"Não me basta saber que sou amado, nem só desejo meu amor: desejo ter nos braços teu corpo delicado, ter na boca a doçura do teu beijo." (XXX- Olavo Bilac).

Minha vida não tinha muitas emoções, depois do termino do meu namoro com Rafael, resolvi dar um basta em namoro, de daqui em diante é só estudo e dança. Na escola eu não era muito popular, na verdade eu tinha alguns bons amigos e só. Nunca fui de fazer amizade só por popularidade, ou coisa assim.

Em uma segunda feira, acordei em estado total de alerta, meio típico de mim em segundas feiras... Eu ouvi meu telefone na sala, corri o mais rápido, mas era tarde, já haviam desligado. Número desconhecido é uma droga, sempre faziam isso comigo. Eu estava sozinha em casa, de novo. As cinco da manhã eu estava ouvindo Hoobastank e comendo cookie tradicional com leite semidesnatado, o que eu odeio, mas não tive outra escolha. Aquela manhã estava cada vez pior... Após me arrumar desci as escadas que davam para a pequena sala branca que agora estava deserta.

Eu praticamente morava sozinha, minha mãe vivia viajando para outras cidades por conta do trabalho, Jessie, minha irmã, estava quase casada e a minha outra irmã, a mais velha, já era casada e morava em outra cidade, então, como sempre acabei sobrando.

Apesar de tudo, o dia estava esplendoroso, a vizinhança estava calma exceto por um caminhão na frente de casa. Sai para verificar a minha caixa de correio antes de ir para a escola, quando o vi, ele tinha penetrantes olhos verdes, seu nariz era arrebitado de garoto mimado, seu rosto angelical, o corpo... Como descrever? Ah, sim, imaginem um deus grego, imaginaram? Agora, imaginem o Wolverine, sem costeletas nem nada, mas sim o ator Hugh Jackman, sim, eu sei, de mais, né? Do seu lado havia uma mulher mais velha, era morena de cabelos longos e loiros, seus olhos eram idênticos aos do garoto. O rapaz deu-me um sorriso inocente e entrou na casa.

Não consegui parar de pensar nele, também achou difícil, né? Sério eu não queria, mas sua imagem se fixou em minha mente tão forte que fiquei abobada o resto da manhã. Minhas amigas, Ariane, Luana e Leticia me perguntaram se acontecera algo, mas eu respondia sempre que não, que eu ainda estava chateada com minha mãe por uma briga, que elas não sabiam, mas não existe. Sim inventei porque elas me encheram tanto para saber que decidi despista-las. Sentei desconfortável em minha carteira rabiscada e abri os cadernos para terminar as lições, claro não consegui, minha vidinha chata estava me assombrando para variar.

Na minha sala havia duas Luana’s, uma era minha amiga e a outra, bom deixam para outro momento. Agente sempre andava junta pela escola, às vezes agente brigava, mas, sempre voltávamos a ser amigas. Nós ficávamos na porta da sala, toda vez passava um garoto alto, bem arrumado, seu nome era Lucas, sempre que nós o víamos falávamos "Look a Big Heads" e, riamos feitas bobonas histéricas. Ele tinha uma amiga que nós odiávamos, Nathalia era uma menina estrábica e meio gordinha, sua voz era muito irritante, e ela era tão arrogante que uma vez quase me atropela no pátio de propósito. Eu quis morrer quando ela me pediu falsamente desculpas, patético.

De tarde, parei em frente ao meu portão quando cheguei à minha casa e olhei para o vizinho da frente, a Casa era enorme azul e branca, várias arvores no jardim com flores azuis turquesa, tinham dois carros, um Cross Fox amarelo e um Áudio A3 preto. Olhei para o final da rua e lá estava ele novamente, sorrindo para mim e olhando atentamente com seus olhos penetrantes e brilhantes. Ele não me parecia ser um garoto, vamos dizer assim, galinha, na verdade, estava mais para um tipo raro de garoto bonzinho e totalmente pagável. Ao entrar na minha casa, eu abri a janela e olhei para fora, o garoto olhou em minha direção e sorriu novamente, foi estranho, mas eu sorri de volta.

Corri para o banho, eu estava atrasada para encontrar a galera da aula de dança, Patrick e Alan deviam estar contando as horas para me matar, apesar que Patrick ia levar seu namorado, Junior Hickson, um professor de teatro de 18 anos, e muito bom só para saberem. Penteei meus cabelos castanhos claros, deixando-o solto e balançando em minhas costas. O sol estava a pino lá fora, enfiei uma roupa e sai correndo com minha bolsa pequena que só cabia dinheiro e celular. Até que eles não ficaram chateados com minha ausência, Alan estava mais atrasado que eu e Pat, bem, eu estava certa, Junior estava lá.

–Ele já ligou te avisando? -disse Pat- Eu acho que ele não vem!

–Também acho, mas não custa ligar para ver o que ele diz! –respondi já digitando os últimos números dele.

É ele não foi para o salão, eu e Pat tivemos de ensinar os velhinhos do asilo sozinhos e Junior foi embora para o trabalho. Quando voltei para casa, estava exausta, já eram 19 da noite, depois de uma chuveirada decidi ir à padaria comprar alguma coisa que não fosse arroz e feijão, só para evitar chegar perto das panelas. Desisti assim que cheguei lá. Estava cheio demais e... Vocês imaginam que havia algo mais né?

Depois de alguns minutos que voltei, a campainha tocou, era minha antiga vizinha Tia Eda, ela era uma senhora de cabelos loiros que chegou a alguns anos da Itália, era uma boa vizinha, apesar de sempre cuidar da vida alheia.

–Querida, sua mãe estas aí? –perguntou sorrindo, ela era tão simpática. Pena que não era minha tia de verdade...

–Não! –Respondi alargando meu sorriso- Só chega Mais tarde!

–Você não quer me acompanhar ali na nova vizinha? –perguntou- É que meu neto está na escola!

Era uma boa chance de eu saber quem são aquelas pessoas, ou melhor, ELE.

–Não dá tia, eu estou com o arroz no fogo! -falei

– Tudo bem! –deu de ombros- Deixa pra próxima, avisa tua mãe que estou querendo falar com ela?

–Pode deixar! -Disse sorrindo

Não demorou muito para eu me arrepender, mas pensei, haverá mais chances, afinal, ele sorri desde manhã para mim... Esperança bateu forte àquela hora. Voltei à cozinha, tive de inventar alguma coisa para comer, depois fui dormir. Estava morta de cansaço. E acabei sonhando com a droga da padaria e o idiota do Rafael. Foi até um sonho bom eu dava o maior tapa nele... Isso me fez sentir melhor. Terminei minha lição, não era difícil, só ler uns textos e pronto, estava livre para a próxima. Apesar de eu não gostar muito dessas matérias horrendas.

Na manhã seguinte faltei, cheguei atrasada, voltei animada para casa, sexta, faltar ia ser um longo e prazeroso fim de semana. Meus planos era dormir o dia inteiro de sábado e passear com o cachorro no domingo. Planos estragados assim que os bolei, fui para a casa de meu irmão para ver minha dinda gravida. Foi uma droga porque, ela é vizinha do Rafael e como ele ainda não tinha viajado, tive muito medo de esbarrar nele.

Meus planos era dormir o dia inteiro de sábado e passear com o cachorro no domingo. Planos estragados assim que os bolei, fui para a casa de meu irmão para ver minha dinda gravida. No dia seguinte sai correndo para pegar o ônibus, assim que cheguei, olhei para o lado e vi um garoto alto de cabelos negros, seus olhos verdes, aquele era o meu mais novo vizinho.

Ele estava arrumado, com uma mochila nas costas deu o sinal para o ônibus, era o mesmo que eu pegava. Entramos juntos, quase nos esbarramos, eu passei da catraca e fui para o fundo. Na hora de descer, nos trombamos na porta, ele sorriu junto comigo, eu comecei a estranhar, ele ia pelo mesmo caminho que eu. No portão da escola, eu cumprimentei alguns amigos e entrei rapidamente, já na minha mesa, Ariane e Luana rindo e conversando sobre algo que, mesmo sem saber me parecia interessante.

–Quais as novas? — Perguntei a elas

–Menina! -Disse-me com o sotaque dela de Baiana- Chegou um novato na escola!

–Serio, na nossa sala? –perguntei animada, quando ela falava assim era por que o garoto era bonito, mas sempre que era esse o caso. Nunca era na nossa sala.

–Foi! E é finalmente alguém bonito. -comentou rindo

A Leticia chegou, cumprimentou agente colocou a bolsa na mesa e respirou fundo.

–Meninas, vamos lá a baixo? – Luana estava com um tom animado, como sempre.

–Ah, eu vou! –disse rapidamente

–Eu também! Quem sabe o gato do... –ia falando, mas parou rindo para Leticia, não entendi.

Agente desceu as escadas, indo em direção à cantina, mas algo fez as meninas pararem. Ergui a cabeça e naquele momento, lá estava ele outra vez, o garoto do ponto de ônibus, meu novo vizinho. Apesar da minha promessa, logo após eu terminar meu primeiro namoro, eu fiquei atraída por ele, típico de mim, pensei.

–Olha! –disse Ariane discreta como sempre (sarcasmo)- eu acho que é ele, o tal de Diogo!

–hm mm — respondi surpresa

–Ele é um gato, sabia que ele deu o fora na Naara. -disse Luana

–Meu! Vocês não vão acreditar! –arfei

–O que? Você o conhece? -Ariane perguntou afobada

–Não... Ainda, ele é meu novo vizinho! –franzi o cenho

–Amiga, que sortuda! –comentou Ariane rindo

–Não sei, ele parece simpático de mais para andar com o Big Head. –Argumentou Leticia

Nós rimos, sem notar me virei e o olhei por alguns segundos, quando encontrei seu olhar, um sorriso iluminou seu belo rosto. Meu coração estava pulando do meu peito, batendo desesperado, desesperado para ir ao encontro de Diogo, me virei sentindo-me queimando, estava vermelha feito pimentão. Para variar. Subi junto com Luana para a sala, Ariane ficou com a Leticia na cantina conversando.

Entramos na sala, o professor de português já estava lá. Abaixei a cabeça para pensar e lembrei-me do garoto, ele tinha um olhar misterioso e delicado, que não conseguia sair da minha cabeça. Quando me levantei ele estava na fileira a meu lado. Permaneci imóvel, só escrevia e tentava prestar atenção no meu professor, mas, sem sucesso. Descontrolava-me e, de minutos a minutos, virava para olha-lo, constrangedor. Depois da escola, fui para a casa de Leticia, era à tarde do cinema, foi super divertido. Fizemos pipoca e assistimos a filmes de terror, gritamos muito.

Voltei para casa bem tarde, as luzes da rua estavam piscando, mas eu percebi alguém sentado na calçada. Diogo com um garoto loiro e baixinho, eu o conhecia ele se chamava Bruno, antigamente quando eu estava na 6º serie ele me chamava de priminha, pois ele andava com meu irmão para todos os cantos. Ele se tornou um maloqueiro de mão cheia, mas ainda assim ele era meu amigo.

Entrei em casa rapidamente, esperando que Bruno não me visse, minha mãe estava sentada à mesa da cozinha escolhendo feijão. Ela sorriu para mim e comentou: Sua avó jogava o feijão num pano sobre a mesa e escolhia assim! Minha vó havia falecido há alguns anos, eu não me lembro dela, apesar disso sinto a saudade que minha mãe sente pela vó Maria. Sua voz falando de como a vó fazia isso, ou aquilo. Soava-me familiar apesar de não tê-la conhecido.

–Mãe, cadê minha carteira? Você a viu? -eu perguntei depois de voltar do meu quarto de novo.

–Não Lydia, procura na sua gaveta do armário! –falou distraidamente.

–Tá bom. –Conclui que eu não teria uma resposta certa então fui ver onde ela falou, só por precaução. Estava lá.

Da janela do meu quarto dava para a grande casa azul e branca, onde Diogo morava. Dias depois da mudança dele para cá, eu comecei a ficar mais tempo na janela, besteira minha, eu podia vê-lo todos os dias mesmo nos finais de semana, mas eu preferia ficar ali, naquela janela olhando a vida passar por meus olhos, só olhando. Muitas vezes eu o via com garotas do tipo atléticas bonitas, e ainda assim ficava na janela. Às vezes ele olhava para mim e sorria, eu fingia que não via. Boba.

Um dia eu me arrumei para ir à escola, uma amiga minha dormiu na minha casa, a Gabriela, nós saímos e fomos para o ponto, lá estava ele e o Bruno. "Droga" pensei comigo, "Por que eu tinha que sair atrasada hoje... Para variar?”. Pegamos o mesmo ônibus, eu já não falava muito com Bruno, só era oi e tchau e isso era às vezes. Bruno era doido para ficar com Gabriela, então sempre que me via junto com ela, ele sempre vinha me cumprimentar, puxar assunto. Foi a primeira vez que falei com Diogo, ele me deu um beijo na bochecha e me abraçou, como se fossemos amigos de outros carnavais, sabe? Gostei disso.

Diogo era da minha sala, mas raramente falava com ele, acho que perdia a fala sempre que chegava perto. Como o previsto, todas as garotas da escola eram doidas para ficar com ele, desde as mais bonitas até as mais feinhas. Quando ele entrava na escola, era como uma celebridade no hall da fama, e quando ele faltava era como uma funerária cheia de defunto. Contudo ele não dava bola para nenhuma, era estranho porque normalmente os garotos bonitos pegavam geral na escola, e ele com seus belos olhos verdes não queria ficar com nenhuma?

Eu sentava no lugar mais disputado da sala, ao lado dele, confesso que adorava sentar ali, não por ele, mas por todas as garotas que morriam de raiva do professor por ter mapeado a sala e me colocado ao lado do belo jovem que mais parecia um Deus grego de tão gato que era. Eu não gostava somente por causa das garotas, mas também porque era do lado das minhas melhores amigas. Em todas as aulas os professores chamavam nossas atenções, vivíamos conversando. Bons tempos... Tinha um professor em especial, o Luiz de química, sempre que ele entrava na sala olhava para mim e minhas amigas, e mesmo quando estávamos quietas ele olhava para nós com um olhar de assassino da terceira idade, sabe como é? Nesse dia ele entrou na sala pedindo silencio, e claro todos ficaram quietos.

–Hoje eu vou passar para vocês uma pesquisa de 15 páginas. Ah é sim... Eu acabei com a vida de vocês não é? Mas eu vou ajudar vocês em uma coisa... Eu vou escolher suas duplas!

–Ah, ótimo, agora temos que fazer dupla com esses babões! –ouvi Luana Benção atrás de mim.

–Vamos lá pessoal, já está na hora de vocês terem responsabilidade. Você Ariel pode sentar-se com sua chara Ariane... –Ariane me deu um olhar de “Ah, moleque!” que ela sempre dava quando ganhava alguma coisa, tipo futebol. E eu ri e isso fez com que o professor olhasse em minha direção e disse- Lydia e Diogo... -Quando ele terminou de falar meu peito começou a pular, parecendo que ia sair pela boca.

Eu fiquei nervosa, mas quando vi a cara da menina mais metida da sala, comecei a rir sozinha. Luana me metralhou com aqueles olhos enormes, e forçou um sorriso com os beiços super Grossos dela, mostrando-me os dentes tortos e espremendo suas bochechas grandes. Não é exagero meu, aquela garota era extremamente esquisita, mas a maiorias dos meninos adorariam ficar com ela. Até hoje, não entendo. Luana era muito vulgar, diziam pela escola que ela tinha uma mãe super legal, mas, segurava tanto ela na pré-adolescência que quando soltou a menina já estava perdida na vida. Eu sempre achei que ela era assim por causa dela mesma e não da mãe, mas tudo bem.

Ele se sentou do meu lado, logo me deu uma folha de caderno para eu escrever, ditou seu nome inteiro com um sorriso de orelha a orelha. Escrevendo tentava não olhar para ele, mas, eu não conseguia e sempre desviava o olhar da folha, fazendo-me encontrar deu olhar.

–Diogo Leal! Pronto? -Perguntou gentilmente

–Aham, falta só o meu... Lydia Fernandes Gueme. –sussurrei enquanto escrevia- Prontinho!

–Quando a gente se encontra, para fazer o rascunho? -perguntou

–Bom... -sorri- Pode ser hoje depois da minha aula de dança?

–Claro, dança? –disse, ele me fitou atento.

–É! Eu... -o olhei atentamente tentando identificar sua reação- Danço, então... Vai ser onde?

–Se não tiver problema pra você, pode ser lá em casa? -perguntou

–Ah, claro! Agente se encontra na frente da escola? -falei

–Ótimo! -respondeu

O sinal havia tocado, na sala só estavam os alunos que não fizeram a lição, eu e Diogo fomos os primeiros a sair. Ficamos sentados no pátio, o sol estava fraco quase não o sentíamos.

–Então! -sorriu ele- Posso te fazer um convite?

–Depende. -sorri de volta

–Depende do que? -perguntou olhando fixamente meu rosto pálido.

–Qual seria o convite? -falei olhando em seus olhos, que por conta do sol ficaram ainda mais verdes.

–O pessoal da rua vai ao cinema, e me convidou... –disse olhando-me

–Ah eu estou sabendo! –disse agora fitando o chão à minha frente

–Eu confesso que eu não ia, mas, eu mudei de ideia... Então pensei que talvez nós pudéssemos ir... –sorriu, pude sentir seu olhar ainda em mim, mas quando o olhei ele desviou o olhar, parecia muito nervoso.

–Claro, eles já sabem que dia vão? –perguntei aliviando a tensão

–Semana que vem! –disse ele

–Está bem, eu vou falar com minha 'Mamãe'–respondi sarcasticamente sorrindo- ai amanhã eu te dou a resposta!

–Fecho. –disse, quando o sinal tocou para o intervalo ele levantou, me deu um beijo na bochecha, para minha surpresa total, e foi para o grupinho do Lucas.

Luana e Ariane correram para falar comigo, perguntar o que estávamos conversando e o que ficamos fazendo depois de terminarmos o trabalho. Elas falavam com ele direto, mas eu nunca tinha tido uma oportunidade de falar com ele além de um oi ou até segunda. Nunca tive jeito para fazer amizades ainda mais com um garoto como ele.

–Gente eu já disse, não aconteceu nada entre nós dois... -respondia olhando para frente

–Sério? Ele não parava de te olhar na sala, e você ficou toda sem jeito perto dele. Ai, você me diz que não aconteceu nada? Ah por favor. -disse Ariane com um sorriso malicioso-E o que me diz do beijinho na bochecha agora a pouco?

–Eu já falei agente conversou, ele me convidou para ir ao cinema com o pessoal da nossa rua e só! –droga! Pensei

–Opa! Opa! Pera ai! Ele te convidou para ir ao cinema? -perguntou Luana.

–Um programa de amigos nada demais! -dei de ombros

–Sei! De amigos, ah Lydia você é tão ingênua! – Ariane adorava me provocar, e eu a adorava quando ela o fazia, pois eu não ficava brava só ria com tudo.

–O que houve? –Perguntou Leticia se aproximando de nós

–Diogo a convidou para ir ao cinema... Sabe? Como amiguinhos! –disse Ariane sarcasticamente

–Ah sério? Ele é um gato! –disse Leticia empolgada- Conta tudo Mana! –sentou-se ao meu lado

O sinal tocou, para minha sorte, Luana e Ariane foram ao banheiro, contei tudo a Leticia que se empolgou mais. Então, depois nós subimos correndo para a próxima aula era artes a quarta aula, era minha matéria favorita, desde quando eu aprendi a pintar.

–Pessoal, hoje vamos à sala de vídeo... –disse a professora

Todo mundo da sala gritou: Aêh! -Eu nem liguei, dei uma olhada disfarçadamente para o lado e logo vi seu olhar desviando novamente, eu sorri.

–Silencio gente, escutem, pelo amor de Deus, -continuou ela- todos vão descer em silencio, eu vou dar um trabalho em dupla depois do filme, então já vão formando os pares!

A professora começou a chamada enquanto eu e as meninas discutíamos quem faria par com quem, Leticia fez par com uma menina da minha sala chamada Thais, não gostava daquela menina, era falsa, dissimulada e também não gostava nenhum pouco de mim.

–Lu faz com a Ariane, eu me viro! –disse

–E você vai ficar sozinha? Não. –disse Ariane e Luana juntas

–Ei Lydia! -chamou-me uma voz familiar- faz par comigo? Eu estou meio sozinho! -eu me virei e vi Diogo sorrindo para mim

–Olha ai viu meninas, eu faço com Diogo! -elas olharam uma para a outra sorrindo e balançaram a cabeça

–Então está bem! -falou Luana com um ar malicioso. — Cuida da nossa garota!

–Pode deixar! –sussurrou voltou seu olhar para mim e piscou, ele realmente o fez. Claro, nem precisava de um espelho para saber minha cor.

–Em silencio podem descer lá na sala do áudio já formem as duplas quando chegarem lá! –a professora estava com uma cara preocupada, mas nem prestei muita atenção nisso.

Eu olhei para trás, vi dois garotos cochichando algo e olhando para Diogo e eu, não me importei, fui andando atrás das meninas quieta e pensativa. A professora começou a falar na sala, o nome do filme era "Lixo extraordinário" com um dos artistas mais renomado Brasileiro "Vic Muniz", um artista plástico. Antes de passar o filme ela foi a todas as duplas e tirou uma foto para o trabalho, odiei essa parte, tirando a parte que Diogo colocou o braço em minha volta. Tudo esquentou. Finalmente, o filme começou a rolar. Eu e Diogo estávamos no fundo da sala, olhei meio de rabo de olho e depois me concentrei no filme. Não por muito Tempo!

As luzes da sala estavam apagadas, a professora havia ido à secretaria para atendendo uns pais, nos olhávamos atentamente, nossos rostos eram refletidos apenas pela luz da tevê que passava o filme. Eu olhava aquela boca não tão fina e sorridente com uma vontade imensa de dar-lhe um beijo, não demorou muito para isso acontecer, ele foi se aproximando cada vez mais, eu ia desviar dele, mas era tarde, ele pegou meu rosto acariciando-o deu um beijo, senti minha nuca esquentar, meus pelos do braço se arrepiaram e quando ele parou estávamos os dois vermelhos, talvez vergonha de deixar o beijo súbito rolar, ou o calor que nos tomou rapidamente.

Todas as garotas que estavam atrás de nós cochichavam alguma coisa que não consegui entender e para dizer a verdade não queria saber. Eu estava estranhamente sob o torpor daquele beijo, não sei direito, mas Diogo também não tirava os olhos dos meus, era estranho estarmos tão pertos, suas mãos ainda em meu rosto quente, não se movia, só descansava sob minha pele flamejante.

Já podem imaginar o resto do dia, né? Eu não tive coragem de falar com ele até minha aula de dança acabar, pensei em falar que não podia ir a sua casa, que eu tinha um compromisso, mas não podia fugir. Assim que sai da sala tomando um belo gole de agua com gás, o encontrei conversando com meu professor, Alan, ele sorri, e quando me viu ali parada o fitando, seu sorriso se alargou. Alan se virou para ver a fonte da alegria súbita de Diogo e me viu feito uma boba olhando para Diogo.

–Ei Lydia! –Chamou-me Alan- Diogo estava falando comigo sobre as aulas de dança, ele me perguntou se dávamos aula de Sertanejo universitário, e eu falei que é com você!

–Ah, — sorri. Escondendo o pânico. – Diogo, você podia ter falado comigo...

–Eu sei, mas pensei em perguntar para ele, para não te atrapalhar na sua aula! –disse- Talvez você possa me explicar a caminho de casa! –falou Alan me fitou

–Ah é, o trabalho! –falei só para Alan não pensar besteira- Claro, eu só vou me trocar, e logo estarei de volta.

Maravilha estava quebrando minhas próprias regras, mas aquele beijo... Aquele realmente mexeu comigo. Ao voltar, Diogo estava sentado pensativo, não me viu de imediato. Eu o observei quieto, suspirando. Ele estava pensando o mesmo que eu? No momento em que ele levantou a cabeça para me ver, eu meio que me assustei, acho que ele não percebeu, ficou de pé e em segundos estava na minha frente, tão perto, tão no meu alcance... Saímos da escola falando da aula de dança, não fomos para a casa dele, acabamos indo para o Mec. comer alguma coisa e depois passamos em uma loja de Skate para ele pegar o dele que estava em concerto.

Voltamos para casa com um grupo de amigos que encontramos no caminho, fiquei inquieta como nunca ficara antes. O pessoal estranhou meu comportamento, mas logo se distraíram com outra coisa. Cheguei à minha casa, sem chão, fui direto para o banho, um banho demorado e gelado para esfriar o calor que estava sentindo na nuca. Aquele beijo fora o melhor de minha vida, simplesmente sem explicação, por que coisas boas não tem explicação? Pensei

Sonhei com Diogo a noite inteira, coisa que eu não queria. Todas as manhas eu acordava já pensando nele, comia pensando nele, dormia pensando nele. Já estava sem vida. Na segunda feira fiquei contando as horas para falar com ele, falar que eu não ia ao cinema com ele, porque não queria que acontecesse mais um beijo, porque eu não queria que apenas um “gostar” se transformasse em paixão, e paixão em amor, e acabar em desilusão. Não queria sofrer, comecei a acreditar em ilusões absurdas, como chegar nele e não mostrar o verdadeiro sentimento que guardava em mim, meio clichê, não acha?

Toda vez que o via, era como uma faca cravada no peito, cada vez que forçava meus músculos mais entrava, mais machucava me matando e me deixando cega de dor. Quanto mais mentia para ele, mais mentia para mim mesma, deixando-me fraca diante ele, e quando ficava frente a frente, por mais que eu quisesse ser forte, acabava cedendo, sorrindo, falando normalmente, e eu sentia que ele também escondia a mesma coisa. Eu fui a uma festa de uma amiga, na nossa rua, fui mais para me distrair, mas, acabei encontrando Diogo lá.

De repente começa uma música romântica, que levou Diogo e eu a pista de dança, ele passou as mãos a volta de minha cintura, nós olhamos um nos olhos do outro, era quase impossível não olha-lo, eu toquei as bochechas dele e carinhosamente fui colocando as mãos em seu pescoço brincando com seus cabelos negros, ele deslizou as mãos mais para baixo, abaixo da cintura, puxando-me para mais perto, e foi abaixando a cabeça calmamente, se aproximando cada vez mais, colocando uma de suas mãos em meu rosto, dando-me um beijo, doce e delicado. Quando paramos de nos beijar, Diogo olhou para mim, um olhar perdido sem saber o que fazer, eu também estava confusa, muito confusa, então nos beijamos novamente. Não falamos a noite inteira um com o outro, ficamos sem jeito.

No dia seguinte foi a mesma coisa, ficamos sem jeito. Na aula de português, Romantismo, adorava isso, as prosas, poesias e poemas, enfim, Romantismo era tudo de bom, exceto, pela parte de ter de fazer um poema e ler na frente de todo mundo.

–Pessoal, estive conversando com o professor Luiz e, ele comentou de um trabalho em dupla! Bem, estive pensando em usar as mesmas duplas que ele. Olhem! –disse balançando uma folha- essa é a lista que ele me passou!

–Mas professora, -disse Luana, a que eu não gostava- tem alunos aqui que não estão satisfeitos com as duplas! –falou olhando-me com raiva, eu desviei o olhar para Diogo ao meu lado. Não havia falado com ele a tarde toda.

–Sinto muito por vocês! –falou- Mas, o Luiz, está satisfeito! Com todas as duplas! –falou olhando-a- Bem, quem se lembra de suas duplas podem sentando juntos, vou falando os nomes para quem perguntar!

–Lydia? –chamou-me a Professora Vera- Pode vir aqui com Diogo? –Diogo olhou para mim já arrastando a mesa para meu lado.

–Só um minuto Professora! –disse me levantando

–Ok, Lydia, só queria saber se vai dançar na festa junina esse ano! –perguntou ela me confundindo, Pra que chamar ele? ­

–Vou sim Professora! –respondi rapidamente

–Tudo bem, Patrick também? – perguntou, eu balancei desajeitadamente minha cabeça- Ok, e... Diogo? –disse ela olhando-o- Você foi bem falado na sua antiga escola! –sorriu- Será que pode participar aqui este ano?

–Claro! Professora seria um prazer! –respondeu com um sorriso amarelo

–Ótimo! Podem ir agora, e, boa sorte para os dois! Diogo! Venha falar comigo no intervalo? –perguntou vera

–Pode deixar! –respondeu Diogo

Ao sentarmos, fui eu quem quebrou o silencio sem sentido, estava tão curiosa, ele dança? Como ele não mencionou?

–Bem falado? –perguntei aos sussurros para não chamar atenção dos demais

–Foi o que ela disse! –respondeu meio tenso, parecia não ter gostado da pergunta

–Aconteceu alguma coisa? –perguntei preocupada- Parece...

–Chateado? –sugeriu vendo que eu não encontrava palavras

–É... –concordei

–Quem é Patrick? –eu quase ri na cara dele, era por isso que ficou tenso? Que bobo...

–Um amigo! –respondi contendo a risada

–Um amigo? –repetiu

–Gay! –terminei com o assunto sorrindo, tive a impressão de velo suspirar aliviado.

Mais um dia de aula, a Luana não foi para escola neste dia, ela disse que ia ficar em casa com uma prima que chegou de viagem. Só restaram eu, Leticia e a Ariane, nós sentamos juntas na aula de Matemática e História. Duas aulas se passaram e nada do Diogo aparecer, já estava ficando com medo dele ter saído da escola, ou algo do tipo. Apesar de tentar esquecer, esquecer do beijo, dos beijos, não consegui. Olhei para trás e ele tinha acabado de chegar, o vi olhando para mim e lançou um sorriso de lado que eu estava começando a adorar. O sinal tocou e ele estava ao meu lado na porta, pegou minha mão e me falou aos sussurros.

–Te encontro atrás das quadras! — e saiu andando, não fui uma pergunta, se fosse, não ia dar para responder mesmo.

Eu saí, logo atrás dele, me perguntando o porquê daquele chamado, mas eu já sabia o motivo, sabia que não tinha como eu esquecer os beijos. Naquele momento eu estava mais confusa do que nunca, eu tinha certeza somente de uma coisa, eu estava apaixonada por ele, e isso não era certo, pois, ia contra a minhas regras, tudo o que eu não queria. E então fiquei frente a frente com ele, não sabia o que falar, nem o que fazer, ficamos parados por alguns minutos.

–Diogo eu queria dizer que... -eu parei de falar, ele chegou mais perto, me olhou nos olhos, ele estava sério, pegou meu pequeno rosto com as duas mãos.

–Só me diz uma coisa Lydia, -chegou mais perto, eu pude sentir sua respiração quente em meu rosto- Olha pra mim, dentro dos meus olhos e diz que não gostou daquele beijo! -eu respirei fundo

–Eu... –sua testa estava grudada a minha, sua quente respiração em minha boca, não era um beijo, era um aviso, e eu já estava cansada de tentar e desistir.

Ele percebeu minha desistência, me deu um beijo envolvendo seus braços fortes na minha cintura, me levando para mais perto dele, apertando levemente seus lábios contra os meus, eu o agarrei pela nuca e o apertava o mais forte para perto de mim, meu coração quicava dentro do meu peito, parecia que ia sair correndo de lá, eu pude sentir o dele também, quando o beijo chegou ao fim ele estava pálido, mais do que ele já era, seus olhos verdes estavam pegando fogo, ele afagou meus cabelos com suas mãos gentis e macia e me beijou de novo.

–hm — sussurrou ofegante — Lydia...

Não falei nada, e o beijo se prolongou suas mãos quentes na minha cintura. E lá estava eu, beijando-o como nunca beijei ninguém antes, beijando a pessoa que eu não conseguia tirar meus olhos, a pessoa que eu não podia mais deixar ir embora, pois, se ele fosse meu mundo não existiria mais, eu não existiria mais, minhas contradições foram-se juntas com minhas preocupações e, apesar dele não me deixar responder o obvio, eu queria responder, talvez mentir, sair correndo, mesmo sabendo que era impossível.

–Eu. Definitivamente. Amei. Aquele. Beijo! –sussurrei pausadamente, para frisar o que dizia.

Nós ficamos no jardim até a última aula, sentados olhando o céu preto de chuva, o sinal tocou, mas ficamos imóveis, até que ele se levantou pegou minha mão e me puxou para os braços dele. E mais um beijo longo, tirou-me todo folego, ele deu uma pausa para me olhar e depois beijou meus lábios novamente.

Logo após saímos da escola de mãos dadas, todos ficaram olhando, pude sentir meu rosto corando. Nós fomos juntos até o ponto. Cheguei em casa mais ou menos meia hora depois, fui direto para o computador, entrei no meu facebook como de costume, mas não fiquei muito tempo. Sai do computador e fui para o quarto arrumar minhas roupas.

Essa noite foi longa tive um pesadelo, sonhei que minha melhor amiga ficou má e só eu podia salvar o mundo, tinha uma chave e eu era uma espécie de escolhida. Então minha gata pulou na cama e eu acordei num pulo que quase caí do beliche. Fiquei deitada na cama pensando na vida e como ia ser esta tarde quando levantei e me arrumei. Fui até a cozinha comi um pão junto de minha mãe.

–Você está diferente hoje Lydia, está mais... Alegre! -disse minha mãe

–Eu? Não, estou normal! –menti pensando em como eu estava começando a gostar de verde.

–Não, você não está definitivamente normal, querida! -insistiu sabendo que não ia tirar nada de mim

–Bobeira sua! -disse me levantando da cadeira, saindo para a escola. — Hum mãe?

–Oi Lydia, — eu parei e me virei para ela.

–Hoje eu vou ao cinema com a Leticia, tá? –menti

–Você sabe que a sua prioridade é notas boas não é? -eu sorri

–Sei mãe! Vai precisar de mim hoje? –perguntei

–Não, pode ir! –disse ela, eu olhei o relógio.

–Ah, droga! –sussurrei- Tenho que ir agora, antes que eu chegue atrasada para minha prioridade. Tchau- sai rindo

Nesta tarde o ônibus estava mais cheio do que o costume, não deu para ver quem estava nele. Eu fiquei procurando por um garoto de moicano preto, mas para todos os lados que eu olhava só tinha pessoas estranhas. Cheguei ao meu ponto e fui andando até a praça da minha antiga escola, lá tinha uns bancos quadrados que eu costumava ficar com minhas amigas antes de ir para casa. Fiquei lá até dar minha hora de subir para meu colégio atual. Eu já estava chegando ao portão quando o vi com um sorriso e braços aberto, ele andou em minha direção me deu um beijo me abraçando pela cintura, fomos andando até a porta da nossa sala.

–Você chegou bem em casa ontem? — perguntou ele

–Cheguei sim e você? -respondi

–Cheguei rápido, mas não parei de pensar em você! –sussurrou no meu ouvido eu sorri

–Nem eu parei de pensar em você! — disse o olhando

–Então por que não matamos a saudade? -sorriu

Ele parou na minha frente abraçou forte, me deixando nas pontas dos pés dando-me um beijo longo, depois pegou minha mão e entramos na escola. Sentamos em dupla, nós íamos terminar o trabalho de artes da aula passada. Na sala toda ficaram olhando, parecíamos E.T. Quando finalmente terminamos o trabalho, saímos para a quadra, pra aula de educação física. Virei-me para vê-lo e ele estava olhando para mim com os olhos penetrantes. Diogo ficou jogando futebol com os outros garotos da sala e eu Basquete, a única coisa que eu era boa além de artes era basquete, eu adorava jogar apesar de não saber quase nada sobre o jogo. Sentei-me na arquibancada para ficar de próxima no jogo com Ariane.

–Então... Vocês estão namorando? -perguntou olhando para Diogo no gol

–Estamos -sorri- ele é tão... Deixa para lá!

–Vocês fazem um casal lindo, -sorriu- ah só para te avisar a Luana zoião está morrendo de raiva de você! Porque ela estava afim de Diogo desde quando ele entrou na escola.

–Nem ligo para ela, valeu pelo toque! Eu imaginei que ela ia ficar assim... Eu acho que aguento isso! -sorri olhado para ele

Diogo vinha em minha direção quando Luana o parou, falou algo para ele, ele estava me olhando e sorrindo e ela brava. Ele disse alguma coisa quase sério e ela olhou para mim com raiva, saiu andando rápido.

–O que ela queria? -disse depois de um beijo rápido

–Me perguntou se nós estamos namorando, e quando respondi ela ficou com raiva... -eu franzi a sobrancelha.

–Nem tudo são rosas... –cantarolou Ariane. Ele pegou minhas mãos e puxou-me em um abraço, muito gostoso. Ah, o abraço também...

A professora apitou e nós fomos até ela, começamos a jogar novamente. Sempre que nós jogávamos a Luana tentava entrar no jogo, mas nós saiamos antes dela arrumar uma desculpa para nós brigarmos. Eu e a Ariane nos divertimos vendo a cara que ela fazia demonstrando o desânimo dela para agente. Depois nós fomos para o vestiário tomamos banho nos trocamos, bateu o sinal para o intervalo e nós fomos para a cantina, agente se sentou numa mesa onde ficavam o Bruno e o grupo deles, eu chamei a Ariane e a Leticia para ficar com agente, pouco depois Ariane e Lucas estavam trocando olhares e Leticia, ela ficou de boa ao nosso lado.

Conversamos até bater o sinal, depois subimos para a sala de informática onde nós ficávamos quando tinha aula vaga, a sala tinha uns 12 computadores, adorava ficar assistindo series com o Diogo lá, eu e ele normalmente não prestávamos muita atenção a gente ficava namorando, típico de casal adolescente. Depois disso nós fomos para a biblioteca chamar as meninas para ir ao shopping com agente, e lá fomos nós, um bando de adolescentes no cinema. Assistimos Planeta dos macacos origens, eu odiava esse filme, mas eu perdi para a maioria na votação, também assistimos os Smarfis é meio que trágico, mas eu preferia isso aos macacos que pensam.

Diogo me levou em casa, eu e ele ficamos sentados na calçada da esquina da nossa casa. Começamos a conversar sobre um monte de coisas, até que nos beijamos. O Beijo durou alguns minutos, mas não queríamos parar, ele me abraçou e ficamos lá por algumas horas conversando, demos umas voltas na esquina e a noite caiu, eram umas seis horas da noite, porém nem ligamos para o horário sentamos na praça que tinha atrás de casa e ficamos lá sem falar nada só abraçando um ao outro.

Entrei em casa quando ele abril a porta dele, morar em frente a ele era muito bom, sempre que precisava dele estava bem pertinho. Fui para o banho e comecei a me lembrar do filme que assistira outro dia Agua aos elefantes. As consequências não me pareciam tão hediondas como antes, talvez o final de tarde fora um tipo de remédio para minhas preocupações. Fiquei na sala com minha mãe e minha irmã, assistimos à novela das oito e a um filme. Piratas no caribe, o ultimo que saiu dos cinemas, eu fiz pipoca e suco de maracujá para todas. Sessão filmes com minha família só faltavam meus outros dois irmãos, meus sobrinhos e minha cunhada.

–Lydia vai pegar mais pipoca pra mãe? –disse minha mãe

– Vou sim mãe, da pausa ai. –falei indo a cozinha

–Vai rápido hein — falou minha irmã

–Folgada! -Protestei rindo junto com ela

Fui até a cozinha e vi meu celular esquecido no balcão, ele já estava velhinho só vibrava, não tocava mais só no fone. Eu o peguei e vi as mensagens que tinha recebido uma delas era do Diogo, dizia:

Anjinho me liga assim que der...

Estou com sdds

Bjãooo...

Eu sorri por ver a parte estou com saudades, por que eu também estava. Dei a pipoca para minha mãe, depois fui pôr o lixo para fora, pouco depois liguei para ele. Mas caiu na caixa postal, ele devia ter deixado descarregado para variar. Fui subindo desanimada quando meu celular vibrou.

–É ele- disse para mim mesma — só pode ser ele.

Era outra mensagem desta vez de número desconhecido que dizia:

Amor vem aqui fora estou te esperando.

Diogo.

Voltei para o portão da minha casa, lembrei-me que minha irmã estava junto de minha mão assistindo ao filme. Á alguns passos e estava em seus braços novamente, ele estava encostado na parede do lado do portão.

–Oi meu amor, amanhã eu queria te levar até minha casa, para você conhecer tudo! –disse ele

–Tudo? –Fiquei confusa, estava meio lenta naquela noite, e acho que ele percebeu minha confusão interna.

–Meus pais viajaram, só vai estar eu e minha irmã! Você pode ir?

–Posso claro que posso! -balancei a cabeça concordando

– Então tá, até amanhã! –eu o segurei pelo cangote

–Espera, porque você vai assim tão rápido? –ele sorriu

–Pensei que estivesse ocupada! –ainda sorrindo encostou-me à parede segurando-me pela cintura.

–Nem se eu estivesse te deixaria ir! -sorri

–Sabe, eu estive pensando, pensando muito sobre tudo que tem acontecido...

–Foi tudo tão rápido... –sussurrei concordando com ele

–Sim, e não mudaria nada disso! –me beijou- nem isso! –sussurrou me apertando forte em seus braços e beijando-me outra vez.

Eu também não mudaria nada. Ele era a pessoa em que eu mais confiava, nunca tive motivo para pensar o contrário, e nunca encontrei alguém como ele em nenhum lugar, nem mesmo Rafael, meu ex-namorado que estava viajando nessa ocasião. Rafael foi bom, por um tempo, depois como dizia Bruna “Ele deu defeito”, ela me fazia rir muito com seus comentários. E seu irmão, William, ah ele me entendia como ninguém, claro, ainda assim, confiava tudo a Diogo.