Chances
49 Alguma coisa para mim.
Notas iniciais
Dean abraçava Sam, procurando motivos para não chorar, para não se entregar a esse sentimento de humilhação e medo.
Sim, medo.
Medo porque ele não sabia o que iria acontecer, não sabia como seriam as coisas na escola, não sabia o que houve com seus pais, não sabia o que sua mãe havia conversado com a senhora Winchester. Não sabia de nada... E isso o apavorava. Sem falar que também não sabia como Sam estava.
O moreno não estava com uma aparência tão ruim quanto a de Dean. Ele parecia preocupado, mas nada mais grave do que isso. Se não fosse por suas palavras, Warner nunca teria suspeitado de que havia algo errado com ele.
Pode até ser, mas eu não estou...
Ele não imaginou que um dia ouviria Sam dizer palavras como estas. Dizer que não está bem, mostrar fraqueza e sensibilidade. Claro que o moreno era romântico e tudo, mas é o Sam! Quando foi que esse garoto se mostrou fraco? Nunca!
– Temos que conversar, não é? – Dean perguntou baixinho, separando o abraço e segurando o rosto do moreno em suas mãos.
– Não, se você não quiser.
– Eu não sei o que dizer.
– Sei como se sente – Sam sorriu levemente e depositou um leve beijo nos lábios grossos de seu namorado.
Ambos suspiraram. Sentados um do lado do outro, nenhum dos dois disse nada por um bom tempo.
– Eu encontrei com o Nick ontem – O loiro falou, sem olhar para Sam.
– O professor Pellegrino?
– Sim. Eu saí de casa ontem e fui até a escola. Não sei muito bem quanto tempo eu fiquei lá, mas ele ficou até escurecer na sala dele. Acabei entrando e conversamos.
– Ele disse algo que possa ajudar? – Sam perguntou.
– Ajudar em que?
– Qualquer coisa que possa fazer você se sentir melhor.
– Não, mas ele não falou muito, de qualquer maneira – Warner suspirou – Eu que fiquei gritando com ele.
Sam não respondeu, apenas afirmou com a cabeça. Ele parecia distraído, pensativo demais.
– O que está acontecendo comigo, Sammy?
– Não é por nada, mas eu me perguntei a mesma coisa ontem. Eu não sei o que... Esquece. Como está se sentindo?
– Com raiva – Dean disse entre dentes.
– Obviamente — O Winchester rolou os olhos.
A campainha tocou e o loiro passou a mão pelos cabelos antes de se levantar e ajeitar sua camisa para abrir a porta. Eles poderiam continuar essa conversa depois.
Cumprimentou Tish rapidamente e deu um forte abraço em Jo antes de dizer para elas entrarem.
– Oi, linda. Como vai? — Ele colocou uma mão no rosto alvo da loira, lhe fazendo um carinho.
– Melhor — Ela sorriu levemente — Oi, Sam.
– Oi, Jo — O moreno se levantou e andou até as meninas — Oi, T.
– E aí, Sam — A ruiva sorriu e se sentaram no sofá.
Ficaram em silêncio por um tempo, todos eles. Tish e Jo de mãos dadas, Harvelle parecia pensativa, enquanto a ruiva desenhava figuras abstratas na mão da outra de modo distraído. Dean e Sam evitavam se olhar. O loiro sabia que a "primeira briga" deles viria logo, logo. Mas ele tinha que fazer aquela ser uma reunião de amigos agradável, tinha que agir como se não tivesse extremamente incomodado pelo comentário anterior de seu namorado.
– Estão com fome?
– Não, acabamos de almoçar, obrigada — Tish respondeu — De quem é o violão?
– É meu — O moreno disse, tentando sorrir.
– Esqueci que você tocava. Você toca também, não é, Tish? — Jo perguntou, sentando-se mais perto da garota.
– Sim, fiz aulas por algum tempo.
– Toca alguma coisa — Dean sugeriu, também sorrindo levemente agora.
– 'Tá, claro. O quê? — A ruiva pegou o violão e checou se estava afinado.
– Alguma coisa para mim — Jo sorriu mais abertamente agora, aquecendo o coração da garota.
Ela começou a dedilhar as cordas com um sorriso leve no rosto, olhando para sua mão esquerda que compunha as notas, mas antes de começar a cantar, olhou para todos que estavam na sala.
– Eu sei tocar, cantar é outra coisa. Então ignorem, ok?
Então, finalmente, a música começou. Sua voz não era nem de longe tão boa quanto a dos meninos, mas pelo menos não desafinava. Jo não sabia se era por que estava gostando muito da ruiva, mas a voz dela era como a voz de anjos aos seus ouvidos. E não conseguiu parar de sorrir ao perceber que música era.
So long
(Por tanto tempo)
I've been looking too hard, I've waiting too long
(Eu tenho procurado tanto, esperando há tanto tempo)
Sometimes I don't know what I will find
(Às vezes eu não sei o que vou encontrar)
I only know it's a matter of time
(Apenas sei que é questão de tempo)
When you love someone
(Quando você ama alguém)
When you love someone
(Quando você ama alguém)
It feels so right, so warm and true
(Parece tão certo e verdadeiro)
I need to know if you feel it too
(Preciso saber se você sente o mesmo)
– Até que ela não canta mal — Sam sussurrou para o loiro, passando um braço por seus ombros.
– Verdade — Dean também falou baixo.
– Desculpa por quase começar uma briga. Não é justo depois do que você passou.
– Você também passou por isso. Eu que peço desculpas por estar agindo diferente. Eu não sei o que está acontecendo comigo — Warner depositou um beijo na bochecha do moreno — Depois falamos sobre isso.
– Tudo bem.
Maybe I'm wrong
(Talvez eu esteja errada)
Won't you tell me if I'm coming on too strong?
(Você me diria se eu estivesse forçando a barra)
This heart of mine has been hurt before
(Esse meu coração já foi machucado antes)
This time I wanna be sure
(Dessa vez quero ter certeza)
– Eu amo você — Dean sussurrou e pegou na mão de Sam.
Tish fez a pausa que a música exigia e piscou para Jo, que se derretia cada vez mais. Ela era tão linda, talentosa, inteligente, amável... Talvez Jo a amasse também. É, talvez sim.
I've been waiting for a girl like you
(Estive esperando por uma garota como você)
To come into my life
(Entrar em minha vida)
I've been waiting for a girl like you
(Estive esperando por uma garota como você)
A love that will survive
(Um amor que vai sobreviver)
I've been waiting for someone new
(Estive esperando por alguém novo)
To make me feel alive
(Para fazer eu me sentir viva)
Yeah, waiting for a girl like you
(É, esperando por uma garota como você)
To come into my life
(Entrar na minha vida)
A música parou quando ouviram o som da porta da frente se fechando. Ellen olhou para os adolescentes em sua sala de estar e sorriu.
– Oh. Olá, crianças.
– Olá, Sra. Warner — Sam se levantou para abraçar a jovem senhora. Dean achou estranho, mas lembrou-se de que sua mãe havia conversado com Mary... Só deus sabe o que saiu daquela conversa.
– Oi — Tish e Jo disseram ao mesmo tempo, também se levantando para cumprimentá-la.
– Podem continuar com a música de vocês, não vou atrapalhar – Ellen tentou ser simpática, novamente surpreendendo Warner – Estão com fome?
– Não, obrigado – Sam sorria simpaticamente e a senhora piscou para ele.
– Bom, vou subir para descansar um pouco. Se precisarem de mim é só me chamar – Ela disse e sem se demorar começou a andar até a escada.
Dean se levantou do sofá e correu até sua mãe, pegando sua mão.
– Está tudo bem? – Ele sussurrou.
– Depois conversamos, querido. Vá se divertir com seus amigos.
Continua...
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