E se um dia eu ficar sem sua pele cálida? Sem sentir seu cheiro ou o macio de seus lábios, ficar sem você é uma agonia e isso eu não quero nunca.

Nesta noite, a lua deu o ar da graça, cheia e brilhante. Já não via Diogo desde sábado, segunda eu faltei e terça não teve aula, ele me ligou, mas estava dormindo, no meio da noite eu acordei assustada. Fiquei na varanda o resto da noite, pensando em Rafael, me sentia mal em estar pensando nele, porém não conseguia pensar em outra coisa. E pensar que eu e Rafael só terminamos por que eu não aguentaria namorar a distância, e que ele ia para o exterior estudar, se eu dissesse isso para Diogo, não sei o que ele pensaria.

Pela manhã, Diogo apareceu em casa, eu estava sozinha, minha mãe foi viajar a trabalho. Foi bom ficar sozinha com ele, pôr as coisas em pratos limpos. Diogo foi entrando, eu estava fazendo comida, ele me abraçou quando eu estava de costas e deu-me um beijo na nuca que me arrepiou toda.

–Bom Dia meu amor! -disse alegremente

–Bom Dia -respondi me virando- por que você não veio esses dias? aconteceu alguma coisa?

–Não -franziu o cenho- eu arrumei um emprego.

–Sério que maravilha amor, é aonde? -fiquei animada

–Sabe aquela loja de surfe no final da rua?

–Sei, é lá?

–É, sou apenas um vendedor, mas estou tão animado! -comentou sorrindo

–Parabéns Dih! -falei beijando-o

–Você ainda está chateada comigo?

–Não, -dei uma pausa- só queria te ver sem magoas.

–Como assim?

–Eu não gosto de te ver triste ou preocupado, só isso.

–Hm -sussurrou- eu não estou, só não gostei dele te agarrando -disse fechando a cara

–Diogo? -falei séria

–Tudo bem desculpa, mas é que não desce, aquela imagem, ai eu fico imaginando vocês...

–Nunca teve e nunca vai ter, esquece eu e ele, porque sou eu e você. Entenda isso. -interrompi

–Eu não consigo. Aquele.

–Diogo, eu te amo -sussurrei e beijei

Nós ficamos abraçados, depois fui tirar a comida do fogão e voltei a abraça-lo.

–Diogo, eu não quero mais ver você assim, está bem? Vamos falar do seu trabalho.

–Tudo bem, por você, mas não quero falar sobre o trabalho.

–Quer falar o que?

–Eu não quero falar, só quero ficar com você.

–Tudo bem, eu estou aqui não estou?

–Está e eu te amo -sussurrou me abraçando- te amo demais.

–Eu também te amo.

Diogo saiu depois de algumas horas, eu lavei a louça e sai. Fui no mercado fazer umas compras, a fila estava enorme então acabei desistindo. Liguei para minha amiga Ariane para sairmos, fomos até o parque Ibirapuera, entramos no planetário, rimos muito. Tudo isso me fez esquecer de Rafael e os acontecimentos de ultimamente.

Cheguei em casa cansada, tomei banho e fui pro quarto fazer lição. Depois de um tempo fui dormir, cai no sono muito rápido. A noite foi rápida e quando percebi já estava de manhã, tomei meu café da manhã rápido me arrumei e fui para a escola, não precisava pegar mais ônibus a escola era a duas quadras de casa. Cheguei cedo só tinham um grupo pequeno na porta da escola, quando entrei dei de cara com Rafael, ele estava arrumado, a faculdade fez bem para ele. Diogo vinha atrás de mim sério como no dia do shopping, Rafael sorriu para mim e entrou na sala.

Diogo estava nervoso, pegou minha mão e praticamente me arrastou para bem longe da sala que estava Rafael, eu queria ter um dia normal, mas não ia acontecer. Diogo me olhava sem emoção no rosto pensei em sorrir e abraça-lo mas sabia que seria em vão.

–Diogo, não adianta ficar assim. Você não confia em mim né, é isso??

–O que, não, eu confio em você...Só não confio nele, simples!! -ele pegou meu rosto com as mãos e sorriu timidamente- Eu sempre vou confiar em você!!!

Os dias se passavam e Rafael como o novo estagiário, ficava na mesma sala que eu, pior me dando aula, ele fez faculdade de Biologia mas prestou prova para professor. Nas duas únicas aulas que eu não ficava com Diogo, Rafael me dava aula aos 22 anos. Diogo tentou mudar de aula de novo mas não conseguiu só se irritava mais, eu falava para ele não se preocupar mas ele não me ouvia.

As férias se passaram e finalmente chegou o aniversário de Diogo, nós acabamos indo para uma balada que tinha na esquina de casa.

–Tá gostando? -falei alto no ouvido dele

–O que? -berrou em meus ouvidos

–Está gostando? -gritei

–Ah estou -sorriu- vamos tomar um ar?

–Vamos sim, estou precisando. -ele pegou minha mão e saímos, encostados no carro ele me abraçou sem dizer nada por um tempo então falou por fim.

–A Joyce mandou um abraço, ela foi viajar com Eduardo.

–Hm -sorri- e a faculdade?

–Ainda é férias para ela, mas eles voltam no domingo.

–E você vai ficar sozinho? Que coisa. -sussurrei

–É nada, minha namoradinha não vai me deixar sozinho, pelo menos de dia.

–Claro que não, que namorada deixaria um gato como você a solta por ai? Nunca! -terminei beijando-o

–Estou com sono, vamos para casa?

–Aham -balancei a cabeça

Ele abriu a porta do carro para mim, me deu um beijo e entrou depois de mim. Fomos para a casa dele, peguei um copo d'agua e fui pro sofá, a Joyce não estava mesmo, na casa só estavam nós dois, eu sorri maliciosa deixei o copo de lado e o beijei sentando em seu colo, Diogo me envolveu nos braços fortes, eu o abracei pela nuca. Diogo apertava meus lábios contra os dele delicadamente, já sem blusa me apertei contra se peito quente e viril dele, sentia minhas costas queimando, ele me carregou até o quarto, deitou-me na cama dele ainda me beijando, fora um dos momentos mais felizes de minha vida, só eu e ele sem problemas, sem ninguém para nos perturbar. Quando percebi já era manhã, Diogo ainda dormia, seus braços ainda me envolviam fiquei deitada o olhando e afagando os cabelos bagunçados dele, o abracei cuidadosamente, deitando em seu peito nu, fiquei feliz por estar ali com ele.

Pouco depois Diogo acordou, beijou minha cabeça em silencio, eu ainda deitada no em seu peito, o olhei sorrindo sem falar nada, ele sorriu também me apertou num abraço sufocante mas bom, de repente me encontrei debaixo dele e o beijei. Foi um dia esplendoroso, nós passeamos, fomos almoçar em um restaurante, depois mais a tarde, fomos para minha casa, minha mãe fez a janta para nós, meu irmão e sua pequena família estavam lá. Não desgrudei de meu sobrinho que acabara de fazer 3 anos, eu o amava, bem ainda amo. Diogo ficou me olhando brincar com Fernando, ele dava cada gargalhada que era impossível deixa-lo brincar sozinho, para ir pra perto de Diogo. Passamos a tarde toda em casa, e quando voltamos para a casa de Diogo estávamos exaustos, ele se sentou no sofá e eu deitei no colo dele.

Depois de alguns dias, a Joyce chegou com Eduardo, cansada se sentou ao meu lado sorrindo e sem o que fazer sugeriu que jogássemos Banco imobiliário. Nós aceitamos, Diogo se levantou e foi fazer a famosa pipoca dele, eu peguei uns refrigerantes que tinha na geladeira e fui para a mesa que íamos jogar.

–Bom, vou confessar uma coisa! -anunciei rindo- Não sei jogar Banco direito.

–Tudo bem amor, eu te ajudo! -respondeu sorrindo

–Ah não, nada disso Diogo você rouba em todos os jogos. Deixa que eu te ensino.

–Tudo bem. -eu disse

–Eu sou o boneco preto.

–Eu sou o verde -disse finalmente Edu

Ficamos jogando até tarde, Diogo ganhou o jogo, roubando mas ganhou, Joyce ficou com raiva mas, estava feliz pela noite divertida, e ficou o tempo todo junto de Eduardo, que não falava nada. Nós resolvemos assistir a um filme, depois que acabou fui para o quarto de hospedes, onde eu sempre dormia quando a Joyce estava lá. Diogo ia escondido para meu quarto, dizia ele que era para me ver dormir. Diogo não queria que eu dormisse em quarto separado, mas, eu não contrariava a Joyce.

Não consegui dormir, fiquei me lembrando do ano que passara e dos acontecimentos. Pensei em Rafael, e em como nós terminamos. Nós éramos unidos até que ele resolveu me deixar, naquela época eu entrei em depressão e quase fui internada, me reergui, resolvi focar nos estudos até que Diogo surgiu me salvando da amargura e me envolvendo com sua presença. Nunca pensei que ia amar alguém desse jeito, sempre tive aqueles sonhos fúteis que todas as garotas têm de um dia um belo príncipe encantado aparece e eles tem um feliz para sempre. Infelizmente não é assim na vida real.

Passei a noite em claro, não consegui dormir um segundo sequer, Diogo me abraçava firme, ele estava em um sono leve e sorria divinamente. Não conseguia mais viver sem aquele sorriso, era difícil ficar longe dele, e se eu o perder vou sucumbir, sumir do mundo, porque ele é a parte mais importante de mim. Ele finalmente abriu os olhos, ainda sorrindo, afagou meus cabelos e não falou nada por um longo minuto, então sussurrou:

–Bom Dia amor da minha vida!

–Bom Dia minha vida! -respondi aos sussurros

–Dormiu bem? -perguntou ainda sussurrando

–Sim -menti- e você?

–Muito bem, com você do meu lado sempre vou dormir bem, e só de acordar e ver seus olhos cor de mel olhando para mim. Eu ganho o dia -eu ri baixinho e o beijei.

–Você não existe! -sussurrei- melhor ir pro seu quarto Dih, a Joyce pode vir a qualquer momento!

–É eu sei, mas antes vem aqui. -Ele me puxou num abraço confortável e me beijou longamente, depois saiu do quarto e foi para o quarto dele.

Alguns minutos se passaram, eu me levantei e fui tomar banho, depois desci para a cozinha tomar café. Já estavam todos lá, Joyce, Eduardo e... Diogo, lindo e alegre como sempre.

–Bom dia meu amor -disse Diogo pela segunda vez

–Bom dia cunhada, dormiu bem?

–Dormi e vocês? -perguntei já sabendo que eles não tinham dormido nada.

–Dormimos ...-disse os dois num coro

–hm -murmurou Diogo franzindo o cenho- que ótimo vocês dois nem escondem, arg. que coisa.

–Que foi Dih, deixa eles! Não liga pros ciúmes do Diogo, está bem?

–Tudo bem né. Vamos comer?

–É o jeito -sussurrou Diogo pensativo

–Meu bem, eles são noivos. Tem direito de namorar! -disse baixo quase não pude ouvir a mim mesma

–Edu pega a margarina? -interrompeu-me Joyce sem me ouvir- hoje vocês vão à escola né?

–Infelizmente -respondeu seco Diogo

–Por que algum problema?

–Só uma pessoa que Diogo não gosta! -informei-a

–Quem é? -perguntou olhando Diogo

–Um idiota que conhece a Lydia, só isso. -eu o olhei sem emoção, Joyce e Eduardo saíram da cozinha e eu o olhei com um sorriso fraco.

–Diogo você não deve ficar assim, sabe que eu te amo -o abracei e beijei seu ombro

–Eu sei Lydia, mas, é difícil ele não para de dar em cima de você, e pior, na minha frente. Caramba custava você mudar de sala?

–Ok eu mudo, se é para ver você feliz eu mudo!

–Serio? Mesmo odiando Matemática?

–Serio, você vai ter que me ajudar, mas, eu faço isso por você.

–Lydia -seu sorriso sumiu- se ele falar, olhar ou mesmo respirar perto de você eu...

–Ow Ow o que aconteceu com seu entusiasmo deu sair da aula do Rafael??

Fiquei imóvel na mesa, pensei em tudo que aconteceu depois sai me despedi de todos e fui para a porta, Diogo estava serio mas resolveu me levar para casa. Eu não parava de pensar em como seria esse dia, ainda mais com meu professor jovem. Todas as garotas da escola babavam pelo Rafael, nem imaginam o estupido que ele era. Eu fiquei pensativa até chegar em casa, olhei para o lado e vi Diogo sério e parado, continuei em silencio. Ele já havia se arrumado para a escola, disse que ia me esperar na casa de Samuel. Entrei em casa fui arrumar minhas coisas, peguei meus cadernos troquei de roupa e sai. Diogo ainda emburrado, não falou nada o caminho todo, eu estava preocupada com tudo mas resolvi quebrar o silencio.

–Diogo?

–Que? -disse-me seco

–Se você não parar de ser infantil, eu não vou trocar de aula está bem, o Rafael já está em outra, e eu estou com você! Se você continuar assim, não vai dar certo nosso namoro.

–Que? você está terminando comigo? Serio? -respondeu mais sério do que estava

–Não! Mas você nunca foi assim, sempre auto astral, até nas horas difíceis. Por mim Diogo, eu suplico para com esse ciúme doentio.

–Eu sei que estou exagerando, mas eu não consigo.

–É isso que ele quer, ver você pensando nele como se pudesse me perder em alguns instantes...

–Você tem razão, só que ele me provoca demais, ele me irrita e... e você nem liga!

–Eu? Eu ... Tem razão a culpa é minha...

–Não, não foi isso que eu quis dizer, eu...

–Olha, ele é um idiota, e você está agindo como ele, isso é ridículo!

–Idiota? Ele me provoca o tempo todo e eu é que sou idiota?

–Não é isso que quero dizer.

–E o que quer dizer?

–Esquece. É melhor pararmos com essa discussão! Relaxa, esquece o professor. Pensa em mim, ou melhor em nós dois. Pode ser?

–Para você é fácil falar, nem deve ser difícil esquecer o seu ex, não é? Pensando assim eu acho que você mentiu para mim, quando disse que vocês nunca tr... -não terminou a palavra- acho que você ainda gosta dele.

–Oque -levantei a voz- para esta droga de carro, como você pode, eu gosto de você seu tonto. Eu estou aqui tentando amenizar as coisas enquanto você fica me... me culpando, seria incapaz de mentir para você ainda mais uma coisa tão seria destas. Eu. -a voz falhou- Para este carro Diogo agora.

– Lydia eu.

–Para logo. -ele parou, eu desci do carro estava chovendo muito, peguei minha mochila abri o guarda-chuva e sai andando. Diogo foi atrás de mim pegou meu braço e disse:

–Lydia me perdoa, eu estava nervoso eu sei que você não mentiria pra mim, me desculpe. Eu te amo também.

–Sai Diogo, me solta -disse puxando meu braço- Eu tenho prova agora depois a gente conversa -terminei quase chorando

–Lydia. -Sai correndo- Lydia -gritou ele

Eu entrei na escola aos soluços, na porta da sala vazia se encontrava Rafael, nós já havíamos virado amigos. Parado na porta olhava para mim, sem saber o que fazer continuei andando entrei na sala sem disser nada, ele veio logo atrás.

–Está tudo bem? -Perguntou Rafael- Está chorando. -comentou sentando-se ao meu lado.

–E..eu..est..ou be..em -disse soluçando

–Certeza? nem consegue falar. Eu posso te ajudar?

–Não -respirei fundo- na verdade... -parei quando entrou uma aluna

–Boa tarde Rafa! -disse ela

–Boa Natalia. -disse com um sorriso fraco- Lili, quero dizer Lydia, a gente conversa depois?

–Pode ser! -falei sem soluçar

A aula começou, não consegui me concentrar na prova, quanto mais tentava menos entendia a questão. Eu olhei para a frente e percebi Rafael me fitando, senti-me estranha entreguei a folha da prova para ele e sai da sala. Na cantina abaixei minha cabeça e comecei a chorar, senti uma mão no meu cabelo, eu conhecia aquele toque, conhecia aquele cheiro.

–Lydia? -Disse uma voz fraca- Podemos falar agora? -eu me virei para olha-lo

–Na verdade Diogo, eu quero pensar um pouco. Me deixa sozinha está bem, não quero brigar com você de novo.

–Lydia Me desculpe, eu fui um estupido sem noção, estava com raiva e ciúmes e....

–Por favor Diogo, me deixa sozinha? -o interrompi

–Tudo bem, não vou forçar a barra -abaixou beijou minha testa e saiu

Pouco depois vinha Rafael, me levantei e sai andando rápido sem olhar para trás, entrei no banheiro e lavei o rosto, no espelho imenso que havia lá, fiquei me olhando e pensando no olhar de Diogo ao me pedir desculpas, não queria que nossa relação ficasse enfraquecida por conta do ciúme dele, mas, a desconfiança me abalava profundamente. Enrolei o máximo que eu pude no banheiro, quando sai já era intervalo, avistei de longe minha amiga Leticia que não via a tempos, fui em direção a ela e seus amigos, Diogo estava do outro lado da cantina me olhando, fingi que não o vi.

–Lydia? Quanto tempo amiga — falou me abraçando- esta sumida, por onde andou?

–hm por aqui, -sorri timidamente- mas eu estava com Diogo e. você sabe.

–Estava? vocês terminaram?

–Hm não! -respondi rápido- Estamos brigados, só isso.

–Uau -sussurrou- Como aconteceu, vocês eram tão unidos, é a primeira vez que os vejo brigados.

–É eu sei. Bem seus amigos estão chamando, só.. Não fala pra ninguém?

–Pode deixar Lydia -falou me levando aos colegas dela- Deixa eu te apresentar, Lydia esse é o Caíque, Alex e Aline.

–Tudo bom -cumprimentei todos

–Você é a namorada do Diogo não é? -perguntou-me Alex

–Sou sim, você o conhece?

–Somos amigos de longa data, vamos dizer assim. -falou rindo e olhando para trás de mim- chama ele, para agente pôr o papo em dia?

–Hm, -olhei para Diogo depois me virei de volta- deixa para outro dia. Na verdade eu tenho que ir tchau, depois nos falamos. -Ele me olhou sorrindo

–O que ele aprontou? -perguntou-me antes que eu fosse embora

–Como? -fingi-me desentendida- quem?

–Hm você é igualzinha a ele não sabe mentir.

–Desculpe tenho que ir mesmo -falei rapidamente me virando indo em direção ao Diogo

–Tudo bem! até mais -gritou quando já estava longe

Parei na frente de Diogo, ele me abraçou pela cintura e olhou para mim. Sentado na cadeira da cantina, estava radiante, mas seu olhar estava triste, senti-me culpada e ao mesmo tempo confusa. Decidi deixar para lá esquecer tudo que nos abalou e seguir em diante, olhei para ele me sentando ao seu lado, peguei no rosto dele firmemente e o beijei. O beijo durou um bom tempo, quando paramos ele me olhou e sorriu mostrando-me as covinhas que eu tanto amava.

Indo para casa sem disser nada, o tempo parecia que não passava, eu não conseguia olhar para ele ao meu lado, senti uma angustia repentina, quando ele parou o carro eu desci e ele logo veio atrás de mim, abraçando por trás, pude sentir sua respiração em meu cangote, era tão quente que me arrepiara toda, me virei para ele. Diogo beijou meu rosto, depois o lado de meus lábios, e finalmente minha boca. Eu o abracei firme quando o beijo terminou, ficamos abraçados na rua escura minutos, depois eu soltei ele e sai andando para meu portão.

–Lydia, precisamos conversar. -quando ele falou minha cabeça girou, eu congelei no portão. — Você está bem? Lydia? -ele veio correndo me olhar- Lydia, pelo amor de Deus fale alguma coisa! -eu respirei fundo e disse

–Desculpe, -ele suspirou de alivio- acho que tem razão, mas, creio que amanhã será melhor nossa conversa. É melhor você ir para a casa Dih, pensa sobre tudo que aconteceu hoje, amanhã a gente se fala, está bem?

–Tem certeza? -eu balancei a cabeça em confirmação- Está bem -beijou-me rápido- boa noite.

Quando ele estava chegando no carro, eu corri e o beijei, segurei a nuca dele com toda minha força, ele me segurou pela cintura sem deixar eu me afastar, depois de minutos paramos de nos beijar.

–Desculpe Lydia.

–Não fala mais aquilo, eu te amo demais. -encostei minha cabeça no ombro largo dele

–Eu prometo, nunca mais vou te aborrecer, eu confio em você. Eu te amo.

Pouco depois ele foi embora, eu entrei em casa encontrei minha irmã na porta, ela estava com um vestido branco de cetim curto, salto alto e cabelo arrumado. Minha mãe estava logo atrás dela, com um vestido preto e cabelos soltos.

–Mãe onde vão?

–Na festa de aniversário do Dennis, você demorou onde estava, não importa vá se arrumar ainda dá tempo.

–Hm, mãe eu não quero ir, posso ficar?

–Depois de anos me pede permissão para algo, pode meu bem, só não come todo meu chocolate, nós vamos dormir lá. Tchau! -Beijou minha testa e saiu.

Fiquei horas pensando, liguei a televisão e vi um programa de auditório, desliguei a tv e liguei para Diogo.

–Lydia? -disse-me surpreso

–Oi Dih, está ocupado?

–Não por que? Precisa de algo?

–Na verdade sim. Vem aqui em casa, tem como?

–Tem sim, mas, sua mãe..

–Ah não, eu estou sozinho! -falei antes dele terminar

–Está bem, minha irmã saiu também, já estou indo. Até já!

–Beijos amor.

Desliguei o telefone, arrumei a sala que estava uma bagunça, fui para o quarto, tinha travesseiro no chão coberta desalinhada, arrumei tudo. Quando estava terminando de dobrar a última coberta, ouvi o carro de Diogo se aproximando. Olhei pela janela, e o vi acenando para mim, abri a porta da garagem e fui ao encontro dele.

–Dih! Chegou rápido. -abracei ele- Que bom que está aqui!

–Que bom te ver de novo hoje. -sorriu

–Vem vamos entrar, aqui está frio.

–E então o que vamos fazer hoje? Eu estava pensando em pedir uma pizza e. -beijei ele quando estávamos entrando na porta da cozinha.

Ele tirou o agasalho branco que estava vestindo ficando só de regata, pegou-me na cintura apertando-me contra seu peito, sem ver nada, ele me encostou na parede desabotoando minha camiseta rosa, eu arranquei a regata dele e segurei seus cabelos negros entrededos enquanto ele me sentava na mesa, segurou minha nuca, e sussurrou em meus ouvidos "Te amo Lydia". Diogo tinha sua pele quente e macia, o pálido de seu rosto ficou rosado de calor, seus cabelos pretos estavam bagunçados e seu olhar queimando, estávamos em sintonia total, nós combinávamos como imãs novamente.

Por um dia fiquei brigada com ele, e foi o suficiente para saber que não conseguia ficar longe por muito tempo. Não me imaginava longe de seu cheiro, longe de seu sorriso e principalmente de seu olhar, quente e alegre.