Jasper se levantou rapidamente e acompanhou o médico, não sabia o que iria dizer quando Alice perguntasse da filha, ele deveria dizer a verdade, ou dizê-la que está bem? Ele não gostava de mentir para a esposa, mas dependendo de seu caso clínico ele deveria guardar segredo.

— Dr. Antes de entrar gostaria de saber de algo.

— Sim pode me perguntar o que quiser.

— Bem, nossa filha também estava com Alice e ela está na cirurgia, mas não sabemos seu estado, Alice é muito apegada à filha, eu gostaria de saber se devo esconder a verdade dela.

— Bem Sr. Jasper, Alice está em um estado clínico de perigo, qualquer abalo emocional poderá piorar seu estado, temos que tomar o máximo de cuidado o possível.

— Obrigado Dr...

— Dantas, pode me chamar somente de Dantas. – Jasper então assentiu e pediu licença para que pudesse entrar no quarto, ele abriu a porta bem devagar, tentando fazer o mínimo de barulho o possível. Quando ele entrou e viu Alice ali ligada a vários fios, ele se sentiu imprestável, não poderia fazer nada para tirá-la de seu sofrimento. Alice tinha arranhões pelo o corpo, alguns cortes foram profundos e precisaram de pontos, Alice tinha uma máscara de oxigênio em seu rosto, um aparelho mostrava seus batimentos cardíacos. Ele se sentou em uma poltrona e segurou na mão de Alice, que tinha alguns arranhões, lhe acariciou levemente e foi o que fez Alice abrir os olhos bem devagar.

— Jazz. – Ela tentou dizer, mas sua voz não passou de um sussurro.

— Fale meu amor. – Ele tirou um fio de cabelo de sua testa.

— A Liz... Como ela está? – Jasper tentou não transparecer a preocupação abriu um breve sorriso, tentando parecer que estava tudo bem.

— Ela está bem, não se preocupe, agora descanse você não pode se cansar. – Ele acariciou sua cabeça, Alice fez uma leve careta e Jasper logo se preocupou. – O que você está sentindo?

— Dor de cabeça.

— Você está bem?

— Estou sentindo dores pelo corpo todo.

— Vou chamar uma enfermeira para lhe dar um analgésico. – Jasper chegou à porta e no corredor sempre havia um enfermeiro, Jasper lhe pediu um analgésico para Alice e ele prontamente foi buscar o remédio. Jasper voltou para seu lado e lhe abriu um largo sorriso. Queria tanto que aquilo logo passasse que pudesse hoje mesmo levar Alice e sua filha para casa. Assim que o enfermeiro voltou com o remédio deu-o para Alice e saiu.

— Jaz e como Liz está, quero saber.

— Er... Alice ela está dormindo ainda, mas ela está bem meu amor, não se preocupe, agora porque você não volta a dormir?

— Eu queria vê-la Jaz.

— Meu amor, você tem que se recuperar primeiro, você não pode simplesmente sair daqui. Eu quero tanto que isso acabe e que possamos voltar para casa. – Ele disse beijando a mão de Alice estava tão ruim ter que mentir para ela, pelo visto Liz não se encontrava bem, seu coração de pai lhe dizia isto.

Alice não tentou resistir, cedeu aos pedidos do marido e voltou a dormir, e naquele momento bateram na porta de seu quarto Jasper lhe deu a ultima olhada para ver se ela parecia confortável e então foi até a porta se surpreendendo em ver Charlie.

— Olá Jasper. – Charlie disse com um sorriso no rosto, mas não um sorriso de alegria, mas sim um sorriso que tentasse mandar um pouco de reconforto para Jasper que tanto estava sofrendo naquele momento, isso estava estampado em sua cara não tinha como negar.

— Charlie, como vai? – Jasper perguntou tentando disfarçar, mas esta pergunta teria que ser redirecionada para ele e não para Charlie, pois não foi sua esposa que estava ferida em uma cama de hospital e uma filha a beira da morte.

— Eu que lhe pergunto Jasper, como você está? – Charlie disse colocando mais ênfase na palavra você, pois ele queria que Jasper não lhe escondesse nada, nada mesmo. Se Jasper não tinha um pai para ampará-lo naquele momento Charlie estava com coração aberto com disposição para fazer o papel do homem mais importante para um filho naquele momento.

— Eu... Eu nem sei mais. – Jasper respondeu com dificuldade olhando para o chão, sem saber o que realmente sentia naquele exato momento. – Bem eu... Eu estou à beira de precipício. E estou quase a pulando, entregando minha vida.

— Meu filho não diga isso, tudo se resolverá. – Charlie disse encostando sua mão levemente nos ombros de Jasper. – Vem vamos conversar em um lugar melhor. – Charlie disse fazendo com que Jasper o seguisse para a cantina do hospital.

Quando chegaram lá Charlie pediu um suco de laranja para ele e um de maracujá para Jasper ele estava com uma cara de quem precisava se acalmar. Eles se entreolharam tomaram uma boa golada de suco e em seguida Jasper pensou, pensou olhando para o nada fixamente enquanto Charlie apenas o observava.

— Liz está correndo perigo. – Jasper soltou de uma vez, até assustou Charlie. – Liz precisou de doação de sangue e está até agora na cirurgia.

— Meu Deus, não lhe deram mais nenhuma notícia dela?

— Não, não me disseram mais nada, apenas isso. Estou com tanto medo que nem consigo mais chorar, estou espantado e impotente de fazer qualquer coisa. – Ele deu uma pausa e bebeu mais um pouco de seu suco, passou a mão pelos cabelos e voltou para a conversa. – Até agora pouco foi ver como Alice estava e ela me perguntou sobre a filha, não pude dizer para ela qual o estado de Liz, ela poderia ficar pior o quadro psicológico de Alice ainda está um pouco desfavorecido.

— Jasper, você sabe que pode contar comigo para o que precisar não é? – Jasper fez que sim com a cabeça e bebericou o restante do suco.

— Obrigado Charlie, você é como um pai para mim. – E neste momento Charlie sorriu por felicidade, pois se sentia orgulhoso de ser “pai” de alguém tão bom como Jasper.

— E como Alice está?

— Ela está ainda com dores no corpo e um pouco confusa com o que aconteceu, mas você sabe como é Alice, ela não quer saber de si, mas sim de sua filha.

— Jasper quero que saiba que estaremos todos aqui com você quando Alice precisar saber da verdade.

— É isso que eu tenho medo, Alice é tão apegada aos filhos e principalmente a Liz, ela irá ficar tão nervosa quando souber o estado da filha, tenho medo Charlie que a história se repita.

— Jasper não pense assim, olhe, o que ocorreu no passado foi uma lástima e sinto por isso a perca de um filho é dolorosa, mas Liz não morreu e nem irá morrer, Alice, bem Alice como mãe irá ficar preocupada e irá absorver a tristeza de todos como dela, por isso todos nós e principalmente você teremos que ser fortes, por Alice, por Liz.

— Alice irá se culpar por isso, você não se lembra como ela reagiu ao aborto?

— Bem, teremos que ter paciência com ela e ficaremos todos de olhos bem abertos á Alice. No fim todos ficarão bem, você verá.

Jasper tentou sorrir imaginando que sim, tudo ficaria bem no final, como as historinhas que contava para Liz quando a colocava para dormir. Jasper estava se sentindo mais confiante e pedia com todas as suas forças, que sua fé prevalecesse e que seu medo não lhe tomasse.

Charlie e Jasper depois ainda prevaleceram em uma longa conversa. Eles nem perceberam o tempo passar, andaram pelos corredores do hospital até chegarem na sala de visitas, lá se encontravam Esme, Carlisle, Edward e Emmett. Jasper apressou os passos juntamente com Charlie. Assim que chegou lá recebeu abraços calorosos de seus parentes, amigos e irmãos.

— E aí cara como elas estão? Como minha irmã está? – Emmett perguntou enquanto encarava Jasper, um Jasper completamente apreensivo ao ver que um médico se aproximava dali.

— Alice está machucada, mas está bem, ela não pode ter emoções fortes no momento e tenho medo disso. – Emmett e Edward se entreolharam preocupados.

— Que notícia Jasper. – Perguntou Edward.

— Liz, não tivemos nenhuma notícia dela e desde que chegou aqui ela está na sala de cirurgia. – Edward também começou a se preocupar, sua sobrinha a preferida por ser a única sobrinha que ele tinha. Alice adorava tanto a filha, por ser sua princesinha e ela sofreria tanto se lhe acontecesse algo.

— Meu Deus, tomara que não aconteça nada com Liz, Alice é tão apegada à filha. – Completou Edward com um olhar triste. – Jasper, Bella pediu desculpa por não poder vir, Nessie está um pouco gripada e com febre teve que ficar para cuidá-la.

— Sem problemas Edward, diga a ela para não se preocupar em quanto a isto.

Neste momento o médico que Jasper avistara entrara na sala, onde somente eles e mais algumas cinco pessoas se encontravam. O médico parou e observou a sala antes de fazer a sua pergunta.

— Quem é a família de Elize Anne Cullen Hale? – Perguntou o médico olhando em direção aos Cullen.

— Somos nós Doutor, eu sou o pai dela. – Disse Jasper com medo do que poderia sair da boca daquele médico. Seu coração já estava acelerado quase saindo pela sua boca. Jasper nunca se encontrou tão nervoso naquele estado, também tudo estava em sua mão. Ele teria que contar o que aconteceu com Liz para Alice, teria que ampará-la e ajudar a filha em qualquer dificuldade que tivesse, mas ele estaria disposto a largar tudo para ficar ao lado de quem ele mais ama.

— Bem, Elize sofreu uma forte pancada na cabeça causando uma pequena hemorragia que conseguimos controlá-la. Ela teve uma parada respiratória, está com a perna esquerda quebrada, um braço deslocado e alguns pontos, mas...

— Mas o que doutor? – Perguntou Carlisle visto que Jasper não conseguia dizer mais nada.

— Elize entrou em estado vegetativo... Não sabemos quando ela pode voltar, pode demorar dias, semanas, meses ou até...

— Anos... – Jasper interrompeu deixando seu corpo cair sobre a cadeira ao seu lado.

— Eu sinto muito, fizemos o que pudemos. – Disse o médico desapontado consigo mesmo.

— Mas podemos vê-la? – Perguntou Jasper levantando seu rosto novamente.

— Infelizmente ainda não, vocês poderão somente vê-la através do vidro do quarto, ela corre risco de pegar alguma infecção.

Jasper estava perdido, perdido em seus pensamentos e sua imploração para que a vida de sua filha fosse poupada, pedia tanto a Deus que ela voltasse e ficasse bem e como, como ele contaria para Alice que sua filha ficaria em coma em uma cama e poderia ser durante anos.

Jasper via seu chão desmoronar, não podia acreditar que Liz ficaria de coma e o pior disso tudo era não poder saber quanto tempo ela ficará assim. Poderia ser meses de tortura ou anos, era o que ele imaginava e talvez fosse a mais pura realidade. Neste ritmo de pensamento Jasper se sentiu vazio não sabendo o que fazer, não agüentava os olhares piedosos de pessoas que ele nem conhecia naquele hospital sobre si, se sentiu pressionado a tanta coisa que se levantou em um solavanco da cadeira e se redirecionou para o lado de fora do hospital, se permitindo voltar a respirar e sentir seu coração palpitar algumas vezes, via ali enquanto alguns pacientes chegavam que ele não era o único que estava sofrendo, que ele não era o único a ter que lidar com momentos difíceis, mas a dor era tanta e seu medo estava se alargando pelo seu corpo como uma doença grave.

Ele se perguntava por que, porque tinha que acontecer tudo aquilo na vida deles? Será que já não bastava tudo que eles já haviam passado? Liz é uma garota ingênua, cheia de boas esperanças com o mundo, não se permitia abrir os olhos para a realidade da vida. E mesmo sendo um doce a vida lhe pregou uma peça. Mas por trás de tudo isso será que algo de bom iria acontecer?