Cem Anos Depois
5 V - O Lobo esta Vivo
Notas iniciais
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"Dizem que no começo de tudo, antes de nós existirmos, existiam três criaturas místicas com um poder imenso sobre a nossa vida. São chamados pelos historiadores de todos os reinos por Lumus, Nox e Author.
Lumus; também conhecido como o Mestre da Luz era o conhecedor de toda a magia 'branca' no universo sendo irmão de Nox;
Nox; a Rainha das Trevas controlava toda a escuridão existente no universo e a utiliza para fins próprios. Irmã de Lumus;
Author; também chamado de O Neutro. Tinha Lumus e Nox em suas mãos pois para quaisquer lado que ele se aliaçe o equilibrio do universo tenderia a mudar naquela direção. Este por sua vez não tinha nenhum parentesco com as demais divindades.
Várias lendas cercam a história dos três primordiais, porém a mais conhecida é esta:
Vindo de um reinoparalelo aos demais, o Author foi o criador de tudo e todos, incluindo as divindades acima citadas. O universo onde vivemos não passaria de caprichos de um único ser. Loucura, não? Mas essa é a explicação mais coerente já apresentada possuindo os seguintes argumentos a favor:
Ninguém nunca, jamais conseguiu ver o Author. Enquanto os outros deuses irmãos apareciam a cada milênio para todos anunciando seus desejos, o terceiro ficará escondido;
Lumus e Nox já deixaram claro em alguns de seus mais antigos manuscritos que nem tudo dependia deles, pois existia um ser superior aos dois que não os permitia certas atitudes;
Certa vez um homem viu “pingar” do céu algo preto e brilhante parecido com tinta; assim que esse líquido tocou no chão, várias partículas e faíscas coloridas começaram a sair do mesmo e antes que o homem pudesse tocar aquilo simplesmente se converteu para uma imensa floresta de árvores fechadas, tampando a luz do Sol e deixando o caminho do homem para sua aldeia trancado;
Após passar todos os reinos você encontrará uma imensa parede feita de espelho, onde se você encostar nela será levado para o reino em que o Author vive. Ninguém nunca conseguiu chegar nessa parede, pois uma imensa mata cerca os Estados Unidos de Auradon, mata essa conhecida como A Floresta Encantada.
A princesa fechou o livro com a sensação de ter sua cabeça quase implodida. Se aquilo que eu acabei está certo pensou Tenho que garantir que esse Author fique do nosso lado.
E assim se pôs a caminhar para fora da grandiosa biblioteca indo em direção ao local que desde o desaparecimento de seu amor nunca mais havia visitado: A Ala Oeste.
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— Eu não acredito! — gritou Cinderuby sentada em uma pedra — Procurei aquele coração por tanto tempo para vê-lo esmagado na minha frente! Não posso acreditar nisso! — escondeu as faces nas mãos, tentado parar sem sucesso o choro.
— O que você não pode perder é a esperança — disse Aurora parada em frente à Casa dos Anões agora em chamas — Não sei quais eram as suas intenções ao queimar essa moradia, mas tenho certeza que não funciona.
— Pra você é fácil falar! — gritou a mais velha apontando a varinha ameaçadoramente para Aurora — Você é uma princesa! E ainda mais que não tenha crescido com os pais recebeu todo amor e carinho das suas tias!
— Eu fiquei em coma por cem malditos anos — disse calmamente se aproximando da garota de vermelho, mas seus olhos transmitiam toda a raiva — Minhas tias mentiram sobre meu nascimento, mentiram sobre seus poderes. Não queriam me deixar ter uma relação com Phillip porque já estava prometido a outro; e olhe que ironia! Esse outro era o próprio PHILLIP! — agarrou o capuz da outra fazendo a mesma olhar nos seus olhos — Então se acha que isso é uma vida fácil de princesa, esta completamente enganada! — soltou o capuz e se afastou bufando.
Cinderuby pensou no que a menina havia dito. Realmente nenhuma delas havia tido uma vida linda de princesa, perderam seus bens mais preciosos e não tiveram a oportunidade de crescer com os seus pais. Porém havia algo mais que elas tinham em comum: O desejo de descobrir a verdade; o que afinal tinha acontecido com os seus príncipes?
— Sabe – começou a de vermelho – Realmente eu não sou a Chapeuzinho Vermelho, isso foi apenas um disfarce para entrar na Floresta sem que ninguém me reconhecesse.
— Um disfarce bem ruim por sinal – Cinderuby inflou as bochechas de raiva – Já que existe uma Red verdadeira, você devia ter arranjado algum nome mais original – Aurora virou-se de frente – Ou pelo menos escolher outra cor para capa.
— Não obrigada, adoro vermelho – revirou os olhos – Mas o fato é que o Príncipe da Cinderela – franziu um pouco a testa, talvez nunca fosse se acostumar a falar de si mesma em terceira pessoa – Ele simplesmente sumiu durante seu passeio matinal pelo jardim, e as únicas coisas encontradas foram um par de botas e um selo.
— Que ironia não? – constatou a mais nova – Primeiro a Gata Borralheira some e depois deixa os sapatos, e agora o Príncipe? – deu uma risada maliciosa.
Tentando manter o controle para não atacar a garota com a varinha, Cinderuby disse – O selo vinha do seu reino.
Aurora parou de rir e encarou a mais velha a sua frente. Franziu a testa pensando não ter escutado direito e depois arregalou os olhos vendo a seriedade nas palavras da outra — O que? Isso não é possível! Meu pai jamais sequestraria o filho de outro! A menos... Não! Ele nunca faria isso!
— A menos que quisessem uma farta recompensa para retirar seu reino da miséria – disse a falsa Chapeuzinho Vermelho mais velha se aproximando da princesa – Diga a verdade Aurora, seu pai seria capaz de tudo para equilibrar a economia do Sol Nascente de novo, e isso inclui sequestro de monarcas – colou a varinha sob o queixo da outra.
Num ato de se esquivar do veneno alheio acabou dando um tapa na mão da outra, lançando o objeto magico da outra longe — Não convivi suficiente com minha família para lhe dizer isso.
— Então também não podes negar que eles seriam capazes disso – disse indo pegar a seu condão que havia ido parar perto do fogo.
Revirou os olhos pensando em quão linda ficaria aquela mulher com o rosto deformado pelas chamas, mas logo sacudiu a cabeça. O que diabos estou pensando?
Olhou para cima e viu flutuar sobre elas uma sombra de pássaro, grande demais para ser um canário e pequeno demais para ser uma coruja. A luz da Lua tornava aquele ser ainda mais sinistro, e um pensamento veio à mente de Aurora: E se a Floresta estiver alterando nossa mente para algo pior de nós?
Afinal a Floresta Encantada não era mais a mesma desde... Bem, ela não se lembrava desde quando, mas sabia que sua teoria estava certa. Algo muito mal estava manipulando os pensamentos das garotas para se autodestruírem, por isso as constantes brigas em menos de meia hora e a casa em chamas.
— Ruby – chamou a atenção da outra que já voltava com a varinha em mãos – Você não anda tendo pensamentos estranhos?
A outra franziu uma sobrancelha e concordou — Desde que você chegou, só consegui imaginar cenas horríveis contigo sendo a protagonista – olhou em volta preocupada e logo sussurrou – Você acha que esse bosque esta nos influenciado?
Com um gesto de cabeça, Aurora concordou, pensando que não deviam se deixar levar pela magia negra aplicada sobre si, mas antes que pudesse abrir a boca algo foi ouvido ao longe.
Um longo uivo sinistro, que parecia cantar de alegria e tocar o terror em qualquer ser vivo consciente naquele local. As duas se entreolharam com medo e demonstrando preocupação – Vamos por ali – disse Cinderuby correndo na frente, iluminando o caminho com a sua magia e Aurora logo atrás de si.
As princesas correram até o local mais próximo onde o mato se fechava, e quando a garota do Sol Nascente olhou para trás se arrependeu amargamente.
O Lobo estava parado agora na clareira, exatamente onde ela estava sentada a segundos atrás.
— Aurora, vem! – murmurou Cinderuby, e as duas correram floresta adentro.
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