Duas semanas havia se passado, Alice já estava melhor e recebera alta naquela manhã, neste mesmo dia, mesmo tendo que ir para casa ela cismou em ficar no hospital, pois Liz já podia receber visitas e ter um acompanhante dali para frente. Jasper estava preocupado com isso, como seria a vida de Alice de agora para frente tendo um de seus filhos praticamente morando no hospital.

Jasper já havia tomado sua decisão, Alice poderia vir ver a filha todos os dias, mas não ficaria aqui como ela mesma havia dito que queria. Ela precisava de repouso e o susto e a confusão ainda estava evidente em seu olhar. Ela podia até mentir bem, mas por dentro estava desabando, quebrada em mil pedaços, sentindo falta de sua filha. Nestes dias Eric veio quase sempre ver a mãe, o que fazia que uma grande porcentagem do vazio em seu coração se cobrisse, mas quando ele tinha que ir embora sua tristeza voltava, não deixava transparecer para não preocupar Jasper, mas ela estava arrasada.

Jasper por si sabia que Alice estava mal, conhecia bem a esposa que tinha. Ela preferia sofrer calada do que preocupar as pessoas, ele estava ciente de como Alice se encontrava por dentro, muito arrasada, era sua filha que estava deitada em uma cama de hospital em estado vegetativo e ela não sabia quanto tempo isso levaria. Mas Jasper também era pai, estava sofrendo com isto também, mas não tanto quanto Alice, ele sabia que a dor dela era maior que a sua, pelo simples fato dela ser mãe. Ter cuidado dela desde sempre, estado em todos os momentos de sua vida, ter presenciado cada gesto daquela menininha tímida que era Liz. Como ela fazia falta.

Seus amigos estavam preocupados e seu primo, havia mudado a ponto que nem seus pais estavam o entendendo, se trancava dentro do quarto quando chegava do colégio, seu comportamento estava agressivo, Rosalie não sabia mais o que fazer, estava preocupada, tão preocupada que já havia tentado de todas as formas levantar o animo do filho, mas em nada adiantava. Ryan havia se fechado para o mundo, pois a única pessoa, além de seus pais, que ele confiava estava desacordada em um hospital e já havia corrido risco de vida e ainda corria. Ele estava desistindo achando que o fim havia chegado, estava se perguntando por que disso. Ele tinha Liz como sua irmã, sua pequena irmã, ele havia prometido protegê-la de qualquer coisa, de qualquer pessoa, mas em sua mente não encaixava a idéia de que dessa vez ele não podia realmente não ter feito nada.

Toda a família Cullen estava em um estado deplorável. Apesar da saída de Alice do hospital, não tinha como comemorar, pois parecia que um pedaço mais importante havia ficado para trás e para eles realmente havia. Liz havia trago alegria para aquela casa, para a vida de todos ali presentes e vê-la sofrer era uma dor imensa para qualquer um que a conhecesse bem.

Seus amigos, familiares, vizinhos e amigos de trabalho, estavam todos pedindo que Liz voltasse o quanto antes e se eles continuassem assim logo não demoraria para que ela se recuperasse. Mas algo dizia que iria demorar, que teriam todos que ter paciência e tranqüilidade com o que ainda iria vir.

— Jazz... Será que irá demorar muito? – Alice não precisou completar a frase para que Jasper entendesse a pergunta.

— Não sei meu amor, mas espero que não, ela nos faz falta. – Jasper estava ali segurando a mão de sua filha, sua mão pálida cheia de pequenos ferimentos, observou seu rostinho, que mesmo ali naquele hospital parecia tão cheio de vida. Até mesmo ali parecia que Liz queria transmitir tranqüilidade para aqueles que sofriam por sua ausência.

— Meu anjinho, volte rápido para nós, não conseguimos viver sem você. Nossos sorrisos foram embora, estão descansando junto com você e nossa felicidade só voltará quando assim você também voltar. – Alice deixou suas lágrimas caírem, acariciou o rosto delicado de Liz, em sua cabeça ainda havia o curativo, que era trocado todos os dias, da cirurgia efetuada. Alice se permitiu chorar, não queria sair daquele hospital, nem ao menos ter recebido alta, pois isso atrapalharia o modo de ver a filha todos os dias.

Jasper não pode se conter, tentou permanecer-se forte, mas não conseguiu, não era daqueles tipos de homens durões que não se permitiam se comover nem pela família. Ele foi até Alice encostou a mão em seu ombro e depositou um beijo em sua cabeça.

— Temos que ir. – Naquele momento ele detestou ter que dizer aquilo, ter que deixar sua filha ali sozinha, tinha tantas coisas que fazer, tinha que se multiplicar para conseguir seguir em frente, ainda havia o trabalho, tinha que continuar mesmo acontecendo tudo isso, para poder pagar um tratamento digno para Liz. Queria vê-la forte e saudável como a vira da ultima vez.

— Me prometa que me trará aqui todos os dias.

— Eu lhe prometo meu amor, mas agora vamos você precisa descansar.

Alice então teve que ceder naquele momento, estava realmente cansada, como hoje de manhã ela pôde ficar sozinha, ela se permitiu chorar, durante toda a manhã, seus olhos se encontravam inchados e ela havia percebido que Jasper havia notado esta simples mudança. O que Alice não pôde chorar durante essas semanas ela chorou hoje, estava carregando toda a dor consigo durante todos os dias e em sua cabeça continuaria carregando, pois para ela era por sua culpa que sua filha estava ali, por sua culpa toda a família estava sofrendo, por sua culpa a família estava abalada.

Jasper levou Alice até o carro, ele a ajudou a se levantar da cadeira de rodas e a colocou no banco do passageiro da frente. Ela colocou o sinto de segurança pela primeira vez depois de duas semanas iria andar de carro e teria que passar pelo mesmo caminho do acidente. Jasper dirigia com todo o cuidado havia percebido o quanto Alice estava aflita, segurava tão firme o banco do carro que parecia que ela iria rasgá-lo e quando Jasper teve que parar naquele mesmo sinal que Alice sofreu o acidente ela se desesperou, lembrou de tudo que havia acontecido, ela estava revivendo tudo novamente.

Ela estava chorando, e nem tinha percebido, fora instantâneo. Alice tremia de tão nervosa, não conseguia se controlar e logo seus soluços foram ouvidos por Jasper, que parou para olhar para a esposa.

— Calma meu amor já estamos saindo daqui, fique calma. – Assim que o sinal abriu olhou para os dois lados antes de passar, assim que parou o carro na garagem de casa ele tirou seu sinto e o de Alice a puxando para um abraço. Alice escondeu seu rosto na curva do pescoço de Jasper, continuando a soluçar e a chorar cada vez mais.

— Foi tudo minha culpa Jazz... Desculpe-me.

— Shh, Alice não foi sua culpa, não se sinta assim. Por favor. – Jasper deixou a lágrima escapar, será que Alice estava voltando com a depressão? Esta emoção teria sido muito forte para ela. Alice não estava mesmo bem, Jasper teria que fazer algo para ajudá-la, talvez mais tarde até ligasse para o médico para ver o que poderia fazer, mas agora ele teria que dar carinho e cuidados para Alice, sua mentalidade estava abalada. Ele se afastou limpou as lágrimas do rosto dela e saiu do carro, abriu a porta do lado dela e a pegou no colo. – Não fique assim minha pequena. Vamos superar isso, você verá. – Ele beijou sua testa delicadamente, neste momento Eric havia ouvido os pais chegarem e abriu a porta, Jasper sorriu para o garoto e quando entrou percebeu Emmett no lado de dentro da casa.

— Que bom que vocês chegaram. – Ele disse se levantando do sofá percebeu que Alice estava com o rosto escondido. Jasper fez uma careta fazendo com que Emmett ficasse quieto, ele passou direto para a escadaria subindo-a bem de vagar até chegar ao quarto. Depositou o corpo cansado de Alice sobre a cama delicadamente, percebeu ela reabrir os olhos para encará-lo.

— Jazz, me desculpe.

— Shh, Alice já conversamos sobre isso meu amor, por favor, não se culpe.

— Mas... Jazz eu não consigo viver assim. – Jasper naquele momento quase se enlouqueceu, Alice estava voltando a ter as crises de depressão novamente.

— Emmett, venha cá. – Jasper gritou, para que seu cunhado viesse rápido.

— Aconteceu alguma coisa?

— Cuide de Alice enquanto eu vou à farmácia, mas pelo amor de Deus não tire os olhos dela, para nada.

— Pode deixar.

Jasper voltou a pegar as chaves do carro e saiu correndo até ele, dirigiu até a farmácia que era próxima dali e comprou o calmante que o médico havia receitado para Alice. Assim que comprou o remédio voltou rapidamente para casa. Queria vê-la, queria poder tocá-la e dizer um “está tudo bem”, beijá-la e segurá-la para ter certeza que ela estava bem ali, ao teu lado.

Adentrou a casa e voltou para o quarto, Eric estava em pé parado observando a mãe, que no momento estava aconchegada ao colo de Emmett ainda chorando. Eric sabia que sua mãe não estava bem, não era mais criança estava entrando na adolescência e já entendia os sentimentos dos adultos. Jasper ficou preocupado com o filho, forçou um sorriso que não queria aparecer para demonstrar tranqüilidade para o filho.

— Daqui a pouco conversaremos campeão. – Jasper passou a mão pelos cabelos negros do garoto e ele sorriu tristemente. Jasper foi até Alice com seu remédio e ali em cima de uma cômoda havia uma jarra de água e um copo tratou de colocar um pouco e entregou a Alice, ela lhe olhava com aqueles mesmos olhos de antes, de quando haviam perdido um filho. Jasper se segurou para ser forte, mas estava quase desabando. – Meu amor tome o remédio, irá te fazer bem. – Alice segurou o comprimido na mão durante um bom tempo, mas em seguida o tomou. — Eu lhe prometo que farei o possivel e impossivel para a nossa felicidade.

— Jasper, se você quiser pode ir conversar com Eric ele deve estar assustado, eu fico aqui com Alice. — Completou Emmett ainda mantendo Alice perto de si.

— Obrigado. — Jasper agradeceu acariciou a mão de Alice e foi até onde o filho estava, passou o braço em volta dos ombros do garoto e o levou para seu quarto. Lá os dois se sentaram na cama e Jasper não sabia por onde começar.

— Pai a Liz está muito mal não é? Me conte eu já estou bem crescido. — Jasper sorriu para o garoto que a tão pouco tempo havia nascido e agora já estava virando um pequeno rapaz.

— Filho não vou te esconder mais nada, Liz está internada no hospital porque ela está em coma.

— Poxa pai, é por isso que a mamãe está tão mal?

— Sim filho, a sua mãe agora precisa de amor e carinho tanto de mim, quanto de você e de todos que a amam. Alice está fragilizada meu filho e precisa de apoio de todos nós.

— Pode contar comigo pai, eu vou ajudá-lo a cuidar da mamãe. — Os dois se abraçaram, Jasper estava conseguindo ver a imagem de um homem já responsável em seu filho e tinha orgulho quanto dele tanto de Liz.

Liz, seus pensamentos se voltaram nela, eles estavam ali naquela casa onde ela também deveria estar, como ele sentia sua falta, tanta falta que chegava a ficar louco de saudades. Jasper materializou a imagem de Liz bem alí a sua frente com aquele seu sorriso encantador e delicado, seus lindos e profundos olhos verdes vidrantes, seu corpo miudo de menina, os cabelos compridos até a cintura em um corte repicado e uma franja comprida. Era como se ela realmente estivesse alía sua frente, parecia ser tão real que ele quase podia tocá-la. Mas em um piscar de olhos ela se foi.

— Pai, porque isso tinha que acontecer?

— Eu não sei meu filho, eu não sei. Mas saiba que vai tudo ficar bem.

Depois desta conversa Jasper indo a caminho ao seu quarto parou bruscamente ao notar barulhos vindo do quarto de Liz. Ele abriu a porta do quarto devagar e viu o quarto alí do mesmo jeito que ela havia deixado naquela manhã, o livro sobre sua cama arrumada, seu coelhinho tuti que ela o tinha desde pequena em cima da mesa de computador, ele adentrou aquele quarto e pegou aquele coelhinho mandraque, aquele que ele tanto odiava por ver sua filha sempre grudada nele. Ele sentiu seu cheiro ali nele, abraçou aquele coelhinho com tanta força e chorou, chorou com todas as suas forças, estava sentindo tanta falta dela que dentro de si nem cabia mais.

Jasper parou de imediato ao pensar que havia escutado a risada de Liz, olhou ao redor de todo quarto e não viu nada, parecia que ele realmente estava ficando louco e até pensou isso de si mesmo. Mas aquilo tinha uma explicação em uma simples palavra e aquilo se chamava saudades. Ele estava sendo forte, mas não sabia se conseguia, não sabia se poderia, mas devia, por Alice, por seu filho.