo tamanho. Ela deve ter percebido que eu estava meio confuso, pois me olhou demoradamente tentando por os próprios pensamentos em ordem.- Existe uma razão por trás dá razão, entendeu?
–Não, não estou entendendo nada. Ainda mais olhando para um corpo tão… belo quanto o seu- eu disse e vi ela revirar os olhos.
–Isso é sério!- ela disse tentando prender o riso e eu assenti. A ruiva respirou o fundo e soltou a bomba:- Eu estou grávida.
Arregalei os olhos e comecei a rir, gente… essa é a melhor princesa de todo o mundo. Além de bonita é engraçada. Olhei para ela e vi seu semblante sério.
–Isso é verdade?- perguntei confuso e ela assentiu. Pera. Isso é realmente sério? O que? Hum?- Como?
Ela me explicou e eu assenti compreendendo a história. Que cara filho… da mãe, para não falar outra palavra. Como ele pode fazer isso com ela? Que merda ele tinha na cabeça? Que merda ela tinha na cabeça de continuar com a criança? Pera, mas é filho dela, né… Ai, eu não sei nem o que pensar disso tudo.
Só resta ajudá- la.
***
–Vermelhinha, que bom te ver- eu disse com um sorriso e vi a mesma revirando os olhos. Sabia que ela odiava, mas eu não iria parar de chamar a princesa desse jeito.
–Senta, Hyun- ela disse e eu sentei na cadeira que estava em frente ao quarto dela.
–Você sabe, eu tenho um negócio a acertar com você- eu disse com um sorriso malicioso e me diverti vendo sua cara se contorcer de confusão. Como eu adorava zoar com essa garota. Ela estava sentada do meu lado, então eu apenas peguei sua nuca e a puxei para um beijo feroz, sem me preocupar muito com quem estava passando (talvez, se Johnny aparecesse eu ficaria preocupado, já que ele iria me decapitar e me castrar). Ela me puxou um pouco mais pra perto e eu mordi de leve seu lábio inferior. Separamos- nos ofegantes e ela estava com os olhos arregalados.
–Que merda foi essa?- ela perguntou alarmada e eu sorri satisfeito.
–Uma merda para se pensar na próxima vez que me chamar de gay- eu disse e ela me deu um soco no ombro, vi que ela estava com um pouco de raiva, mas era uma raiva divertida.
–Idiota- ela disse com uma risada (não disse? Garota confusa essa).- Você beija como um.
Arregalei os olhos fingindo uma surpresa.
–Não foi o que eu senti. Percebi que você se arrepiou todinha- eu disse irônica e ela revirou os olhos murmurando um “cala a boca”.- Depois eu posso provar de outras formas.
–Ta, fique quieto que eu te chamei aqui para te contar uma coisa importante- ela disse e eu franzi o cenho. Importante? Samantha falando coisas importantes comigo?
–E o que é?- perguntei.
–Vou parar de enrolar. Eu estou grávida, e é por isso que vocês estão aqui- ela disse e eu comecei a ficar nervoso. Como ela me arrastou até o outro lado do mundo e diz que está grávida?
–De quem?- perguntei com a irritação transbordando em minha voz. Quem mandou viver em festas, princesa.
–Não sei, não acharam o cara- ela respondeu e eu levantei as sobrancelhas surpreso. Ela olhou pra mim e disse irônica:- Isso mesmo que está pensando, foi abuso.
Levantei- me nervoso e comecei a andar de um lado para o outro. Calma, So Hyun, calma… Calma, Park So Hyun.
–Que cafajeste!- eu gritei e Samantha arregalou os olhos.
–Menos, cara- ela disse e eu me exaltei.
–Menos o caramba, eu vou rodar o mundo a procura desse infeliz! Ai, você vai ver… depois vou pegar minha espada e atravessar o peito dele com ela e…
–Hyun!- ela disse e se levantou, colocando a mão no meu ombro, fazendo- me encará- la nos olhos.- Cala a boca.
–Você vai abortar?- perguntei e ela negou meio desesperada.- Eu abortaria. O mundo não precisa saber dos fatos.
–Eu não vou abortar!- ela disse como se tivesse pensado nisso milhões de vezes e eu apenas dou de ombros.
–O que você quiser, Alteza.
***
–Olá, Alteza- disse quando abri a porta para ela entrar em meu quarto. Já era fim de tarde e eu fiquei extremamente curioso quanto as intenções dela ao marcar uma conversa comigo aqui mesmo.
–Olá, Alteza- ela disse sorrindo e eu ri.
–Me chame de Damon, por favor- eu disse ela assentiu.- Sente- se em algum lugar.
Ela sentou- se na ponta da minha cama e observou meu quarto, eu ainda não havia feito nada nele. Soube que os nossos quartos poderiam ser mudados de acordo com os nossos gostos, pensei em mudar algumas coisas, mas ainda é muito cedo.
–Então me chame de Samantha, ou Sam… o que você preferir- ela disse eu eu concordei, sentando- me perto dela e dando um sorriso.
–Então, Sam- comecei fazendo questão em frisar o seu apelido.- O que te traz aqui?
–Bom, nos falamos algumas vezes, mas nada mais que um “olá” e algumas palavras diplomáticas- ela disse e eu assenti compreensivo.- Então vim te conhecer.
–Bom… o que quer saber?- perguntei e a vi mordendo os lábios (ato que me deixou meio distraído) e me encarando. Ela era muito esperta, ela sempre olhava nos olhos, não em outro lugar. Era como se quisesse ver o que realmente estávamos pensando. Já ouvi muitas vezes que os olhos são as janelas da alma, ela deve ter pegado isso como um lema pessoal.
–Bom, eu não sei… eu sei que você é inteligente, se dá bem em público… tem lábia…- ela disse e eu sorri confuso.
–Como sabe de tudo isso?- perguntei e ela me olhou irônica.
–Você não sabe a propaganda que meu pai fez de você- ela respondeu e eu achei graça. Eu admirava muito o rei Maxon e é bom ver que a admiração é mútua. A princesa respirou fundo.- Gosta de crianças?
Ela tinha um ponto e queria chegar rápido. Olhei pra ela tentando analisá- la e assenti.
–Sim, gosto.
–Gostaria de ter filhos?- ela perguntou e eu concordei. Ta, isso foi bem estranho.
–E se eu contasse que estou grávida, você iria embora?- ela perguntou e eu franzi o cenho confuso. Ela estava grávida?
–Não… por quê?- respondi e perguntei ao mesmo tempo.
–Porque eu estou grávida e não, não foi minha vontade- ela respondeu e eu a analisei.
Isso é um absurdo! Convocar uma seleção de pretendentes de príncipes herdeiros que tinham o seu próprio trono estando grávida. O que poderíamos fazer quanto a isso? O povo ficaria em choque! Mas aí percebi o que ela quis dizer com “não foi minha vontade”.
–Pera… você quer dizer que…- comecei a dizer já entendendo tudo.
–Sim- ela me cortou e deu um sorriso amarelo. Então por isso estamos aqui, um ato de proteção do rei para que Samantha não seja julgada por todos, já que teria um filho fora do casamento. Esperto.
–Não está pensando em abortar, está?- perguntei temeroso e ela negou. Ainda bem. Filhos são dádivas e mesmo desse jeito, não seria o certo a se fazer. Ela ainda me olhava aflita e eu percebi que não tinha me expressado devidamente.- Eu vou te ajudar em tudo o que precisar, Sam. Pode contar comigo, nunca vou recriminar você por causa disso.
Ela sorriu e vi seus olhos lacrimejando de alívio. Uma sensação acolhedora me dominou. Eu iria cuidar dela. Tentarei enxergá- la além de situações políticas, porque essa princesa…
É mais forte do que eu imaginava.
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