Chances

48 I belong to you.


Notas iniciais
[Música do capítulo: I Belong To You - Lenny Kravitz] Oi gentee! Nem demorei dessa vez u.u Espero que gostem bastante!

DEAN’S P.O.V.

Apenas sorri para ele. Sam, de alguma forma, sabia que eu não queria falar sobre o que aconteceu. Sabia que eu precisava muito mais de um sorriso e um abraço, do que reviver essas últimas 24 horas. Ele sabe o que fazer para eu me sentir bem. Isso é algo que eu não posso nunca reclamar.

Digo, posso dizer muitas coisas sobre o Winchester... Ele fala alto, tem uma risada exagerada, tem a mania irritante de arrancar folhas do caderno, fazer uma bolinha, e jogar para qualquer lugar. Ele fica sempre tirando os meus óculos, mesmo sabendo que eu não enxergo nada sem eles.

Mas não posso negar que eu adoro sua voz, qualquer que seja o tom, sua risada é a luz dos meus dias, ele arranca as folhas por ser perfeccionista e não ter gostado de algum desenho seu — os quais eu simplesmente adoro — e quando ele tira meus óculos, sempre me dá um beijo, no nariz ou na testa, e diz que tenho olhos lindos.

Eu odeio e amo cada defeito dele. Porque são esses de que fazem meu Sam ser quem ele é. E uma dessas coisas é ele sempre saber a coisa certa e dizer ou fazer quando eu não estou bem.

Lógico que ele fez muita besteira, tipo, muita mesmo. Mas o passado é passado, certo?

Nos sentamos no sofá, um de frente para o outro e ele segurou minha mão.

– Tudo bem? — Ele me perguntou, olhando nos meus olhos.

– Agora sim — Admiti e ele pegou o violão.

Eu sabia que ele tocava, e que cantava um pouco também, mas nunca tinha o ouvido. Sam começou a dedilhar as cordas, afinando o violão. Depois, olhou para mim e sorriu levemente.

– Algum pedido especial? — Ele piscou e eu ri. Por algum motivo, senti meu rosto ficar quente enquanto ele olhava para mim.

– Sua música favorita.

– Uma ótima escolha — Ele sorriu — Você não faz idéia de qual é, não é?

– Vai, Sammy. Me surpreenda.

Ele riu antes de começar a tocar. Seus dedos trabalhavam com destreza enquanto sua cabeça acompanhava o ritmo que saía do instrumento. Seus cabelos escaparam de trás de sua orelha e caíram em frente ao seu rosto, bloqueando minha visão.

Se não foi a cena mais bonita e pacífica que eu já presenciei, com certeza está entre as primeiras de a lista. Um leve sorriso não saiu de meus lábios enquanto ele começava a cantar. Reconheci a música e sorri mais abertamente.

Como eu consegui alguém como ele?

You are the flame in my heart

(Você é a chama em meu coração)

You light my way in the dark

(Você ilumina meu caminho no escuro)

You are the ultimate star

(Você é a última estrela)

You lift me up from above

(Você me ergue além do topo)

Your unconditional love

(Seu amor incondicional)

Takes me to paradise

(Me leva ao paraíso)

A voz dele era rouca e suave e, mesmo eu não sendo nenhum perito neste assunto em particular, sua voz alternava entre os versos, me levando ao paraíso. Ele não desafinava, nem uma única vez, era como ouvir o acústico de um profissional.

Ele olhava para o braço do violão para ver as notas e para mim enquanto cantava. Dedicando aquelas lindas palavras para mim. E eu concordava com cada uma delas.

I belong to you

(Eu pertenço a você)

And you

(E você)

You belong to me too

(Você pertence a mim também)

You make my life complete

(Você faz minha vida complete)

You make me feel so sweet

(Você faz eu me sentir tão doce)

Cantei o refrão com ele. E nossas vozes ficaram muito boas juntas. Não posso dizer que eu era capaz de cantar como ele, mas não tinha uma voz tão ruim. A minha era mais grave, talvez com um timbre mais intenso, enquanto a dele tinha uma textura macia e confortável. Opostas, uma completava a outra.

Ouso a dizer que era como o nosso relacionamento.

You make me feel so divine

(Você faz eu me sentir tão divino)

Your soul and mind are entwined

(Sua alma e mente estão entrelaçadas)

Before you I was blind

(Antes de você eu era cego)

But since I've opened my eyes

(Mas depois eu abri meus olhos)

And with you there's no disguise

(E com você não há disfarce)

So I could open up my mind

(Assim eu poderia abrir a minha mente)

Ele parou de cantar, me olhando um pouco preocupado e secando uma lágrima em meu rosto. Eu não tinha a percebido, mas infelizmente ele sim.

– Você está bem?

– Tô sim. Eu nem sei por que estou chorando.

– Quer falar sobre isso? — Ele pegou em minha mão novamente.

– Talvez mais tarde. Vai passar a noite?

– Se eu puder, claro que sim.

Apenas sorri para ele. Eu queria que ele continuasse tocando, queria que ele continuasse tocando, que continuasse olhando para mim, como se nada de ruim tivesse acontecido. Como se fosse uma tarde qualquer, de um sábado qualquer. Como se não houvesse brigas, humilhação, lágrimas, medo, responsabilidades... Como se fosse apenas eu e ele.

E, como se ele tivesse lido minha mente, voltou a tocar a mesma música, de onde havia parado, e piscou para mim, com um sorriso estonteante em seus lábios finos. O que eu não daria para ver aquele sorriso todos os dias? Duas perfeitas fileiras de dentes brancos, lábios rosados, que combinavam com o tom bronzeado de sua pele, as duas covinhas que enfeitavam seu rosto... Ah, Sam.

SAM’S P.O.V.

Dean não estava bem. Estava longe disso.

Mas achei melhor não tocar no assunto. Apenas perguntar se está tudo bem para mostrar interesse, mas ambos sabemos que não falaremos sobre isso por um tempo. Porque por trás desse jeito de “eu já estou acostumado com toda essa merda” dele, há um rapaz machucado e carente e sem esperanças.

Me preocupei quando o vi chorando, pois não achei que demoraria tão pouco tempo para isso acontecer. Mas acho que ele nem percebeu as lágrimas escorrendo por seu rosto. Ele disse que falaríamos sobre o que houve depois, e entendi o recado. Dean provavelmente queria que eu voltasse a cantar, como se não houvesse nada de errado.

E eu farei tudo o que ele quiser, até ele se sentir melhor. Estou aqui por ele.

Seus olhos verdes me encaravam enquanto eu cantava. Essa parte da música era um pouco mais rápida, então tive que olhar para o braço do violão para não errar as notas, mas assim que voltou ao ritmo normal, olhei para ele. Ele sorria levemente para mim e fiz questão de dar ênfase a essa parte da música. Porque quando eu a cantava, estava dizendo a mais pura verdade.

I always loved you from the start

(Eu sempre te amei, desde o início)

But I could not figure out

(Mas eu não consegui entender)

That I had to do it everyday

(Que eu tinha que fazer isso todos os dias)

So I put away the fight

(Então eu coloquei a luta de lado)

Now I'm gonna live my life

(Agora, vou viver a minha vida)

Giving you the most in every way

(Me entregando em todos os sentidos)

E, quando cheguei ao refrão novamente, Dean cantou comigo. E a sua voz era maravilhosa. Deus! A voz desse garoto é indescritível. É rouca e intensa e, incrivelmente, máscula. Imagino quando ele vai parar de me impressionar.

Imagino se vai haver um dia em que eu não me apaixone cada vez mais por Dean Warner.

I belong to you

(Eu pertenço a você)

And you

(E você)

You belong to me too

(Você pertence a mim também)

You make my life complete

(Você faz minha vida complete)

You make me feel so sweet

(Você faz eu me sentir tão doce)

Parei de tocar e sorri para ele.

– Você é melhor do que me disse que era – Dean disse.

– Obrigado – Me senti um tanto envergonhado, mas modéstia a parte, eu era bom – Sua vez.

– Ah, não – Ele desviou o olhar e passou a mão pelos cabelos — Canta outra para mim.

– Eu canto se você cantar.

Ele suspirou e pegou o violão de minhas mãos.

– O que quer ouvir?

– O que quiser cantar – Eu falei com a voz baixa.

Dean fechou os olhos por um momento. Ele parecia triste, mas fiquei quieto, apenas aguardando. Suspirou novamente e começou a tocar. Meu coração falhou uma batida ao perceber que música que era.

Sua voz era doce. Era, sem dúvidas, a coisa mais bonita que eu já ouvi em toda a minha vida. E também seria uma das cenas mais bonitas, se não fosse pelas lágrimas que agora escorriam por seu rosto.

Me aproximei dele, sentando-me mais perto no sofá. Coloquei uma mão em sua perna e beijei seu rosto. Ele não parou de cantar, nem desafinou uma só vez. Algumas pausas foram necessárias para ele se recompor. Era uma música deprimente até, e eu senti vontade de chorar. Droga, eu estou com vontade de chorar desde que toda essa bagunça começou. Mas eu não faria isso na frente dele. Ele precisava de mim.

Eu sabia como ele estava se sentindo. Sentia-se cansado, humilhado, machucado, como se fosse cair a qualquer momento. Como se não suportasse o próprio peso, ainda mais com tudo que aconteceu. Ele se sentia triste e indignado e furioso. Injustiçado pela vida. Desiludido por suas crenças e esperanças. Porque nada do que houve fez sentido. Porque ele sabe que, no fundo, não merece isso. Ou talvez porque ache que sim.

E podem me perguntar: “Como você sabe tudo isso?”. Bem, é como eu me sinto. Então, é, eu meio que sei pelo que ele está passando. A diferença é que eu aprendi a priorizar meus pensamentos. E o mais importante aqui é Dean. Só Dean.

A música acabou e ele colocou o violão em cima da mesinha de centro, olhando para mim com os olhos vermelhos. Seus lábios tremiam, assim como suas mãos e lancei um olhar solidário a ele.

– Vem aqui – Sussurrei e segurei seu rosto entre minhas mãos, beijando sua testa e secando as lágrimas que umedeciam sua pele.

– Eu to bem, Sammy – Dean disse, num fio de voz.

– Pode até ser, mas eu não estou.

Continua...

Notas finais
Foi um capítulo curtinho e fofo e o próximo vai ter bastante coisa. Deixa eu só fazer uma pergunta, podem me responder nos comentários. Vocês tem que escolher entre o Clark e a Jo. E, baseado nas respostas de vocês, vou construir o próximo capítulo. Vocês vão entender depois. Enfim, espero que tenham gostado bastante e até a próxima meus amores! Beijackles e Padakisses ♥