Change My Life 2
16 União
Notas iniciais
Percy estava escondido entre as montanhas, olhando para o horizonte uma batalha entre romanos e monstros. Ele não sabia há quanto tempo estava ali averiguando o local, e realmente, tinha suas dúvidas se sairia vivo dali.
Era um mar de monstros, de longe, era como um enxame de formigas que não acabava nunca. Os romanos não conseguiam parar os monstros, e eles avançavam cada vez mais.
Os filhos de Deméter e Annabeth orientavam o grupo, estavam fazendo uma entrada sorrateira e dando a volta no acampamento, onde chegariam para atacar por trás da batalha. Quanto mais perto estavam da batalha mais Percy ficava preocupado com o ferimento de Victória. Ele não era Nico, mas por algum motivo sentia que a linha da vida de Vic estava ficando cada vez mais fina. O máximo que queria era vê-la antes de... Antes dela morrer.
Não, ele não queria pensar naquilo mais. Tinha que se focar na sua batalha. Até mesmo Zac, que era apaixonado por ela desde sempre, estava sério e focado. Nico, que sentia verdadeiramente a morte dela, estava centrado. Percy não podia e não iria perder o rumo.
Foram descendo as montanhas silenciosamente, de forma estratégica, ninguém conseguia os ver.
Assim que chegaram à terra plana, começaram a pôr em prática o plano de Annabeth. Que era muito bom, por sinal. Estavam andando de forma paralela e em grupos, adentrando o acampamento cada vez mais fundo.
O pelotão da frente iria ficar no lugar mais avançado, onde a batalha já acontecia, o resto ia entrar pelos lados nas vias do acampamento Júpiter. Annabeth estava na via mais avançada, onde todos conseguiam vê-la. Assim que apontou sua adaga para cima, todos os gregos entraram em ação.
Parecia outro enxame encima do enxame, os romanos por um momento pararam, abismados. E até mesmo os monstros também. Isso deu chance dos gregos atacarem com tudo, matando eficientemente boa porcentagem dos monstros.
Mas não durou muito tempo, logo os romanos voltaram a atacar, agora muito mais motivados. Os monstros voltaram a atacar.
Annabeth saiu correndo em linha reta, Percy parou por um segundo olhando para o que Hades ela estava fazendo. Desviando de ataques, ela chegou ao meio do pelotão romano.
–Reyna! – gritou ela – Reyna!
Ela foi puxada por trás, e quase atacou por intuição.
–Acho que não é uma boa hora para conversar, Annabeth – comentou a pretora olhando para todos os lados ao mesmo tempo, seus dois cães enormes a seguiam, o que dava para Annabeth uma sensação de proteção.
–Algo está acontecendo com os Deuses, esse ataque está muito fraco – Reyna parou, cética
–Fraco? Um terço do meu batalhão está morto ou ferido – Annabeth viu o sarcasmo jorrar pelas palavras de Reyna, mas ela sabia que era verdade.
–Algo está acontecendo e você sabe disso. Algum Deus está por trás dos ataques e ele está ficando fraco. Reyna, não se faça de idiota. – a pretora deu um ataque perigoso de cima para baixo num monstro de dois metros de altura.
–Eu não estou me fazendo de idiota, vamos ganhar essa batalha – Reyna saiu correndo para o meio dos monstros, sendo seguida por seus dois cães. Annabeth parou para respirar, dando um chute logo em seguida num monstro que nunca tinha visto antes, e cortando seu pescoço com a adaga.
Foi estranho, mas Annabeth parecia estar certa. Os monstros pararam de aparecer, o número foi diminuindo e quando menos esperaram haviam ganhado a batalha. Gregos e romanos, juntos.
Foi assim que aconteceu a última batalha de Annabeth Chase, e assim que aconteceu a última batalha de Percy Jackson.
(...)
Zac saiu correndo pela enfermaria do local, sendo seguido por todos os seus amigos. Quando a cortina se abriu e ele a viu, todos pararam de respirar por um segundo.
Annabeth nunca tinha visto alguém tão... Não saudável. Era a única coisa que conseguia pensar ao ver Vic ali. Zac ajoelhou do seu lado, mas parecia que ele tinha caído, perdido todas as suas forças.
–Alguém me dá um jaleco e algumas porções, eu vou salvá-la – Nico pôs a mão no seu ombro.
–Não tem mais jeito, Zac – ele respondeu, os olhos do filho de Apolo se encheram de água.
–Eu preciso falar com ela! Ela não pode morrer desse jeito – suas mãos foram para os seus cabelos, puxando-os desesperadamente – Eu não quero que ela vá sem saber que...
Nico tirou a mão do seu ombro, entrelaçando sua mão na mão fria de Vic. Um pouco de cor veio em suas bochechas e por um mero momento Annabeth reconheceu a filha linda de Afrodite, vulgo Vênus, que ela tinha sido amiga algum tempo atrás.
Seus olhos se abriram, mas Nico perdia a força, tendo que se sentar.
–Zac... – sua voz era um sussurro – Eu te amo, me desculpa. Eu te amo.
As lágrimas começaram a cair no rosto de Zac. Thalia desviou seu olhar e Annabeth percebeu os olhos cheios de água do filho de Poseidon.
–Eu também te amo, minha linda. Eu devia ter falado antes, bem antes – ele balançou a cabeça em negação – Você tem que me desculpar, todos esses anos e... Você teve que estar morrendo para isso.
–Me perdoem, todos vocês. Annabeth, Percy... Não fujam do amor igual eu fugi. Falem com Nico que ele é a melhor pessoa do mundo, obrigada por esse momento. Zac, eu te amo.
Não deu mais para o filho de Hades, ele separou sua mão da de Vic. E seus olhos se fecharam, agora para todo o sempre.
Zac abaixou a cabeça, soluçando. Nem todas as batalhas e todos os ferimentos que já curou eram comparados com a dor que sentia naquele momento. A morte, como dizia Nico, não era ruim para quem morria, mas sim para quem ficava.
Percy tinha os olhos ainda mais cheios d’ água. Annabeth o puxou, abraçando-o da forma mais acolhedora que podia. Vic era a melhor amiga dele por anos, e por mais que fosse louca a ponto de quase matar Annabeth para não ficar com ele, no fundo a filha de Atena sabia que ela fazia tudo aquilo por amor que tinha ao seu melhor amigo.
Zac estava inconsolável, Nico o pegou, levantando-o e o abraçando.
–Eu vou cuidar para ela ir para o melhor lugar do Elísios – Zac assentiu, chorando no ombro do amigo. Thalia olhava para um ponto em questão, onde parecia estar em outra dimensão.
Reyna apareceu na enfermaria, e apenas com um gesto chamou por Annabeth na porta.
Ela saiu do abraço apertado com Percy, e foi até a pretora. As duas saíram dali e começaram a andar por Nova Roma.
–Você tinha razão – Reyna começou, logo em seguida suspirando – Não houveram mais ataques de nem ao menos um monstro. Tudo está em perfeita ordem e paz. Mas como você sabia disso no meio da batalha?
–Eu tive um sonho, um dia atrás. Os Deuses estão se recuperando, ou já estão recuperados, não sei. Eles precisavam de um poder de união entre gregos e romanos para poderem decidir o futuro. E acho que, as coisas já aconteceram.
Annabeth olhou para cima, sorrindo.
–A união tem forças maiores do que você imagina, Reyna.
–O que você está querendo dizer? – perguntou a pretora
–Estou dizendo que essa paz, pode ser a paz de muitos e muitos anos – ela sorriu, sentindo finalmente um peso sair das suas costas.
–Você vai voltar para Nova York?
–O mais rápido possível, sim – Annabeth se sentia em paz consigo mesmo depois de dois anos de nebulosidades.
–Bem, mas e Percy? Ele provavelmente ficará mais algum tempo, pelo menos para o enterro de Victória.
Annabeth deu um meio sorriso.
–O destino nos reserva coisas maravilhosas, Reyna. E se algo está traçado no seu destino, não há distância nem qualquer outra coisa que faça você desviar desse caminho.
O Olimpo estava em festa, os Deuses finalmente haviam se recuperado de sua esquizofrenia. A junção de gregos e romanos fizeram com que as duas formas conseguissem finalmente se conciliar, gerando uma nova forma de Deuses. Ainda melhores e mais fortes.
Zeus tinha a aparência de grego, mas suas vestimentas eram de romano.
Atena tinha a aparência romana, mas suas vestimentas e suas armas eram gregas.
A união havia sido selada, romanos e gregos não eram mais inimigos. Todos eram os heróis do olimpo.
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