Três dias havia se passado e Alice apresentava uma ótima melhora, e Liz, bem Liz podia ser observada apenas através de vidros, apenas os médicos bem higienizados poderiam entrar no quarto onde ela se encontrava. Jasper ainda se encontrava inconformado e não sabia ainda como contar para Alice o que havia ocorrido com a filha.

Cada um desses dias que se passaram ela perguntava pela filha e queria de qualquer modo ir vê-la, seu coração lhe dizia que nada bom havia ocorrido com ela e ela sabia que todos ali estavam mentindo para ela quando a mesma perguntava sobre a filha. Alice queria porque queria vê-la só assim poderia tirar o aperto no coração, mas Jasper não queria que Alice ficasse nervosa ou se culpasse.

Mas Jasper havia chegado em uma decisão, se o médico lhe permitisse iria hoje mesmo contar para Alice o ocorrido com sua filha, ele sabia a reação de Alice era como se ele previsse o que iria acontecer. Já estava cansado de ter que mentir para Alice o que aconteceu, mas também não queria que a hora de lhe contar a verdade chegasse.

Ele continuou pensando sobre o assunto enquanto caminhava pelo enorme corredor hospitalar. Jasper estava com a cabeça nas nuvens e às vezes nem se via dar esbarrões em alguns enfermeiros, ele pensava várias coisas, mas todas elas relacionadas à sua família. Aquela que ele tanto estava preocupado havia tirado alguns momentos do hospital para ir ver como o filho se encontrava enquanto alguém ficava com a Alice.

Ele estava todos esses três dias sem dormir, sem conseguir manter seus olhos fechados por muito tempo, ele passava as noites no quarto de Alice sentado em uma poltrona ao seu lado e quando Alice às vezes acordava assustada tendo pesadelos e ele a confortava e quando ela voltava a dormir ele ia ter uma conversa mentalmente com sua filha e era isso que ele estava indo fazer agora, pois ele sentia como se sua filha lhe tranqüilizasse enquanto ele estava ali com tantos problemas.

— Como eu queria ouvir sua voz. – Ele abriu um pequeno sorriso. – Eu sinto tanta falta de lhe ouvir cantar a toda manhã. – Ele suspirou com um olhar triste e pesado. Ele ficou durante muito tempo ali parado conversando com sua filha, para ver o tempo passar era somente assim, para ver os dias correrem, tentando ficar tranqüilo era somente assim.

— Quando você decidir acordar saiba que estaremos todos aqui esperando por você. – Ele continuou dizendo baixo, para que algumas pessoas não pudessem escutá-lo. – Filha, seja forte, muito forte por nós. Por sua mãe. – Ele finalizou enxugando uma lágrima que ele havia deixado escapar.

Jasper então resolveu voltar para o quarto de Alice se sentia cansado e queria tentar dormir um pouco, foi no momento que ele virou de costas para a filha que ele ouviu o barulho dos aparelhos que queriam lhe dizer uma coisa não muito boa. O barulho da máquina estava avisando que algo de ruim estava acontecendo com Liz, ela estava falecendo.

Os médicos adentraram no quarto rapidamente e logo constataram Liz estava tendo mais uma parada respiratória. Jasper se desesperou e nem ao menos percebeu quando suas lágrimas começaram a rolar. Sua filha estava partindo, estava os deixando, ele não queria, não podia acreditar naquilo. Os médicos fecharam a cortina e Jasper ficou ainda mais nervoso.

Ali dentro daquele quarto, os médicos faziam de tudo para recuperar a paciente, sabiam que a qualquer momento Liz poderia ter uma recaída sendo que o caso dela era grave. Precisava de muitos cuidados e observação dos enfermeiros. O ponteiro do relógio havia se movimentado mais uma vez, marcando exatamente um minuto que seu coração havia parado de bater, mas como um milagre seus batimentos cardíacos voltaram. Os médicos trocaram sorrisos, por não terem perdido a paciente.

Jasper estava aflito no lado de fora. Pedia a Deus que nada acontecesse com sua pequena e tão frágil filha, ele estava chorando e inquieto na cadeira. Esperando que os médicos saíssem Dalí logo para que ele soubesse de sua filha.

— Sr. Hale, não se preocupe conseguimos com que os batimentos cardíacos dela normalizassem, ela está bem agora. – Um médico disse com a mão no ombro de Jasper como sinal de conforto.

— Obrigado Dr. Não sei como agradecer.

— É apenas meu trabalho e se me permite dizer, sua filha não merecia isso, é tão jovem e tem um rosto tão angelical.

— Ela era quem trazia alegria para minha vida.

— E ainda será por muito tempo Jasper. – Dr. Alejandro disse enquanto se despedia educadamente com Jasper. Já Jasper foi beber um bom copo de água, enxugou suas lágrimas e respirou fundo e foi ir ter uma conversa com o médico que cuidava de Alice. Ele dizia a situação da filha dos dois e não sabia bem como dizer isso de uma forma mais amena. Já o médico disse que era aconselhável que ela soubesse, mas de uma forma leve e tranqüila e caso precisasse eles lhe dariam calmantes para que ela não se estressasse.

Jasper então caminhou até o quarto de Alice e lá a encontrou tomando um dos remédios para dores, ele entrou cumprimentou a enfermeira e sentou ao lado de Alice que lhe mostrou um pequeno sorriso. Então quando a enfermeira saiu do quarto ele a olhou no fundo de seus olhos.

— Você está bem?

— Apenas com dores nas pernas.

— Você está mais calma?

— Porque as perguntas Jazz? Aconteceu alguma coisa com Liz?

— Bem Lice tenho que lhe contar algo... – Houve uma pausa por parte de Jasper que estava acabando com Alice ali dentro. – Se eu menti foi para seu bem e espero que me perdoe.

— Fale logo Jazz estou ficando nervosa.

— Me prometa que antes de tudo, você irá ficar calma?!

— Eu prometo, te juro, mas diga logo é com Liz não é?

— Sim, sabe eu nem sei como lhe dizer, mas quando eu lhe dizia que Liz estava bem, e já estava acordada, era mentira.

— Como assim?

— Alice ela está em... Coma. – Jasper não conseguiu lhe dizer mais nada, o brilho das lágrimas nos olhos de Alice lhe matava assim que cada uma caia era como se lhe cravassem facas em seu peito.

— É tudo minha culpa... Ela...

— Não Alice, a culpa não é sua, o motorista do caminhão estava bêbado, ele avançou o sinal fechado e não você.

— Jazz quanto tempo ela irá ficar assim? Eu... Eu queria tanto ir conversar com ela, vê-la... – Alice não conseguia conter as lágrimas e seu sentimento de culpa não diminuía, em seus pensamentos se passavam as mesmas perguntas que Jasper fez para si mesmo.

— Não sabemos meu amor, me desculpe.

— Meu Deus, Jazz... O que eu vou fazer agora? – Alice se encontrava em um estado deplorável, em sua cabeça se passava que era por sua culpa que sua filha estava assim, por sua culpa e de mais ninguém, nem mesmo do caminhoneiro que era o verdadeiro vilão da história.

— Você apenas irá descansar e ficar melhor para que quando ela acordar ela possa lhe abraçar bem apertado e matar a saudade.

— Jazz, por favor, me deixe ir vê-la, é tudo que lhe peço.

— Meu amor, ainda não podemos ir vê-la, ela está no quarto em observação apenas por enfermeiros, eles precisam ainda monitorar se a cirurgia não ocorrerá nenhum problema, mas lhe prometo que assim que puder eu te levo até ela.

Eles permaneceram em silêncio, Alice não conseguia conter o choro, seus soluços altos demonstravam sua agonia ao saber o estado da filha. Se ela pudesse voltar atrás e tivesse atrasado um pouco mais aquela conversa que tivera com a filha, se tivesse ouvido o seu coração, pois ele estava lhe avisando desde do começo que algo não estava bem. Alice sentia uma culpa dentro de si, não conseguia se conter em pé, Jasper lhe chamou para encostar sua cabeça em seu ombro, ali ele a cariou fazendo com que o sono com aquele cafuné a fizesse tranqüilizar e ao mesmo tempo ficar um pouco sonolenta.

— Jazz, ainda sinto que tem algo que você não me contou. – Jasper sentiu seu corpo todo gelar, o que falaria agora? Alice ficaria ainda mais aflita, mas ele não aceitaria que ele lhe escondesse a verdade. – Fale Jasper, não me esconda nada.

— Alice, você já esta muito nervosa, por favor, vamos...

— Eu não agüento mais isso, por quê? Não minta para mim. – Houve outra pausa na fala de Alice. – Ela esta muito ruim não é?

— Alice... Ela durante a cirurgia teve uma parada cardiorrespiratória e agora a pouco ela teve uma parada respiratória, mas os médicos conseguiram reanimá-la, ela está bem.

— Meu Deus... Porque com ela? – Alice perguntou em voz alta, sentindo a dor em seu coração aumentar. – Eu preferia estar no lugar dela.

— Por Deus Alice, não diga uma coisa dessas, ela irá ficar bem, eu sei é muito sofrimento pra você, é nossa pequena que está lá, mas eu não desejaria isto para nenhuma das duas. Alice eu amo tanto vocês e o meu sofrimento é tão grande em te ver assim na cama e ainda tendo que agüentar a ausência de Liz. Mas para mim também dói e muito, porque naquele dia mais cedo eu nem dei muita importância para ela, achando que os problemas do meu trabalho era mais importantes que ela, eu me sinto culpado por isso.

— Jazz me tire desse pesadelo, por favor. – Alice voltou a esconder seu rosto na curva do pescoço de Jasper e tornou-se a chorar, se Jasper pudesse fazer algo para tirar a dor de Alice faria de imediato, mas estava se sentindo tão impotente que não conseguia nem mais pensar, deixava suas lágrimas rolarem juntamente com Alice ainda em seus braços, apertou-a tanto que pensou que ela escorreria por entre as brechas de seus braços.

— Minha pequena, eu vou lhe tirar desse pesadelo e quando você acordar verá que tudo não se passou de um sonho ruim.

Nos pensamentos de Alice só se passava uma pergunta, como seria sua vida de agora em diante? Ela já havia sentido a dor de perder um filho e agora não queria sentir esta dor novamente, ela sentia que não iria agüentar a mais essa. Porque a vida tinha que lhe pregar peças tão perigosas assim? Alice sentia seus pulmões diminuindo a capacidade de respirar e sua cabeça parecia estar explodindo de tanta dor. Era um jeito ruim de reagir à notícia. Alice havia contido sua dor dentro de si e agora estava dando resultados inesperados.

— Jazz... – Ela não conseguiu terminar a frase, o fôlego lhe faltava e ela não via a hora que poderia desmaiar por falta de ar. Jasper assim que olhou para seu rosto ainda com lágrimas e percebeu que sua respiração não estava normal apertou a campainha que havia no lado da cama de Alice.

— Fique calma Alice. – Ele tentou acalmá-la, mas em nada adiantava ela já estava mal mesmo. Sua respiração só voltaria ao normal quando alguém fizesse algo. Assim que seus pensamentos pararam o médico de Alice adentrou o quarto e logo percebeu o que aconteceu, falou algo com o enfermeiro que rapidamente saiu do quarto.

O médico puxou a máscara de oxigênio e colocou em Alice, ele era ágil, já havia repetido esta ocasião várias e várias vezes. Em lances de segundos o enfermeiro voltou com uma seringa e claro Alice que estava observando tudo logo percebeu para o que era.

Sua respiração já estava indo aos poucos voltando ao normal. Jasper estava tentando passar calma para Alice e foi como se ele conseguisse mesmo transmitir isto para ela. O médico, aplicou o calmante e Alice se sentiu sonolenta de imediato, ele fez algumas perguntas ao Jasper sobre a reação de Alice e lhe explicou o porque desta reação e logo em seguida os deixaram a sós.

— Você está melhor? – Ele disse pegando na mão de sua amada e ali depositando um leve beijo.

— Sim, estou sonolenta demais. – Ela pela primeira vez sorriu depois da grave notícia que havia recebido. – Eu me sinto como se tivesse voltado ao passado. – Jasper nesse momento se sentiu um pouco preocupado.

— Mas ao contrário do passado triste, este terminará bem, você verá. – Jasper acariciou o cabelo de Alice, que estavam novamente cortados até os ombros, ela parecia até ser mais jovem do que ele até, mas sabia que sua mulher era bastante vaidosa e se cuidava já ele não muito, era homem e achava essas coisas muito femininas.

Sorriu ao se lembrar de como Alice se cuida, seus vários produtos de beleza e suas idas ao salão. Ela passara isso para Liz que também amava se cuidar, tudo em que ele pensava em Alice via um pouco de Liz, apesar de não ser filha biológica parecia tanto com Alice no modo de agir, era sensível e vaidosa, suas risadas doces e sorrisos encantadores, seus olhares brilhantes que lhe transmitiam segurança. Liz era mesmo a imagem perfeita de Alice, as duas agiam perfeitamente iguais. Para se lembrar de uma sempre se lembraria da outra, o que para ele era bom que assim nunca se esqueceria de nenhuma das duas mulheres que mais marcaram sua vida.