Change My Life 2

17 Final - parte um


Notas iniciais
Eeeei!! Olha quem chegou para acabar com a história? Sim, eu! Gente estou feliz demais por conseguir fazer o que eu queria com essa história, gostei do desenrolar e do final, espero que vocês também. Preparados para a maratona? Espero que sim. Boa leitura!

Perseu

Estava com raiva. Furioso e com raiva. Aquela atrevida, petulante, presunçosa, metida a sabichona. A odiava, odiava com todas as minhas forças e ao mesmo tempo temia perde-la. Queria xingar todos os deuses e principalmente a ridícula da Afrodite.

Sempre dando sentimentos errados, sempre nos embaralhando com sua besteira total. Se não fosse por ela, e exclusivamente ela, nada disto aconteceria. Mas temo eu que o mundo só move pelo amor, e isto me deixa ainda mais com ódio.

Saí correndo pela primeira vez em anos no acampamento meio-sangue, indo em direção ao chalé 6. Aquele chalé atrevido, petulante, presunçoso e metido a sabichão. Assim como ela. Já falei que ela é exatamente assim?

Minha mente ainda não conseguia processar tudo ao mesmo tempo. Meu ódio era como uma viseira que não me deixava ampliar os pensamentos. Só pensava em uma pessoa, em algo. E este algo era a atrevida, petulante... Bem, vocês já entenderam. Annabeth Chase.

Tantas coisas aconteceram antes disso, que eu sabia que parte da minha mente também tentava pôr isto na merda que eu gosto de chamar de minha vida. Vamos voltar um pouco à história, para vocês saberem o que aconteceu antes de eu ter a maior onda de ódio já existente no universo.

Assim que acabamos de velar por Victória nos sentimos meio mal. Mas não mal da forma que você deve estar pensando, mal desta forma nós nos sentíamos antes. Estava falando de um enjoo coletivo, algo como uma epidemia. Comecei a ficar tonto e percebi que todos ao meu redor também.

Minha visão embaçou, tão rápido quanto eu percebi que havia sido dopado.

Quando acordei não estava numa realidade considerada normal. De forma que eu achei que não tinha acordado coisíssima nenhuma. Alguns mortais não conseguiriam enxergar a visão que eu tinha e até mesmo alguns semideuses tinham dificuldade de processar aquilo tudo.

O Monte Olimpo. O grande monte olimpo. Localizado na minha cidade natal a bela Nova Iorque e ainda se mesclando entre o grego e o romano. Não foi difícil reconhecer meu pai por causa de suas vestes. Pelo jeito ele não deixaria o lado romano dominá-lo, estava com uma blusa florida e uma bermuda cáqui assim como da última vez que o vi. Porém desta vez seus olhos eram mais severos assim como sua expressão no geral.

O sorriso que costumava emitir quando me via não rolou, e naquele momento eu imaginei se ele se lembrava de mim.

Quando olhei para os lados vi que Reyna estava comigo, assim como Zac, Thalia, Nico, Annabeth, Jason, Piper e Leo.

Annabeth era provavelmente a mais confusa. Até porque foi a única do grupo que nunca havia ido ao monte olimpo, e, além disto, não estava no velório assim como todos nós.

–Semideuses do Olimpo! – retumbou Zeus, e minha dor de cabeça passou, meus olhos se arregalaram para o deus dos deuses – Os dois acampamentos estão destruídos, e por intervenção de deuses traidores.

–Que não foram banidos – reclamou Atena. Foi calada apenas com um olhar por Zeus. Annabeth cruzou os braços, chateada.

– Não estou aqui para fazer execuções. E sim para presentear como pedido de Hefe... Vulcano. Uma promessa foi feita, e estou aqui para cumpri-la.

–Encima de outra promessa, que irá descumprir – comentou Ares. Afrodite bateu palminhas e ficou com a expressão fechada logo depois de ouvir o comentário de Ares.

–Cale a boca, Marte intrometido.

Estava ainda confuso, e não sabia por que raios de Zeus estava lá.

–Todos vocês serão monitores no acampamento, serão fontes de história para aqueles que estão por vir... Quem sabe uma futura profecia – todos se calaram quando Atena começou a falar, e o ambiente ficou tenso quando a palavra “profecia” foi proferida – E temos um presente de recompensa, o acordo de Vulcano com Leo Valdez.

Fechei a expressão. Não sabia o que aquilo queria dizer. Foi minha vez de cruzar os braços, não gostava da forma que a palavra recompensa tinha sido posta, como se ele fosse o maioral. E se ele precisava vir até o Olimpo para ganhar essa tal recompensa...

–No meio de minha esquizofrenia tive forças de ir até meu filho, e leva-lo a Ogígia. Lá passou o tempo necessário para que tudo ocorresse da forma planejada. E quando chegou a hora de ir embora, fiz um acordo que me uniu o útil ao agradável. Você cumpriu sua missão, salvou os dois acampamentos. Os juntou. Agora terá aquilo que quis.

Todos fomos cegados por uma luz tão brilhante que parecia que algum deus estava indo para sua forma primordial. Fechei os olhos por um instante e me peguei pensando na loucura que era aquilo tudo.

Quando abri os olhos, minha mente enublou-se e eu me senti mal de novo, como se fosse desmaiar mais uma vez. Ao meio da sala dos deuses, alguns metros à nossa frente estava o meu primeiro amor.

Ogígia foi o lugar em que conheci Calypso, por ela fui negado amor e colocado num barco sem nem ao menos estar acordado. Quando cheguei à beira do mar e me vi em Long Island meu coração quebrou em pedaços.

Em Ogígia vivi por quase três anos.

Calypso continuava lá, ao contrário de mim, quando saiu da ilha sua juventude continuava intacta. Parecia ter seus dezesseis, dezessete anos. Três anos da minha vida foram passados com ela, quando a vi ali, novamente, foi como um baque, alguém me dando um soco bem forte no meio do rosto. Dei dois passos para trás, encarando.

Depois de algum tempo olhando para Leo, ela finalmente encontrou o meu olhar atônito. Sua boca formou-se uma pequena cavidade, seus olhos se arregalaram e sua expressão era de puro susto.

Eu não sabia como agir, o que fazer ao vê-la ali. Por muitos anos guardei um rancor inimaginável, em minha cabeça ela não me amou, não me respeitou, apenas me descartou por medo.

Zeus saiu de seu trono máximo, levantando-se.

–Agora que as promessas foram realizadas, aconselho os dois acampamentos a continuarem unidos, juntando forças para tudo e inclusive para o que estar por vir... O tempo dos deuses é diferente dos seus, mas nós vimos o futuro de vocês límpido e claro como se fosse acontecer amanhã. Por enquanto vocês estão no caminho certo.

Meu olhar continuava recaído em Calypso, não conseguia fazer outra coisa. Não conseguia pensar em outra coisa. Calypso, Calypso... Ela estava ali.

Quando acordei novamente de onde estava, não sabia se tinha tido um sonho, uma visão, ou se estava realmente lá. A única coisa que sabia era que estava num lugar totalmente desconhecido quando acordei, e aquela não era uma sensação boa.

–Finalmente acordou, herói – Reyna fechou o livro que lia, estava sentada ao meu lado numa cadeira de couro amarronzada – Achei que uma visãozinha de nada de Zeus em sua forma original iria te matar, muito marica da sua parte.

Dei um meio sorriso. Levantando-me um pouco.

–Marica? É assim que você chama o cara que ajudou o seu acampamento a ficar salvo?

Ela riu. E então eu senti que toda aquela tensão no Olimpo foi falsa, uma visão louca provocada por mim.

–Calypso e Leo estão na cidade de Roma, acredito que você queira vê-los.

Minha mente tinha ficado atordoada, então tudo era verdade. Calypso havia realmente saído de Ogígia. Meu coração bateu descompassado, estava ansioso, mas não era algo de que me orgulhava muito. Estava na cara que ela estava com Leo, seu novo herói.

E os olhos cinza de Annabeth não saíam da minha mente, aquela nossa última noite antes de atacarmos o acampamento romano. Seu sorriso me deixava mais calmo e a visão do seu corpo me fazia querer voltar a tê-la comigo. Sempre.

–Annabeth, onde está? – perguntei. Ignorei totalmente a informação de Reyna, ela não me era útil. Não iria atrás de Calypso, a única que queria era Annabeth.

Finalmente. Calypso não era aquela que eu amava mais.

–Bem... Foi por isso que esperei pacientemente você acordar, não queria que ouvisse isso de fofocas por Roma afora...

Fiquei totalmente sentado, meu sorriso irônico era mais receoso do que convincente.

–O que aconteceu?

Reyna não parecia mais tão risonha e relaxada, sua expressão voltou a ser rígida e dura. Expressão que ela treinava todos os dias para parecer a mais poderosa e temida semideusa. Ela conseguia.

–Annabeth foi embora, não está mais em Nova Roma. Ela me disse que iria seguir em frente, estava aposentando definitivamente como semideusa. Falou que voltaria para o acampamento meio-sangue para pegar suas coisas e iria embora, seguiria sua vida como uma moça normal.

Revirei os olhos. Aquele papo de novo não, fala sério.

–Percy, acho que ela... Assim como todos que estavam no Olimpo perceberam o que você tinha ou tem por Calypso. Quis fazê-la ficar, mas ela parecia realmente chateada. Acho... Bem, eu acho que na cabeça dela você ama Calypso. Ela disse para mim por último que não queria ser um empecilho para sua felicidade, e que se o amor da sua vida estava de volta, e você poderia tê-la novamente... Ela preferia sair da sua vida e deixá-lo feliz com Calypso.

Levantei-me naquela hora, já com raiva de Annabeth Chase. Sair da minha vida? Totalmente? Ela estava louca, insana, maluca.

–Eu e Calypso? Ela enlouqueceu de vez? Ela vai embora? Eu, eu... – estava em choque. Sem palavras. Ela desistiu de mim igual... Como ela poderia desistir de mim assim tão facilmente? Como que na cabeça dela eu e Calypso poderíamos um dia voltar a ficarmos juntos?

Isso era uma loucura. Não acreditava nisso, mas Calypso estava me fazendo perder um amor... De novo.

E lá estava eu, o imbecil apaixonado, que saiu o mais rápido possível de São Francisco atrás daquela atrevida, petulante e metida à sabichona. Como se ela tivesse o poder de ir embora daquela forma, fugir de mim como um gato medroso.

Abri o chalé seis com mais força do que o necessário, um baque enorme fez todos os malditos filhos de Atena me olharem abismados.

–Annabeth Chase! Eu exijo que você apareça agora mesmo! – um moleque muito parecido com ela pôs as duas mãos no meu peito, parando-me com polidez. Essa porcaria toda que os filhos de Atena fazem.

–Desculpe-me, quem é você?

–Oi? QUEM SOU EU? Quem Hades é você?

Malcolm saiu do banheiro, cruzando os braços.

–Ele é o nosso novo conselheiro-chefe, um filho de Atena perdido em Nova Roma... Você não quer saber quem é não é mesmo? Elitistas...

Gelei. Novo conselheiro-chefe?

–Ela foi embora, Percy – Malcolm descruzou os braços – Ela saiu já tem algumas horas, pegou todas as suas coisas, trouxe um novo conselheiro chefe e foi falar com Quíron. Ela me pediu para falar que te ama... – seu tom incomodado já parecia que ela havia o obrigado a dizer aquilo quando me visse. Sorri, eu também amava aquela atrevida, petulante, metida à sabichona.

Fiquei com raiva logo em seguida. Como ela podia cogitar a maldita ideia de ficar longe de mim? Como ela poderia fugir daquela forma, tão amedrontada? Como ela poderia ir embora sem falar na minha cara que me ama. Como ela poderia ser tão... Não Annabeth Chase.

–E disse que vai seguir com a vida dela, e que quer que você faça o mesmo com Calypso.

Senti minhas bochechas ficarem vermelhas de raiva.

–Que raios de Calypso! De onde ela tirou essa maldita ideia que eu a deixaria para ficar com... Calypso! Deuses do Olimpo ainda mato essa menina de ódio ou de amor! Não existe Calypso que tire meu amor por ela, nunca teve e nunca terá.

O novo conselheiro-chefe tinha os olhos arregalados. Suspirei de raiva, eu tinha que pensar no que fazer em seguida.

–Bem vindo ao acampamento – falei para o novo conselheiro-chefe que continuava me olhando amedrontado. Saí do chalé seis, frustrado, com raiva, com mais amor do que antes e ainda mais revoltado do que sempre fui.

Sentei na frente do meu chalé, sem entender aonde queria chegar com tudo aquilo. Porque dirigi quase dois dias sem parar atrás de uma menina e porque eu não conseguia admitir que poderia ter acabado.

Ao contrário do que ela queria, e pedia, eu não poderia deixa-la e seguir com a minha vida. Eu já tinha vinte anos, eu era muito mais maduro que ela e sabia que fugir foi a opção mais sensata quando a filha de Atena se deparou com algo mais forte que a sua razão.

Calypso.

Ela estava com ciúmes, ciúmes do que ela pensou ter visto no Olimpo. Tanto ciúmes que decidiu ir embora, aquela atrevida, petulante e metida à sabichona que eu não conseguia mais parar de amar.

Thalia e Nico apareceram repentinamente na minha frente, e eu imaginei que eles tinham vindo com toda certeza numa viagem das sombras para cá. Foi assim que aconteceu alguns anos atrás, quando havia sido despachado para cá novamente por Calypso.

–Não é assim que eu esperava te encontrar – Thalia remexeu seus pés- Estou decepcionada.

–Ela foi embora.

–Eu sei, e você foi também igual um doido. Não esperou nem eu nem Nico nem ninguém, se tivesse sido um pouquinho mais inteligente tinha falado com Nico que ele lhe trazia antes mesmo que Annabeth chegasse. Mas você é sempre assim, age pelo impulso, vou pegar um carro qualquer e sair dirigindo até Nova Iorque. Realmente, muito sensato!

–Tanto faz.

Nico suspirou, dando um pequeno beliscão em Thalia e sussurrando um “cala a boca”.

–Você não conseguiu nem ao menos falar com ela?

Neguei com a cabeça. Nem o clima totalmente desfavorável aos meus sentimentos: claro e belo. Nem as minhas visões de vida, que dali a uma semana praticamente voltaria para meu segundo ano na faculdade, nem ao menos todos os pensamentos bons de como minha vida estava realmente boa e poderia seguir em frente me deixavam com uma porcentagem básica de animação para o resto da minha vida.

Nico e Thalia sentaram-se cada um de um lado meu. Thalia pegou na minha mão, e Nico abraçou meus ombros. Os dois pareciam realmente abalados e eu me lembrei de que no meio disto tudo Vic continuava morta, nossa melhor amiga. E de repente quis entrar numa depressão porque tudo estava dando errado.

–Não vamos ser tão pessimistas, pode ser que ela volte...

–Ela deixou um novo conselheiro-chefe, o cara que ela achou é praticamente romano – dei uma meia risada – Ele deve ser perfeito.

Nico olhava para mim, e apertou um pouco mais seus dedos nos meus ombros, ele parecia ainda muito fraco por sua tentativa de deixar Vic viva por mais algum tempo.

–Estou tão fraco que não consigo rastrear a alma de Annabeth, nem sei se consigo viajar nas sombras por pelo menos uns dois meses...

–Está tudo bem... – pus as mãos nos cabelos – Ela disse para Reyna que não queria ser um empecilho para minha felicidade com Calypso...

Dei uma risada irônica, triste e revoltada.

Thalia revirou os olhos, encarando minha expressão.

–Sério mesmo? Ela foi embora para deixar você com Calypso? – Nico cruzou os braços enquanto olhava para o céu.

–Esse sol está me deixando incomodado, vamos para dentro. E nós podemos conversar com Quíron sobre isso.

Olhei para os meus melhores amigos, cada parte do meu corpo clamando por uma cama e ficar lá para sempre.

–Eu vou entrar pessoal... – sussurrei, Nico olhou para mim com uma sobrancelha arqueada, Thalia parecia atônita.

–Você vai desistir? Fácil assim? – foi o que ela perguntou. Pensei no que ela disse, e depois dei um sorriso triste, mais do que triste, sorriso de quem sabia que não tinha forças para continuar.

–Ela desistiu muito mais fácil, não foi?

Não consigo me lembrar realmente de ver o tempo passando dentro do chalé três, nesse meio tempo que era irrecobrável para mim simplesmente não conseguia sentir fome, nem sede, muito pouco sono, e sempre que dormia sonhava com ela.

Quando havia virado o meu corpo numa posição contrária senti raios de sol que não me eram nada atrativos na minha cara, alguém abriu a porta do meu chalé.

–Seja lá quem for, pode ir embora.

Ouvi uma risada conhecida, e já sabia quem era. Não ia sair dali nem a pau.

–Quem diria que Perseu Jackson está de ressaca amorosa, depressão pós-separação. Esse não é o Percy que eu conheço.

–Vai à merda.

–Você sabe quanto tempo está aqui? – a porta foi fechada, e mais uma vez voltei para a escuridão do chalé.

–Ela foi embora

–Eu sei, a minha também – pensei por um segundo, e depois voltei a fechar os olhos. Tudo dando errado, simplesmente tudo.

Zac se sentou do meu lado, com os braços cruzados. Mesmo depois de Vic, sua melhor amiga e amante ter morrido, eu não o via saudável há alguns dias. Agora quando olhei para ele novamente, ele parecia quase igual à antes. O rosto saudável e aquela típica pose de galã de cinema parecida com a do pai. A única diferença eram que seus olhos límpidos e azuis não pareciam felizes como antes.

–Nunca pensei que ia te ver assim por ninguém, Percy. Você não ficou assim nem por Calypso...

–Não ligo mais para Calypso! Parem de compará-las, são duas situações totalmente diferentes!

–Sim, são! A diferença é que Annabeth é o amor da sua vida, e Calypso é a de Leo. A diferença é que Calypso foi egoísta te mandando embora, pensou só em si mesma. E Annabeth... Ela foi embora por não ser egoísta, ela te ama tanto que se fosse para você ficar com outra para se feliz, ela te abandonava para isso. Percy, não desiste dela.

–Ela desistiu de mim, ela foi embora, não ligou nem nada.

–Eu acho que ela simplesmente viu algo que todo mundo viu naquela porcaria de Monte Olimpo! Você e Calypso cheio de assuntos pendentes! – Zac suspirou – Você já falou com ela, aliás?

Pensei por um segundo. Eu precisava falar alguma coisa com Calypso? Na minha cabeça realmente não. Algo que estava entalado na minha garganta há anos eu finalmente engoli, não sentia mais raiva nem amor por ela. Foi algo que aconteceu, mas é como uma lembrança na minha vida que não me fará diferença alguma daqui para frente.

–Não preciso falar com ela.

Zac parou por um segundo, olhando para mim como se estivesse olhando para um desconhecido.

–Você a ama de verdade...

–É claro que eu amo aquela atrevida de verdade! Atrevida, petulante, metida à sabichona! Eu amo ela demais – Zac sorriu e se levantou. Não entendi de onde ele estava tirando tanta animação. Depois, eu juro que ia mata-lo por isso, ele simplesmente me empurrou da cama, me fazendo cair no chão que quase me fez quebrar as costelas.

–Caramba Zac! Qual a necessidade, sérião?

Ele riu e cruzou os braços. Depois colocou todas as cortinas de lado, entrava sol para todo o lado no meu quarto. Eu queria mata-lo mesmo por aquilo. Ele pegou nos meus ombros, e seus olhos azuis tristonhos olharam nos meus, diretamente.

–Você pode ter a mulher que você ama, é só você correr. Não faz igual a mim, não se atrase, não perca oportunidade, no fim... Você pode acabar a perdendo de verdade – ele suspirou – A mulher que você ama está a alguns quilômetros de você, a minha eu não vou ver nunca mais. Não perca a chance, não faça como eu. Não desista dela.

Eu não sabia se iria chorar, mas sabia que algo no meu coração tinha dado alguma mexida. Vic não estava mais ali, eu nunca mais iria ter a oportunidade de vê-los juntos, coisa que a gente já sabia que iria acontecer a anos. Mas não aconteceu... Não aconteceu porque estávamos muito ocupados sendo idiotas, não dando opiniões sinceras, não tomando atitudes.

–Eu vou pegar o carro.

–Isso! – ele gritou animado – É disso que eu estou falando!

Ri, andando de um lado para o outro nervoso.

–Quantos dias eu fiquei aqui?

–Quatro.

–Puta que o...

–Você vai ou não?

Sorri, pensando em tê-la novamente comigo.

–Vou sim!

Nunca fiz uma corrida tão rápida na minha vida.

Dirigi há quase duzentos por hora e sei que isso não é algo para se orgulhar, mas em menos de uma hora lá estava eu em frente aos portões enormes da mansão dos Chase. O portão se abriu assim que me identifiquei e eu andei um pouco mais devagar lá dentro. Zac estava do meu lado, e Thalia no banco de trás.

Ela parecia feliz, o que é algo realmente atípico para o humor de Thalia Grace.

Saímos do carro e fomos até a mansão, onde assim que colocamos o pé no tapete da entrada fomos recepcionados com o mordomo da casa.

–Como vai Sr. Jackson? Prazer revê-lo.

–Ei James, tudo bem?

–Acomode-se, por favor – ele saiu andando sem nem ao menos responder minha pergunta. Por alguns segundos ficamos eu, Thalia e Zac sozinhos no hall da casa. E eu quase caí pra trás quando na minha frente o pai de Annabeth chegou. Expressão séria e dura, mas parecia inteligente igual à filha.

–Posso ajudar?

–Estou procurando por Annabeth, ela saiu do acampamento sem se despedir – pelo meu tom de voz o pai dela já sabia que eu estava contando uma leve mentira. Arqueou uma sobrancelha e depois suspirou.

Zac e Thalia pareciam muito maravilhados com a mansão para falarem qualquer outra coisa.

–Minha filha acabou de ir embora, ela foi morar na universidade – ele parecia um pouco emotivo – Minha filha... Cresceu muito rápido. Ela não mora mais aqui, mas pelo que ela disse vai voltar assim que o semestre acabar, daqui a alguns meses, vo...

–Merda! – gritei, com raiva, depois de perceber que estava com o pai dela minhas bochechas ficaram vermelhas.

–Como assim ela vai voltar daqui a alguns meses? Annabeth fez faculdade? – Zac parecia surpreso.

–Vocês precisam falar com ela urgentemente? Ela saiu já tem algumas horas...

–Horas! Horas! Sempre horas! Pois estou cansado de horas! Sua filha está fugindo de mim por uma semana, sabe por quê? Porque ela não consegue lidar com seus próprios sentimentos, é uma medrosa. Fala isso para ela daqui a alguns meses, fala que Percy Jackson mandou dizer que ela é uma medrosa.

–Espere. Você é Percy Jackson? James me falou que tinha um amigo dela aqui dentro! – ele parecia nervoso, vermelho, e até mesmo com raiva, de forma que até eu comecei a ficar confuso.

–Mas nós somos amigos dela! – exclamou Thalia. Zac cruzou os braços.

–Alguns até mais que amigos...

–Cala a boca! – falei um pouco alto demais. O pai dela pegou seu telefone.

–Vocês três fora da minha casa! Minha filha me avisou restritamente que se qualquer um desse tal acampamento viesse aqui era para expulsa-los veementemente.

–Ela avisou o quê?- gritei, agora já fazendo um escândalo lá dentro. Agora sim eu a odiava mais do que qualquer vez um dia poderia ter odiado. Ela tinha feito uma ordem de restrição para cima de mim? Sério?

Foi uma briga estúpida. Mas no fim cinco seguranças nos tiraram da casa, sem nem ao menos eu poder me explicar. Minha cabeça estava girando, pois não era nada daquilo que eu esperava que acontecesse assim que pus os pés naquela casa.

Thalia sentou no meio fio da rua, assim como eu e Zac.

–Ela fez uma ordem de restrição para você dentro da própria casa – Zac comentou, agora bem desanimado – Acho que ela realmente não quer te ver.

–Ah, é mesmo? – ri com escárnio – Você realmente acha isto?

–Calem a boca, vocês dois – Thalia não estava com a expressão muito melhor que a de Zac – Ela está confusa Percy, talvez não seja a hora de você falar com ela.

–E quando vai ser então? – meu tom de voz aumentou, e eu percebi que ela havia me deixado mais nervoso do que em qualquer outra situação da minha vida. Thalia suspirou.

–Se forem para vocês ficarem juntos, vocês vão ficar. Só acho que talvez agora não seja a hora, você não desistiu, tentou até o final... Veio até a casa dela. Mas ela não está mais aqui, foi embora, seguiu com sua vida. Você deveria fazer o mesmo.

Assenti, me levantando e indo para o carro. Depois eu pus a cabeça na porta, com raiva, e percebi que Thalia me abraçava novamente, assim como Zac.

–Sai do acampamento, volta para a universidade. Ela vai voltar daqui a alguns dias não é? — assenti, respondendo a pergunta de Thalia – Você deveria ir visitar sua mãe, e depois voltar para a universidade.

Desvencilhei dos abraços e dos aconchegos. Era hora de seguir em frente. E eu sabia disto, não havia mais nada, e extremamente nada, que eu pudesse fazer.

–Não existe mais esse tal de percabeth que vocês falaram.

Notas finais
Esse foi o fim da parte 1. Comentários?