Change my Life
1 Capítulo 1
- Tem certeza? – olhei para os olhos claros de Marcelo ainda segurando as lágrimas, a última coisa que queria agora era parecer fraca.
- Eu acho que sim, você vai estar lá e eu aqui, não rola gata. – ele apertava minhas mãos com força.
Ele tem sido meu namorado por um ano, provavelmente o melhor ano da minha vida foi ao lado dele acho que porque deixei o vídeo game e o computador de lado e comecei a tentar algo novo como um namorado e para alguém que só teve um namorado antes dele foi uma experiência ate legal, mas agora chegou o momento mais esperado por mim desde que tinha 10 anos, meu intercâmbio para os Estados Unidos e alguém que era algo bom acabou estragando o que era para ser o melhor dia da minha adolescência.
- Eu não posso pedir para ficar, sei que este é seu sonho e quem sou eu para atrapalhá-lo.
Naquela hora senti tudo desmoronar, mas não chorei não queria que ele visse que me sentia mal por isso, mas sentia vontade de gritar com ele e perguntar por que estava fazendo aquilo comigo, queria xingá-lo, queria mandar ele embora dali agora. E como se tivesse lido minha mente ele saiu da sala de espera no aeroporto sem nem dizer adeus ou me agradecer pelo tempo que passamos juntos. Fiquei sozinha, não me sentia triste, mas chorei, chorei por causa do ódio que sentia naquele momento e foi assim que passei a viagem toda, chorando.
Quando pousamos eu me sentia melhor, pensei em tudo que havia feito para chegar ali, meu tão sonhado presente de 15 anos, eu estava em Miami no final de Agosto, dois dias antes das aulas começarem, é uma nova vida e aquele idiota não iria estragar aquilo. Peguei um taxi para casa que dividiria com mais três brasileiras da minha idade, meus pais não queria me deixar com uma família, eles tinham medo de tudo e também eram super protetores, meu pai quase teve um infarto quando contei a ele sobre Marcelo, mas depois de um tempo aceitou e também começou a gostar dele mais que de mim, com certeza me ligaria mais tarde pedindo para ligar para ele e fazer as pazes.
A casa em que ficaria até o ano seguinte é bem grande pelo que vi do lado de fora, paguei o motorista e entrei. As três garotas para quem eu orava todos os dias para serem bem legais e eu não ter que viver com pessoas totalmente insuportáveis estavam na sala vendo algum programa na TV, eu tinha sido a última a chegar, pois meu pai insistiu que deveríamos ir para a casa de praia passar algumas semanas para fazerem minha despedida e aproveitar antes que eu passe um ano sem vê-los, minha mãe chorou o tempo todo, acho que porque sou filha única e diziam que a casa ficaria muito vazia seu mim (ou não teriam ninguém para lavar a louça do jantar).
- Oi, eu sou a Rebeca e você deve ser a Alana, certo? – Rebeca é ruiva e tem os olhos azuis que sempre sonhei em ter, mas tinha que me contentar com meus olhos cor de caramelo.
- Sou eu sim. – sorri tentando parecer amigável.
- Essa é a Marina, — a garota de cabelos castanhos bem magra acenou – e a Clara. – Clara é a mais baixa de nós, um pouco gordinha e com cabelos um pouco mais escuros que o de Marina.
Elas pareciam ser bem amigáveis, o que é ótimo, pois já teria amigas para conversar, apesar de não estarmos na mesma escola, eu tinha pegado a ultima vaga da St. Andrew a única escola publica por perto que por acaso é a apenas um quilometro de nossa casa então não teria que gastar com transporte ao contrario das outras que pagariam extra para o ônibus buscá-las além de pagar mensal, porque a escola delas é particular.
- Vem, vou te mostrar seu quarto. – Rebeca subiu as escadas e eu fui atrás dela.
O quarto não era tão grande quanto o meu no Brasil, mas mesmo assim é ótimo, uma cama grande, mesa para computador e um guarda roupa, apenas o necessário e graças a Deus um banheiro só para mim. Desfiz minhas malas, não demorei muito porque não havia levado muita coisa, esperava comprar bem mais do que havia levado.
- Quer sair com a gente? – Marina estava na porta.
- Claro. – deixei minhas roupas na cama e desci com ela.
Fomos ao shopping mais próximo a pé, tinha um cheiro tão bom de chocolate, sapatos novos e livros, eu me sentia tão bem lá como se todos meus problemas evaporassem, era apenas eu e as lojas. Comprei bastante roupas de marca que no Brasil eram muito caras e ali pela metade do preço e também livros que dariam para o resto do mês, comemos no Burger King e fomos direto para casa onde terminei de arrumar minhas roupas e rapidamente fui me deitar e chorei até cair no sono.
Acordei com o toque do meu celular ás 7 da manhã e passei a próxima hora ouvindo minha mãe reclamar sobre “como eu havia a esquecido e nem ligado” e também me fazendo um questionário sobre tudo na cidade e as pessoas com quem eu estava vivendo também me fez certificar se nenhuma delas é um pedófilo disfarçado (ok, eu exagerei agora), mas o pior foi que ela me fez perder o sono e tive que ficar o resto da manhã comendo cereais e assistindo desenho animado na TV até meio dia quando Rebeca, Marina e Clara acordaram.
- Alana, vai colocar seu biquíni que vamos à praia, temos que aproveitar bastante hoje porque amanhã tem aula e é o fim da nossa paz. – Marina falou enquanto passava seu bronzeador.
Vesti um biquíni preto que ficava bom com a minha pele branquíssima que apesar de sempre estrar na praia bronzeando sempre voltava a essa cor de leite e vesti um vestido fino bem curto por cima, eu não tenho nada contra meu corpo, tenho um equilíbrio entre ser magra e gorda, o que me deixa com um corpo completamente normal não um corpo de modelo ou totalmente sem gordura, mas ao olhar minhas fotos com 11 anos eu vejo que venci na vida, eu devia ter o peso que tenho hoje, mas com uma altura bem menor ou seja eu era uma bola.
Arrumei minhas coisas para levar a praia: bastante bronzeador, meus óculos de sol e um pouco de dinheiro para almoçar mais tarde, desci e as garotas ainda estavam comendo então resolvi esperar do lado de fora. Na casa ao lado um carro havia acabado de parar na porta, desceram de lá um homem com um semblante bravo e uma mulher que ao contrario dele parece ser bem amável e também um garoto com olhos da cor do mar e mesmo que eu achasse impossível ele tem a pele mais branca que a minha, esse garoto carregava uma garotinha pequena no colo e tinha varias malas na mão ou seja eles estavam chegando de viagem, mas achei impossível que ele fosse pai desta garota e por isso descartei a hipótese mesmo antes de considerar ela.
- Vamos, Lana. – Rebeca me chamou.
- Vamos andando? – perguntei.
- Sim, é bem perto daqui só uns 15 minutos.
Demoramos exatos 20 minutos até a praia, estendemos nossa toalha gigante e nos sentamos, me virei, coloquei meus óculos, passei o bronzeador e fiquei lá por muito tempo bronzeando.
- Para qual escola vai, Alana? – Marina perguntou.
- Para a St. Andrew.
- Ah, então você é a sortuda.
- Mas por que sortuda?
- A St. Andrew é a maior e melhor escola de Miami, conhecida por ter os alunos mais gatos e os melhores times da Florida. – Rebeca falou por Marina.
- Já nós vamos para uma escola particular super pequena com gente feia e mimada. – Clara disse.
- Pelo menos o uniforme é bonitinho. – Rebeca começou a rir.
- Vou comprar um refrigerante naquele bar – falei me levantando.
Algo bateu em minha testa e eu caí na areia e logo corei com vergonha.
- Me desculpa, você ta legal? – um garoto lindo de cabelos castanhos claros e um tanquinho perfeitamente definido se aproximou e me deu a mão.
- É, eu estou bem. – me apoiei em sua mão e me ergui.
- Desculpa de novo. – ele disse e já saiu.
Voltei para toalha e me sentei, as garotas me olhavam.
- CARAMBA! Que deus grego! – Rebeca colocou a mão na boca.
- Se levanta de novo, Alana, talvez algum dos amiguinhos dele te acerte de novo para apreciarmos mais paisagens – Marina ria.
Olhei para trás, o garoto da bola estava com mais dois amigos, espera, o garoto da casa ao lado estava com ele e o melhor, ele também tem tanquinho.
- Conta mais de você, Alana, a gente não sabe absolutamente nada sobre você. – Clara tirou os fones de ouvido.
- Hum... Tenho 15 anos, moro no Rio desde os 13 antes eu morava no interior, sou viciada em musica e em livros acho que só.
- Tem namorado?
É eu teria que falar sobre Marcelo apesar de não estar nem um pouco afim.
- Tinha até antes de ontem quando peguei o avião para cá. Ele não queria continuar com algo virtual ou sei lá.
- Você está bem?
- Mais do que eu esperava estar.
Olhei para trás de novo e nossos olhares se cruzaram, o garoto sorriu e eu desviei logo, minha vontade era enfiar a cabeça em um buraco e sumir, mas apenas chamei as meninas para ir embora e apesar de reclamarem muito que não havíamos passado tempo nenhum lá elas foram. Cheguei em casa exausta e resolvi ler O Diário de Anne Frank até as 17:00 quando fui arrumar tudo o que precisava para a escola no dia seguinte, havia comprado meus materiais no Brasil e os livros didáticos eu pegaria amanhã na secretaria da escola, ao contrario das garotas eu estava empolgada para o primeiro dia de aula.
Passei o resto da tarde vendo series que havia comprado quando fui ao shopping, a nova temporada de Game of Thrones já havia acabado nos Estados Unidos e quase enfartei ao ver o box no Wallmart, terminei de ver as onze da noite e senti uma vontade louca de ligar para Marcelo (que é fã da serie) e comentar sobre aquele final, mas me lembrei que não podia fazer isso agora e também não tinha mais alguém para falar sobre Harry Potter e Jogos Vorazes. Talvez os assuntos sobre os quais conversávamos seja o que sinto mais falta nele.
Acordei ás sete e meia, na St. Andrew as aulas começam ás oito e meia, mas pelo visto não era assim no colégio de Marina, Clara e Rebeca porque não estavam mais em casa. Pelo menos agora teria certeza de que ao chegar na escola não me depararia com uma reunião do elenco de The Walking Dead. Vesti uma calça jeans e um suéter vermelho. Fechei a casa e fui para o lado de fora, olhei para o lado e lá estava o garoto dos olhos de mar (que estava com o garoto da bola ontem na praia), ele estava saindo de casa, me virei e continuei meu caminho.
- Ei, esta indo para onde? – o garoto já estava ao meu lado.
- St. Andrew é meu primeiro dia de aula. – respondi um pouco tímida.
- Eu estudo lá desde o ano passado. – ele sorriu, parecia ser bem amigável. – Meu nome é Matthew, mas pode chamar de Matt.
- Alana.
- O que?
- Meu nome é Alana.
- Alana?- ele pronunciava meu nome com dificuldade. – Posso te chamar de Lana?
_Claro- eu ainda ria de como ele pronunciou meu nome.- Faz que serie?
- Primeiro ano e você?
- Também.
- Quem bom... quer dizer... você não é daqui é?
- Não, sou do Brasil estou fazendo intercâmbio.
- Já chegamos.
Olhei para aquela imensa construção, Marina tinha razão é bem grande e parecia ser bem legal como aquelas escolas de filmes com aulas de teatro e gente cantando nos corredores, sem falar dos armários e acampamento de férias.
- Wow!
- É bem legal, não é?
- Com certeza.
Entramos no prédio e por dentro parecia ainda maior.
- Quer ir comigo na secretaria pegar nossos horários?
- Claro, não sei onde fica nada aqui, estaria totalmente perdida sem você.
- E ai?
Virei-me tentando entender o que ele tinha falado, mas percebi que não era comigo e sim com aquele que fez meu coração parar pela segunda vez, o garoto da praia.
- Oi. – ele pareceu tão espantado quanto eu ao me ver.
- Oi. – estava gelada, o que me fez sentir uma vadia, havia terminado com meu namorado há apenas 3 dias e já estava “interessada” em outro garoto
- Lana, este é meu melhor amigo Connor, Connor esta é Lana ela veio do Brasil.
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