Chances
8 Capítulo VIII
Notas iniciais
Século vinte e um, e eu mais uma vez atrás do casal. Dessa vez tudo está modernizado, países são laicos e a sociedade se diz totalmente liberal. Percebo que o amor entre Jambá e Ítalo (Lucia e Odélio) será bem diferente desses que narrei para você. Nesta nova chance, eles são conhecidos como Alice e Miguel. Estudantes e com idades diferentes, “se amarram” na era tecnológica.
Alice tem a personalidade forte e participa de diversas intervenções sociais, gosta de meditar e adora tagarelar. Miguel, ainda é um adolescente sem nenhum pensamento concreto, está no ensino médio estudando em uma das melhores escolas do estado porque seu pai deputado simplesmente paga para ele. Miguel tem uma vida ganha, bem semelhante a que Ítalo sempre almejara.
Os dois estão próximos a se conhecer. Todos os dias Alice faz o favor de buscar seu irmão no colégio. Marcos ganhou uma bolsa na escola particular do outro lado da cidade, sua irmã e sua mãe quase explodiram de tanto orgulho do menino.
Num dia desses surge Alice toda atrasada, por conta de sua participação precipitada numa passeata contra o aumento no valor da passagem de ônibus.
— Com licença. O sinal já bateu há muito tempo? – Pergunta Alice, com os fios de cabelos todos desalinhados e com tonalidades diferentes por conta da tinta utilizada para pintar os cartazes.
— Ainda não, senhorita. Mas tenho certeza que seu irmão ainda não foi liberado. – diz o segurança da escola. – Sinta-se a vontade de procurá-lo, é só subir essa escada a esquerda que encontrará as turmas de terceiro ano.
— Ah, muito obrigada. – Alice da um sorriso torto e sobe as escadas correndo em busca de Marcos. – Mas onde é que esse menino se meteu? – Se pergunta após entrar em três salas e todas estarem vazias.
— Não acredito que vou ter que procurar por toda escola em busca dele. – Alice bufa e começa a acelerar o passo. Ao se aproximar da última sala no final do corredor, Lice distraída em com seu celular, esbarra em alguém que tentava sair da sala na mesma pressa em que ela queria entrar. Ela fica estupefata devido ao choque e cai no chão junto com seus objetos.
— Me desculpe, me desculpe mesmo – diz um jovem também atônito por conta do choque. Alice sorri, provavelmente pela primeira impressão que ela tem do adolescente. Era Miguel, alto e bem vestido, com um sorriso encantador.
— An... Não tem problema, – Alice se ajoelha para juntar algumas de suas coisas e Miguel abaixa para ajudá-la. – obrigada. Não precisa... – Miguel organiza todas suas coisas que havia caído, guarda as dele e por fim, vendo a dificuldade de Alice para se levantar, segura em sua cintura. Fazendo com que Lice fique impressionada mais uma vez.
— Me desculpe. – Miguel segura um celular em sua mão. – Acho que seja seu.
— Sim, obrigada mais uma vez. – Alice da um sorriso de lado e apressa o passo para que Miguel não note suas bochechas corando, mas este vai atrás dela.
— Procurando Marcos, não é? – ele indaga.
— É. Conhece ou sabe onde meu Kleiner Bruder* está? – Alice sorri novamente, deixando Miguel perceber seu rosto corado.
— Ah sim, acho que a turma dele está no auditório. Hoje teve uma aula longa para ele. Acho que foi isso, sabe? – O adolescente diz ao se atrapalhar para seguir os passos apressados de Alice.
Lice deixa Miguel mostrar o caminho até o auditório, ela sobe diligentemente as escadas e abre a porta do local, vendo Marcos conversando com a professora, portanto Lice decide esperar do lado de fora e Miguel, é claro que faz companhia. Porém, um silêncio se instala no local.
O adolescente pigarreia, buscando chamar a atenção da moça. – Acho que já vou indo.
— Tá bom, obrigada mais uma v-
Antes mesmo de Alice terminar a fala, Miguel já havia descido toda a escada e pela janela ela o acompanhava com um olhar de admiração.
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