O resto do mês passou voando e eu sempre na mesma rotina: escola, treino, estuar com Matt, jogar vídeo game com os garotos, conversar com os garotos, ir a praia com eles, voltar para casa ficar um pouco com as meninas e dormir. Com isso eu estava cada vez mais popular na escola, nunca me preocupei em ter isso ou perder, mas é bom ser notada, é bom ter pessoas te cumprimentando quando passa pelos corredores e não me sentir perdida em uma escola nova, Megan que também é do time de vôlei acabou virando minha amiga, apesar de não ter ido muito com a cara dela no começo descobri que é bem legal e suas outras amigas também. No time de vôlei eu também estou me dando bem, nunca havia dado chances para esportes no Brasil apenas considerava algo odiável talvez por odiar aqueles fanáticos por homens de shortinho correndo atrás de uma bola, mas isso não vem ao caso agora. O jogo contra outra escola é na próxima sexta com isso a pressão aumentou muito, sempre tive problemas com tudo que faço em publico seja o que for que estiver fazendo, mas quase sempre tínhamos algumas pessoas acompanhando o jogo e acabei me acostumando, um pouco talvez. Também estou um pouco entediada por os garotos estarem dedicando a maior parte do tempo deles para os treinos já que o jogo é nesse domingo e Connor cada vez mais próximo de mim o que é ótimo porque eu amo estar com ele, amo como me sinto perto dele.

Acordei bem cedo o que é raro eu fazer em um sábado, mas hoje marquei de ir à praia com os garotos, tomei um banho e depois de olhar no espelho notei que estou bonita, o que é raro eu pensar já que a maioria dos outros dias me sinto feia o bastante para não querer sair de casa, mas o fato é que meu cabelo estava quieto sem fios fora do lugar e minha pele lisa e assim passei a gostar do fato de ter acordado ás sete da manhã para ir a praia com Matt, Max e Connor. Preparei sanduiches para levar porque não estava nada a fim de gastar dinheiro na praia, com minha fase de Becky Bloom (filme Delirios de Consumo de Becky Bloom) estava sobrando pouco dinheiro da minha cota mensal depois que meu pai resolveu impor uma cota mensal porque simplesmente não me controlo no Wallmart e compro boxes de series, CDs e livros.

Os garotos já me esperavam na porta de casa no carro, todos com suas bermudas de banho e aquelas

camisetas de ótimo gosto que os americanos usam. Todos os finais de semana não vamos para a praia perto de casa, mas sim para Miami Beach que é bem mais cheia e com certeza melhor, o Sol até parece ser mais quente. Além dos shows que tem lá, o tipo de artista que quando vai ao Brasil os ingressos custam bem caro e esgotam rápido, lá eu podia assistir tudo de graça.

Assim que chegamos a praia Max e Matthew foram direto para o mar tomar um banho, Connor estendeu a toalha e se sentou ao meu lado enquanto passava um vidro de protetor solar, mesmo que queira pegar uma cor deixar uma pele branca como a minha naquele sol é como uma missão suicida.

– Sei que isso vai parecer estupido, mas não quero guardar isso só para mim... – Ele estava inquieto. – Desde que chegou aqui quando eu te vi na praia sabia que é diferente, eu ficava olhando para você e pensando ‘Caramba eu podia falar com ela, e se ela for legal?’ e ai eu me imaginava com você. – eu sorri para ele – E aí no outro dia quando te vi com Matt eu fiquei petrificado e tudo que consegui foi dizer um simples ‘oi’, eu juro que não tirei você da cabeça durante a aula toda, no refeitório eu estava determinado a falar com você e aí eu fui lá e consegui. – Connor olhou em meus olhos. – Até então era apenas uma atração física e quando passamos a tarde toda juntos eu tive certeza...

– Certeza de que?

– De que você é a garota que eu quero... – ele suspirou- Nem acredito que acabei de dizer isso, mas eu não quero apressar nada só perguntar se quer ir ao cinema comigo hoje a noite?

– É claro que quero. – me senti mal por ele ter falado tudo aquilo e eu não saber dizer nada além de ‘eu quero’, mas minha vontade mesmo era sair pulando e gritando, não podia estar mais feliz.

– Te busco ás seis – apesar de eu não ter sido poética como ele seu sorriso ocupava todo seu rosto.

Seu celular tocou sua expressão não foi das melhores ao ver o nome que piscava na tela.

“Alô. Ok treinador. Tchau”.

– Era o treinador, temos treino duas horas, acho que é melhor irmos para casa. – ele comentou sobre a conversa extremamente rápida, olhei no relógio e me espantei em ver que já eram 10 da manhã.

Max e Matt voltaram reclamando sobre o treinador e Connor se juntou a eles, mas não parecia bravo como eles ele ainda mantinha o enorme sorriso no rosto.

Lydia nos convidou para almoçar lá e sem pensar muito troquei meus sanduiches por uma torta de frango que por acaso estava ótima.

– Achei que não fossem almoçar em casa. – a mãe de Matthew falou.

– Não íamos mesmo, mas Mr. Doustin marcou um treino para as duas horas. – Matthew se apressou em responder.

Connor e Max deixaram seus pratos na pia e foram em direção à porta.

– Nós já vamos, te vejo no treino Matt – Connor se virou para mim – Te vejo ás seis Lana.

Matt olhou para mim

– O que foi isso?

– Ah, vamos ao cinema hoje. – sorri empolgada. – Acho que também já vou.

– Não, fica aqui faltam duas horas para o treino. Podemos ver alguns episódios de Smallville antes.

– Ok.

Sentamos-nos no sofá extremamente confortável de couro, às vezes quando o dia esta fresco o couro fica gelado e é tão bom deitar lá. O episodio estava um pouco chato então resolvi puxar conversa:

– Você mora sozinho com sua mãe?

– Sim, meu pai é general do exercito, ele passou as férias aqui, mas partiu no dia em que você chegou. Fomos para nossa casa de praia em Miami Beach ele gosta de lá então sempre que vem temos que passar um tempo lá. – Matthew pegou uma foto e me mostrou seu pai. – Ah e também tem meu irmão que mora em New York se chama Will tem 20 anos, mas nós não nos damos muito bem por isso é raro ele vir aqui.

– No dia em que cheguei vi você descendo do carro com uma garotinha, quem é?

– Minha sobrinha Anne. – ele suspirou como se aquilo o incomodasse. – Meu irmão engravidou minha ex-namorada há dois anos quando ainda namorávamos. Meu pai ficou muito bravo até porque ele tinha 18 e ela 15 e claro também porque ela era minha namorada, mas os dois se dão tão bem então decidiram se casar, mudaram para NY e tiveram Anne, os dois moram em um apartamento bem pequeno as vezes meu pai tem que mandar um pouco de dinheiro para eles porque o emprego dos dois não dão para pagar tudo o que precisam. Anne vem passar as férias aqui, eu gosto muito dela, é tão doce e fofa. Mesmo que eu tenha ficado bravo por Maddie me trair com Will eu fico feliz de eles terem gerado ela. – ele mordeu os lábios. – Eu não consigo me livrar do medo de amar alguém como eu a amei.

– Olha para mim. – puxei sua cabeça. – Você vai achar alguém, quando achar a garota certa vai sentir isso dentro de você, mas tenha certeza de que não vai entregar seu coração para qualquer uma, tem que ser alguém especial e se ela partir seu coração eu juro que a torturo até a morte.

Matt riu e deu um beijo em minha bochecha, apesar de isso ser comum entre amigos senti um arrepio assim que seus lábios tocaram minha pele.

– Obrigada.

– É melhor eu ir e você arrasa no treino ok?

– Ok, tchau Lana. – ele se virou novamente para mim. – E boa sorte com o Connor hoje a noite.

Sorri como resposta e sai quase pulando de alegria, abri a porta de casa cantarolando You’re Always Here da Ashley Tisdale.

– Pode contar o porquê desse sorrisinho. – Marina falou da sala.

– CONNOR ME CHAMOU PARA SAIR – me arrependi depois de dizer aquilo, era só um cinema e mesmo com o que havia me dito, sempre que me iludo com algo tudo da errada.

– AHHHHHHHH – elas gritaram em coro.

– Precisamos ir ao shopping agora, você precisa ficar linda para ele. – Rebeca pegou sua bolsa.

– Nós só vamos ao cinema, nada de mais.

– Você precisa ganha-lo hoje, não pode fazer isso com um jeans velho e camiseta dos Ramones.

É assim que funciona, elas não me ajudam em nada na minha síndrome consumista quando vejo elas já estão me arrastando para alguma loja de roupas ou sapatos, por mais difícil que foi de escolher acabei levando para casa um vestido rosa claro florido um pouco curto, mas não tanto e um all star da mesma cor do vestido. Se tenho uma paixão é all star, sempre fica bom com qualquer roupa e o preço também colabora com a minha queda de penhasco por esses tênis.

Parece até que no shopping o tempo passa mais rápido, quando penso que há pouco tempo que chegamos vejo no relógio que já são 16h30min e voltamos correndo para casa. Tomei um banho e fiz minha maquiagem enquanto Marina arrumava meu cabelo e Rebeca me ajudava, elas pareciam estar mais ansiosas que eu para esse encontro, com nossa união feminina terminamos tudo ás 17h40min, sentei-me no sofá para esperar depois que Clara me disse que esperar na porta é feio, meu estomago dava voltas e sentia um ar gelado dentro de mim fiquei batendo os pés no chão para tentar espantar o nervosismo e foi aí que ouvi dois toques na porta, fui pulando até lá e abri.

– Oi, você está linda. – Connor me olhou da cabeça aos pés o que por algum motivo me deixou desconfortável.

– Você também esta. – deveria ter dito isso ou não?

Mas o fato é que não menti ele está mais bonito que o costume hoje, seus cabelos castanho claro bagunçados na frete, sua pele bem bronzeada como de um surfista daqueles filmes, calça jeans preta e uma camiseta branca com detalhes azul claro e tive certeza que ele é o garoto mais bonito que conheço.

– Tchau. – ele acenou para as garotas que nos espiavam da sala.

Connor é totalmente amável, mesmo vendo as garotas muito pouco ele já havia conquistado elas com sua gentileza, acho que por isso me dão tanto apoio quando se trata dele.

Ele abriu a porta do carro para mim e por um segundo fiquei com vontade de me beliscar para ver se não estou presa em um dos meus sonhos ou pensamentos que tenho antes de dormir que por acaso desde que cheguei envolvem ele.

– Como foi o treino hoje? – perguntei para tentar parar a colina de pensamentos que desabava em minha cabeça.

– Foi bom, bem, não temos Taylor agora porque ele se machucou por isso estamos treinando em dobro. Perder em casa seria uma vergonha para nós.

Se ele me dissesse isso há três meses provavelmente me sentiria entediada, mas agora eu entendo o que quer dizer também passo por esta pressão, St. Andrew é considerado o melhor time independente de qual esporte em todo o estado.

– Você vai? – ele me perguntou.

– Não perderia por nada.

– Acho bom mesmo.

O transito de Miami não é tão louco como o do Rio por isso não demoramos nem dez minutos até chegar. Ele esticou o braço para colocar em volta de meu ombro, mas recuou depois de pensar um pouco.

– Não precisa ter medo. – disse fazendo-o corar.

– O que? – Connor perguntou mesmo sabendo do que se tratava.

– Pode colocar, isso é fofo.

– Ah. – ele sorriu um pouco envergonhado e depois voltou o braço para meus ombros.

Paramos em frente a bilheteria na fila.

– O que quer ver? – ele me perguntou apontando para os cartazes.

Havia um filme de comedia, dois de aventura e um de terror, apesar de estar louca para ver uma comedia pensei melhor e percebi que com o de terror poderia ficar mais perto dele.

– O de terror. – decidi.

Deixei-o na fila e fui para minha parte preferida do cinema, a lanchonete. Pedi uma pipoca grande para dividirmos, dois refrigerantes grandes e bastante chocolate. Sempre dizem que como muito para uma garota, eu me acho comum estranhas são aquelas que só porque estão com um garoto comem salada por vergonha.

– $30,00, senhorita. – a atendente me entregou as coisas.

– Aqui está. – Connor entregou uma nota de 50.

– Não precisa fazer isso.

– Eu quero e você senhorita teimosa é só agradecer.

– Obrigada. – comecei a rir.

Pegamos uma poltrona no meio e o problema foi achar lugar para colocar tudo o que comprei.

– Esse filme parece ser bom. – disse olhando o cartaz na parede.

– Vou te contar um segredinho, mas tem que prometer que não vai contar para ninguém.

– Claro.

– Eu não sou muito fã de filmes de terror, acabo não conseguindo dormir a noite.

Ri, sua aparência de fortão não me permitia imaginar ele embaixo dos cobertores com medo de fantasmas.

– Ei! Ou fazer questão de ir até sua casa no meio da noite só para te passar um susto.

– Mas então por que quis assistir?

– Por você.

– Awnt. Não sou do tipo que tem medo de coisas assim, sou uma maníaca por filmes de terror desde que tinha oito anos.

O filme começou e paramos de conversar, no começo foi bem chato, mas quando chegou na metade eu sentia tanto medo quanto Connor que apertava com força minha mão. Um momento de tensão e aquela musica apavorante que te da sinal que algo horrível vai acontecer, enterrei meu rosto no peitoral de Connor deu para sentir seu cheiro, aquele cheiro que eu amo que da vontade de fazer um perfume e cheirar todos os dias, todos gritaram e me arrependi de não ter visto, mas lá estava tão bom que resolvi demorar um pouco mais.

– Acabou? – tentei disfarçar.

– Sim.

O filme foi bem longo, saímos do cinema ás oito horas e fomos direto para o carro ainda discutindo sobre o filme que eu considero o mais aterrorizante que já assisti.

– Você está com fome? – Connor ligou o carro e me olhou.

– Quer a verdade ou que eu minta com medo que me ache uma gorda compulsiva por comida?

Ele riu e acelerou o carro, desta vez em outra direção.

– Vou te levar a um lugar especial.

Sorri. Começou a tocar Couting Stars do OneRebublic no CD que Connor tem no carro.

– Eu amo essa musica! – Aumentei o volume o máximo que pude e comecei a cantar. – “Lately I’ve been I’ve been losing sleep dreaming about the things we could be”

–“But baby I’ve been I’ve been praying hard...”

E foi assim que ficamos por quinze minutos até chegarmos em uma avenida no centro lotada de carros.

– Gosta de comida japonesa? – ele perguntou.

– Nunca comi, mas tudo tem uma primeira vez, certo? – na verdade peixe cru nunca me interessou.

– Este é um dos restaurantes da minha mãe. – ele apontou para um lugar grande e chique do outro lado da rua.

Atravessamos a rua e entramos, pelo visto o restaurante é bem famoso, pois está lotado menos uma mesa perto da enorme janela de vidro, ele me levou até a recepção.

– Oi mãe. – ele a beijou na bochecha. – Esta é a Lana.

Sua mãe tem cabelos do mesmo tom que o seu e ficam lindos com a franja longa em cima de sua pele um pouco mais branca que a de Connor e fica realmente bonita com aquele batom vermelho que usa.

– Olá, Lana. Tenho ouvido muito de você ultimamente. — Connor olhou-a com um olhar mortal – Reservei a melhor para vocês. – ela apontou para a única mesa vazia.

Ele sorriu antes de me levar até lá, ao vê-lo uma garçonete correu para atendê-lo e pareceu um pouco desapontada ao me ver. Connor fez o pedido dizendo muitos nomes que nunca ouvi na vida então voltou-se para mim.

– Por que um restaurante japonês? Vocês tem descendência? – perguntei.

– É uma longa historia, mas vou te contar. Meu pai morreu quando eu tinha oito anos, ele se suicidou com remédios, papai era quem mantinha a casa e assim que morreu ficamos sem renda então minha mãe ouviu sobre empregos no Japão, deixou eu e meu irmão com a vovó e foi. Dois anos depois voltou casada com o filho do maior produtor de Shoyo da Ásia, nos mudamos para a casa enorme em que moro ainda e abriram este restaurante e outros espalhados pela cidade.

– Sinto muito pelo seu pai.

– Não se preocupa. Doeu quando aconteceu, mas agora não é mais tão doloroso.

– Você só tem um irmão?

– Não, além do Gabe tem a Katherine de seis anos, ela é uma copia do meu padrasto.

A comida chegou, varias rodelas de arroz, alga e claro peixe cru.

– Fecha os olhos. – Connor ordenou e logo colocou um sushi na minha boca.

– O gosto é melhor que parece ser, peixe cru não é tão ruim.

Ele riu, comemos tudo o que havia pedido e depois tomamos vinho. Conversamos bastante até eu perceber que já eram 23horas e chama-lo para ir.

Paramos na porta de casa, olhei em seus olhos pouco iluminados pela luz da lua do lado de fora, ele parecia tão perfeito como se não existisse mais nada no mundo apenas eu e ele agora, não existia medo de tudo desabar como aconteceu com Marcelo em mim, meus pensamentos pararam naquele instante. Connor tirou as mãos do volante e colocou-as em cada lado do meu rosto, sentir seu toque é tão confortante comecei a imaginar se eu conseguisse dar uma chance a ele, como seria? Estaria colocando tudo a perder como fiz da outra vez? Não quero pensar nisso agora, quero apenas me entregar a ele, seu rosto avançou quase encontrando o meu, sentia sua respiração e o cheiro de seu hálito de menta a única coisa que pensava neste momento era sua boca na minha.

Meu celular tocou foi como despertar de um sonho, Connor se afastou e a única coisa que consegui dizer foi:

– Obrigada por hoje. – sorri e bati a porta do carro me remoendo por dentro por não tê-lo beijado um segundo antes.

– Alo.

– Oi, filha. – minha mãe parecia empolgada

–Mãe, é quase meia noite! Eu estava dormindo. – fiz uma voz sonolenta para não gritar com ela e expressar a raiva que estava sentindo naquele momento

Entrei em casa, passei por um breve interrogatório sobre tudo o que havia acontecido e ouvi como Rebeca estava odiando minha mãe naquele momento. Dispensei o convite de Marina para assistir um filme e fui para a cama apenas eu e meus milhares de pensamentos.

Não quero começar algo com Connor apesar de gostar muito dele, não quero estragar nossa amizade como fiz com Marcelo.