Chances
68 Chad M. Murray
Notas iniciais
Dean e Clark completaram quatro anos e meio de namoro na semana passada. Assim como Henry e Abbadon. A diferença entre os dois casais, é que um dos dois iria se casar em poucas semanas.
Clark corria de um lado para o outro, acompanhando as madrinhas, tendo certeza de que não faltava mais nada na lista de afazeres. Dean estava sentado, ao lado de Henry, escolhendo a gravata que mais combinaria com o terno. Escolheram uma gravata borboleta prateada.
– Clark! – Dean o chamou – Que tal essa?
– Ela é linda. Mas que tal essa vermelha? Vai combinar com os sapatos e a maquiagem de Abbadon.
– Tem razão – Henry sorriu para o moreno.
– O que eu faria sem você? – Dean perguntou a Clark, puxando-o para um leve beijo.
– Eu também te amo.
Abbadon não estava lá com eles. Estava no aeroporto esperando os padrinhos de Henry e suas respectivas esposas. Eles decidiram que não iriam fazer com que seus amigos se estressassem com todas as coisas a fazer em um casamento, portanto seus padrinhos, madrinhas e damas de honra são todos familiares. Para que Ash, Gordon, Frank, Dean e Clark pudessem curtir a festa.
Mas, como Dean e Henry são inseparáveis, ele se disponibilizou para ajudar. Clark fez o mesmo, pois adorava casamentos.
– Obrigado por me ajudar, Dean.
– Amigo é pra essas coisas.
– Sério, você não precisava fazer nem um terço do que fez por mim. Obrigado mesmo. E você também, Clark. Abbadon estaria perdida sem você.
– Foi um prazer – Clark sorriu.
–--------------------------------------- *** ----------------------------------------
– Sam? – A voz do outro lado da linha perguntou assim que ele atendeu.
– Fala aí, Chad. Não estava com a Maggie?
– Estou. Por sinal, vou passar a noite aqui, ok? Não me espere acordado.
– Tudo bem. Mas o que foi?
– Em cima da bancada da cozinha tem um envelope vermelho, certo?
– Certo – Sam disse, andando até lá.
– Esse é o convite de um casamento para mim e mais uma pessoa. Maggie não vai poder ir comigo. Tá afim?
– Claro, quando vai ser?
– Daqui há algumas semanas – Chad respondeu – Tenho que ir, ok? Pode abrir o convite aí e ver tudo certinho.
– Ok. Valeu, Chad.
– Tchau, Winchester.
Sam pegou o convite e se sentou à mesa para lê-lo. Era um belíssimo envelope vermelho-sangue, no qual se guardava um papel com textura quase cremosa cor de pêssego e letras douradas. Tinha perfume de lavanda... Lembrou-se de Dean novamente, mas logo espantou a ideia.
Era um dos motivos de ele ter terminado com a Lisa. Depois que ele e Bela se separaram, voltou a andar cabisbaixo e ficar sem rumo. Finalmente tinha o dinheiro necessário para a sua faculdade de artes, mas não queria ficar onde estava. Queria ir para outros estados, Washington, Califórnia, talvez até o Texas. Mas ela não estava disposta a se mudar. Apesar de ter gostado muito de fazer as viagens com eles para os shows, se mudar definitivamente para outro lugar era mais complicado.
Além de tudo isso, todas as vezes em que dormiam juntos – com os cabelos com cheiro de lavanda penetrando as narinas e a mente de Sam -, ele sonhava com o loiro. Na maioria das vezes, pesadelos. Mas os sonhos bons eram os piores. Eram lembranças. E ele ficava bravo por ter esses pensamentos depois de três anos sem ver Dean. Depois de decidir deixá-los em paz em Palo Alto, como havia prometido a Clark.
Ficava bravo por não ter conseguido superar essa paixãozinha ridícula do colegial. Aparentemente, era bem mais do que apenas uma paixãozinha.
Então eles terminaram. Sam começou uma faculdade de artes na Califórnia, não muito longe de Stanford, na verdade. E dormiu nos dormitórios da faculdade mesmo, onde conheceu Chad. Ele era um ano mais velho que Sam, repetiu um ano na faculdade por notas insuficientes, mas era um bom rapaz. Era alto – não tão alto quanto Sam -, loiro e tinha olhos donos de um verde claro e sereno.
Esse cara realmente sabia como se divertir.
Se tornaram muito amigos depois de um tempo e, quando começaram a trabalhar, resolveram alugar um apartamento para os dois. E têm vivido assim pelos últimos dois anos. Chad começou a namorar com Maggie, e Sam até teve alguns interesses românticos e/ou sexuais, mas nada além do encontro casual. Todas garotas.
Ele tem pensado muito nisso ultimamente, Dean foi o único garoto que realmente mexeu com ele. Mesmo quando estava com Castiel, não sentia a atração que sentia pelo loiro. Mas com garotas era tudo normal, o que ele sempre sentiu com elas continuava lá. Chad diz que ele é bissexual, e talvez até seja, mas na cabeça de Sam ele gosta de garotas e de Dean.
Só Dean.
Sam guardou o papel cor de pêssego no envelope vermelho e o colocou em cima da bancada novamente, mas quando foi virar para sair da cozinha, uma caligrafia familiar lhe chamou a atenção.
Lia-se apenas “Chad M. Murray” com letras douradas feitas a mão. Uma caligrafia muito – tipo, extremamente – parecida com a de Dean. Mas ele deve estar maluco, certo? Não poderia ser do loiro. O mundo não é tão pequeno assim.
De qualquer forma, ele não iria ao casamento.
Continua...
Fale com o autor