Fomos logo para a aula de História, que poderia ser considerada a mais chata da história, entenderam a piada? Não? Ok. Teríamos mais duas aulas, uma de Biologia e outra de Física e depois uma hora e meia para o almoço. Ao contrario da primeira aula as outras duas foram bem melhores, a professora conversava bastante e sabia explicar um pouco melhor para eu entender, mas mesmo assim era raro entender algo afinal aqui é tudo diferente do Brasil, mas notei que Matt sempre respondia as perguntas que ela fazia então poderia pedir ajuda para ele quando estivesse perto das provas ou algo assim.

Saímos para o intervalo e pegamos a fila, o refeitório é enorme e a quantidade de alunos é maior ainda e completamente estranha para mim que estudava em uma escola pequena onde todos se conheciam e agora estou aqui no meio de uns 2.500 alunos e conheço apenas um, bem na verdade dois. Me servi com macarrão e então Matt me levou até uma mesa no centro que surpreendentemente estava vazia.

–Fala mais sobre você, Lana, você parece ser uma pessoa que vale a pena conhecer. –Matthew disse me fazendo sorrir.

–Não sou nada de interessante, eu só leio, assisto series e ouço musica. Isso resume minha vida chata.

–Eu também amo series. Qual sua preferida?

–No momento é Game of Thrones, mas eu também amo Breaking Bad.

–Já eu prefiro Breaking Bad e em segundo com certeza Game of Thrones. – ele chegou, Connor o garoto que faz meu coração parar e meu corpo congelar e não entendo o motivo de eu amar ver ele e me sentir assim.

Ele se sentou ao meu lado e outro garoto que sempre estava com Connor se sentou ao lado de Matt.

–Estive pensando durante a aula toda onde eu já havia te visto e aí me lembrei...

–A bola que jogou perto da “gata” só para ter que ir buscar, mas acabou acertando a testa dela e depois ficou falando até irmos embora do quanto ela é linda? – o garoto que eu ainda não sabia o nome falou me fazendo corar e Connor deu um chute em suas bolas fazendo-o gritar.

–Cala a boca, Max!

Meu celular tocou e o nome “Marcelo” apareceu na tela e apesar de não querer eu atendi.

“Alo?”

“Alana, tenho sentido tanto sua falta, por favor, me desculpa e volta para mim, mesmo que estamos longe quero que seja minha, não quero te ver com outra pessoa, eu ainda te amo.”

Meu coração doeu naquela hora, ele estava chorando e eu sentia vontade de concordar e voltar com ele, talvez as coisas pudessem se tornar melhores depois disso, mas tinha que fazer o certo.

“Agora sou eu quem não quer, posso ter me sentido mal no aeroporto e talvez até aceitaria, mas o impressionante é que depois que cheguei não senti sua falta nem sequer por um minuto e isso me fez perceber que “nós” já não existia mais. Talvez se não tivesse terminado eu ainda seria iludida que vivia um romance de filmes com você, mas você decidiu que seria assim.”

Desliguei o mais rápido possível, não queria ouvir o que havia para dizer já me sentia mal o bastante por ter dito aquilo, nem percebi, mas meus olhos já estavam cheios de lagrimas, limpei com os dedos automaticamente fazendo escorrer por meu rosto.

–O que era no telefone? Você esta bem? – Connor colocou a mão em meu ombro.

– Meu ex-namorado... eu só me senti mal pelo que acabei de dizer, mesmo que ele tenha partido meu coração acho que peguei pesado demais.

– Se ele partiu seu coração ele mereceu cada palavra que disse mesmo eu não tendo entendido nada. – ele riu e só então percebi que estávamos sozinhos lá.

– Vocês eram muito apegados?

– Só status no facebook. – nós rimos.

­- Você precisa de alguém para te dar tudo que puder e não puder, te lembrar todas as horas que te ama e que nunca vai estar sozinha e que quando pense nele se sinta como se pudesse passar a vida toda ao lado dele. – e foi assim que me senti ao olhar para ele, Connor tinha atingido o alvo.

Ficamos nos encarando por algum tempo, sentia tanta vontade de agarrar ele ali mesmo e ficar ao seu lado até minha morte apesar de saber que aquilo é totalmente precipitado.

–Lana, precisamos ir para aula. – Matt voltou.

–Tchau, Lana. – Connor acenou para mim e eu acenei de volta.

As outras três aulas não foram das piores até porque passei metade dela trocando bilhetes com Matthew falando sobre series e livros e descobri que nosso gosto é bastante parecido. O sino da ultima aula bateu e agora teria apenas uma aula de vôlei (esporte que eu escolhi) e depois poderia ir embora. Matt me levou até a quadra de vôlei e me mostrou onde fica o vestiário para poder me trocar.

– Vou para o treino de basquete e depois te espero aqui para voltarmos juntos para casa. – ele sorriu.

– Ok.

Entrei no vestiário que fedia suor com meu uniforme na mão, era difícil saber que teria de ficar nua na frete de todas aquelas 30 meninas, tentei me esconder o máximo possível e troquei meus jeans por um shortinho largo vermelho e uma camiseta branca com mangas vermelhas com e o nome da escola escrito da mesmo cor nos seios.

– Você é a nova amiguinha de Mattew Wilson, não é? – uma garota alta e loira veio até mim.

– E também sentou com eles na hora do almoço, tinha que ver como Connor olhava para ela. – uma ruiva completou.

– Sou eu sim, mas não estou entendendo todo esse escândalo.

Todas começaram a rir e uma voz surgiu do fundo:

– Gente, ela é novata ainda não os conhece.

– Matt, Connor e Max são os mais populares dessa escola, sabe eles são as estrelas do time de basquete e é difícil achar uma garota que já não tenha tido uma quedinha por algum deles, mas Connor e Matthew nunca dão atenção para as garotas já Max pega todas que dão chance, mas nunca deixam ninguém entrar em seu grupinho, você tem muita sorte.

Eu já deveria ter percebido, todas ficam fazendo xauzinho para Matt quando passamos no corredor, mas nunca imaginaria que fosse tanto assim.

– Qual é seu nome mesmo? – a garota loira perguntou novamente.

– Pode me chamar de Lana. – me lembrei do apelido que Matt me deu.

Fomos para a quadra e jogamos três partidas, nem eu sabia que sou tão boa nesse esporte e a treinadora Flury me colocou no time logo no primeiro jogo. Voltei para o vestiário, tomei um banho bem gelado e vesti minha roupa de mais cedo e saí. Matt e Connor me esperavam na porta,

– Vamos? Connor esta indo para minha casa e ele tem um carro então podemos pegar uma carona com ele. – Matthew falou.

Caminhamos ate o estacionamento, o carro de Connor é um conversível provavelmente bem caro, eu e Matthew nos sentamos atrás e Connor e Max na frente. Demoramos apenas três minutos até minha casa de carro, ele parou na porta da casa de Matt e descemos, me despedi deles e então Connor cutucou Matthew que falou:

–Lana, espera! Quer ficar para eu te ajudar com o dever de casa?

– Eu já ia te pedir isso, mas tem certeza que pode ser agora? Não vou atrapalhar em nada?

–Claro que não.

Entramos em sua casa, a mulher do carro que havia visto estava no sofá com seu computador provavelmente trabalhando.

– Mãe, essa é a Lana, ela mora ali do lado e estuda na minha sala, vou ajuda-la com o dever.

– Oi. – ela me olhou com um semblante totalmente amigável. – Posso confiar que será só o dever mesmo? – ela riu.

Matt me guiou ate seu quarto que daria dois do meu, totalmente arrumado, vários boxes de series e livros na estante e fiquei com vontade de levar tudo aquilo para casa. Nos sentamos em uma mesinha no canto do quarto enquanto os outros jogavam videogame, ele é ótimo para explicar tudo e me imaginei saindo bem em todas as provas apesar de isso ser quase impossível no primeiro ano de intercambio. Terminamos tudo em 30 minutos e Matt foi para frente do videogame.

– Sabe jogar, Lana? – Matthew perguntou.

Claro que sei, passei as férias toda jogando este mesmo jogo, mas assim que abri a boca para responder Max disse.

– Claro que não, ela é uma garota. – senti a raiva fervendo ao ouvir aquilo. – Aposto 100 pratas que ganho dela em 10 minutos.

– É mesmo, eu não sei, mas aceito o desafio com uma condição: se eu perder te pago 100 dólares, mas seu eu ganhar você me paga 200.

Ele apenas riu e topou. Segurei o controle com força, já havia zerado aquele jogo incontáveis vezes, já havia decorado as posições de cada soldado que me levaria a vitória, mas eles não faziam ideia disso, então apenas fiz minha “magica” e em 5 minutos matei todos do exercito de Max e perdi apenas dois soldados.

– C-A-R-A-M-B-A! – Connor tinha a boca em forma de O.

– Você acaba de me roubar 200 dólares, mas eu não consigo te odiar. Nunca vi alguém jogar tão bem.

– Passei as férias toda no meu quarto jogando isso com... com o Marcelo.