Chances
51 Que tal um sorvete?
Notas iniciais
Clark desceu as escadas, confuso e curioso com a situação. Ignorou a presença de seu pai na sala de estar e atendeu a porta. Do lado de fora, uma belíssima jovem senhora, com seus cabelos loiros e ondulados esvoaçando ao vento, sorria, com dentes incrivelmente brancos, para ele.
– Clark, certo?
– Posso ajudar? – Ele tentou ser simpático.
– Sou Mary, mãe do Sam – Ela sorriu e estendeu a mão.
– É um prazer, Sra. Winchester – Clark apertou sua mão.
– Só Mary, por favor – Ela parecia um tanto nervosa – Podemos conversar?
– Claro, mas é melhor que não seja aqui.
– Oh, ok.
– Desculpe a minha falta de educação, mas meus pais não são a melhor das companhias.
– Você parece ser o oposto deles – Mary desceu os degraus da escada, esperando que o moreno fosse atrás dela – Que tal um sorvete?
– Perfeito – Ele sorriu.
Os dois andaram lentamente até uma sorveteria ali perto, sem dizer nada. Clark porque não estava entendendo o que aquela senhora queria conversar com ele e, Mary, porque não sabia como começar uma conversa com alguém 17 anos mais novo que ela.
Chegaram ao estabelecimento e sentaram-se em uma das mesas redondas, mais próximo da entrada.
– Você deve estar se perguntando muitas coisas sobre o motivo de eu estar aqui com você – Ela disse com a voz suave, mas seu belo sorriso não estava em seu rosto.
– É verdade.
– Deve estar imaginando também como eu consegui seu endereço e por que eu viria falar justamente com você depois do que houve na escola.
– Isso também é verdade. Aconteceu alguma coisa? – Ele parecia preocupado.
– Preciso da sua ajuda.
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Tish e Jo foram embora depois de algumas horas, deixando Sam e Dean sozinhos na sala de estar. Estavam sentados, Dean deitado no peito do Winchester, enquanto este lhe fazia um carinho em seus cabelos.
Novamente, não eram necessárias palavras para eles entenderem o que o outro queria dizer. Sam conseguia sentir o peso da respiração do loiro e o calor de suas lágrimas contra a sua camiseta, enquanto Dean sentia o tremor dos dedos do moreno fazendo linhas abstratas em seus cabelos e ombros.
Ellen desceu as escadas e deu um sorriso triste ao ver os meninos na sala. Dean olhou para ela e sentiu vontade de chorar mais, mas não o fez, porque sua mãe parecia diferente, mas não sabia até que ponto ela havia mudado.
Os garotos arrumaram sua postura quando Ellen sentou-se na poltrona de frente para eles.
– Preciso falar com vocês, meninos – Ela tentou manter sua voz em um tom suave.
– Estamos ouvindo – Dean respondeu.
– Eu falei com a senhora Winchester e nós duas não entramos num acordo nas decisões tomadas da outra, mas nós duas pensamos que será o melhor para todos.
– Elas vão fazer a gente terminar – O loiro murmurou.
– Dean – Sam disse, tentando acalmá-lo.
– Elas vão fazer a gente terminar, Sammy!
– Não, elas não vão fazer isso – O moreno já havia conversado com sua mãe, portanto sabia da posição das duas.
– Sim, elas vão! Ela disse que era “o melhor para todos” – Ele fez as aspas com os dedos – Claro que elas vão.
– Não queremos mais nada além da felicidade de vocês dois – Ellen interrompeu.
– Sério? – Dean se acalmou.
– Sim. Vocês vão ficar bem. Juntos... Mas haverá regras. A senhora Winchester pode ser "super apoiadora" dessa ideia, mas que fique bem claro que eu, Ellen Warner, acho errado.
– Obrigado, mãe — Uma lágrima escorreu pelo rosto alvo do loiro.
– Eu te amo, meu filho. Só quero o melhor para você. E se é isso– Ela disse a palavra com um tom de desgosto — que vai te fazer feliz, então estou aqui por você — Ellen olhou para Sam e sorriu levemente — Por vocês dois agora.
– Obrigado, senhora Warner – A voz de Sam saiu um pouco rouca.
– Por nada, querido. Me chame de Ellen, por favor.
– Claro, desculpe.
– Agora, eu não quero atrapalhar vocês. Estou de saída, ok? Só volto amanhã à noite.
– Para onde vai? — Dean perguntou, curioso.
– Depois da nossa briga, seu pai contou para a sua avó. Vou até lá amenizar a situação.
– Ele está ficando na casa dela? — Sam perguntou também, preocupado.
– Sim, mas tudo bem. Não vai acontecer nada demais.
– Boa sorte — Dean suspirou.
– Vou precisar. Tem comida na geladeira, ok?
– Ok, mãe. Até mais.
– Tchau, meninos.
Ellen se levantou do sofá e pegou sua bolsa e as chaves do carro que estavam em cima do balcão. Assim que ela saiu pela porta, Dean voltou a se deitar no peito de Sam, respirando fundo algumas vezes, preocupado com o que poderia acontecer com sua mãe quando chegasse à casa de sua avó. Mais especificamente quando visse seu pai...
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– Então a senhora... Desculpe, você conversou com a mãe do Dean?
– Sim. Porque fiquei preocupada com ele. O jeito que ele falou dos pais, deu medo até em mim. E, também, estava preocupada com Sam, já que ele receberia inúmeros ataques da família dele.
– E resolveram o que?
– Que eles deveriam continuar juntos. Mas ela não queria concordar comigo, pois, nas palavras dela, "é uma opção idiota a se tomar" — Mary fez as aspas com os dedos.
– Isso sobre a sexualidade deles?
– Sim. Mas eu expliquei para ela que não é uma opção. É algo que já nasce dentro das pessoas... Enfim, no final ela concordou, mas disse que vai impor algumas regras dela.
– Ok... E para que precisa da minha ajuda?
– Preciso que fique de olho no Dean. Preciso que cuide dele, por mim.
– Ele já tem a Sam.
– Eu conheço o filho que tenho. Ele é amável e inteligente e tem boas intenções sim, mas ele, muitas vezes, toma a decisão errada. E isso vai acabar machucando aquele pobre garoto e, consequentemente, o meu filho.
– Então você acha que eles vão terminar? Acha que tudo isso não vai dar certo?
– Não estou querendo que isso aconteça, mas sim... Eles vão terminar. Até o final desse ano letivo, alguma coisa vai acontecer. Mais especificamente com Sam.
– Como você pode saber isso?
– Ele se apaixona muito fácil, sempre com uma intensidade sem igual. Seja por coisas ou pessoas... — Ela deu uma pausa e terminou seu sorvete — Mas ele sempre se apaixona de novo. E de novo, e de novo e de novo.
– Então é melhor Dean terminar logo antes que fique magoado depois — Clark pensou alto, sem realmente estar falando com a jovem senhora à sua frente.
– Eu acredito que sim. Mas prometi não me intrometer. Assim como a Ellen.
– Por que está me contando tudo isso?
– Clark...
– Não, estou falando sério. Qual o propósito? Você quer que eu os faça terminar?
– Quero que cuide do Dean depois que acontecer.
– Não. Não é só isso, não pode ser só isso. Porque o que importa como Dean vai ficar? Ele não é o seu filho.
Mary não disse nada por um momento. Olhando naqueles olhos claros, de um verde suave e aconchegante, tentando entender o que se passava na cabeça dele.
###FLASHBACK ON###
– Boa tarde, o Clark está? — Mary tentou ser simpática, como sempre.
– O que você quer?
– Preciso resolver um assunto com ele. Da escola.
– E você é?
– Mary Winchester. Sou mãe de um amigo dele.
– Seu filho é gay, Dona Mary?
– Isso vem ao caso?
– Só quero saber se a senhora entende o inferno pelo qual estamos passando nessa casa.
– Clark é gay?
– É uma doença que não vai embora — A mulher disse com nojo.
– Olha, eu não acredito que seja uma doença, mas...
– Vou chamá-lo pra você — Ela interrompeu, fechando a porta ao entrar.
Mary respirou fundo e se segurou para não sair de lá naquele exato momento. Mas se aquela era a mãe de Clark... Como ele deve sofrer naquela casa.
###FLASHBACK ON###
– Clark, eu não sei como é a sua família, meu querido — Ela sorriu solidariamente, pegando uma de suas mãos — Mas há pessoas nesse mundo que querem o bem dos outros, por pura simpatia. Nós não cuidamos apenas daqueles que tem uma relação sanguínea conosco. Se gostamos de alguém, queremos o seu bem. Sempre.
– Acho que só você pensa assim — Ele lhe lançou um sorriso triste.
– O mundo não é um precipício no qual você vive só pensando no que vai acontecer quando você chegar à beirada. Se tem mesmo aquele fim, o que é certo que tem, por que se preocupar com ele? E não uso o precipício como a morte em si, mas como qualquer desventura que possa nos ocorrer.
– Você tem certeza de que é mãe do Sam? — Ele estava pasmo, jurava que se apaixonou por ela por um momento.
– Absoluta, porque ele consegue ser mais profundo do que eu — Ela sorriu.
– Se ele for parecido de qualquer forma com você, sei porque Dean o ama.
A loira sorriu para ele. Fazia um bom tempo desde que recebera um elogio... Mas enfim. Nem ela soube direito o que havia pedido àquele garoto, mas ela tinha certeza de que ele faria. Porque todas as vezes que um dos dois tocava no nome de Dean, seus olhos se iluminavam de um modo espetacular, quase mágico. Ele está apaixonado pelo loiro, e é por isso que ela sabe que Clark irá cuidar de Dean.
Continuar...
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