Chances
16 Envergonhado.
Notas iniciais
Enjoy ;D
- WARNER! – Adam gritou quando viu o loiro saindo do colégio.
Dean apenas parou de andar. Ele respirou fundo, se preparou psicologicamente para qualquer coisa que pudesse acontecer e olhou para o loiro.
- Oi, Adam – Ele o cumprimentou com um fraco sorriso que desapareceu assim que viu os olhos de Milligan.
Eram olhos furiosos, que o céu nublado apenas acentuou o sentimento que Adam expressava. Olhos que poderiam ser comparados facilmente com os de um tigre; focados, presos à uma única coisa, à um único objetivo. Os olhos mais assustadores que Dean já teve que encarar.
O medo tomou conta dele. Não seria só alguns socos, Dean sabia disso. Ele conseguia ver a vingança exalando pelo rosto de Adam. Talvez ele tivesse ficado sabendo do beijo, talvez ele achasse que Jo terminara com ele por causa de Dean, talvez Sam tenha dito algo ou talvez seja algo maior. Mas isso realmente não importava. Não agora.
Pela primeira vez, Dean teve certeza de que não havia escapatória, não adiantaria fugir, ou implorar, ou se desculpar. Pois ele não o ouviria.
- Vem comigo – Adam o pegou pela manga da blusa e praticamente o arrastou até uma rua, ainda perto da escola, a rua estava vazia, perfeita para o show que Adam daria nos próximos minutos.
Milligan jogou Dean no chão e chutou sua mochila para longe dele, depois começou a rir. Não era uma risada escandalosa, nem de felicidade, era o simples e puro desprezo. Enquanto Dean apenas o olhava, assustado, com os olhos arregalados.
- Não vai dizer nada, Warner?! – Adam avançou um passo.
Dean tentou, mas nenhum som saiu de sua boca.
- Vamos! Não há nada que queira confessar? Nada que queira me contar?
- Do que você está falando, Adam? – Dean falou num tom baixo, mas alto o suficiente para o loiro ouvi-lo.
- Jo.
- Jo? O que tem a Jo? – Dean se fez de idiota. Mas queria saber o que Adam ACHAVA que teria acontecido entre os dois.
- Você a roubou de mim, Dean – Adam riu novamente – E ainda tem a cara de pau de me olhar nos olhos e fingir que não sabe do que eu estou falando.
- Eu não a roubei de você – Dean se levantou – E mesmo se eu quisesse, como eu faria isso? Sou só um nerd idiota e você é o cara mais popular da escola. Como eu faria isso, Adam?
Dean tentava falar suavemente, tentando colocar alguma razão na cabeça dura do loiro que continuava o encarando com aqueles mesmo olhos.
- O que ela viu em você, eu realmente não sei. Mas o fato é que agora ela está estudando com você e me tratando como lixo, alguma explicação para isso, Warner?
- Quem te contou isso?
- Sam descobriu e veio me contar. Sério, Warner? Você achou que poderia roubar a minha garota e sair impune dessa?
- Sam? – Sam... Dean achou que ele tivesse mudado, pelo menos um pouco. Aparentemente, estava enganado.
- Não vai falar nada?
- Eu não roubei a sua garota. Digo, ela pode até gostar de mim, mas eu juro pela minha vida que eu não quero nada com ela. Nada, acredite em mim – Dean implorava com os olhos.
- Não é sobre isso que eu estou falando, Dean. Não estou bravo porque ela gosta de você, mas sim porque todos acham que você a roubou de mim. Agora, não importa se isso realmente aconteceu, ou não, o que importa é que ela não está mais comigo e anda estudando na sua casa. Você tem ideia do quão humilhado eu me sinto?
- E-Eu... Não, não é minha culpa, você não pode descontar isso em mim.
- Eu posso fazer o que eu quiser. E eu vou.
Adam levantou seu braço e num segundo, Dean já estava com uma vermelhidão familiar em sua bochecha esquerda. O golpe latejava, tanto no rosto de Warner quanto no punho de Adam. E ele proferiu outro soco. E depois mais um. E outro, e outro, e outro.
Dean estava no chão, com o rosto inchado, alguns gemidos de dor saindo pela sua garganta. Seus olhos imploravam por misericórdia, mas Adam não parou. Levantou-o pelo colarinho e proferiu mais um soco em sua boca, que já estava sangrando.
- Adam... Por favor, para.
- Você. Me. Humilhou. Warner – A cada palavra, Dean recebia um ou dois socos, seguidos por chutes na barriga. Sempre que caía, Adam o levantava, dizia que não tinha acabado, mas sim, apenas começado.
O rosto de Adam estava vermelho, assim como seus punhos. Não se pode dizer que Adam estava fazendo isso só pela vingança. Ele gostava do poder. Gostava de estar no controle da situação e isso era o que mais irritava Sam; o que mais machucava Dean.
A cada golpe, Dean conseguia sentir o gosto metálico em sua boca e o ardor nos cortes em sua bochecha. Lágrimas escorriam de seus olhos, enquanto ele implorava por um pouco de piedade, mas Adam não o ouvia, não parava nem por um segundo. Era como se ele estivesse descontando no loiro, todas as suas frustrações, o que não era justo.
Se Dean tivesse ao menos uma chance de escapar... Mas a mão esquerda de Adam segurava forte sua camisa e suas pernas estavam fracas por conta dos chutes e joelhadas que tomara nas coxas.
Era uma cena horrível.
E finalmente, Adam se cansou. Jogou Dean no chão e deu mais um chute em sua barriga, antes de olhar com desprezo para o loiro que jazia no chão.
- Nunca mais mexa com meu orgulho, Warner. Ou você vai se arrepender ainda mais – Um sinistro sorriso cresceu em seus lábios finos. Ele passou a mão pelos cabelos, arrumando-os e foi embora, deixando o garoto jogado no chão.
Com o rosto inchado e latejante e uma dor que tomava conta de todo seu corpo, Dean se levantou, pegou sua mochila e pegou o caminho mais longo para casa. Quando chegou na grande casa, foi para seu quarto e jogou a mochila em sua cama. Andou até o banheiro, rezando para que seu rosto não estivesse muito machucado, pois não queria inventar uma desculpa para seus pais.
Mas realmente estava feio. Dava agonia olhar para o rosto do pobre garoto. Boca, bochechas e sobrancelhas cortadas. Lábios e olhos inchados. Cabelo bagunçado e roupa amassada. Lágrimas que escorriam por seu rosto sem permissão, deixando uma leve ardência por onde passavam.
O pior de tudo não era a dor que Dean sentia fisicamente, mas a dor psicológica. Por quase dois meses ele achou que Sam talvez não fosse tão ruim assim. Achou que talvez ele fosse como Jo, que só fazia o que era necessário para sobreviver naquela selva. Mas estava enganado. Ele era um canalha, imbecil, egoísta, selvagem, estúpido, ignorante, narcisista que não pensa em absolutamente ninguém a não ser ele.
Não estava bravo, nem decepcionado. Estava envergonhado. Envergonhado por sorrir ao pensar nos bons momentos com ele, envergonhado por pensar que aquele rapaz tivesse mudado com ele, envergonhado por retribuir ao seu beijo e ainda querer saborear novamente aqueles lábios. Envergonhado de ter acreditado.
Lavou o rosto, ignorando a ardência em seus cortes e foi se deitar, na esperança de que, quando seus pais chegassem, ele já estivesse melhor.
Continua...
Notas finais
Espero que tenham gostado *-*
Beijackles e Padakisses ♥
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