Changes- Interativa
10 Pertubações
Notas iniciais
–Temos que resolver isso antes que se agrave- Crinford, um dos meus conselheiros de mais confiança disse. Suspirei cansado.
Estava numa reunião fechada apenas com ele e a senhorita Brice e estávamos tentando resolver o caso dos rebeldes. Isso já estava me irritando, eu sacrifiquei muitas coisas em prol a abolição das castas e lá vem esses caras querendo mais coisa. O povo nunca está satisfeito e isso me cansa.
–Como iremos resolver esse caso se nem sabemos o que eles querem?- perguntei e passei as mãos no rosto.
–Já foram 5 ataques provinciais, eles estão atacando a base mais pobre. Sumner, Paloma, St. George, Kent e a nossa província, senhor. Foram 20 baixas apenas, os guardas fizeram um bom trabalho- Crinford disse e suspirou. Ele era um cara negro e com uma postura elegante.
–Mas isso não nos dá nenhuma dica- observo com armagura e eles assentem.
–Podemos chamá- los para cá- Brice disse e eu a encarei surpreso.- Por que não?
–Acho que devíamos deixar isso em último caso- eu disse meio desconfortável.- Não sabemos o que eles são capazes de fazer.
–Todos estão protestando contra a monarquia, o que pode nos deixar numa situação desconfortável, rei, já que não é a primeira vez- Crinford observou e eu assenti.
–Conversarei com o General Leger sobre isso, ele veio do sul e nos trouxe alguns detalhes importantes- eu disse e encarei todos respeitosamente.- Espero que nenhum detalhe conversado escape, tenho plena confiança em vocês, não estraguem. Por enquanto é só, acharemos o que esses malditos bastardos querem.
.-.-.-.-.--.
–Chamou?- Aspen chega em meu gabinete e eu assinto pronto para as nossas conversas de três horas.
–Sim- respondi e coloquei as papeladas na minha mesa.- Sente- se, General Leger.
Ele se curva e senta numa das cadeiras disponíveis. Conheço Aspen há um tempão, sei que ele está preocupado já que ele está olhando de um lado para o outro.
–O que tem pra mim?- pergunto e o mesmo desvia o olhar desconfortável.
–A situação está feia, Maxon- ele diz e estende alguns papeis para mim.- As pessoas estão sem se defender, muitos estão ficando feridos e…
–Disso eu já sei!- bradei inconformado, eu realmente estava ficando muito nervoso.- O que eu quero saber é: o que eles querem?
–Eles não estão satisfeitos com seu sucessor- Aspen jogou a bomba e eu franzi a sobrancelha meio alarmado.- Eles querem Jonatah fora.
***
–Johnny, arranje um encontro logo!- Kessy implorou e bateu no meu ombro.
Olhei pra ela com a sobrancelha arqueada e uma cara irônica, a loira estava do meu lado enquanto minha mãe tocava piano junto com a Samantha e Kaden tocava violão. Era o “momento musical” que minha mãe sempre obrigava a gente a participar toda semana. A famosa rainha America ainda se sentia uma cinco e lembrava sempre disso.
–Eu não vou arranjar um encontro agora- eu disse e ela revirou os olhos.
–Devia- ela rebateu e eu bufei.
–Cala a boca.
Minha mãe e Samantha pararam de tocar e as duas me encararam com um sorriso que deu medo.
–Se você não escolhe por si só- minha mãe começou a dizer se levantando ainda com o sorriso sinistro no rosto.
–Nós escolhemos pra você- Sammy completou e se sentou ao lado de Kessy.
–Essa eu pago para ver- Kaden diz com um sorriso irônico e põe a mão no queixo interessado.
Minha mãe faz um sinal para a criada que estava ao nosso lado e cochicha algo em seu ouvido. Bufei contrariado. Para que um encontro? Eu estou bem do jeito que está, muito obrigado.
–Mãe, eu tenho que ir lá com meu pai, lembra? Ele vai me trucidar se eu não ajudar ele no…
–Seu pai te liberou essa semana, Jonatah- America disse e eu bufei, por que meu pai tem que contar tudo para a minha mãe?
A criada voltou com vários papeis que eu logo reconheci sendo as fichas das selecionadas. Ah, ótimo!
–Obrigada, querida- minha mãe disse e Samantha bufou.
–Posso te pedir mais um favor?- minha irmã pergunta para a criada que assente corando, satisfeita em ser tão útil.- Preciso de comida. Pode trazer biscoitos de manteiga com… chocolate quente?
–Claro, Alteza- ela diz e sai imediatamente.
–Olha, com esses anseios por comida, você vai ficar mais gorda que já é- eu disse e ela deu língua.
–Quietos!- minha mãe pediu e distribuiu a papelada igualmente entre nós cinco.- Já tirei as que você eliminou e…
–Pera, mãe, por que você tem todas as fichas das selecionadas?- Kaden perguntou curioso e minha mãe revirou os olhos.
–Quero conhecer as pessoas que meu filho está saindo, algum problema?- ela pergunta e todos nós damos de ombro. Quem somos nós para discutir com America Schreave?
Passamos algum tempo olhando para as fichas até que Kessy dá um pulo da poltrona e dá o maior sorriso do mundo.
–Que tal essa?- ela pergunta apontando para a foto na ficha.
–Mary Anne Baskers- digo em voz alta e observo a sua foto. Bonita, foi aquela que falou que o palácio estava cheio de gatos. Ela tem um corpo bom, uma personalidade não irritante… acho que consigo.- Pode ser. Arranje uma equipe de filmagem para amanhã no jardim.
***
A garota andava pelo palácio a procura do príncipe. Claro que ela iria levar essa missão além, afinal… ela era uma rebelde e ser uma selecionada era uma vantagem ótima. Simplesmente, conseguiria a confiança dele… iria ser a pessoa em que ele mais gostaria de andar. Já até fez a lista de coisas que ele gosta. No primeiro momento, ela seria um enigma, uma garota sensual que seria aquela difícil de alcançar. Ela teria os príncipe nas mãos, o que seria o sinônimo de na mão dos rebeldes.
Ah, se iria.
Jonatah Schreave, esteja preparado.
***
–Allison Deliv Freshernüer- respondi com um sorriso.- E você?
–Olívia Darcy- a garota simpática respondeu e eu assenti. Não estava a fim de conversar.
–Eu tenho que ir- disse meio fechada e levantei da poltrona no salão das mulheres. Passei por uma garota com cabelos coloridos e outra que nem parava quieta na cadeira. A diversidade dessas garotas era tão grande que me assustava. Fui andando em direção ao meu quarto e sem querer dei de cara com alguém e cai no chão. Que droga, meus pensamentos estavam lá ma França e me distrairam por um momento, se bem que o meu irmão não é… droga, Allison, preste atenção e veja em quem você bateu.
–É melhor ter cuidado, senhorita- a voz de um homem disse e eu arregalei os olhos quando a reconheci. Era o rei! Era a porcaria do rei! Ele estendeu a mão e eu olhei pra ele meio com medo, meio envergonhada. Eu já o vi muitas vezes, minha mãe sempre falava dele e como eles já foram amigos.
–Oh, princesa Allison!- ele exclamou com um sorriso (que eu devolvi minimamente).
–Rei Maxon, desculpe- me, desculpe- me mesmo!- eu disse me curvando e corando. Que mancada.
–Como vai sua mãe? A Daphne?- ele perguntou e, internamente, fiquei séria. Minha mãe já não era a mesma desde…- Ah, sinto muito pelo seu irmão.
–Obrigada- eu disse tentando não lembrar da imagem de meu irmão morrendo em meus braços. É… sem êxito.- Minha mãe vai bem.
–Tenho que ir agora, boa sorte, senhorita- ele disse e já foi andando na direção oposta, provavelmente subindo para os seus aposentos.
Nossa, que ótimo.
***
Um, dois, três, quatro, cinco… e mais uma nova onda de vômito. Aaaaargh! Por Odin! Pensei que essa história de grávida e enjoo era fachada, que não era tão ruim assim. Sei, nunca mais digo isso. Saí do banheiro só com um robe e a roupa íntima por baixo. Eu estava me sentindo inchada. Ai, isso é a pior coisa do mundo. Acho que vou valorizar mais a minha mãe (já valorizo demais, mas ela merece), passar por isso 4 vezes! Eu hein, ta amarrado!
Estava de 5 semanas e não via a hora disso acabar. Ainda falta umas 30 e pouco! Que ótimo! Desamarrei meu robe e me olhei no espelho, não dava para ver que eu estava grávida se não me conhecesse… apenas se a pessoa não me conhecesse, mas eu sabia que estava um pouco inchada, minha barriga sempre foi malhada e lisa (ia pra academia do palácio todos os dias!). Suspirei e deitei na minha cama abraçando meu Banguela de pelúcia. Todos os meus pretendentes já sabiam… não precisava me preocupar com muita coisa, né?
–À quem eu quero enganar? Claro que preciso! Eu vou ter um filho!- resmunguei e fechei os olhos por um instante.
–Falando sozinha de novo, Alteza? Sua mãe não te levou para um psiquiatra?- ouvi a voz de Sonya e bufei divertida.
–Talvez na próxima, So- disse divertida.
–Precisa de ajuda para algo?- Callie perguntou e eu abri um olho só.
–Já troquei de roupa, galera, pode deixar- eu digo e elas assentem.
–Vamos sair agora- elas notificaram e eu soltei um grunhido concordando.
Voltei a fechar os olhos e ficar quieta. Teria ficado assim por muito tempo, mas ouvi um barulho perto do meu quarto. Eram passos. Levantei vagarosamente e abri a porta do meu quarto e dei de cara com uma pessoa de capuz, não pude ver muita coisa, mas ele estava estalando os dedos (uma coisa bem cômica, na verdade).
Mas aí ele sorriu. Um sorriso que me deu calafrios, um sorriso que eu reconheceria até no meu leito de morte.
Aquele guarda. O maldito guarda.
Comecei a gritar na hora em que ele começou a andar na minha direção. Gritava com todas as minhas forças, seu rosto começou a se deformar quando…
–Samantha! Samantha!- alguém me gritava e balançava os meus ombros. — Samantha!
Abri os olhos e dei de cara com minha mãe, que tinha os olhos arregalados, e mais um monte de guarda atrás dela. Num impulso, puxei ela para um abraço enorme, como se a minha vida dependesse disso.
–Podem se retirar- meu pai, que havia percebido agora que estava ali, ordenou e todos assentiram.
–O que aconteceu? É a quinta vez já, meu amor, quer que eu te leve para uma psicóloga?- minha mãe perguntou e eu neguei.
–Não! Eu não vou!
–Sammy, você precisa! Não quero te ver assim, amor.
–Não, mãe!
Meu pai sentou na minha cama e pôs a mão no meu ombro.
–Você vai, Samantha. Você está traumatizada, tem que se tratar- meu pai diz e eu percebo pena em sua voz.
–Mas…
–Você não tem escolha.
***
–Eu estou muito preocupada com eles, Maxon- eu dizia enquanto colocava minha camisola. Maxon estava na cama lendo.. que livro era aquele? Ah, Rangers: A Ordem dos Arqueiros.
–Eu também- Maxon admite, senta na cama e fecha o livro.- Com todos eles.
–Samantha mal fecha o olho, Jonatah acha que nos engana com os lances de dormir com as garotas e até com a posição dele sobre a seleção, Kaden fica isolado nos livros e Kessy é absorta a tudo- eu digo sentando na beira da cama. Meu coração estava contorcido de dor.
–Vamos conseguir mudá- los, querida- ele diz e me abraça por trás, depositando um beijo no meu pescoço.
–Eu espero- digo mordendo os lábios.
–Mas eu estou muito preocupada com Samantha- Maxon diz e eu já sinto as lágrimas inundando meus olhos.
–Como isso pôde acontecer com ela?- pergunto angustiada e abraço meu esposo, que começa a passar a mão pelas minhas costas.
–Vai ficar tudo bem, amor.
Tomara.
Allison: Lily Collins (ruiva)-
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