Chances
45 Brave
Notas iniciais
Clark estava paralisado. Observava toda a cena à sua frente sem conseguir dizer ou fazer nada. As lembranças do que ocorreram com ele fervilhavam em sua mente, enquanto ele via o Winchester guiar Dean, o mais rápido o possível, para longe de todos.
Alguns dos adolescentes seguiram atrás de Sam, curiosos, querendo saber o que eles fariam a seguir, enquanto outros permaneceram onde o pôster estava, encarando Clark com cochichos e risadinhas.
– O que vocês estão olhando?! – Clark disse num tom ríspido, com medo de se sentir da mesma forma que se sentiu no passado.
Não obteve resposta das pessoas à sua volta, que aos poucos se dispersavam, deixando-o sozinho por fim. Ele não permitiu que as lágrimas escorressem por seus olhos. De novo não. Não pelo mesmo motivo. Ele sabia o que Dean estava sentindo agora e sentiu inveja. Inveja porque Sam estava lá pelo loiro, de uma forma que David nunca esteve por ele.
You can be amazing
(Você pode ser maravilhoso)
You can turn a phrase into a weapon or a drug
(Você pode transformer uma frase em uma arma ou uma droga)
You can be the outcast
(Você pode ser o excluído)
Or be the backlash of somebody’s lack of love
(Ou ser a repercurssão da falta de amor de alguém)
Or you can start speaking up
(Ou você pode começar a falar por si)
E estava preocupado.
Num momento de raiva, arrancou o grande pôster da parede e o rasgou em vários pedaços, se assustando com o som que saiu da sua boca ao fazê-lo.
Quando olhou em volta, viu Jo e Tish paradas, encarando-o com os olhos bem abertos. Elas também pareciam assustadas e a ruiva se pôs logo a ajudá-lo a pegar os pedaços de papel que enfeitavam o chão da escola.
– Clark... – Tish sussurrou seu nome, vendo a parte do pôster que mostrava os dois rapazes se beijando – Você está bem?
Jo se aproximou lentamente, colocando uma mão no ombro de Kent, que se virou instantaneamente para abraçá-la. Ele não chorou e a rigidez de seu corpo não relaxou nem por um segundo, mas ele se sentiu melhor. Era bom tê-la por perto.
Tish estava sentada no chão observando os dois amigos. Sentiu-se mal ao se lembrar de David e só agora pensou em Dean e Sam também. Será que seu primo estaria bem?
–--------------------------------------- *** ----------------------------------------
– Dean, você está bem? – Sam estava muito preocupado, pois não havia conseguido nenhuma palavra do loiro até agora, enquanto andavam pelos corredores da escola, em direção ao portão de saída.
– Achou que sairia impune, Dean?! – Eles ouviram a voz de Adam gritar atrás deles – Roubou minha namorada, me humilhou na frente de todos e transformou meu melhor amigo em um viado de merda. Achou que eu ia deixar barato? – Ele continuou assim que alcançou os meninos.
Dean o encarava com um olhar machucado, enquanto segurava a mão de Sam. Estava se controlando muito para não se jogar no pescoço daquele idiota e matá-lo com as próprias mãos. O toque do moreno o acalmava, mas não sabia por quanto tempo seria suficiente.
– Você não me engana, Warner. Não adianta me olhar com essa cara de vítima, porque você sabe muito bem que toda essa merda que está acontecendo é culpa sua.
– Cala a boca, Adam – Sam trincou os dentes – Estou te avisando.
– Ah, Sammy. Eu não me ameaçaria se fosse você. Viu o que posso fazer, e vou fazer mais se não conseguir um pouco de respeito de vocês – O loiro disse com um ar superior.
– O quê, Milligan? – O Winchester provocou, fuzilando-o com os olhos – Colar fotos por aí? Isso é fraco. Sinceramente esperava mais de você.
– A minha bronca não é com você, Winchester. Você já teve o que mereceu, agora vou falar com o seu namoradinho. Olha para mim, Dean – Adam ordenou e o loiro o fez, apertando a mão de Sam – Como se sente por ter arruinado a vida de tanta gente?
Os batimentos do Warner aumentaram. O suor escorria por sua testa e sentia uma vontade enorme de vomitar.
– Jo perdeu um ótimo e promissor namorado, Clark voltou a ser o assunto da escola, Sam perdeu tudo. E pelo quê? Comer sua bunda todas as noites não me parece um bom motivo – O Winchester respirou fundo, tentando se controlar também. O coração de Dean se partiu ao meio ao ouvir aquelas palavras — Mas aposto que você gosta, não é? Depois de apanhar tanto ao longo dos anos, você gosta do que aconteceu. Gosta de que, de repente, o mundo gira em torno de você – Adam deu uma pausa em seu monólogo com um sorriso sacana – Mas não é assim que as coisas funcionam por aqui, Dean. As coisas funcionam da minha maneira. Não de um maldito nerd quatro olhos viadinho, que só sabe fazer mal às outras pessoas. Você é uma doença, uma bosta de um câncer que destrói tudo a sua volta. Não sei como se aguenta.
Nothing’s gonna hurt you the way that words do
(Nada vai te machucar da forma que as palavras fazem)
When they settle ‘neath your skin
(Quando elas se instalam sob a sua pele)
Kept on the inside and no sunlight
(Guardadas em seu interior, sem a luz do sol)
Sometimes a shadow wins
(Às vezes uma sombra ganha)
But I wonder what would happen if you
(Mas eu me pergunto o que aconteceria se você)
– SEU DESGRAÇADO! – Dean rugiu e soltou a mão de Sam, praticamente pulando em cima de Adam.
Milligan conseguia ver o ódio presente nos olhos do loiro e se assustou. Ficou realmente com medo e não conseguiu deixar de demonstrar.
– Eu não preciso ouvir essa merda toda! – Dean continuou gritando e deu um soco forte no rosto do loiro que estava caído no chão. Warner ficou em cima de Adam, o peso de seu corpo dificultando a respiração do outro, enquanto proferia vários socos, deixando marcas avermelhadas na pele alva – Você acha que eu não sei de tudo isso?!
– Dean, se acalma! – Sam tentou o tirar de cima de Adam, mas recebeu um olhar repreensivo.
– Fica fora disso, Sam – O loiro falou sério e voltou a olhar para o garoto preso entre suas pernas – Você não precisa me dizer o tamanho do estrago que eu causei! – Mais um soco – Eu sei de tudo o que eu fiz e estou fazendo! – E mais um – E eu não preciso ouvir essa merda! Eu não preciso! Eu não mereço isso! Vocês dois fizeram da minha vida um inferno por muito tempo, seu desgraçado!
– Sai de cima de mim!
– Eu não acabei! Quem você pensa que é, Adam?! Você é um nada, não passa de um nada! É culpa sua se você perdeu a namorada e se nem seu amigo te suportava mais! Agora não vem me dizer que eu falhei com todos com quem eu me importo, porque eu não preciso disso!
Assim que terminou de falar, Dean voltou a socar o loiro. Após alguns golpes, ele já estava quase inconsciente.
– Dean! Chega, você vai matá-lo – Sam colocou uma mão no ombro do loiro que voltou à realidade.
Warner olhou nos olhos do moreno procurando alguma coisa. Procurando por perdão, resignação, segurança... E encontrou tudo isso. Logo se pôs a chorar, saindo de cima de Adam e se aconchegando nos braços fortes de Sam. A dor em sua mão nem se comparava com a dor que sentia por dentro. Ele realmente acreditava nas palavras ditas por Milligan.
– Eu te amo – Sam sussurrou, apertando o abraço.
Ele nunca viu Dean daquele jeito e ficou preocupado. Mesmo da outra vez em que ele bateu em Adam, não ficou com essa aparência. Tão sofrida, tão ferida, tão abalada. Dean parecia cansado.
Estava cansado de todas as coisas ruins a sua volta, as implicações, os segredos, as mentiras, a pressão de ser alguém que não é e o medo do que pode acontecer se você for quem realmente é. Sam não entendia como ele estava se sentindo. Ninguém entenderia. Talvez o Clark.
– Sinto muito, Sammy — Dean respondeu tentando limpar as lágrimas — Sinto muito.
– Shh — O moreno passou a mão pelos cabelos curtos do Warner, tentando acalmá-lo — Não tem o que se desculpar. Vai ficar tudo bem.
– O que aconteceu aqui?! — Naomi, a diretora da escola, perguntou com a voz grave.
– Essas bichas partiram para cima de mim — Adam disse e Dean ficou pálido.
Só agora perceberam que alguns dos alunos de antes viram a cena toda. E aparentemente um deles chamou Naomi.
– Alguém leve Milligan para a enfermaria. Warner, Winchester, na minha sala. Agora.
– Ai meu deus – Dean estava com falta de ar a se afastou de Sam para conseguir respirar – Se ela chamar meus pais – O loiro se apoiou na parede, tentando se controlar – Eu to ferrado.
– Dean, você está bem?
– Só me dá um minuto – Warner fez um sinal para que o moreno ficasse onde estava e ficou repetindo para si mesmo – Vamos, respira. Só respira, Dean.
Algum tempo depois, Sam se aproximou e o envolveu em um breve abraço dizendo que eles tinham que ir até a diretoria. Um lugar comum para o Winchester, mas não hoje. Hoje ele estava receoso do que poderia acontecer, pois ele não sabia o que aconteceria com Dean. Muito menos quando os pais do loiro chegassem. Bobby era um bêbado estúpido e o moreno sabia disso. Devia ser preconceituoso também pelo jeito que o medo presente na voz de Dean estava evidente ao mencionar os pais.
– Vai ficar tudo bem – Sam repetiu para o Warner, sem acreditar muito em suas próprias palavras.
E, sob os olhares dos alunos, Sam e Dean caminharam lentamente até a sala de Naomi, que os aguardava sem muita paciência.
Naomi era uma mulher naturalmente estressada, muito rígida e acreditava que disciplina é a melhor virtude que alguém poderia ter. Ela acreditava que se há uma ordem, você deve segui-la sem questionar. E odiava quando algum aluno se achava bom o bastante para se sobrepor às normas da escola.
– Sentem. Eu já liguei para os pais dos dois – Ela disse, sentando-se também em sua cadeira – Seu pai não ficou muito feliz com a ligação, senhor Warner. E quanto aos seus pais, Sam, por incrível que pareça, estavam surpresos.
– Eles já se acostumaram – O moreno brincou, sentindo-se estranhamente confortável naquela cadeira dura.
– Dean, o que houve com você? Era o melhor aluno da escola – Ela tentou parecer sensível – E agora, só nesse bimestre, você já se envolveu em duas brigas. Quero que saiba que temos uma política de tolerância zero para violência nessa escola.
– Claro, isso me protegeu muito ao longo dos anos – Dean disse sarcástico e rolou os olhos.
– Se eu fosse você, senhor Warner, deixaria de ser pretensioso. Pelo que sei, não foi a primeira vez que atacou o senhor Milligan.
– E não vai ser a última, se ele continuar sendo um desgraçado preconceituoso – O loiro rebateu.
– Cuidado com o linguajar – Naomi advertiu.
– Eu vou falar como eu quiser, já chamou meus pais mesmo. Desculpe a minha falta de educação, mas nesse momento eu não estou dando a mínima para a senhora.
Say what you wanna say
(Disesse o que quer dizer)
And let the words fall out
(E deixasse as palavras se espalharem)
Honestly I wanna see you be brave
(Honestamente, eu quero ver você ser corajoso)
With what you want to say
(Com o que você tem a dizer)
And let the words fall out
(E deixe as palavras se espalharem)
Honestly I wanna see you be brave
(Honestamente, eu quero ver você ser corajoso)
Dean não parecia com ele mesmo e o Winchester se preocupou mais. Ele estava arisco, mas obviamente com medo. O jeito como ele atacou Adam, sem pensar no que estava fazendo, sem se preocupar com nada, somente descontando toda a raiva reclusa por tanto tempo, era um lado do loiro que Sam não conhecia. E não tinha certeza de como se sentia sobre esse lado.
–--------------------------------------- *** ----------------------------------------
– Você vai ficar bem? – Tish perguntou, com um sorriso simpático.
– Claro. Desculpem o desabafo, vocês não tinham que ouvir metade das coisas que eu disse – Clark pareceu envergonhado.
– Estamos aqui para isso, lembra? – Jo sorriu e pegou na mão do moreno.
– É melhor eu ir. Tenho que achar o Dean.
– Tudo bem. Eu te ligo mais tarde, ok? – A loira continuou sorrindo, transmitindo-lhe segurança.
– Ok.
As duas moças observaram o moreno se afastar antes de se olharem com expressões tristes. Clark passou por muita coisa, não era justo ele ver isso se repetir, ainda mais com o melhor amigo dele.
– Vamos? Ainda quero ter aquela conversa – Dannel tentou um sorriso e Jo afirmou com a cabeça.
Não era muito difícil escapar daquela escola. Passaram pelo portão principal sem que ninguém visse e seguiram em direção ao carro da ruiva. Entraram e dirigiram por alguns minutos até chegarem à praia. A mesma praia na qual Dean e Sam tiveram seu primeiro beijo, a mesma praia na qual Dean conheceu Clark, e a mesma praia dos sonhos de Jo.
– Dean não atende o celular.
– Acho que está tudo bem, linda. Digo, o Winchester estava lá por ele, certo? – Tish tentou confortá-la.
– É, você deve ter razão. Mas ainda estou preocupada – Jo respondeu e as duas se sentaram na areia, olhando para as ondas que se formavam e quebravam bem diante de seus olhos.
Uma ótima metáfora para a vida.
– Sobre o que queria falar comigo? – A loira perguntou com a voz baixa.
– Vou me sentar mais perto de você, ok? – Tish parecia nervosa. Jo nunca a vira nervosa antes. Ela ficava adoravelmente sexy com aquela expressão – Faz um tempo que eu venho querendo dizer isso. Pode parecer muito cedo, mas é como eu me sinto, Jo.
I just want to see you
(Eu só quero ver você)
I wanna see you be brave
(Eu quero ver você ser corajoso)
– Ai meu deus... – Harvelle disse baixo, não acreditando que aquilo estava acontecendo.
– Você é linda, inteligente, engraçada e eu simplesmente ganho meu dia quando consigo um sorriso seu – A ruiva pegou em sua mão – E eu sei que você sente alguma coisa por mim também.
– É complicado.
– Pode ser tudo meio confuso para você, porque é algo novo e inesperado na sua vida. Acho que você nunca imaginou que se sentiria assim por outra menina, mas Jo... — Ela deu uma pausa e respirou fundo — Eu estou apaixonada por você. Como eu nunca me senti com ninguém antes. Você me conquistou. Me daria a honra de deixar eu tentar te conquistar também?
– Eu não sei o que dizer agora — Jo tropeçou em suas palavras e desviou o olhar.
Tish levou uma mão até o rosto da loira, colocando algumas mechas de seu cabelo atrás de sua orelha. Jo estava paralisada, não conseguia fazer ou dizer nada. Estava presa naqueles olhos maravilhosos e naquela boca que sorria levemente para ela agora. A ruiva se ajeitou na areia e encarou os grandes olhos castanhos que Harvelle possuía, pedindo permissão para o que faria em seguida. Jo sorriu também e o coração de Tish encheu-se de alegria. Aproximou seus rostos, sentindo um arrepio subir por sua espinha, assim que sentiu a respiração quente da loira contra seu rosto. Colou seus lábios, tentando ignorar as borboletas em seu estômago, e focando somente em Jo. Ela parecia nervosa, seu corpo estava rígido e Tish levou uma mão até a nuca da loira, puxando-a para mais perto, fazendo com que ela se envolvesse mais no beijo.
Jo estava nas nuvens, mas não sabia o que fazer. Sentiu-se como uma virgem de novo, com toda aquela ansiedade, curiosidade e vergonha percorrendo seu corpo. Mas o beijo era ótimo. E ela sentiu como se mais nada nesse mundo fizesse tanto sentido quanto aquele momento.
Era uma sensação completamente nova, beijar uma garota. O toque era suave, a pele firme e macia, pressionando a sua, os lábios bem moldados, macios e quentes, com um gosto doce, talvez cereja, por conta do gloss que ai estava há algum tempo atrás. O cheiro familiar e feminino que trazia uma sensação de conforto e segurança. Jo se permitiu mergulhar no beijo. Levou uma mão até o rosto perfeito de Tish, lhe fazendo um carinho e puxando-a para mais perto, enquanto a ruiva explorava sua boca com uma habilidade sem igual.
O beijo se encerrou depois de um tempo, ambas sorridentes, olhando uma para a outra. Tish apaixonada e Jo... Bem, estava surpresa por ter sido muito melhor do que achou que seria.
– Tudo bem. Você pode me conquistar – As bochechas da loira se encheram de cor ao dizer isso.
– Obrigada.
Ficaram em silêncio por alguns segundos, antes de retomar o beijo, dessa vez com um pouco mais de urgência. Elas perderam o equilíbrio e acabaram caindo deitadas na areia. Tish não deixou a loira se levantar, ficando por cima dela e atacando-lhe os lábios novamente. Suas mais passeavam pelo corpo da outra líder de torcida, que se extasiava cada vez mais.
Muitas coisas estavam na mente de Jo naquele momento. Lembrou-se de como se sentiu quando Dean a beijou, quando Dean a tocava, percebendo que tudo era, ao mesmo tempo, tão diferente e tão igual. Ela se sentia muito bem com Tish, isso era inegável, mas também reconhecia que ainda gostava de garotos. Naquele momento, ela assumiu, para ela mesma, que era bissexual. E sentiu-se bem com isso.
O beijo é algo poderoso. Mais íntimo que um aperto de mão, mas ainda menos sincero que um abraço. O beijo é capaz de abrir portas para novas experiências, novas sensações, novas descobertas. É como um guia que pode levá-lo a qualquer lugar, ainda que muitas vezes o faça ter vontade de ficar. Os olhos são as janelas da alma, mas o beijo é a porta de acesso. Pelo simples toque dos lábios, todo o resto do corpo se comporta de outra forma. Uns mais ansiosos, outros mais calmos; alguns mais intensos, outros mais suaves; uns mais sensuais, alguns mais apaixonados, e era incrível como Tish se encaixava perfeita e imperfeitamente em todas essas categorias.
Para a infelicidade de Jo, o beijo foi encerrado e as duas garotas estavam sentadas novamente na areia. Os olhares não ousavam se encontrar, mas as mãos não podiam deixar de se tocar. Ficaram por alguns bons minutos apenas encarando as ondas se quebrando no mar, as andorinhas do verão planando sobre suas cabeças, o sol aquecendo, sem muito entusiasmo, as duas meninas.
Tish olhou para a loira e sorriu levemente, conseguindo ver a sua imagem refletida nos enormes olhos castanhos que agora a encaravam, e depositou um último e leve beijo nos lábios rosados de Jo.
No mesmo instante, elas puderam ouvir uma voz, rígida e meio trêmula por conta de sua surpresa, praticamente gritando atrás delas.
– Mas que merda é essa, Jo?!
–--------------------------------------- *** ----------------------------------------
Não demorou muito até que a mãe de Sam chegasse. Mary parecia desapontada e o moreno achou isso estranho. Geralmente ela carregava uma expressão cansada, como se estivesse acostumada a ver o filho na sala da diretora. Mas não hoje.
– Com licença – Mary disse com a voz doce, adentrando a sala em que os rapazes estavam.
Ela respirou fundo e sentou-se na cadeira que Dean havia se levantado para deixá-la mais a vontade. Aquele escritório nunca mudava. Era sempre Sam e mais algum garoto sentados nas duas cadeiras dispostas na frente da mesa, enquanto Naomi, com seus cabelos sempre presos em um coque e um terno para vestir seu corpo esguio, os encarava com uma expressão nada amigável. Mary não acreditava que ela odiava os alunos, mas já havia ouvido o discurso de “disciplina é a maior virtude do ser humano” mais de cem vezes.
– Olá, senhora Winchester. Obrigada por ter vindo – A diretora disse, tentando parecer simpática.
Mary apenas sorriu levemente. O cheiro de couro, cigarro e menta estava por toda a salinha e sempre a deixava um pouco enjoada. Apesar de que sabia, também, que o cheiro do couro vinha das cadeiras velhas e desgastadas que ficavam no fundo do escritório, o cigarro era dos delinquentes que frequentavam a aquela sala e o cheiro de menta vinha das balas que a diretora comia o dia inteiro. Talvez para não morrer de fome.
– O que houve? – A loira questionou, ignorando a presença dos dois rapazes.
– Pelo que me foi dito, seu filho e Dean atacaram Adam Milligan. E quando eu cheguei no local do incidente, vi Adam caído no chão, com o rosto todo vermelho e muito sangue saindo de sua boca e nariz. Mandei que o levassem para a enfermaria imediatamente.
Everybody’s been there,
(Todo mundo já esteve lá)
Everybody’s been stared down by the enemy
(Todo mundo já foi encarado pelo inimigo)
Fallen for the fear
(Morrendo de medo)
And done some disappearing,
(E fugindo)
Bow down to the mighty
(Oprimido pelo mais forte)
Don’t run, just stop holding your tongue
(Não corra, pare de segurar sua língua)
– Você fez isso, Sam? – A voz de Mary era calma, como se estivesse tentando se controlar.
– Não, senhora Winchester. Fui eu – Dean interferiu e andou até a cadeira em que Mary estava sentada – Eu bati no Adam. Sam não fez nada, ele só me tirou de cima do menino.
– Tudo bem, meu querido – Ela sorriu e lançou um olhar simpático para o loiro, virando-se para o seu filho em seguida – Foi o que aconteceu, Sam?
– Não, não... Digo... er... Mais ou menos – O moreno não sabia o que dizer. Não queria que Dean levasse toda a culpa sozinho.
– Não precisa me proteger, Sammy. Você não fez nada. Nem merece estar aqui nessa sala – Warner respondeu.
Mary suspirou e olhou novamente para o jovem loiro que carregava uma expressão triste e cansada enquanto a encarava.
– Você está bem, Dean?
– Estou sim. Pelo menos até meu pai chegar – Ele brincou e Sam riu levemente.
– Por que bateu no Adam? – A loira insistiu.
– Senhora Winchester, não creio que seja um assunto que a senhora tenha que resolver e... – Naomi começou a dizer.
– Por favor – Mary a interrompeu – Estou tentando ajudar o namorado do meu filho.
A boca do Winchester se abriu instantaneamente e olhou para Dean, que parecia tão surpreso quando ele, talvez até mais. Naomi levantou uma sobrancelha em espanto.
– É meninos, eu fiquei sabendo. Não é nada demais. Mas seu pai não sabe de nada – Ela piscou para seu filho e voltou a falar com Dean – Então, lindo. Por que bateu nele? Ele te ameaçou?
– Não, mãe – Foi Sam quem respondeu – Depois eu explico a situação para a senhora. Ele teve um longo dia.
– Mas estamos aqui justamente para resolver essa situação. Se fosse para me contar depois, a Sra. Naomi não teria me chamado e você teria ido pra casa e me contado o que aconteceu – Mary se levantou da cadeira e andou até Dean, que estava encostado a uma parede – E você parece que precisa de um abraço, querido.
Warner afirmou com a cabeça e deixou que a mulher o envolvesse com os braços finos, mas confortantes de mãe. Ele respirou fundo e se sentiu triste por nunca ter recebido um desses da sua própria mãe. Mas pareceu mais relaxado.
– Obrigado – Dean separou o abraço e olhou nos olhos brilhantes de Mary – Por não me julgar ou coisa pior.
– Você é como um anjo, Dean. Desde que Sam foi transferido para a sua aula de inglês, ele não se meteu em confusão. Bem, só hoje – Ela riu e o loiro sorriu também – Ele anda sorridente, de bom humor, suas notas melhoraram, ele largou um pouco do Adam e graças a Deus eu não preciso mais ver nenhuma piranha se atracando com o meu filho no sofá da minha casa. Eu não posso julgar ou condenar você pelas escolhas que fez, e eu sei que não é uma escolha, ok? Porque você ajudou o meu bem mais precioso. Você o faz feliz. Quem sou eu para pensar qualquer coisa errada de você?
Maybe there’s a way out of the cage where you live
(Talvez haja uma maneira de sair dessa prisão em que você vive)
Maybe one of these days you can let the light in
(Talvez um dia desses você possa deixar a luz entrar)
Show me how big your brave is
(Me mostre quão grande é a sua coragem)
Dean não sabia o que responder. Respirou fundo e olhou para cima, tentando conter as lágrimas que teimavam em encher seus olhos.
– Eu vou contar o que aconteceu – Ele disse, desviando seu olhar para Sam, que os encarava perdido nos próprios pensamentos.
– Acho melhor esperar por seus pais, senhor Warner – Naomi advertiu.
– Depois que eles descobrirem a verdade, nada do que eu disser vai importar. Acredite – O loiro respondeu e andou até atrás de Sam, colocando uma mão em seu ombro – Bem... Eu não sei como ele descobriu, mas eu estava...
Dean contou toda a história do que aconteceu mais cedo para Mary, que ouviu também a versão de Sam, a qual incluía o episódio no vestiário.
– E alguém aqui tem alguma ideia do por que Adam fez essas coisas horríveis? – A loira perguntou, espantada com tudo que ouvira.
– Na minha opinião, não de diretora, mas sim de observadora, Adam fez por vingança – Naomi tomou a palavra.
– Vingança? – A Winchester questionou.
– Sim. Veja, o senhor Warner já se envolveu em uma briga com o Milligan, não faz muito tempo.
– Mas ele mereceu a surra que levou – Sam comentou, com um pequeno sorriso.
– Nisso eu acredito. Enfim, eu entendo tudo pelo que você passou, Dean. O que vocês dois passaram. Mas é como a diretora disse, a escola tem uma política de tolerância zero para violência.
– Eu sei. E fui eu que fiz a coisa errada – Dean disse, olhando para Mary e depois para Naomi – Pode liberá-lo?
And since your history of silence
(E visto que seu histórico de silêncio)
Won’t do you any good,
(Não vai te fazer nenhum bem)
Did you think it would?
(Você achou que faria?)
Let your words be anything but empty
(Deixe suas palavras serem qualquer coisa, menos vazias)
Why don’t you tell them the truth?
(Por que não lhe conta a verdade)
– Bom, se Sam não tem participação nesse show de horrores que ocorreu e foi só mais uma vítima, claro. Ele pode ir – A diretora disse, ainda com a voz firme.
– Eu te vejo depois, Sammy – Warner deu um sorriso triste e pegou na mão de Mary – Obrigado por me ouvir.
– Disponha, querido. Agora, se cuide, ok? Tenho que voltar para o trabalho.
–--------------------------------------- *** ----------------------------------------
– Mãe?! – Jo não podia acreditar que aquilo estava acontecendo.
– Merda – Tish disse para si mesma, se afastando da loira em seguida.
– O que pensa que está fazendo? – Deanna sentiu-se um pouco tonta e olhou para os lados para ter certeza de que ninguém havia visto o que as garotas estavam fazendo.
– Mãe, eu posso explicar...
– Como você explica essa atrocidade?!
I just want to see you
(Eu só quero ver você)
See you be brave
(Ver você ser corajoso)
Continua...
Fale com o autor