Notas iniciais
Oi oi , gente! ~Sim, falei que nem a Kéfera u.u #copyright Então... Não sei o que falar kkkkk Aproveitem o capítulo xD Até mais :*

TISH’S P.O.V.

A mãe dela. Claro que a mãe dela iria aparecer. Quando é que eu tenho alguma sorte?

Achei que eu iria ouvir poucas e boas, mas não foi isso o que aconteceu. Deanna – acho que é esse o nome dela – agarrou Jo pelo braço, fazendo-a ficar de pé.

– Vamos para casa, agora!

– Para! Você 'tá me machucando! — Minha loira disse, tentando se desvencilhar do toque da mãe.

Me assustei quando um barulho surpreendentemente alto tomou conta da situação. Tudo aconteceu tão rápido, não pude acreditar que tanta força tenha sido usada por Deanna para dar o tapa no rosto de sua filha.

Pude sentir a raiva crescendo dentro de mim, mas me segurei muito para não partir para cima da senhora com aparência jovem que estava parada na minha frente.

– Vamos — A mulher disso num tom grave e firme — Agora.

Ela começou a arrastar Jo até o carro. Eu estava paralisada, não conseguia me mexer. Queria gritar, xingá-la de nomes, pegar a minha menina de volta para mim e protegê-la dessa... Vaca.

Quando finalmente consegui fazer alguma coisa, comecei a correr até o carro, mas já era tarde demais. Elas já haviam partido.

Eu sei onde elas moram, e pode não ser a coisa mais inteligente a se fazer, mas vou até lá. Tenho que saber se ela está bem... Além do mais, a culpa disso tudo é minha. Não dela.

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DEAN'S P.O.V.

– Era só isso, Sra. Naomi? – Meu pai perguntou à diretora, parecendo ignorar a minha presença e a de minha mãe. Ele não parecia bravo, para falar a verdade, mas acho que era só para Naomi não pensar que ele iria me bater até eu fazer 30 anos, ou coisa pior.

– Sim, Sr. Warner. Desculpe o transtorno, mas tenho certeza de que vamos conseguir encontrar o melhor modo de lidar com essa situação.

– Tenho certeza que sim — Ele sorriu para ele, tentando ser simpático.

– Até mais.

– Até mais, e obrigada – Minha mãe agradeceu a diretora e me guiou para fora da sala. Ela parecia com medo do que meu pai diria e/ou faria em seguida.

Não vou mentir. Eu também estava.

O silêncio era perturbador enquanto caminhávamos pelos corredores da escola, e senti que deveria dizer algo.

– Pai, me desculpe. Não vai acontecer de novo – Eu disse com a voz falha.

Ele não respondeu, apenas continuou andando.

– Bobby? Está tudo bem? — Minha mãe resolveu perguntar, um pouco preocupada.

– Claro que está tudo bem. São só garotos sendo garotos. Não posso ficar bravo com ele por uma briga inocente.

Minha boca abriu no mesmo instante e me esforcei para fechá-la de novo. Ele disse que está tudo bem?! Ok, não estou entendendo nada. O pai que eu conheço fica extremamente puto se eu não me arrumo direito, ou se não tiro notas altas, ou se não me comporto adequadamente... E agora ele vem dizer que está tudo bem? Eu quase matei o menino!

– Você estragou muito aquele garoto, filho? — Meu pai voltou a falar, dessa vez com um suave sorriso no rosto.

Filho?! Sério, acho que "surpreso" não descreve a minha atual situação. Talvez “pasmo” se encaixe melhor. Ele nunca me chamou de filho, não que eu consiga me lembrar, pelo menos. Mesmo quando ele me apresentava para seus associados ou colegas de trabalho em alguma festa, era sempre: “Esse é Dean, e minha adorável esposa, Ellen”. Nunca mencionou a palavra mesmo. Mas não pude deixar de sorrir ao ouvir ele me chamando assim... E agradeci aos céus por ele não saber o verdadeiro motivo da briga.

Naomi não disse nada a ele, o que também foi estranho, mas presumo que ela pense que a sexualidade de seus alunos não seja da conta dela.

– Sam disse que se ele não tivesse me tirado de cima do Adam, eu teria o matado – Encontrei minha voz que estava perdida há alguns segundos.

– Que horror! – Minha mãe exclamou, para ninguém em particular.

– Há – Meu pai riu – Aquelas aulas de luta serviram para alguma coisa, afinal.

– Sim, senhor.

Mas quando descemos as escadas para irmos até o pátio, senti como se estivesse morrendo aos poucos. De novo. Minha cabeça estava rodando, senti meu estômago embrulhar e uma fraqueza percorrer todo o meu corpo ao ver aquilo.

Quase todos os armários, portas e pilastras carregavam com si a mesma foto de horas atrás. A mesma foto que causou todo esse transtorno. E eu sinceramente não conseguia pensar em um jeito pior de meus pais descobrirem sobre a minha opção sexual. E sobre a de Sam. E sobre nosso relacionamento.

Meu pai olhou para mim e eu não via mais aquele rosto amigável e sorridente de segundos atrás. Ele me encarava com uma expressão de surpresa e nojo.

– Conversaremos sobre isso em casa. Não quero ouvir uma só palavra até chegarmos lá – Ele disse com a voz firme.

Pude perceber que as mãos de minha mãe tremiam quando ela pegou na minha, tentando me passar algum conforto, mesmo que não soubesse muito bem como fazer isso. Eu caminhava mecanicamente, prestando atenção somente no chão sob os meus pés, evitando tropeçar, porque era a única coisa que eu poderia fazer naquele momento. Tentar não cair. Pois tenho certeza de que se caísse, não conseguiria mais levantar.

O celular vibrou no bolso de minha calça, larguei a mão de minha mãe e desbloqueei a tela para ver a mensagem. Era de Sam.

"Oi, D. Como foi com seus pais? Estão furiosos? Qualquer coisa, me liga, ok? QUALQUER COISA, não importa se você achar que não seja importante. Me liga e eu irei até você o mais rápido o possível.

Eu te amo. Por favor, me dê notícias".

Senti vontade de chorar. Não sabia como meu pai reagiria. Não sabia as palavras que eu ouviria, nem as palavras que usaria como resposta. Não tinha como eu me explicar, porque não era como se eu tivesse culpa de ter nascido assim. E não era como se fosse algo ruim.

Mas eu sei que essa é apenas a minha visão das coisas. Meu pai tinha outra, completamente diferente.

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JO’S P.O.V.

Eu queria sair dali, mas não podia. Eu não conseguia me mexer. Minha voz tinha medo de escapar de minha garganta, enquanto meus músculos pareciam ridiculamente cansados para fazer qualquer coisa.

A campainha tocou. E eu pude ouvi-la chamando meu nome. Meu coração parou na hora; não pensei que ela viria até aqui. Fiquei feliz que tenha vindo. Sério, muito feliz.

Desviei do corpo de meu pai, que estava na minha frente e fui até a porta. As lágrimas desceram novamente por meu rosto quando vi aqueles olhos, tão brilhantes, tão familiares, olhando para mim. Ela sorriu levemente e senti um gostoso calor passar por meu corpo. Mas seu sorriso desapareceu e só agora me toquei... Meu rosto. Deve estar um tanto assustador.

– Quem fez isso com você? – Ela perguntou, um tanto assustada.

Suas mãos tremiam enquanto ela afagava meu rosto e minha nuca, fazendo-me olhar em seus olhos. Aqueles olhos que – eu não havia percebido até esse momento – tinham a exata cor dos meus. Um castanho médio, comum para muitos, mas reconfortantes e familiares para mim. Eram lindos olhos. Pertenciam a uma linda garota.

Eu não respondi à pergunta da ruiva, que continuava me encarando.

– Não ouse entrar em minha casa – Meu pai disse com a voz grave e meu corpo enrijeceu. Ele estava atrás de mim; não tive coragem de me virar para ele.

Tish me puxou para fora da casa, se colocando à minha frente. Ela avançou poucos passos e deu um forte tapa no rosto do meu pai.

– É gostoso apanhar, não é seu desgraçado?! – Ela praticamente rugiu.

Pude ver a vermelhidão se espalhando pelo rosto de Samuel. Ele estava com raiva, com muita raiva. E ele até que tinha seus motivos. Claro que ele não me apoiaria em algo que pensa que não é certo.

Tish virou-se novamente para mim, colocando as mãos em meu rosto.

– Você está bem?

– Só me tira daqui, por favor – Um fio de voz saiu de minha boca. Eu estava com medo.

– Tire suas mãos dela – Meu pai gritou.

– Eu vou chamar a polícia! – Minha mãe apareceu na porta também.

– Não é contra a lei ser gay! – A ruiva respondeu no mesmo tom de voz antes de abrir um sorriso sacana — Mas é ilegal agredir uma garota menor de idade, ainda mais se for por motivos homofóbicos. Posso te processar por preconceito, sabia?

– Você não ousaria – Ele afirmou com a voz baixa, encarando-a com ódio e nojo.

– Nunca mais encoste um dedo nela, seu porco!

– Jo, venha já aqui – Mamãe disse com a voz grave.

Algo me disse que era melhor ir com a minha mãe. Pedir desculpas e agir como se nada disso tivesse acontecido. Mas não foi o que eu fiz... Segurei no braço de Tish e respirei fundo, encontrando minha voz que estava perdida em minha garganta.

– Me tira daqui – Eu disse.

E finalmente eu me senti melhor. Finalmente eu estava fazendo algo porque eu queria, e não pela vontade de meus pais.

– Vamos — Ela me respondeu e pegou em minha mão.

Começamos a correr. Corremos sem um rumo certo, ainda de mãos dadas, até que chegamos a uma avenida, que fica razoavelmente longe de casa.

Esperamos alguns minutos em um ponto e pegamos um táxi. Nenhuma de nós disse nada durante o caminho até a casa da ruiva, que não ficava muito distante da escola.

Me aconcheguei em seus braços, me concentrando no som de sua respiração. Sua pele macia e cheirosa me acalmou um pouco. Eu poderia ficar ali para sempre, sem me importar com nada. Não queria pensar em nada, pelo menos por enquanto.

E é bom se sentir amada, sabe? Digo, Tish ignorou o bom senso e, mesmo sabendo que minha mãe estava furiosa, foi até a minha casa, bateu em meu pai e ameaçou os dois. Ela é meu cavaleiro da armadura reluzente. Qualquer um concordaria que, mesmo sendo loucura, foi a coisa mais fofa que alguém já fez para mim. E sou muito grata por ela ser corajosa assim. Sou grata por ela se importar tanto comigo.

E eu amo essa menina. Talvez não da mesma forma e/ou intensidade como ela me ama, mas eu a amo.

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DEAN’S P.O.V.

Nós chegamos em casa. Um silêncio mortal tomava conta do ambiente, fazendo tudo ficar muito mais constrangedor, mas até que foi algo bom. Me deu mais tempo para pensar. Meu pai mandou eu me sentar no sofá e esperar por ele, então eu o fiz. Pude ouvir a geladeira sendo aberta e em seguida, uma lata de cerveja.

Claro que ele estava bebendo.

– Dean... – Ele suspirou assim que sentou-se em sua poltrona, de frente para mim.

– Pai, eu... Eu não sei o que dizer.

– Por quanto tempo isso vem acontecendo?

– Alguns meses – Resolvi que era melhor ir direto ao ponto. Não queria prolongar essa conversa nem um segundo a mais do que o absolutamente necessário.

– Quero que pare com isso.

– Isso o quê?

– Não se faça de idiota, Dean. Você sabe do que eu estou falando – Agora ele pareceu bravo. Mas eu estou tão cansado. É melhor eu dizer tudo de uma vez.

– Diga as palavras, pai – Provoquei – Diga, quero que pare de namorar um garoto. Quero que pare de ser gay, quero que pare de ser quem você. Diga o que você pensa!

– E o que vai adiantar? Você é um ingrato. Depois de tudo o que fizemos por você, depois de ter dado tudo o que você quis... Você fala comigo nesse tom? Ah, não; isso eu não vou permitir – Meu pai respondeu com a voz baixa, terminando em um único gole a sua cerveja.

– Ok, o senhor disse que conversaríamos em casa. Estamos aqui, mas não parece muito a fim de conversar – Bufei e me levantei do sofá – Eu vou sair.

– Para onde vai? – Ele se levantou também, me desafiando a realmente sair de casa.

– Sair.

Saí de casa, fechando a porta atrás de mim. Não olhei para trás, nem por um momento. Eu não precisava olhar para ver se ele estava olhando para mim pela janela. Porque eu sabia que ele não estava. Provavelmente estava se levantando para pegar outra cerveja. Mas bebida nenhuma seria o suficiente para tirar o sabor do desgosto de me ter como filho. Pelo menos é o que eu acho.

Eu comecei a andar por um caminho familiar, até chegar à grande construção de pedra e ornamentos modernos, separada do resto do mundo por um muro alto também de pedra. Adentrei à escola e suspirei ao notar que o pátio estava vazio.

Vi as fotos penduradas e, sem muito ânimo, comecei a tirá-las de lá. Uma a uma. Eu tinha que responder à mensagem de Sam, mas eu não tinha o que dizer. Também queria ligar para Jo ou Clark para conversar sobre o que aconteceu, mas eu não conseguia fazer nada. Tudo o que a minha mente me permitia fazer naquele momento era tirar as malditas fotos das paredes e pilastras.

Pensei também em ir até a enfermaria para ver como Adam estava, mas ele já deve ter ido para casa. Não posso dizer que espero que ele fique bem, mas tomara que eu não tenha causado nenhum grande estrago. Não quero lidar com mais problemas.

Eu não sabia que horas eram, então não tinha certeza se todos já tinham saído, ou se ainda estavam em horário de aula. Muita coisa aconteceu hoje e era difícil me concentrar em apenas um evento, portanto, depois de jogar as fotos em uma lata de lixo, me sentei em uma das mesas do refeitório, encarando o relógio que estava quebrado à semanas e ninguém se dispôs a arrumá-lo.

Seus ponteiros parados demonstravam a mesma hora em que encontramos Adam mais cedo. 11h34. Onze horas e trinta e quatro minutos... Que horário besta. Nada de importante acontece às 11h34. Nunca. Então, por que justo hoje?

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TISH’S P.O.V.

Chegamos à minha casa e me sentei no sofá, dizendo para Jo fazer o mesmo. Ela não o fez, apenas ficou parada perto da porta, alternando seu olhar entre mim e a casa que até hoje, para ela, era desconhecida.

Me levantei e peguei em sua mão. Seus olhos castanhos prenderam-se aos meus e a garota me puxou para um abraço apertado. Sorri sozinha e retribuí o gesto, passando a mão por suas costas e seus cabelos, tentando passar algum tipo de conforto a ela.

– Obrigada – Ela sussurrou.

– Disponha. Vamos subir e dar um jeito nesse rosto, ok?

Separamos o abraço e subimos as escadas. Depois eu apresentaria a casa para ela, queria cuidar das feridas em seu pálido rosto primeiro.

Ela é tão linda, não é? Sei que é um comentário fora de hora, mas é tão verdadeiro que faz todo o resto do mundo parecer mentira. Jo é uma garota irritantemente bonita e, se fosse qualquer outra, ela já estaria embaixo de mim, sem roupa alguma, gemendo o meu nome. Mas ela não é qualquer outra, certo?

Quando eu digo algo sobre a beleza dessa garota, não quero dizer apenas fisicamente. São os pequenos detalhes que fazem com que eu me apaixone cada vez mais quando a vejo. Seus olhos grandes e brilhantes, seus cabelos dourados, seus lábios rosados... Seu enorme coração, sua inteligência, sua educação e gentileza. Ela é um grande amontoado de virtudes. Claro que tem defeitos, todos temos, mas até eles são lindos. Ela é imperfeitamente perfeita, se me permitem o uso da ironia.

Levei-a diretamente para o meu quarto e entramos em meu banheiro. Ela evitava olhar as manchas e pequenas marcas em seu rosto que o espelho mostrava, como se estivesse envergonhada.

– Você está bem? – Perguntei, ficando atrás dela e prendendo seus cabelos.

– Eu estou horrível – Ela resmungou.

– Você é linda.

– Pode até ser, mas eu estou horrível – Jo riu e eu sorri para ela.

Depois de fazê-la lavar o rosto e passar uma pomada para cicatrizar nos pequenos cortes, fomos até a minha cama, onde ela deitou em meu colo enquanto eu fazia um carinho em seus cabelos agora soltos.

Não era incomum esse silêncio que dominava o ambiente quando estávamos juntas. Eu não sei quanto a ela, mas eu e meu primo compartilhamos o sentimento de que o silêncio é uma dádiva em qualquer momento. Podemos usá-lo para pensar, medir nossas ações, tomar coragem para dizer ou fazer algo.

E, quando me dei conta, meus lábios estavam colados no de Jo, enquanto minhas mãos – que agora estavam em seu rosto – secavam as lágrimas que escorriam de seus olhos. Tem sido um longo dia...

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado bastante! E até a próxima xD Beijackles e Padakisses ♥