Notas iniciais
A pedido da danielle rejane ta ai o cap. eu quero reviewsss ou algo bom!!!
:) boa leitura
esse cap veio maior em compensação do 4 q veio meio pequeno

Acordo assustada. Meus olhos estão cheios de lágrimas.
“Acalme-se Luci! Foi tudo um sonho!” Digo para mim mesma. Mas não consigo me acalmar. O que Dave iria me dizer? Era um sonho, não deve ter sentido. Mas e se tiver?
Levanto da cama e me troco. Coloco uma blusa verde, uma alça branca e botas listrada de verde e amarelo. Desço até a cozinha onde minha mãe está fazendo biscoitos enquanto meu irmão brinca com sua torrada.
–Andrew Jones! – Minha mãe grita da cozinha– Pare imediatamente de brincar com sua comida!
Drew para no mesmo segundo. Quando minha mãe o chama pelo nome completo, pode saber que é algo sério.
– Bom dia! – Falo tentando parecer o mais alegre possível.
–Bom dia filha! – Minha mãe fala
Sento-me à mesa e me sirvo de leite e torrada.
–Os biscoitos estão prontos! – Berra minha mãe
Nós solares temos uma grande facilidade em preparar comida, já que nós mesmos podemos esquentá-la.
Minha mãe se senta e começa a se servir.
Meu sonho me impede de comer, toda vez que mordo a torrada sinto o gosto do sangue escorrendo de meus olhos.
–Luci? Está tudo bem?
–Sim! É só que eu estou com algumas duvidas.
–Por que não vai à biblioteca?
A biblioteca! Como não pensei nisso antes? Termino de comer a torrada e saio correndo, minha mãe disse alguma coisa, mas eu não entendi.
***
A biblioteca é enorme, com dezenas de prateleiras com livros de capas coloridas. O cheiro dos livros me faz esquecer do meu pesadelo.
–Bom dia!
Atrás de mim está Elly, a bibliotecária. Ela é baixa e magra, com longos cabelos loiros, seus olhos são grandes e seu nariz fino, fazendo com que seus óculos escorreguem para ponta dele sempre que ela vira a cabeça.
–Bom dia... Estou à procura de um livro.
–Oh! Claro! Qual é o nome?
Esqueci disso. Não sei o nome. Não sei nem o que estou procurando.
–Hã... Eu não sei o nome, mas sei o assunto!
–E qual seria? – Elly se senta em frente ao computador.
– Solares e... Noturnos – Depois de dizer isso espero que Elly tenha uma reação terrível, mas ela apenas digita em seu computador, sorrindo.
–Ah Claro! Tenho livros na prateleira 42.
Ela aperta um botão e a o numero 42 brilha em uma prateleira.
A prateleira é composta de dez livros, cada um com uma cor diferente.
Passo o dedo pelos livros, as capas pareciam novas, como se o tempo não tivesse passado. Leio os títulos com atenção:
“A guerra entre noturnos e solares, 10 motivos para odiar os noturnos, Como matar um noturno...”
Nenhum livro é o que eu preciso. Começo a desistir até que vejo um com uma capa preta. Preto não é uma cor usada por solares.
“Eclipses”
Nunca tinha ouvido falar sobre isso. Abro o livro e começo a foliar o primeiro capítulo:
“Eclipses são causados pela junção de poderes entre solares e noturnos, essa junção acontece através de um beijo.”
Minha mãe me disse uma vez que ao se beijar alguém é se comprometer para sempre. Os poderes das duas pessoas se juntam e se transformam em um raio de luz. Os raios de luz vão para o sol, algo assim. Continuo lendo:
“O Eclipse prejudica os poderes das duas espécies, dependendo da paixão dos indivíduos. Solares apaixonados por noturnos resultam em um eclipse solar,o que tira os poderes dos solares. Noturnos apaixonados por Solares resultam em um eclipse lunar, que tira os poderes dos Noturnos. Caso os dois estejam apaixonados um pelo outro, ocorre um fenômeno chamado céu das sombras e solares perdem seus poderes. Os eclipses são rápidos, mas o céu das sombras dura até a junção ser desfeita.”
Isso explica muita coisa. Passo para o segundo capítulo:
“Em 4897, durando 47 dias., 257 solares e 93 noturnos morreram. A vida do noturno foi tirada para acabar com a junção”
Lembro do que Dave disse no sonho. Não podemos deixar que aconteça de novo. Será que era isso que ele se referia? Leio a última frase:
“A junção só poderá ser desfeita, pela morte de um dos indivíduos que a praticam”
***
Visto a roupa do treinamento. A roupa está ficando desgastada com o tempo, tenho que trocar.
A lua está brilhante hoje. Não sei se deveria ter saído, ainda tremo ao lembrar do meu pesadelo. O cheiro do sangue ainda está em minhas narinas. O gosto ainda está em minha boca. A sensação da morte está em mim.
Dave está na mesma árvore, mas não deitado como sempre ou em pé como no pesadelo. Ele está em cima dela. A árvore parecia mais alta do que da última vez que vim.
–Hey Luci! – Ele diz
–Hey Dave! – Eu respondo
Começo a subir na árvore, os galhos retorcidos me ajudam a apoiar meu pé. A árvore parecia não ter fim. Quando finalmente cheguei onde Dave estava tinha 3 galhos no cabelo e provavelmente com o rosto vermelho, pois Dave me encarou alguns segundos.
– Vem – Ele pega minha mão – Quero te mostrar uma coisa.
Subimos até o topo da árvore, nunca percebi como ela era alta. Dave se sentou em um galho e começou a olhar para frente, como se visse algo que eu não estivesse vendo.
–A vista é linda daqui. – Ele diz
Olho para frente. A sede dos marinhos rodeada de água com a luz da lua refletida nela. A sede dos solares e suas milhares de janelas. A sede dos noturnos cheia de varandas, parapeitos e rodeada de roseiras negras.
–É realmente linda – respondo
Não sei por quanto tempo ficamos observando aquela vista, ela tinha algo que me intrigava. O jeito que a lua refletia na água, brilhando, como se fossem Marinhos e Noturnos juntos. Ou as roseiras negras. Ou quem sabe a quantidade excessiva de janelas da minha sede.
– Dave...
–Sim Luci?
Antes que posa responder escuto um créc.
–O que? – É tudo que digo antes do galho em que eu estava quebrar e eu cair a mais de dez metros do chão.
***
Acordo com a cabeça doendo, noto que não estou no parque e sim em uma cama num quarto preto, com paredes pretas, uma porta cinza, uma cortina tapando a única janela, deixando o ambiente escuro. Conta apenas com a cama,uma mesa de centro , um sofá cinza , um armário e um móvel cheio de gavetas. Parece um quarto de um.... Noturno.
–Você acordou – É a voz de Dave – É melhor não mexer a perna esquerda, está com uns cortes feios.
Minha perna está doendo muito, assim como todos os membros do meu corpo.
–Ai, o que aconteceu?– Pergunto
– Você caiu e apagou. Aí eu trouxe você para cá, não podia levar você até os solares
Ele para e respira fundo. Eu sei o motivo dele não poder me levar.
–Se não eles iriam achar que fui eu que te machuquei, e dessa vez não sei quem vai me ajudar – Ele fala isso como uma brincadeira, mas eu sei que a dor dele é real.
Depois de minutos remexendo as gavetas ele tira uma atadura de uma delas.
–Pronto! Não. – Ele chega mais perto tirando o cobertor que cobre minha perna. Ela está sangrando muito. – Está melhor do que eu imaginava – Minha perna parece normal apesar da dor e dos cortes sangrentos
–Melhor? E o que seria pior para você? – Pergunto. Era para ser séria, mas acabo rindo.
–Não sei, acho que se você tivesse quebrado ou algo assim. – Ele ri – Por ser uma Solar, em vez de sangue poderia sair purpurina.
Cruzo os braços séria, mas não consigo controlar o riso. Nós dois caímos na gargalhada.
Dave enrola com a atadura até ficar firme, ainda rindo.
–Você consegue andar?
Me levanto da cama. Sinto muita dor, mas consigo suportar.
– Acho que sim, se eu for devagar.
Ouvimos o barulho de uma porta batendo.
– Oh não – Ele diz– Deve ser o Elliot, ele não pode ver você aqui.
Ele abre a cortina deixando a luz entrar no quarto. Noturnos não podem ficar muito tempo na luz a nossa sorte é que ainda está amanhecendo e o sol não está tão forte.
Ele fecha os olhos com força e me puxa, me fazendo jogar o impacto na minha perna machucada, sinto uma dor imensa e solto a mão dele.
–Sua perna – Ele diz– Vou tentar tomar mais cuidado, mas você vai ter que me seguir.
Dave sai pela janela e se equilibra no parapeito, a sede dos noturnos é cheia de parapeitos e varandas cobertas então podemos nos equilibrar no teto delas.
–Vamos Luci!
Desço e também me equilibro no parapeito, pelos meus cálculos ele deve morar no oitavo andar.
Ele segura minha mão e descemos até o teto da varanda do andar de baixo. Minha perna está ardendo.
–Isso é seguro? – Pergunto
–Quer saber a verdade? Eu não sei, nunca fiz isso na vida.
Olho para baixo, as roseiras rodeando o prédio. Roseiras. Espinhos.
Se nós cairmos vamos furar os olhos com certeza.
–Ei, não tenha medo está bem? – Ele segura minha mão – Eu vou te ajudar. Só temos que descer três metros até o próximo parapeito ok?
–Ok... –Responde tremula
Ele se segura na grade da varanda e desce até o parapeito.
–Ok agora você.
Respiro fundo e tento imitar Dave ao descer, chegando ao parapeito.
Ele vai descendo na frente e me ajudando a descer depois.
–Você está indo bem – Ele diz – Mas temos que ir mais rápido porque...
O sol está nascendo e ficando mais forte. Isso é um problema.
Dave solta minha mão e coloca a mão os olhos, ele fica imóvel.
–Dave? Você acha que consegue descer mais um pouco?
Ele assente com a cabeça. Dessa vez eu tenho que descer na frente.
Seguro com força a grade da varanda e desço até o outro parapeito, estamos no quinto andar. Vou tentando encostar o meu pé no parapeito embaixo de mim.
“Vamos” penso “Está quase lá, só mais um pouquinho..”. Minha mão escorrega.
***
Gritar. Tudo que eu quero fazer é gritar. Mas não consigo, minha boca abre e nenhum som sai.
“Eu vou morrer. Vou cair lá embaixo e morrer.” Fecho os olhos tentando impedir que as lágrimas escorram.
O chão parece estar a três centímetros de mim. Como será morrer? Deve doer muito.
Bato as costas em um teto de uma varanda. O impacto parece me devolver à capacidade de falar e solto um urro de dor.
Minha perna está sangrando.
–Dave! Dave dá para me ajudar? – Ele esta ajoelhado no parapeito com as mãos nos olhos.
–Hã? – Ele tira a mão e olha pra mim – Luci! O que aconteceu?
–Eu me joguei porque quis – Digo com ironia
Ele força um riso e começa a descer.
–Você sempre consegue piorar as coisas em? – Ele diz me ajudando a levantar – Vamos, falta apenas um andar.
Quando toco o pé no chão, sinto que vou desmaiar de dor.
–Não consigo andar
–E eu não consigo ver – Ele coloca a mão nos olhos – Eu vou descer e depois você pula no meu colo ok?
–Sim, vou tentar.
Ele vai até o parapeito e pula no chão, mas acaba se desequilibrando e caindo. Ele se levanta rapidamente ainda com os olhos fechados.
–Vamos Luci! Pule logo! O sol está mais forte!
Vou até a beira mancando. Não consigo pular.
–Luci! Vá logo!
Pulo. A distância é pequena acho que de menos de 5 metros, mas a sensação de estar caindo para morte é a mesma. Fecho os olhos com força novamente, como se fosse eu a noturna. Não vejo nada, apenas caio nos braços de Dave.
Ele me coloca no chão e tapa os olhos com as mãos.
–Luci, eu não consigo abrir os olhos. Você consegue ir para casa sem mim?
–Sim – Minto. Ele não pode me levar – Você não pode mais ficar aqui, é melhor entrar.
–Sim, mas sua perna...
–Minha perna está bem. Eles devem estar preocupados com você!
O ajudo a levantar me apoiando na perna direita e quase caindo no chão.
–Vai, eu vou ficar bem – Ele sorri – Siga reto até o portão
Mas ele não vai em direção ao portão. Ao invés disso ele apenas me abraça.
–Obrigada Luci – Ele se vira e cambaleia até o portão.
Fico parada lá como uma idiota. Minha perna está sangrando e eu não tenho como andar.
Sento no chão e espero alguém aparecer. É estranho como ninguém saiu me procurando ainda.
Vejo um solar andando pelo parque.
–Ei! Você! – Ele se vira pra mim – Sim você mesmo! Será que você pode me ajudar?
Ele vem até onde eu estou.
–Lucina? Oi! Você se lembra de mim?
O encaro. Cabelos loiros caindo nos olhos, boca alaranjada, nariz meio arrebitado, camisa laranja, calça vermelha. Larry! Larry era meu colega de treinamento, um dia sem querer acertei uma bola de luz no braço dele e acabamos ficando amigos.
–Larry! Quanto tempo! – Ele me ajuda a levantar. Seu braço ainda tem a marca da bola de luz. – E desculpe de novo pela bola de luz.
Ele ri. A risada dele é estranha e engraçada, o que me faz rir também.
– O que aconteceu com sua perna Luci? – Ele pergunta
–Eu acabei caindo de uma árvore agora – minto
–Sério? Seus pais estavam preocupados com você, ninguém te viu saindo.
– E como está sua vida? – Tenho que mudar de assunto
–Está ótima, e a sua?
–Está boa.
– Sua perna está sangrando mais. É melhor irmos mais rápido. Sobe nas minhas costas.
Obedeço. Ele começa a correr, desviando das árvores.
O vento bate com força no meu rosto enquanto estou rindo. Larry foi um dos meus melhores amigos. Ele começa a falar e o vento bate em sua boca fazendo as palavras se embaralharem, me fazendo rir ainda mais. Chegamos até a sede dos solares em menos de cinco minutos.
–Vamos para enfermaria A enfermaria é um prédio amarelo a uns 500 metros da sede dos solares. Tem seis andares, mas não é muito usada, solares não costumam sofrer acidentes, seja lá o que for. Entramos no saguão. Paredes brancas, moveis brancos, quase nenhuma janela, mas em compensação uma imensa porta de vidro que deixa a luz entrar no lugar. Larry entra e vai até o saguão comigo ainda em suas costas.
–Ela machucou a perna – Ele diz
Larry me coloca no chão e deixa que a enfermeira me leve até o consultório.
Chegamos ao consultório. As paredes são amarelas e os objetos laranjas, brancos e vermelhos, essa combinação de cores mais o sol que está entrando pela janela faz meus olhos arderem.
– Nossa! O que houve com sua perna?! – O médico pergunta
– Eu caí de uma árvore alta – Respondo
–Bom, vou enfaixar. – Ele olha para minha perna– Mas vejo que já vez isso.
A atadura de Dave! Como pude esquecer de tirar?
–Hã... – Não tenho uma desculpa boa o suficiente.
–Eu vou ter que tirar e colocar uma nova, está bem? – Ele não parece nem um pouco interessado em como consegui aquela atadura.
Ele tira e limpa minha perna, depois a enfaixa de novo.
Não digo nada. Levanto-me e vou até a porta, mas antes de abrir a maçaneta ele fala:
–Não sei se é bom uma solar andar com um noturno – Essa afirmação me congela. Não consigo me mover. Quero sair desse lugar.
–O que? – Tento parecer surpresa – De onde você tirou essa ideia?
Ele ri. A risada dele me dá medo.
– Você não aparece na sede desde ontem e você apareceu com uma atadura. Não há como solares sobreviverem à noite sem ajuda. E como não foi um solar que ajudou, foi um noturno.
Meu corpo treme.
– Não sei do que você está falando – Digo
–Fique tranquila, não contarei para ninguém – Ele diz
Nesse momento eu volto a me mover, como se o medo passasse. Abro a porta e saio.
Larry esta me esperando do lado de fora.
–E ai Luci? Tudo bem?
–Sim – Digo – Pode me ajudar a andar?
Eu passo a mão pelo seu ombro.
–Luci, estão chamando todos no saguão – Ele fala.
Vamos até o saguão. Quando os solares me vêem começam a gritar e me abraçar.
Minha mãe aparece no meio da multidão
–Luci! –Ela está chorando– Onde você esteve?!
–Eu... eu... – Não consigo pensar em algo para me desculpar.
– Ela saiu da sede – Larry diz – Hoje bem cedo, eu ouvi o barulho e resolvi segui-la. Ela saiu correndo e eu acabei a perdendo de vista. Depois eu a encontrei novamente e ela estava com a perna machucada, tinha caído de uma árvore. Podem ficar tranquilos, nenhum noturno chegou perto, pois saímos ao amanhecer.
Estou impressionada com Larry.
–Bom – Minha mãe diz – Mesmo assim temos que conversar Lucina Jones.
Ela me puxa até o elevador.

***
Depois de uma hora e meia de um discurso sobre como o que eu fiz foi errado, que eu deixei todos preocupados, e outras reclamações, Larry veio até minha casa.
– Obrigada – Digo – Por ter explicado para minha mãe o que aconteceu.
– Você sabe que eu não te segui não é?
Assinto com a cabeça.
– Sim, é só que...
–Não diga nada – Ele me interrompe – Eu sei o que aconteceu.
Meu corpo gela novamente, do mesmo jeito do consultório do médico.
–Sabe?
–Sim. Você só queria sair da sede, não aguentava ficar aqui e resolveu sair escondida. E como eu te conheço, você resolveu aproveitar demais e acabou se machucando. Não é?
–Sim – Suspiro – Você é muito bom em adivinhas.
–Sou mesmo, um dos melhores.
– O mais humilde também não? – Acrescento com ironia.
–Não estou brincando – Ele fala sério – Eu realmente sou um dos melhores.
Ele sai do quarto me deixando sozinha lá, com a mesma cara de boba de quando Dave me abraçou.

Notas finais
Gostarão???