Change my Life
4 Capítulo 4
Tudo parece bem, você está em um quase relacionamento com um cara muito lindo, mas aí acorda ás quatro da manhã vomitando tudo o que há dentro de você e percebe que é alérgica a comida japonesa, do restaurante dos pais do cara muito lindo que está em um quase relacionamento com você.
– Lana, tem que estar melhor até a hora do jogo, não pode deixar ele na mão. Tem que compensar o que perdeu ontem por causa da sua mãe. – Clara me entregou dois comprimidos que eu vinha tomando desde que acordei, mas sempre vomito.
Quando se está pálida mesmo tendo cor de leite, em baixo de cobertas e com cabelos bagunçados a ultima coisa que pode querer é que seu quase namorado (que tentou te beijar, mas sua mãe atrapalhou e depois disso ficou confusa sobre tudo entre vocês) apareça com seus outros dois melhores amigos, mas se caso isso aconteça como está acontecendo agora, saiba: se ele continuar gostando de você depois disso pode ter certeza que é amor, depois fuja com ele, tenha dois filhos e um cachorro chamado Rex .
– Ei, sua amiga disse que está doente. – não seria preciso ela dizer basta olhar na minha cara para saber. – É minha culpa? – Connor ainda usava a mesma roupa da noite passada.
– Não, você não sabia.
– Espera aí. Como assim culpa do Connor? Você está gravida dele ou o que? – Max tinha uma expressão de duvida.
Connor e eu gargalhamos e então ele resolveu explicar.
– Eu a levei no restaurante dos meus pais de comida japonesa e parece que ela é alérgica.
Matt se aproximou de mim.
–Caramba você ta péssima hoje. – ele se referia a minha aparência, mas não liguei sempre fazíamos brincadeiras assim.
– Está mesmo e é por isso que eu vou ficar com ela até melhora. – Connor sentou se ao meu lado e brincava com meu cabelo. – Digam para o treinador que aconteceu uma emergência e não posso ir no treino, mas vou no jogo.
– Você é o capitão e esse é nosso ultimo treino, não pode deixar o time de lado assim. – Matt tentou convencê-lo.
– Já disse que não, tenho prioridades. – ele manteve sua opinião.
– Então tchau. – Max disse e saiu com Matt, os dois pareciam um pouco bravos
Abracei Connor por trás um pouco apreensiva por fazer isso, mas ficou melhor depois de ver que havia gostado.
– Obrigada. Isso é bem legal da sua parte. – disse ainda em seus braços.
– Tem razão. – ele beijou minha bochecha.
Um beijo na bochecha é algo comum, mas não um beijo de Connor, senti algo subir em mim ao seu toque. Ops não é boa coisa, corri para o banheiro e ele atrás de mim. Inclinei sobre o vaso e aconteceu de novo, depois de todas aquelas vezes já não era tão ruim, mas agora com ele ali ficou bem pior. Connor ficou o tempo todo lá segurando meu cabelo para trás.
– Toma. – ele tinha um copo de água na mão e estendia-o para mim.
– Obrigada. Vem vamos ver algo na TV – guiei-o até a sala segurando sua mão para tentar ignorar o que havia acontecido.
Connor se sentou ao meu lado e senti liberdade para deitar em seu colo, seus dedos passeavam em meu cabelo.
– Amo seu cabelo, é tão macio. – ele ria e eu o acompanhei.
Mudei de canal até a Warner que estava reprisando The Big Bang Theory.
– Eu amo TBBT, vejo desde que lançou o primeiro episodio.
– Comecei a ver no ano passado quando descobri essas series, antes gostava apenas de Smallville e Supernatural.
Conversamos um pouco antes de cairmos no sono, ele sentado e eu deitada em seu colo, queria ficar lá para sempre.
Acordei um pouco assustada e demorei pelo menos um minuto para lembrar o que estávamos fazendo ali e o que nos levou até lá, isso poderia ser considerado uma doença com direito a mais faltas na escola, não sabem como fico confusa quando acordo. Connor ainda dormia o que me deu mais tempo para observar cada traço de seu rosto e que me fazia lembrar que estou mais confusa agora depois de lembrar onde estou e o que estava fazendo, realmente não sei o que pensar sobre ele e muito menos o que decidir, Connor é tão importante para mim que tenho medo de perdê-lo mesmo antes de tê-lo, queria apenas que continuássemos nessa paixão de playground onde você apenas gosta da pessoa mesmo sem beijá-la.
– Eu dormi mesmo? – parece que Connor tem a mesma síndrome que eu.
–Sim. – sai de seu colo e me sentei espreguiçando meu corpo ainda.
– Que horas são?
– Três horas – me assustei tanto quanto ele.
– Estou morrendo de fome. – ele passou a mão na barriga. – Ah e você está melhor?
– Totalmente – na verdade se não fosse pelo gosto de vomito na minha boca nem sequer me lembraria que estava doente.
– Que bom porque agora vai poder ir ao jogo e faço questão de ganhar por você.
Respondi com um sorriso, sou péssima em dizer coisas fofas e me sentia mal por isso,
– O que quer comer? – abri a geladeira. – Bem, tem pizza de ontem e refrigerante.
– Tudo menos comida japonesa, por favor. – ele me fez rir como sempre fazia mesmo com as mínimas coisas e com as piadas sem graça tudo causado pelo nervosismo.
Tentei comer o mínimo possível, não quero passar por aquilo de novo ainda mais no dia do jogo.
– Foi muito legal ficar com você, deveríamos fazer isso mais vezes, – muito mais.- mas agora preciso ir, princesa.
Paramos na porta, ele do lado de fora e eu de dentro, seu sorriso iluminava seu rosto e foi aí que aconteceu de novo: nossas respirações se encontrando, seu cheiro mais perto de mim, mas desta vez ele não tentou me beijar, apenas disse:
– Eu acho que te amo Lana.
Petrifiquei naquele momento, meus medos são maiores que meu amor por ele mesmo que não quisesse minha decepção anterior não me deixa prosseguir, eu quero, eu quero, mas não consigo.
– Eu tenho medo, Connor, medo de perder você e se nada der certo? Não quero perder sua amizade. – me arrependi de cada palavra que disse assim que as pronunciei.
– Obrigada, Lana. Sabe, é a primeira vez que me entrego realmente em algo assim e você me trata como seu ex, esperava mais de você. – sua expressão combinava raiva e tristeza, não consegui fazer nada além de olhar enquanto ia, eu o deixei ir.
Abracei a almofada e chorei, chorei por tê-lo magoado e por ter me magoado também, o que estou fazendo? Eu não sou assim. Limpei as lagrimas e fui para a casa de Matt, ele é bem melhor com conselhos do que parece.
– Ele tem razão Lana, não trata o Connor como se ele fosse seu ex porque ele não é, se não tentar nunca vai saber
– Vale mesmo a pena arriscar tudo? – me joguei na cama de Matthew não conseguindo imaginar como seria olhar todos os dias para Connor e não poder falar com ele.
– LANA! – Matt gritou. – Já viu como fica perto dele e como ele fica perto de você? Todos ao redor percebem menos vocês dois, parecem dois retardados. Connor não para de falar de você por um segundo, desde que chegou a maioria de nossos assuntos tem seu nome envolvido porque ele só pensa em você. – ele colocou a mão em meu ombro. – Não faz isso com o Connor e também com você, não perde essa chance, vocês foram feitos um para o outro, por favor, pela minha vida não o deixe ir.
Levei alguns segundos para repassar cada palavra que saiu da boca de Matt, ele tem razão não posso deixar meu passado atrapalhar meu futuro, tenho que investir no que amo e com certeza aposto tudo em Connor.
–Obrigada, Matt. – dei um pulo da cama. – Pode me dar uma carona para o jogo?
– Claro.
Sai correndo para casa vesti a melhor roupa que pude, passei o melhor perfume que tenho e deixei meu cabelo da melhor forma possível.
“Não posso deixá-lo ir, não vou deixá-lo ir” – esse pensamento rondava minha cabeça o tempo todo.
– Wow. – Matt me olhou dos pés a cabeça. – Você está maravilhosa.
– Obrigada. – dei um sorriso bem largo, uma coisa que nunca me canso são os elogios, me fazem sentir bem comigo mesma como se todo o trabalho tivesse compensado.
O ginásio estava lotado naquela noite. Parei na entrada com Matthew ainda observando a quantidade de pessoas e imaginando se na minha vez de jogar teria tantas pessoas assim e me fez temer ainda mais pagar um mico na frente de todos.
– Tenho que ir. – Matt acenou e foi rumo ao vestiário apesar de já estar usando o uniforme, provavelmente faziam aquelas reuniões como nos filmes onde ficavam gritando “Quem são os campeões?” ou algo assim.
– Boa sorte.
– Para você também. – ele piscou.
Olhei varias vezes cada rosto na arquibancada até achar Megan e correr até lá. Tudo o que preciso agora é pensar em algo para me desculpar com Connor e sendo sincera não sou nem um pouco criativa então não sei o que esperar de mim mesma além de ir até ele e pedir desculpas de modo fofo e o resto não sei, se me perdoa ou não, mas o fato é que me sentiria bem melhor pedindo desculpas mesmo recebendo um “não”. Não posso tirar sua razão de não me perdoar eu o julguei antes de tentar e agora eu quero parar de lembrar de minhas experiências horríveis com relacionamentos. Acreditem se quiser, mas meu primeiro namoro foi ainda pior que o segundo acho que porque eu tinha apenas 12 anos e não fazia ideia de como agir em um relacionamento, apenas queria ser igual a minhas amigas saber como é um beijo e também ter alguém para me mandar “bom dia meu amor” todos os dias por SMS mesmo que não me amasse e aquilo tudo fosse apenas uma brincadeira.
O jogo estava apertado, St. Andrew saiu na frente, mas os outros não deixaram fácil, eles não queriam perder assim. A maior parte do jogo era mais ou menos um time fazia dois pontos o outro três não saía disso o que deu muita tensão para a enorme torcida do St. Andrew. Faltava apenas um minuto e meio para o jogo acabar, nosso time perdendo por dois pontos a maioria da torcida já havia perdido a esperança, e foi aí que uma luz do céu caiu sobre minha cabeça quando olhei para aquele garoto magro de shortinho vermelho e blusa cavada parado no meio da quadra com a bola na mão, ele parecia tão confuso sobre o que fazer e eu finalmente senti aquela coisa no estomago que de alguma forma me fez perceber que foda-se meu passado meu futuro está lá na quadra sem saber o que fazer. Enfrentei a timidez, subi um degrau a mais e fiquei de pé não pensei muito porque sabia que iria desistir então apenas gritei.
– Connor, eu também te amo!
Seu olhar virou para mim e logo voltou para a cesta, eu havia distraído todos os jogadores do outro time, ele apenas jogou a bola e três pontos. O sino bateu anunciando o final do jogo. Nós ganhamos!
Corri até o centro da quadra, a maioria dos jogadores ainda estavam lá não me importei eu queria Connor apenas ele, pulei nele colocando minhas pernas ao redor de sua cintura, seu rosto escorria suor, suas mãos foram até meu rosto e sua boca tocou a minha, sem interrupções dessa vez como se todos os alunos da escola não estivessem ali, como se fosse apenas eu e ele para sempre.
– Lana Petra, me deixa lembrar que te amo todos os segundos de sua vida? Me deixa te dar tudo de mim só para te ver sorrir? Me deixa olhar para você e querer passar a vida toda ao seu lado? Namora comigo?
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