Chances

17 Estava enganado.


Notas iniciais
Bom, acho que só a leitora Sun viu o meu erro kkkk eu postei há alguns minutos com os nomes errados dos personagens. Acabei de voltar do almoço e já os corrigi.
Espero que gostem ^^

Escola. Um lugar que nos ensina tanto, não é? E não só sobre matérias do vestibular, ensina muito sobre a vida. E esses ensinamentos dependem das pessoas que estão na escola. Há o tipo de estudante que é popular, bonito, arrogante e consegue tudo o que quer. Há aquele outro tipo que acha que escola é como se fosse uma segunda casa e se sente muito bem lá. Há alunos que sentem como se a escola fosse a sua única casa, pois o clima não é muito bom em seus verdadeiros lares. E há o Dean. Que não ama, mas não odeia a escola. Não se sente em casa e nem tem repulsa a ela. Não é popular, mas todos o conhecem...

Quem o vê com o familiar sorriso nos lábios enquanto assiste a uma aula de literatura, pensa que sua vida é um sonho. Quem dera, não é?

Ainda com o rosto um pouco inchado e um corte fino em seu lábio e sua bochecha, Dean foi para a escola. Na primeira aula, descobriu que dois de seus professores foram despedidos e eles teriam que ficar os próximos três horários com outra turma e todos assistiriam à uma mega-aula do professor Pellegrino. Três aulas de literatura. Três aulas ao lado de Sam.

É claro que isso iria acontecer. Por que a vida daria a ele uma folga agora? Após o término da primeira aula, Dean foi até seu armário e pegou o material que utilizaria pelo resto do período escolar. Um livro e um caderno. E muita paciência.

Quando chegou à sua sala de aula, o professor Pellegrino lhe disse que houve uma mudança de planos. A turma que ficaria com eles foi transferida para a aula de biologia, mas eles ainda teriam as três aulas. Dean apenas afirmou com a cabeça, indicando que havia entendido e foi até o seu lugar. Colocou os fones de ouvido e ficou encarando o vazio, perdido em seus pensamentos.

E, em seus pensamentos, tudo o que havia era Sam Winchester. Por que o moreno teria feito aquilo? Por que ele pediria para Dean se aproximar de Jo, ajudá-la a melhorar suas notas e depois contar tudo ao Adam? Qual foi o motivo? Não fazia sentido algum.

Sem falar que os sentimentos que o loiro nutria por Sam estavam um pouco diferentes. Ontem era vergonha, hoje era frustração. Talvez até raiva ou ódio. Porque ele sempre soube que Sam era um valentão que gostava de se sentir superior e faria qualquer coisa para qualquer um para conseguir o que quisesse. Mas Dean achava que ele se importasse com suas ações e o que elas poderiam causar. Achava que ele se importasse com outras pessoas e não só com ele. Como naquele dia em sua casa... Sam agiu como se o que Dean lhe pediu importasse, se comportou, não fez nenhum comentário mais abusado e até sorriu verdadeiramente para o loiro.

Dean se enganou, não foi? Sam não se importa com ninguém. Talvez nem com ele mesmo. Por que se importaria com o bem estar de Warner?

O loiro suspirou e olhou para a porta. Lá estava ele, com sua camiseta justa e calça jeans escura. Olhando para todos com o mesmo ar de superioridade de sempre. Quando viu que Dean estava sentado em seu lugar, sorriu e foi até lá, sentando-se ao seu lado.

- O que aconteceu com o seu rosto? – Sam perguntou, espaçoso como sempre.

Dean não respondeu. Apenas olhou com ódio para Winchester e voltou a encarar o chão frio da sala.

- Não vai me responder? – O moreno perguntou indignado.

- É melhor que eu não responda, Sam – Seus olhares se encontraram novamente e Sam ficou tentando desvendar a expressão nos olhos claros do loiro.

- Nossa, estamos um pouco irritados hoje, não? – Winchester debochou.

“Adam deve ter contado que fui eu que disse aquilo sobre a Jo... Idiota, não sabe nem dar uma surra em alguém sem fazer besteira”. Sam sentou-se direito e colocou os fones de ouvido também, olhando de vez em quando para o rosto machucado do loiro.

Winchester estava arrependido. Claro que isso nunca foi o suficiente para arrumar alguma situação, mas a culpa o corroía por dentro. A verdade é que ele passava tanto tempo tentando parecer o valentão, o pegador, o cretino, que às vezes ele agia dessa forma sem se dar conta. E depois quebrava a cara, porque nunca teve a real intenção de magoar ou machucar alguém.

Não deveria ter provocado Adam. Não deveria tê-lo feito pensar que isso tudo foi culpa do Dean... Na hora da raiva, da decepção e da frustração, Sam esqueceu que para o seu plano acontecer do jeito que imaginava, Adam teria que saber que foi sua culpa. Era para Adam vir enfrentar Sam, não Dean. E o moreno vê isso agora... Tarde demais.

Winchester olhou mais uma vez para o loiro. Seu rosto estava com pequenos cortes e inchado em algumas partes. Os olhos verdes de Dean, sempre escondidos por aqueles óculos, eram fixos em um único ponto no chão. Olhos tristes e pensativos acompanhavam um rosto sem expressão. Era impossível saber no que ele estava pensando e Sam nem imaginava o quão desapontado Dean estava.

O professor começou a falar quando o último aluno entrou ao bater o sinal. Resumiu tudo o que haviam lido nesses últimos meses e a transação de uma escola literária para outra. Ambos Dean e Sam tiraram os seus fones de ouvido e voltaram a sua atenção ao professor.

- E o que podemos tirar dessa história em particular? O que aprendemos ao ler essa obra? – Pellegrino perguntou, olhando para seus alunos – Qual a lição? Aprendemos que o amor mata? Ou que devemos ser fortes e insistir nas coisas que acreditamos? Aprendemos que devemos desistir de lutar? Ou que os valores, mesmo os mais antiquados, devem ser guardados para sempre? Quero que me respondam isso, qual a lição?

Os alunos continuaram em silêncio. Tão quietos que Sam conseguia ouvir alguns suspiros das garotas, uma música que estava muito alta em um fone de ouvido e a respiração pesada de Dean. Olhou para o loiro novamente, mas não tinha coragem – ou a cara de pau – de fazer algum comentário. Não tinha vontade de importuná-lo.

- Vamos aproveitar que temos três aulas hoje e vou passar um trabalho. Esse trabalho será para daqui há um mês. Um trabalho para casa, no qual vocês vão ficar com seu respectivo parceiro nas aulas e montar algo. Pode ser um cartaz, um banner, um texto, uma encenação, uma música... Enfim, qualquer forma que vocês achem de expressar o tema que é aquela pergunta que eu fiz para vocês. Qual é a lição que tiramos disso tudo?

- Tem que ser em duplas? – Dean levantou o braço e perguntou, olhando nos olhos do professor — Sempre trabalhei melhor individualmente.

Quando Dean disse isso, Sam virou seu rosto, buscando o olhar de Dean. Não conseguia decifrar se era raiva, ódio, ou se só estava triste por ter apanhado de Adam. Ele precisava saber, mas não perguntaria. Pelo menos, não agora.

- Sim, Dean. Eu até pedi para a direção me deixar passar o trabalho para fazer individualmente, porque eu queria ver o cada um realmente entendeu, mas eles não deixaram. Desculpe. Mas acho que vai ser bom para você e o jovem Winchester, você pode ajudá-lo muito.

- Tudo bem, professor. Eu entendo – Dean tentou um sorriso, mas não conseguiu mantê-lo e olhou para o moreno. Sam sentiu seu coração pesado. Era como se uma âncora estivesse o arrastando para fora de seu corpo. Ele sentiu a dor presente na voz de Dean e algo familiar em seus olhos verdes.

- Sinto muito – Sam começou a dizer e viu o rosto do loiro mudar completamente, ele estava surpreso – Por você não conseguir se livrar de mim tão facilmente.

- Tá, não é culpa sua – Dean respondeu, um pouco desapontado e voltou a olhar para o professor. Será um longo dia...

O moreno revirou os olhos. E levantou um dos braços.

- E o que temos que fazer para hoje?

- Eu vou passar na lousa para vocês copiarem, Sam – Pellegrino sorriu – Pode ficar tranquilo, vai dar tempo de fazer tudo até o final do período escolar.

- Tudo bem.

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- Na sua casa ou na minha? – Sam perguntou assim que a segunda aula terminou.

- O quê? – Dean olhou para o moreno, com a expressão entediada.

- O trabalho, Romeu e Julieta, na sua casa ou na minha?

- Eu prefiro na minha, se não se importar.

- Tudo bem – Sam sorriu para aliviar a tensão.

Dean voltou sua atenção à seu caderno e ficou rabiscando coisas sem sentido, fazendo de tudo para ignorar Winchester.

- Por que você está bravo comigo? – Sam perguntou – Digo, o Adam que te bateu, eu não fiz nada para você, pelo menos não nos últimos dias.

- Ah, você não fez nada? – Dean riu – Então você não falou pro Adam que a Jo estava estudando lá em casa? Você não fez ele pensar que eu “roubei” a namorada dele – Ele fez aspas com os dedos – Você não fez nada?

- Está bem. Você quer que eu peça desculpas? Tudo bem, me desculpe – Sam encarava os olhos esmeralda de Dean – Eu não pensei direito e quem acabou pagando foi você. E você pode não querer mais olhar na minha cara, mas você está enganado ao meu respeito. Você vai ver isso algum dia.

- Tudo bem, Sam – Dean revirou os olhos.

- E vamos ser “profissionais”, ok? – Um pequeno sorriso cresceu nos lábios de Winchester – Vamos fazer o trabalho juntos, vamos nos esforçar e vamos impressionar todos aqui. Vamos mostrar do que somos capazes. E eu sei que você quer essa nota tanto quanto eu, então que tal agirmos juntos, cooperando, ao invés de ficarmos brigando toda hora?

- Quem é você e o que fez com Sam Winchester? – Dean perguntou, um tanto surpreso, olhando nos olhos claros do moreno.

- Eu disse que você estava enganado sobre mim. E vou provar.

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado bastante *-*
Beijackles e Padakisses ♥