Change My Life 2

18 Final - parte dois


Notas iniciais
Bem pessoal, aqui acaba a maratona e a fic. Vou deixar os comentários para as notas finais. Boa leitura!

Annabeth

Até que parte uma filha de Atena poderia parar de usar a razão e ainda sim ser racional? Era isso que eu tentava entender nos meus mais pensamentos filosóficos. Até que parte da minha vida eu usaria o meu cérebro antes do meu coração, sendo que o meu cérebro de filha da Sabedoria me dizia que eu não deveria usá-lo nesta frequência.

Enquanto andava pelo quarto de minha casa, percebi o quão estúpida estava sendo todos os dias da minha vida antes de ir para o acampamento meio-sangue. A verdade é que a minha vida começou lá, logo após eu entender que tudo que eu tinha tanta convicção não existia mais. A realidade, num todo, é um efeito da sua mente para maquiar o fato que você não consegue lidar com a sincera realidade.

Talvez isto seja filosófico demais, mas quando você perde um amor... É mais do que perder um amor. É perder tudo aquilo que você tinha na sua mente como realidade. Aquela pessoa, que na sua cabeça era tudo, na realidade é um nada. Tudo é apenas uma ilusão da sua mente, só que por alguns momentos você vê a honesta realidade. E fica triste, depressiva, porque não consegue lidar com aquilo.

Eu andava de um lado para o outro porque não sabia mais o que fazer, eu não tinha um plano traçado para quando perdesse Perseu Jackson. A minha saída mais racional foi sempre não combater de frente meus sentimentos, guarda-los e guarda-los até que uma hora você não os acharia mais.

Não, isto não funcionaria desta vez.

Eu estava numa ressaca amorosa, que não duraria apenas algumas horas, eu sentia que durariam dias e talvez meses. Na minha cabeça de 18 anos, não existia mais ninguém que poderia suprir o vazio que ele tinha aberto. O buraco que meu coração não conseguiria mais cicatrizar.

Foi duas vezes, era como se eu tivesse um corte com uma pequena cicatriz, uma queimadura que deu um risco leve, algo que eu poderia conviver. E de repente essa cicatriz que estava quase virando nada fosse aberta de novo com toda a força, com uma profundidade maior porque desta vez foi real.

Não viraria mais uma cicatriz de queimadura, e sim uma cirurgia mal feita que deixaria rastros e lombos para todo o lado.

Foi pensando nisto que eu arrumava as minhas coisas, estava indo embora da minha casa. Não moraria mais com meu pai, toda a minha realidade estava sendo jogada no lixo. Era tudo novo, e nem a minha mente conseguia processar isto.

Se você pensar bem, fugir é a única opção dos fracos. Simplesmente porque não é uma opção. Se houvesse um “quiz” das coisas que você deveria fazer para lidar com o amor não existiria uma alternativa escrita “fugir”. Isso simplesmente não existe.

Eu inventei o inexistente.

Não consigo pensar em nada que na minha cabeça fosse diferente daquilo. Não me via sentada para debater racionalmente com o filho de Poseidon. Era impossível. Eu não acreditava... o amava de verdade.

Aquilo tudo só poderia ser uma grande brincadeira do destino, ou quem sabe de Eros ou Afrodite.

Quando peguei minhas malas, ainda meio absorta em pensamentos, não entendi o que estava realmente acontecendo. Olhei para o meu quarto, remodelado duas vezes diante das minhas mudanças radicais de pensamento. Não sei se sentiria falta da minha mobília (isto me parecia muito apegado para o meu gosto), mas eu sentiria falta da vista que a minha janela tem. Sentiria falta de acordar e ver sempre aquelas mesmas coisas que entraram para o meu cotidiano.

Enquanto descia as escadas de casa, vi aquilo que sentiria mais falta. Mesmo que nunca fosse presente, mesmo que não fosse nada além de um empresário na minha concepção. Ainda era a pessoa que mais esteve comigo na minha realidade, que de alguma forma me deu algum suporte.

Ele aceitou um bebê desconhecido de uma mulher praticamente desconhecida sem nem ao menos ter feito sexo com ela. Não era uma boa pergunta de se fazer, nem acreditava que iria dizer algo daquele tipo. Mas meu pai foi um anjo na minha vida.

Ele desligou o telefone quando me viu, além das duas malas que já havia colocado no carro também tinha mais uma mala de mão, assim que pegou a bagagem dos meus ombros, tirando mais um peso dele, como sempre, deu um beijo em minha testa e sorriu.

–Minha bela Annabeth – e depois me abraçou, assim como os pais normais fazem. Coisa que ele nunca foi, mas ainda sim fico feliz por tê-lo na minha vida – Você está ficando grande assim como sua mãe foi... Todos estão orgulhosos de você. Principalmente eu.

Assenti com a cabeça, pequenos momentos. Pequenos momentos preciosos.

Talvez seja por isso que os deuses tenham inveja de nossa vida mortal, eles não têm esses pequenos momentos preciosos. Eles não temem perder aquilo que tem porque simplesmente durará a eternidade.

Os móveis continuam lá para sempre, assim como a vista na janela. Nós não, estamos sempre mudando os móveis, sempre mudando a vista da janela, e, além disto, estamos mudando a janela. A forma que enxergamos as coisas, aquilo que enxergamos, e aquilo que convivemos, tudo isto muda sempre e graças à mortalidade.

Nunca iríamos para frente se não temêssemos a morte.

Eu vou para frente porque não temo a vida.

Não mais.

Quando entrei no meu carro, para ir para o meu novo futuro, Perseu Jackson não se passou pela minha cabeça pela primeira vez em dias. Aquilo era o começo de algo que ainda estava por começar.

Se é que isto faz sentido.

Assim que cheguei à universidade, minha boca ficou boquiaberta diante da imensidão do campus, do majestoso prédio principal, e da população de pessoas andando de lá para cá. Estava sozinha, cheia de malas e nenhum conhecido.

Eu sei que para algumas pessoas isso pode parecer meio amedrontador, mas para mim estava sendo surreal... Num ótimo sentido.

Foi assim que me dividi em várias para tentar me adaptar a minha nova realidade. Com duas malas de rodinhas mais uma mala de mão e a minha bolsa eu saía aos tropeços pelo dormitório do campus, assim como vários outros calouros andando para lá e para cá. Do outro lado onde estava, percebi que estava acontecendo um trote coletivo.

Andei mais rápido.

Meu quarto era o 354, andei três andares de escadaria mais alguns corredores para finalmente chegar a este maldito quarto. Estava cansada e ofegante, morrendo de vontade de dormir e principalmente de chorar.

Quem era eu para me enganar? Estava morrendo de medo, e tinha perdido o amor da minha vida. Nada estava bem.

Abri a porta do quarto e me deparei com uma ruiva deitada de costas na cama, folheando uma revista de moda que eu lia todos os dias alguns anos atrás.

–Olá – disse enquanto empurrava minhas coisas para dentro, morta e cansada.

A ruiva se virou para mim, seus olhos verdes realçavam ainda mais seus cabelos cor de fogo, ela tinha uma expressão meio rebelde, mas no fundo parecia bem mimada.

–Oi colega de quarto, bem vinda! – ela riu – Eu sou sua colega de quarto, que legal. E que bom que você parece normal, eu estava com medo de pegar uma pessoa totalmente insana – sua risada era meio louca, e eu pensei comigo mesmo que pelo que parecia eu tinha pegado a pessoa insana – Ah, que animação! Seja bem vinda de novo.

Assenti com a cabeça, o quarto era grande, tinha banheiro, e duas camas de solteiro aparentemente confortável. Eram dois armários embutidos, o que me deixava feliz de não ter que dividir o espaço das minhas coisas.

Cruzei os braços enquanto sorria.

–E aí, qual o seu nome? Eu sou Annabeth Chase – sorri de novo, tentando ser o máximo de simpática que conseguia. E tentei parecer feliz e animada assim como ela, não seria uma boa impressão ela achar que tinha uma colega de quarto depressiva.

–Eu sou Rachel Elizabeth Dare, e o prazer é todo o meu.

Eu não tinha falado que era um prazer conhece-la, e comecei a ficar desconfiada que a minha colega de quarto fosse muito narcisista ou realmente esquizofrênica. Assim que sentei na minha cama Rachel se levantou.

–Vamos andar pelo campus! Conhecer o local vai ser divertido, temos aula amanhã e seria legal pegar o horário de aula.

Concordei, mais uma vez tentando parecer animada. Assim que saímos do dormitório nos deparamos com vários veteranos dando trotes em vários calouros. Arregalei os olhos, sim eu morria de medo de trote.

–Vamos sair daqui, pelo amor de Afrodite – ela olhou para mim como se eu fosse louca, e arqueou uma sobrancelha. Arregalei os olhos por um segundo também – muito fã de mitologia grega, culpada.

Ela parecia ainda meio desconfiada, mas logo parou com isso porque olhou para o grupo de veteranos.

–O que? Sair daqui? Nós temos que ficar! O cara mais gato dessa universidade tá ali no trote – ela sorriu – Até parece que você não quer conhecer ele acidentalmente assim como eu.

Sorri amarelado.

–Na verdade não, eu meio que... – eu ia começar a falar da minha história de amor e não ia terminar tão cedo, até que percebi que o grupo de veteranos estava vindo em nossa direção – Vamos sair daqui, Rachel, agora.

–Não, vai ser legal! Imagina se for justamente o cara a me dar o trote, eu faço com todo o prazer...

Arregalei os olhos mais uma vez, e quando percebi que o grupo estava realmente muito perto entrei num corredor escuro e estreito à esquerda. Respirei fundo, eu odiava passar vergonha em público.

Assim que todo o barulho que os veteranos faziam parecia ter cessado eu fiquei mais relaxada, pronta para voltar para a luz.

–Fugindo de mim? – uma pessoa me pressionou contra a parede, e eu emiti um grito que foi tampado pela própria mão da pessoa. Meu coração batia descompassado pelo susto, e também pelos olhos verdes que estavam na minha frente.

–Percy? – sabia que meus olhos estavam arregalados – O que você está fazendo aqui?

Ele deu um meio sorriso, seu corpo muito mais muito próximo do meu.

–Eu sou o veterano, você é a caloura. O que você está fazendo aqui? – eu não poderia estar acreditando naquilo, seriamente, eu não estava acreditando naquilo. Ele estava ali, na minha frente, estudaríamos na mesma universidade, moraríamos praticamente juntos.

O cara mais gato da universidade que Rachel falava tanto... Era ele.

Desvencilhei do seu corpo, saindo do corredor e andando rápido. Estava fugindo de novo, mas agora de vergonha porque fugi anteriormente.

–Saindo à espreita de novo? Mesmo? – olhei para trás, seus braços estavam abertos como quem dizia “Estou preparado para tudo, querida”. A única coisa que eu conseguia pensar era como ele estava lindo, com aquela calça jeans clara e a blusa cinza colada. Como seu cabelo continuava revoltado e lindo, como seus olhos continuavam verdes do jeito que eu amava, como ele continuava exatamente do mesmo jeito que eu havia o deixado, maravilhoso.

Como eu estava com saudades. E como eu havia feito tanta merda.

Continuei andando, atrás de Rachel. Ele não deveria ficar comigo, fiz besteira, continuamente. Fugi de tudo que ele poderia me dar, e tinha que pagar o preço agora.

Fui puxada para trás, num movimento forte que eu sabia que era ele, e meu corpo bateu no dele, sua mão segurou minha cintura com força, e a outra adentrou no meu cabelo, puxando meu rosto para perto do dele e roubando um beijo que eu não consegui parar, o melhor beijo que ele já havia me dado, em todos os tempos. Tinha saudade e paixão.

Desvencilhamos-nos quando estávamos sem ar, e sorri ao ver que ele estava realmente ali, na minha frente. Não tinha como, era impossível fugir dele. Era impossível esquecê-lo.

–E agora? – eu sorri, encostei minha teste na dele e senti seus dedos tamborilando na minha cintura.

–Dois meio-sangues juntos vai dar um problema sério de monstros – ele riu – mas eu acho que com o tempo isso pode melhorar. Até porque temos três anos juntos de faculdade... Mais o resto da vida, se você quiser.

Ele parecia envergonhado, mas eu estava feliz por ele falar aquilo. Eu não conseguia me sentir de outra forma. Entrelacei seus dedos nos meus.

–E aí? Você vai me mostrar o campus ou não? Não é possível que você não tenha nenhum plano pra minha chegada triunfal – ele sorriu, e de repente erámos apenas um casal normal como qualquer outro.

Eu podia me acostumar com aquilo.

–Eu achei que você era a garota dos planos por aqui – encarei seus olhos.

–Não dessa vez... Você tem algum plano?

Ele olhou para cima, talvez pensando no que os deuses poderiam estar pensando daquilo. Dois meio-sangues fortes casando e ficando juntos por uma vida? Isso tinha alguma chance de dar certo?

–Então estamos sem planos – ele passou sua mão pelo meu cabelo e sorriu, erámos Percy e Annabeth. Perfeitos um para o outro – Só sei que vamos ficar juntos, nunca mais vou deixar você ir embora.

Notas finais
Acabar uma história para mim é sempre especial. Na minha cabeça é quando eu acabei de terminar um projeto que eu me propus a fazer e eu espero que eu tenha feito bem feito. Eu amo escrever, e poder postar as coisas que eu faço por aqui e ter alguém que goste é demais, e se tem alguém aí que lê e fica feliz ou triste ou tem algum sentimento real por tudo aquilo que eu escrevo... Bem, ninguém faz ideia de como eu me sinto bem. Change my life acabou, mas eu estou planejando fazer outras histórias. Não grandes como change my life, mas histórias. Se vocês gostaram continuem me acompanhando, muito obrigada por tudo pessoal.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!