Change My Life 2
9 Decifradores.
Notas iniciais
Annabeth não sabia em que momento Quíron havia lhe colocado para ser a mediadora entre todos os meio-sangues, mas sabia que ele havia sido muito inteligente ao sair da responsabilidade de acalmar os nervos dos gregos do lugar.
–Foram os Romanos, nós temos que mata-los! — disse a filha de Ares, tão estupida como sempre. Annabeth pôs a mão no queixo e seus olhos quase se fecharam ao ouvir toda aquela discussão, havia acabado de sair de uma festa há pouco tempo atrás e estava
destruída.
–Calem-se todos vocês! — ela gritou mais alto do que queria, dando dor de cabeça até nela mesmo. Quando viu que havia conseguido a atenção de todos, respirou fundo e deu um meio sorriso de quem estava extremamente calma — Tudo bem, não foram os romanos. Até porque, o que fariam com um grego calouro como ele? Isto nos resta duas vertentes: Deuses e Monstros.
Ela mal acabou de falar a palavra “monstros” que todos voltaram a discutir tão alto quanto haviam parado. Ela bufou mais uma vez, pegou um caderninho embaixo da mesa e uma caneta. Então começou a traçar as linhas lógicas para resolver o x da questão.
Percebeu que todos voltaram a ficar calados, e olhavam curiosos para o caderno de Annabeth.
–Tudo bem. Depois de pensar um pouquinho eu percebi que não pode ter sido um monstro. Até porque para isto acontecer ele teria que ultrapassar as barreiras mágicas do acampamento, e isto é impossível. Logo, nos dá a questão ‘’deuses”.
O silêncio pairou sobre o lugar, ela olhou rapidamente para Percy que parecia realmente com muito sono, ele tinha um chapéu preto nos cabelos que estava levemente inclinado para frente, de forma que não conseguíamos ver seus olhos.
–E sobre o motivo de algum deus ter raptado Leo para mim é muito óbvio, até porque são inúmeros. Mas o mais importante: problemas pessoais deles com o Leo Valdez.
(...)
Além de Annabeth, apenas uma pessoa sabia exatamente o que acontecia com Leo Valdez no dia anterior dele sumir, e este alguém estava no chalé de Vic.
Victória foi andando em passos lentos e calmos até seu próprio chalé, assim que chegou lá olhou na cama mais reservada do local.
Piper McLean parecia um pouco fora de si, seus olhos caíram no marasmo do infinito e seus lábios balbuciavam algo que ninguém conseguia entender.
–Bom dia, Piper — Vic disse numa voz tão engajada que parecia mais um chamado militar. Piper olhou para ela e deu um meio sorriso, quase apagado.
–Bom dia — respondeu ela apenas. Voltando a olhar para o nada. Vic sorriu de lado e se sentou na cama próxima a dela. Era óbvio que sua relação com seus “irmãos” de chalé era a melhor possível.
–Leo era muito seu amigo, não é verdade? — perguntou Vic polidamente — Você tem ideia do porquê do sumiço dele?
Piper ficou séria, tão séria que deixou até a própria Vic amedrontada.
–Porque você fala que ele “era” meu amigo? No passado? Porque o passado? Por acaso algum de vocês acha que ele morreu ou algo do gênero, hã?
Ela estava realmente irritada, alguns filhos de Afrodite pararam para ouvir a conversa, ninguém se dirigia com este tom para Vic.
A loira saiu do lado de Piper, indo até um dos seus irmãos e sussurrando alguma coisa. Ele apenas assentiu e saiu do chalé rapidamente. Todos os outros voltaram nas suas típicas atividades.
Alguém bateu na porta do chalé 10, como o planejado. Vic deixou a pessoa bater por mais um tempo, até que Piper olhou para ela tentando entender se iriam atender ou não.
–Entra — foi apenas aí que Vic gritou.
Os cabelos loiros-dourados de Jason apareceram no campo periférico de Piper, a marca perto do lábio assentuava-se com o sorriso forçado que Jason tinha em seu rosto, porém a expressão calma e séria era exemplar, assim como lhe foi treinado.
–Oi Pips — ele falou baixinho, quase que não se escutou. Vic levantou-se rapidamente e foi até Jason, deu um meio sorriso.
–Ela não está muito bem, meu conselho é que você pegue leve com ela. E tente descobrir algo sobre o sumiço do Valdez, tudo bem?
–Ele acabou virando meu amigo também — comentou Jason, ficando sério. Vic assentiu.
–Ótimo, agora tchau.
Ela foi embora tão rápido quanto havia chegado. Jason a viu saindo e pigarreou um pouco, sentando-se ao lado de Piper na mesma cama que ela.
–É óbvio que ele vai se virar bem, ele é o Leo, certo?- Jason comentou após dar seu típico sorriso treinado. Piper deu de ombros e voltou a olhar para o nada. Sua vontade era de ter algum tipo de bola de cristal e que pudesse ver onde raios Leo havia se metido.
Mas não podia.
Não podia nada disto.
Jason pegou em sua mão, e pequenos choques elétricos percorreram seu corpo.
–Você conversou alguma coisa com ele? Algo que talvez tenha a ver com o sumiço dele.
Piper negou.
–Não, nada. Leo é o que é com todo mundo… Você sabe muito bem disto.
Jason assentiu e pegou na mão de Piper com mais força.
–Você tem certeza? Talvez você tenha tido uma conversa que eu e ele não tivemos, algo que possa ter parecido não muito importante mas na realidade, é sim.
Piper parou por um segundo, sua expressão se clareou como o sol do acampamento meio-sangue clareando o chalé 10. Jason arqueou uma sobrancelha.
–Você se lembra de algo?
–Não… Eu acho que não tem muito a ver.
–O que é?
–Um dia ele me disse que uma deusa aparecia para ele na infância — ela pigarreou um pouco — disse que ela fazia algumas coisas estranhas para pôr em prova os poderes dele. Usava uma manta no corpo e era uma velhinha realmente muito chata. Uma bruxa, literalmente.
Foi a vez de Jason ficar pensativo, mais do que Piper. Depois sussurrou em romano a palavra “Juno”, coisa que a filha de Afrodite não conseguiu entender.
–Desculpa, mas eu preciso ir agora — foi a única coisa que Jason disse antes de ir embora, deixando Piper num marasmo tão grande quanto estava antes.
Jason foi rápido até um lugar afastado, onde pudesse pensar melhor. Acabou esbarrando com cabelos loiros tão loiros quanto os dele: Zac.
A figura do veterano filho de Apolo acabou o dando uma brilhante ideia.
–Zac, já aconteceu de que algum semideus foi raptado aqui dentro antes? — o loiro franziu as sobrancelhas, coçou os cabelos e por fim disse:
–Não que eu saiba.
–E sequestros não normais? Sabe, que não foram feitos por monstros…
Tão rápido quanto havia aparecido um sorriso no rosto de Zac veio também a expressão sombria. Jason arqueou uma sobrancelha ao vê-lo xispar a boca.
–Cuidado com o que fala, Jason. Você é apenas um novato por aqui.
O tom não foi tão sério quanto as palavras passavam, Zac deu seu sorriso brincalhão e foi embora. Porém as coisas estavam começando a ficar um pouco claras para Jason, justamente por causa de todo o embaralhamento que Zac tentou causar em sua cabeça.
Cada segundo que passava, ele sentia que a história de Leo era uma história já repetida naquele acampamento, ele só não sabia qual.
(...)
Annabeth estava sentada na beira do píer, não tinha muitas coisas para fazer depois da reunião na Casa Grande e começou a andar pelo acampamento, tropeçou, caiu e sujou seu óculos todo.
Agora ficava ali, passando pano naquela coisa toda e relembrando de algo que sua mente não a deixava esquecer: Foi ali o pedido de namoro de Percy, tão rápido e surpreendente que ela nem soube o que dizer.
Respirou fundo e recolocou os óculos, assim que fez isto percebeu passos pesados vindo em sua direção.
Sua mão direita foi de encontro com a sua adaga mas rapidamente saiu dali quando percebeu que era justamente o referido cujo ela pensava.
Percy tinha uma touca cinza nos cabelos negros e a típica blusa do acampamento, os jeans continuavam tão velhos quanto Annabeth se lembrava assim como os tênis.
Ele olhou para ela por poucos segundos e respirou fundo, depois sentou-se na beirada do píer assim como ela, os dois olhavam para as milhares de estrelas no lindo céu do acampamento meio-sangue.
–Você sabe a resposta, não é? — perguntou Percy avulsamente. Annabeth continuava olhando para o céu.
–Você sabe que sim, e eu sei que você
a resposta. Muito diferente de saber — ela deu um mínimo sorriso. Ele acabou fazendo uma expressão incrédula.
–Às vezes eu me pergunto como você consegue decifrar charadas tão bem. Elas foram feitas para não serem decifradas.
–Elas foram feitas para serem difíceis de serem decifradas, e não impossíveis.
Os dois se entreolharam por mais algum tempo. Depois voltaram a olhar para frente. Percy coçou o braço.
–Você foi muito mais importante para mim, por algum motivo doeu menos mas foi muito melhor para mim. De verdade — Annabeth arqueou as sobrancelhas e depois deu uma mínima risada. Passou seus cabelos loiros para trás e estralou os dedos: sempre fazia isto quando estava nervosa.
–Não era assim que eu queria conversar com você — seu comentário fez a sobrancelha de Perseu se arquear. Depois cresceu um mínimo sorriso em seus lábios.
–Como assim?
–Seria muito mais fácil se contínuassemos brigando, igual cão e gato.- ela riu — Eu torcia muito para que isto acontecesse.
Percy tirava lasquinhas de madeira do píer, sua unha passou para o braço de Annabeth, segurando-a com pouca força. Depois de olhar naquele marasmo cinza ele deu um beijo rápido em seus lábios, tão rápido que Annabeth mal sentiu o gosto dos seus lábios.
–Eu prefiro você, sempre preferi — a filha de Atena arqueou uma sobrancelha depois daquela declaração.
–E porque você me diz isto só agora?
Ele fechou os olhos e os abriu rapidamente, seu sorriso misterioso era tão abusado que Annabeth não podia deixar de ficar com as bochechas levemente vermelhas.
–Você sabe o porquê, Annabeth — ele comentou — As coisas não vão ser fáceis daqui para frente.
Ele se levantou, e foi embora calmamente. Annabeth sabia que ele tinha razão, há pouco tempo as coisas ficariam muito, mas muito mais difíceis.
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