Chances

61 Os rapazes do Baltazar


Notas iniciais
Eu demorei, como sempre. Mas é culpa do meu estado mental, gente. Por favor perdoem. Mas hoje eu acordei com um ótimo humor, porque é meu aniversário de 1 ano de namoro! E eu o amo muito e ele me anima. Então, eu consegui escrever esse aqui para vocês. E para mim, né? Estou ansiosa pelo que vem à seguir kkkk Espero que gostem muito. P.S.: Não morram, ok? Sam vai pra um lado e Dean pro outro, mas eles vão acabar se encontrando no meio do caminho. Beijackles ♥

CLARK’S P.O.V.

Ah, Califórnia. Tão quente, tão diferente de casa.

Casa... Quando me refiro a casa, claro que me refiro à minha cidade natal. E não à construção de tijolos e madeira na qual eu morava. Não com aquelas pessoas que me tratavam como um estranho. Como se eu não fosse filho deles. Como se eu nem fosse uma pessoa.

Eu era uma coisa, um objeto que entrava na casa deles e – com os próprios ingredientes – cozinhava a própria comida, lavava a própria roupa, limpava o próprio quarto. Acordava sozinho de manhã e fez de tudo para finalmente sair de lá e deixar de ser um peso para os outros.

Acontece que eu sei que não é culpa minha. Deus sabe que demorei muito para entender isso. Mas eles são os culpados por terem perdido um filho, e não eu. Porque eles poderiam muito facilmente ter aceitado o que eu sou, ou pelo menos fingir que nada tinha acontecido e continuar me tratando como um ser humano, mas eles escolheram me olhar como se eu estivesse com uma doença terminal. E que logo, logo tudo estaria acabado.

Mas, onde eu estava mesmo? Ah, é. Califórnia.

Chegamos a Palo Alto no fim de tarde, quando já deveria estar esfriando, mas continuava o mesmo calor que nos atingiu durante a viagem. Ficamos três dias na estrada, Dean e eu.

Eu tentei puxar assunto para distraí-lo, mas parece que não deu muito certo. Claro que ele não me deixava falando sozinho. Ele era assim, era educado mesmo quando não queria conversar, mesmo quando queria só ficar quieto e pensando. Mas eu sei o que pensar faz a ele.

Cada um dirigia por 3 horas, antes de trocar de lugar e tentar descansar um pouco. Quando o assunto nos consumia e nos esquecíamos de dormir, procurávamos por algum estacionamento ou drive-in que pudesse ter ali por perto e descansávamos à noite.

Não vou mentir, eu adorei esses últimos três dias, mesmo que Dean esteja com a cabeça em Sam. Mas recebemos boas notícias no segundo dia de viagem e ele sorria um pouco mais facilmente. Ellen nos ligou dizendo que a avó de Dean – e mãe de Bobby -, Donna, não aguentava mais os comentários homofóbicos de Bobby e lhe disse que se ele não parasse e pedisse desculpas à Ellen e Dean, ela não permitiria que ele ficasse em sua casa mais.

Bem, o divórcio já estava correndo, então Ellen não se abalou com isso, mas ele escolheu ir para um hotel... Até conseguir encontrar um lugar fixo. Enfim, a boa notícia é que Donna ficou chocada e até brava de primeiro momento, mas ela queria ver Dean e conversar com ele. Disse que estava com saudades e que ele não deveria se preocupar com o que seu pai dizia, pois puxou ao “cretino” de seu avô, como Ellen disse.

Eram definitivamente boas notícias. Dean me contou que sempre gostou muito de sua avó, e que a opinião dela era a que mais importava para ele. Ela sempre disse que se ele se esforçasse seria um grande médico, mesmo que não fosse sua primeira escolha de profissão, Dean gostou de ela acreditar tanto nele. Mas seu pai também gostou da ideia e, por ser muito rígido, começou a pegar mais no pé do meu loiro, para que ele conseguisse passar na faculdade e para que Bobby pudesse se vangloriar das vitórias de seu filho para os outros no trabalho.

Eu imagino a pressão que Dean deve ter sofrido. Ele é tão forte por aguentar falar disso tudo com um sorriso no rosto. Acredito que ele esteja aliviado por ter acabado, por isso consegue me contar como se fosse uma antiga história, que não lhe afeta mais.

O lugar em que vamos ficar aqui em Palo Alto é, na verdade, do meu tio Baltazar. Ele não é meu tio de verdade, mas sim, um amigo da família e o único que me deu apoio depois do incidente com David. Ele nos fez um bom preço no aluguel. Dean não tem dinheiro ainda, mas Ellen disse que vai nos ajudar até ele arranjar um emprego.

Estacionamos o carro na garagem no subsolo e subimos até o térreo para nos apresentarmos ao síndico como novos moradores. Acontece que quando batemos à porta, uma mulher negra, um tanto mais baixa que nós, e simplesmente estonteante, nos atendeu. Ela disse que seu nome era Cassie Robinson.

– É um enorme prazer, Cassie. Sou Dean e esse é Clark – Ele deu seu melhor sorriso. Tive que sorrir também.

– Ah, os rapazes do Baltazar, certo? – Sua voz era profunda e baixa.

– Isso mesmo – Respondi, estendendo uma mão para ela.

Ela a apertou e, em seguida, a de Dean.

– Ok, podem subir já. Só não me deem problemas e vamos ter um ótimo relacionamento aqui.

– Sim, senhora – Eu disse e ela sorriu, fechando a porta em seguida.

Entramos no elevador e subimos até o sexto andar. “602” era o que dizia a plaquinha de madeira acima da porta antiga. Colocamos as malas no chão enquanto eu procurava a chave em uma de minhas bolsas. Ele riu por eu estar tão atrapalhado, deixando cair alguns produtos higiênicos da bolsa.

– Deixa, eu sei onde você guardou – Ele disse, segurando em meu braço e pegando a bolsa de minha mão.

Poucos segundos depois, lá estava a chave. Dean a colocou na fechadura e a girou, destrancando a porta. Antes que pudesse abri-la, eu o interrompi.

– Espera.

– O que foi? – Ele pareceu preocupado, mas seu rosto se acalmou ao ver o meu sorriso.

– Está preparado? Ansioso?

– É só um apartamento, Clark – Ele sorriu e se virou para mim.

– É que, quando girar a maçaneta, vai tudo oficial. Estaremos nos instalando oficialmente em Palo Alto, Califórnia. Seremos oficialmente adultos. É mais que um apartamento.

– Você tem razão. É uma grande mudança, mas eu estou mais do que pronto para deixar tudo aquilo para trás e começar essa nova vida. Com você.

Eu não consegui responder nada, porque tenho certeza de que as palavras que iriam sair de minha boca seriam “eu te amo tanto”, então resolvi apenas sorrir para ele e pegar uma mala em cada mão, enquanto ele pegou duas mochilas e abriu a porta.

Era um apartamento modesto, antigo como o prédio, e não poderia ser chamado de grande. Mas era bem maior do que nos foi prometido. Logo quando entramos, nos demos de cara com dois sofás horríveis de couro marrom e uma bancada que dividia a sala e a cozinha. Um corredor que levava aos dois quartos e ao banheiro e só. Não tinha uma varanda, nem uma cor exata nas paredes.

Bem que meu tio me avisou que precisaríamos dar uma arrumada nesse lugar. Mas eu parei de prestar atenção no apartamento quando vi o rosto de Dean. Seus olhos estavam vermelhos e ele segurava as lágrimas, enquanto um sorriso trêmulo tomava conta de seus grossos lábios. Senti vontade de chorar também.

– Vem aqui – O puxei para um abraço e ele respirou fundo – Bem vindo à sua nova casa.

– Nossa nova casa – Ele corrigiu.

Olhamos os dois quartos e decidimos que eu ficaria com o da esquerda e ele com o da direita. Colocamos nossas malas em nossos respectivos quartos e fomos até a sala. Não quisemos sentar no sofá, pois estava cheio de poeira, então ficamos em pé.

– Pelo visto temos três opções aqui – Eu disse.

– E quais são elas?

– Podemos dar uma volta no bairro para conhecer a vizinhança, ver onde tem comércio e lugares de lazer. Ou podemos tomar um banho e descansar. Ou podemos fazer uma faxina. A escolha é sua.

– Olha, você sabe como sou paranoico com bagunça. Então vamos fazer uma faxina e depois tomar um banho? Amanhã podemos ver o bairro – Ele disse entre um bocejo.

– Ok. Meu tio disse que tem alguns pratos e copos e talheres nos armários, então acredito que deva ter algum produto de limpeza. Amanhã, depois de irmos à faculdade, vamos andar.

– Então, vamos pôr a mão na massa – Ele sorriu e andou até à dispensa na cozinha, onde encontrou alguns produtos.

Começamos a limpar e as coisas estavam começando a mostrar sua verdadeira cor, por baixo de toda aquela poeira. Colocamos músicas do rádio da bancada para tocar e conversávamos, cantávamos e até dançávamos enquanto fazíamos a limpeza.

Acho que eu vou gostar daqui...

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado. E, por favor, mudem de opinião sobre o Clark. Ele é muito amor, ok? Até a próxima! Beijackles e Padakisses ♥