Chances

62 Supernatural Me


Notas iniciais
Oi, povo! Capítulo novo. Obrigada por tudo, viu? Espero que gostem. P.S.: Desculpem não ter respondido os reviews.

SAM’S P.O.V.

Os aplausos terminaram e eu desci do palco, levando o violão branco comigo. Apesar de estar relutante antes, eu adorei a sensação de me apresentar para aquelas pessoas.

Devem estar se perguntando o que aconteceu para eu acabar no palco de um bar. Bem, como Dean não atendia o celular e meu relacionamento com Castiel estava acabado, eu fiquei em casa, sem fazer absolutamente nada por três semanas depois da formatura. Minha mãe, que eu nunca vi irritada daquela forma, me mandou passar um tempo indeterminado no apartamento do meu primo Brady.

Ele não parece, mas é bem mais velho do que eu. Ele é CEO da empresa em que ele trabalha e minha mãe achou que ele poderia servir como um bom exemplo pra mim. Além do seu emprego na multinacional, Brady também tem um bar. Um bar que ele abriu com o melhor amigo dele da faculdade, porque aparentemente esse é o sonho de todos os rapazes, só que eu não fui informado desse sonho.

Ele estava de férias da empresa, por isso pôde ficar “tomando conta de mim”, mas à noite, nós iríamos até o bar e eu via como ele tomava conta daquele lugar. Pelo que pude perceber, era tudo muito limpo, muito bem organizado. Mas era um lugar que Dean nunca frequentaria. Apesar do bom gosto musical do meu loiro — lá tinha shows acústicos de famosos e amadores -, o lugar cheirava a cigarro e bebida e era tudo muito alto; as conversas, a música, o som das bolhas de bilhar e dos caminhões que passavam na rua.

Esse é um pensamento bem comum que está sempre em minha mente. Dean gostaria disso, não gostaria daquilo, definitivamente acharia isso engraçado... Esses pensamentos são reconfortantes, porque é como se ainda estivéssemos namorando, e às vezes anoto alguma piada em um pedaço de papel para contar para ele depois, ou alguma história interessante; mas também são pensamentos perigosos. Porque quando cai a ficha de que não estamos mais juntos e de que nunca mais vou vê-lo, eu fico triste, desanimado, literalmente sem vontade de viver, com preguiça até de respirar, porque seria muito mais fácil simplesmente parar tudo e acabar as coisas.

Não estou dizendo que quero me matar, nada disso. Mas eu ainda estou procurando um sentido para viver sem ele. Um motivo para levantar da cama todas as manhãs. O que tem me deixado “ativo” é minha mãe. Ela está preocupada comigo, então faço isso por ela.

Mas eu me sinto um idiota, sabe? Um adolescente dramático chorando por alguém que não o quer. Fazer o que, né? É a vida.

Em uma das noites em que eu fui ao bar com o Brady, eu estava sentado no balcão conversando com o bar man, bebendo minha cerveja, quando eu vejo o Brady passando por nós praticamente correndo e falando no celular com alguém. Fiquei curioso então fui para os fundos ver o que tinha acontecido.

– Sam, você ainda toca violão? – Ele perguntou meio desesperado.

– Toco, mas...

– E como está sua voz? – Ele me interrompeu.

– Boa, mas o que houve?

– Preciso que suba naquele palco e cante, qualquer coisa que souber. Pode fazer isso por mim?

– Johnny não vai mais se apresentar? – Perguntei.

– Quebrou o braço, vai ficar um bom tempo sem tocar. Pode fazer isso por mim? – Ele repetiu.

Eu não sei o motivo de eu ter dito sim, mas lá estava eu, sentado em um banquinho de madeira e com o violão branco de Brady na minha mão. Me desculpei com as pessoas que estavam lá, contei o que havia acontecido com Johnny e comecei a tocar a música que não saia da minha cabeça. I belong to you...

Toquei algumas músicas, e fiz alguns intervalos de 5 minutos cada, e depois que toquei a última, vieram os aplausos e eu desci do palco. Entreguei o violão para o Brady e ele me guiou até um escritório nos fundos do bar, onde ele me deu 500 dólares.

Quinhentos dólares!

– Tudo isso?! – Perguntei, achando que ele havia contado o dinheiro errado.

– É o que eu pagaria ao Johnny. E esses são alguns números de telefone das umas meninas que te assistiram.

– Nossa – Foi tudo o que consegui dizer.

CLARK’S P.O.V.

Aquele sofá está oficialmente nojento. Eu não consigo me sentar nele ou perto dele de forma alguma. Na primeira semana, quando deixamos tudo impecável, dava até pra aguentar. Mas parece que eu não consegui tirar o cheiro de vômito dele ontem à noite.

Dean está na minha cama, semi-nu, enquanto eu estou aqui sentado em uma cadeira da cozinha encarando a mancha no couro marrom. Couro uma ova! O gorfo penetrou o tecido e eu não sei se é coisa da minha cabeça, mas eu realmente não consigo tirar o cheiro. A mancha vai ficar lá para sempre, já tentei com todos os produtos de limpeza tirá-la, mas nada adiantou. Mas o cheiro invade meu nariz e toma meu cérebro, me balançando com as lembranças, não só de ontem à noite, mas dessas duas últimas semanas.

O que aconteceu é que no nosso segundo dia aqui, Dean e eu fomos dar uma volta pelo bairro, para nos situarmos melhor. Não pegamos o carro, fomos andando e conversando, basicamente sobre como imaginávamos que seria a faculdade – que por sinal começa em três semanas – e que estávamos um pouco nervosos.

Vimos os mercados e pequenas mercearias, docerias, uma loja só de bolos caseiros – essa realmente encantou o meu loiro – e os bares do bairro. O shopping era longe demais para irmos andando, então decidimos que depois iríamos com o carro, mas paramos para beber algo em um bar.

Eu fiquei tão contente por ser Dean, e não minha meia-irmã Lisa, que veio para cá comigo. Desde o incidente, eu não sou mais um adolescente comum, tive de agir como adulto para cuidar de mim mesmo e Dean, bem... Dean nunca foi um adolescente. Então mesmo tendo pouca idade, sabemos nos comportar adequadamente nos lugares e organizar as contas e o apartamento.

Mas quando entramos no bar e nos sentamos ao balcão, um rapaz com cabelos donos de um louro escuro e olhos verde azulados sentou-se ao lado de Dean. Ele se apresentou, disse que seu nome era Cole. Apesar de não parecer, era mais velho do que nós. Tinha 25 anos de idade e sempre morou na Califórnia. E, sem surpresa alguma – porque estava claramente dando em cima de Dean -, era gay.

– Vocês são novos aqui, não é? – Concordamos com a cabeça — Dizem que São Francisco é a melhor cidade dos Estados Unidos para ser livre, seja você quem for. Isso é porque eles não foram aos lugares certos da Califórnia. Eu ficaria honrado de mostrar o lugar para vocês.

– Claro – Dean sorriu para ele também, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.

Bom, esse foi o começo de tudo.

Cole nos levou, naquela mesma noite, à danceteria chamada “Supernatural Me”. Achei estranho para um bar gay, mas não sou nenhum especialista em nomes de lugares. Cole era obviamente muito conhecido por lá, pegou bebidas de graça para nós e nos sentamos em um dos sofás de veludo – péssima escolha de tecido, em minha opinião. Porque só Deus sabia o que acontecia naqueles sofás – observando os homens e mulheres dançando e bebendo.

Eu não sou nenhum conservador, entenda. Eu mesmo já fui algumas vezes em lugares assim e me diverti muito, muito mesmo. Era uma boa forma de me desligar do mundo real. Mas quando Cole chamou Dean para dançar e ele disse que sim, sem nem pensar duas vezes, eu me senti como um pai preocupado. Mas feliz ao mesmo tempo, por vê-lo se soltando e querendo se divertir.

Assim que se levantaram – eu disse que não queria dançar – um rapaz moreno sentou-se ao meu lado. Era muito bonito. Musculoso, bronzeado e com um sorriso tão branco que achei graça ao ver como ficou sob a luz negra. Ele me levou até o bar da balada e sentamos ao balcão. Seu nome era Tony, ele estava fazendo faculdade de psicologia e tinha 22 anos de idade. Enquanto eu conversava com ele, também mantinha um olho em Dean que estava na pista de dança, de costas para Cole, que o abraçava por trás e se esfregava nele.

Senti um misto de raiva e ciúmes, mas um pouco de diversão – algo diferente – seria bom para o meu loiro. Então resolvi me concentrar no rapaz maravilhoso que estava na minha frente. Tony perguntou o que eu fazia ali e respondi que estava acompanhando um amigo, apontando para Dean na pista de dança.

– Ele é muito bonito.

– Com certeza é – Concordei com ele, bebendo mais um gole do meu drink colorido.

– Mas você é mais.

– Com certeza não – Eu disse e nós rimos.

– Quer sair daqui? Tenho certeza de que seu amigo está em boas mãos. Cole é um cara decente – Tony disse terminando a cerveja que tinha nas mãos.

– Você o conhece?

– Todos conhecem o Cole. É sócio do dono da balada.

– Bem, isso explica as bebidas grátis – Eu falei pensativo.

Tony se aproximou de mim e me puxou pela gola da camiseta, colando sua boca em minha orelha e sussurrou:

– Meu apartamento é a uma quadra daqui. Que tal nós irmos pra lá e... Ficarmos mais a vontade? Se tiver sorte, ganha uma massagem.

Meu corpo inteiro se arrepiou. Fazia muito tempo que um homem não me tocava ou falava assim comigo. Pode ter até sido irresponsável da minha parte, mas eu disse que sim. Eu disse sim e acenei para Dean, indicando que eu iria embora com Tony. Ele apenas piscou para mim e voltou a dançar com Cole.

Esse pode ter sido o maior erro da minha vida.

Tony era uma delícia, ok? E me fez gozar como nenhum garoto tinha feito antes. Desculpe a forma chula de representar minha noite, mas é a verdade. Só que o meu erro foi ter deixado Dean naquela balada.

Eu voltei para casa de manhã e o vi deitado no chão do apartamento, sem camisa, todo suado e cheio de glitter, roncando com o rosto colado ao tapete da sala. Eu o acordei para ir para a cama, mas ele não se mexeu. Chequei sua respiração e suspirei ao ver que ainda estava vivo, só bêbado. Com toda a força que restava em meu corpo, o peguei no colo e o levei até sua cama, tirando suas roupas e deixando a porta do quarto meio aberta, enquanto pegava um pano úmido na cozinha. Voltei ao quarto e coloquei o pano em sua testa. Ele estava fervendo.

E tudo isso estaria tudo bem. Se isso só tivesse acontecido uma ou duas vezes.

Nessas três semanas que passamos em Palo Alto, Dean foi à Supernatural Me todos os dias e voltava para casa no mesmo estado. Depois de duas semanas e meia dessa forma, eu comecei a ir com ele, pelo menos para ser eu o trazendo de volta para casa. Para eu poder tomar conta dele.

E não pensem que eu não tentei impedi-lo de ir ou fazer outros planos ou bater o pé e dizer que ele não podia ir todos os dias. Mas ele começava a falar que nunca agiu dessa forma antes e que só está tentando se desligar do mundo e que eu sei muito bem como é isso. Me disse também que sentia falta de Sam e essa era uma forma de não pensar nele. E nos dias em que não quis se explicar, apenas rolou os olhos e saiu pela porta, andando até a balada. Após me acalmar, eu pegava o carro e ia atrás dele. Eu ficava sentado no bar, sem beber uma gota de álcool, recusando todos os pedidos de rapazes, apenas o observando, porque ele não me permitia fazer mais do que isso.

E quando eu via alguém colocar algo na bebida dele, ou com más intenções, eu virava uma dose de tequila e ia até a pista de dança, tirando o copo da mão dele e dançando, impedindo que qualquer outra pessoa chegasse perto daquele garoto. Ele me agarrava e dançava colando seu corpo ao meu, passando suas mãos por baixo de minha camisa e mordendo meu pescoço. Até que sentisse vontade de vomitar, pelo tanto de álcool que ingeriu, e eu o carregar para fora do estabelecimento e o deitar no banco de trás do carro.

Chegando em casa era a mesma rotina de sempre. Eu dava banho nele, fazia um chá e deitava com ele até a dor de cabeça dele passar e seus batimentos voltarem ao normal. Eventualmente eu acabava caindo no sono também. E ele tinha pesadelos, geralmente sobre Sam e acordava assustado. Ele chorava no meu peito até se acalmar e conseguir dormir novamente.

Eu nunca me senti tão mal. Eu nunca pensei que o veria assim e me parte o coração saber que eu não posso fazer nada para ajudá-lo, porque ele não deixa que eu faça nada. Ele se fechou nesse ciclo de dor e ressentimento e está afogando as mágoas em bebida e sexo com estranhos no beco nos fundos da Supernatural Me.

Até que ontem à noite aconteceu.

Lisa veio nos visitar logo cedo e eu o deixei dormindo na minha cama, como sempre. Tomei um banho e saí para tomar café com ela. Quando voltamos, literalmente quarenta minutos depois, Dean não estava mais no apartamento e ele não havia levado o celular. Ela tentou me acalmar dizendo que ele iria ficar bem, mas eu não pude me acalmar. Ela foi embora à tarde e eu fiquei sentado no sofá horrível, esperando que ele voltasse. Eu não dormi, eu não consegui assistir ao que estava passando na TV, eu não consegui ler meus livros, eu não consegui fazer nada. Nem comer, eu comi. Até que eu ouvi alguém bater na porta.

Era Cole. Com Dean nos braços.

– Graças a Deus – Eu abri a porta e o disse para colocá-lo no sofá.

– Ele exagerou um pouco essa noite – Cole me disse.

– É, percebi. Obrigado, Cole, você pode ir agora.

Ele não disse mais nada. Provavelmente porque viu que eu estava furioso com ele, e foi embora. Dean tossiu e acabou vomitando no nosso sofá. Fiz o de sempre e o deitei na minha cama, o acordando de pesadelos, mas sem conseguir dormir. Preocupado demais para fazer qualquer coisa. Isso tudo me estressou muito. Todas as noites eu ia para cama com raiva de mim mesmo e decepcionado com a minha falta de poder.

Mas olhando para aquela maldita mancha no sofá, eu finalmente me permiti chorar. Eu rezei a Deus para Ele cuidar de Dean e chorei pelo que me pareceram horas, simplesmente para tirar o peso de dentro de mim.

– Clark, por que está chorando?

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado *-* Até a próxima! Beijackles e Padakisses ♥