Chances

63 Eu ainda estou aqui.


Notas iniciais
Oieeeee! Mais um para vocês. E aí, estão gostando da vida "adulta" deles? kkkkk Até a próxima *-*

CLARK’S P.O.V.

Eu não acredito que já estamos no fim do semestre.

Eu deveria estar em casa de férias, mas quis acompanhar Dean nessa semana de exames. São como provas de recuperação para quem não atingiu a média final. Quem diria que Dean Ackles algum dia iria precisar fazer uma prova assim.

Nesse ponto do nosso relacionamento, eu não me intrometo mais nas coisas dele. Ele vai para a balada, faz o que tiver que fazer lá e quando volta para casa tem o resto do jantar na geladeira, que ele come naquele sofá horrível enquanto assiste televisão. É uma cena horrível de se ver. É como se ele estivesse perdido e criou essa rotina para talvez equilibrar as coisas.

Eu criei a minha própria rotina, para evitar pensar demais no estrago que Dean fez em sua vida. Eu me levanto cedo, o cubro no sofá, faço o café da manhã e lavo a louça que ele deixou em cima da mesa de centro. Tomo um banho e escovo os dentes, volto para a sala e o acordo para ele tomar café comigo. Em seguida, eu o acompanho até o chuveiro e o faço se limpar. Enquanto ele está lá, eu lavo a louça do café da manhã e saio do apartamento.

Eu dou algumas voltas pelo quarteirão, alternando entre andar e correr e volto para o apartamento. Tomo outra ducha rápida e me arrumo para irmos para a faculdade. Dean, sonolento, estaria deitado no sofá esperando por mim. Eu dou alguns comprimidos para a sua dor de cabeça e vamos para a faculdade.

Todas as manhãs são assim. Às vezes mudam uma coisa aqui ou ali, mas eu me sinto um estranho perto de Dean. Eu não me vejo mais como seu melhor amigo e sim como algo que pode estar o atrapalhando de alguma forma. Mas eu nunca deixo de ajudá-lo. Nunca.

E é por isso que eu estou aqui. Ao invés de sair com a minha turma para comemorar, estou sentado no corredor da sala de aula, esperando-o sair de lá com o mesmo sorriso triste no rosto.

Assim que são seus sorrisos agora, sabia? Tristes ou falsos. Seus olhos perderam aquela cor vibrante de antes, são opacos, um verde escuro, ainda escondidos pelos óculos que não conseguem disfarçar as enormes olheiras que se alocam sob seus olhos. São escuras e o envelhecem tanto.

Suas mãos tremem de vez em quando. É um fenômeno totalmente psicológico, claro, mas isso o incomoda, dá para ver. E me incomoda também. Porque chegou a um ponto em que ele não consegue mais se aguentar sóbrio e bebe também para espantar a tremedeira.

É triste de se ver. É triste de viver ao lado dele e se perceber inútil.

SAM’S P.O.V.

Eu resolvi que quero fazer a faculdade de artes.

Mas meu pai obviamente não me apoia, e minha mãe não tem dinheiro suficiente para me ajudar, mesmo que seja só um pouco. Então eu preciso me virar sozinho.

Meu pai e eu tivemos uma briga bem feia quando voltei da casa de Brady. Feia o suficiente para ele me expulsar de casa. Ele veio me pedir desculpas depois, mas eu não as aceitei. Eu já tinha encontrado um lugar barato para ficar e pedi desculpas para a minha mãe, que prometeu ir me visitar toda semana e me ajudar com as roupas para lavar e a arrumação do apartamento até que eu conseguisse realmente me ajeitar e me virar sozinho.

Isso me abalou bastante, mas resolvi que não iria deixar esses acontecimentos ficarem entre mim e meu futuro. Então, fiz um acordo com Brady de me apresentar três vezes por semana no bar dele e parte do dinheiro que eu ganho coloco em uma poupança para a faculdade. Mas enquanto isso, fiz um curso – gratuito – de música. Revi alguns conceitos, como ler partituras e também como escrever músicas, entre outras coisas.

Nesse curso conheci uma garota, Bela Talbot, e ela tinha a voz mais bonita que eu já tinha ouvido. Na verdade, a segunda mais bonita. Me arrepio só de lembrar da voz de Dean... Mas voltando a Bela, ela acabou se tornando uma boa amiga.

Ela era linda. Tinha cabelos longos e brilhantes de um louro escuro, grandes olhos verdes e lábios e bochechas sempre rosadas. Ela tem um sorriso lindo e acho que me apeguei tanto a ela, porque ela se parece muito com duas mulheres maravilhosas que conheci.

Jo e minha mãe.

Ela é enérgica e sempre de bom humor como Jo, mas nos tornamos tão próximos e ela cuida de mim, assim como minha mãe sempre fez. Ela me entende e não me julga, e faz tudo isso sem ter uma paixonite por mim. Ela é muito feliz com o namorado dela, o Jack, que também é um cara legal, mas por ele ter bastante ciúmes de nós dois passando tanto tempo juntos, eu o evito o máximo o possível.

Sempre que ela consegue, vai até o bar de Brady para me ver cantando, e hoje não foi diferente. Lá estava ela, sentada com Jack em uma mesa próxima do palco, me aplaudindo e dando gritinhos, me fazendo rir durante a música. Mas ela ficou completamente vermelha quando eu disse o nome dela para a plateia.

– E agora, tenho uma convidada muito especial que, se eu tiver sorte, me dará a honra de cantar comigo e próxima música.

Ela olhou para mim com os olhos arregalados, negando com a cabeça.

– Vamos, Bela. É sua música favorita.

Jack fez ela se levantar e a guiou até o palco, com as pessoas batendo palmas enquanto ela se sentava em um banquinho ao meu lado. Uma das garotas que trabalhavam no bar levou um violão para ela e arrumaram o microfone.

Ela sorriu para mim e eu sabia que ela estava brava, mas me perdoaria.

– Como ele disse, vamos tocar a minha música favorita, With You, do Chris Brown – Ela sorriu para o público e começou a dedilhar as cordas.

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Depois do show, Brady nos chamou em seu escritório para me dar o dinheiro.

– Vocês dois formam uma bela dupla – Ele disse pensativo – Não estaria disposta a cantar aqui também, Bela? Com certeza o bar poderia ter mais uma voz feminina. E o público adorou. Me perguntaram quando você vai se apresentar de novo.

– Ah, não. Não, não, não... Eu não posso subir no palco sozinha. Eu vou congelar e desmaiar, não vai ser bonito – Ela disse toda nervosa. Uma gracinha.

– Sam canta com você. Como eu disse, fazer uma bela dupla. Que tal?

– Se ela topar, eu estou dentro – Respondi simplesmente.

– Tudo bem. Vamos tentar – Ela sorriu e tive que sorrir também.

Fazia muito tempo desde que eu consegui sorrir verdadeiramente, sem pensar em Dean. Fazia muito tempo desde que eu consegui fazer qualquer coisa verdadeiramente, sem pensar em Dean.

Seria mentira se eu dissesse que não penso nele. Mas eu evito ao máximo, porque eu nunca mais vou vê-lo, não é? Então não vale a pena me torturar com isso. Pelo menos é o que Bela fica me dizendo. Ela sempre me anima. Ela e Jack, na verdade. Ele é bem engraçado, mas eu realmente me apeguei mais a ela.

Fomos encontrar Jack na saída do bar para irmos embora. Ela contou as boas novas para ele, que a abraçou quando ela pulou em seu pescoço toda feliz.

– Estou me sentindo uma estrela, já.

– Você é minha estrela. Meu sol – Jack disse a ela.

Meu sol... Todas as vezes que alguém diz isso, meus olhos se enchem de lágrimas. Foi a última vez que Dean me chamou de “meu” alguma coisa. Ele me chamava de “meu amor”, “meu lindo”, “meu tudo”, “meu anjo”, “meu sol”... Mas o que passou, passou, certo?

CLARK’S P.O.V.

Dean saiu da sala de aula e me ajudou a levantar do chão do corredor.

– Como foi?

– Como você acha que foi? – Ele estava meio rabugento. Não quis acordar cedo hoje.

– Bem? – Menti.

– Claro que não.

Eu não sabia mais o que dizer. Eu comecei a sentir medo de falar perto dele. Medo de eu o ofender, medo de ele ser grosso ou bruto comigo. Não é que eu seja sensível e não aguente, mas eu não gosto de ver esse estranho que tomou o lugar do meu amigo. Do meu amor.

Eu não conseguia nem mais vê-lo de uma forma romântica ou com aquele teor sexual... Tudo o que eu queria é que ele deitasse do meu lado e me contasse o que está acontecendo, como fazíamos sete meses atrás! Não é tanto tempo assim, não sei como tudo mudou tão rápido. Eu quero meu amigo de volta.

E agora, tenho mais esse problema nas mãos. Dean conseguiu uma bolsa integral para estudar medicina, mas para manter a bolsa é necessário manter as notas em certo patamar, que Dean simplesmente não está alcançando. Eu liguei para a mãe dele, pedindo conselhos ou instruções de como lidar com isso, mas por mais preocupada que ela tenha parecido, apenas me disse para “ter paciência, pois é apenas uma fase”.

Cheguei a ligar até para a senhora Winchester, mas Mary não sabia como proceder. Ela também me disse para ter paciência e que tudo iria ficar bem eventualmente. Porque tudo o que Dean precisa agora é um amigo e sou o único que ele tem. Bem, ela tem razão. Mas eu não estou mais aguentando. Estou à beira de ter um colapso e só Deus sabe o que eu seria capaz de fazer.

Mas ainda estou aqui. Segurando a mão dele, enquanto andamos de volta para o carro. Eu ainda estou aqui ao seu lado, pro que der e vier.

Eu ainda estou aqui.

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado bastante *-* Beijackles e Padakisses ♥