Celta E As Duas Estrelas

3 Paciência É Um Milagre


Notas iniciais
aproveitem a leitura :)

As coisas virtualmente fluíram mais fácil do que pareceram no começo. À distância tudo parecia calmo e a relação parecia dar certo. Havia uma conexão. Eles se sentiam à vontade para dizer o que sentiam diante das telas que usaram durante os dias que se passaram até o inevitável encontro no trem. Ambos queriam que aquilo funcionasse. Afinal, seria estranho ter que encarar um date ruim até a faculdade terminar ou ser demitido.

Suas vidas pareciam se encaixar como engrenagens de um relógio quebrado e remontado. Gostos parecidos e objetivos similares fizeram com que eles se sentissem mais confortáveis a cada momento entre eles. A questão é que se entendiam em suas crises existenciais. O encontro mexeu com a cabeça e o corpo dos dois. Queriam sair para comprar roupas novas, arrumar o cabelo e mudar absolutamente tudo que não gostavam neles mesmos.

Houve um momento em que ele quase deu meia volta na entrada da estação. Acabou decidindo que seria pior fazer com que ela achasse que o problema era ela e não ele. Desceu as escadas contando os degraus. As mãos suadas se encontravam com o jeans preto em uma velocidade que deixaria o Flash com ciúmes. Tinha medo. Arrumou a postura antes que chegasse a plataforma. Pensou nas roupas que poderia ter colocado ao invés da que estava usando. Arrependeu-se de não ter seguido o conselho da mãe.

Ela estava distraída. Olhava o lance de escadas errado esperando ele descer. Na verdade, ele decidirá mudar o lado pelo qual habitualmente andava. Será que ela também tinha reparado nele? Ele andou até o banco e se sentou. Ela parecia tão focada em observar a escada esperando que ele aparecesse que nem notou a presença ao seu lado. Ele passou o braço pelo pescoço dela, fazendo com que ela praticamente deitasse em seu peito.

— As pessoas costumam olhar para cima quando querem observar as estrelas. Você, por sorte, pode olhar no espelho ou, como eu prefiro, me encarar com esses seus olhos que dariam inveja até no Celta – ele parou de gesticular e a viu se encolher e fechar os olhos para rir com vergonha de si mesma.

— Se eu já não te conhecesse, senhor Antares, diria que é um perfeito galanteador – ela falava baixo, encarando os pés, enquanto dançava com eles, sentada.

— Ao contrário, minha querida Alhena. Desculpa, eu te envergonhei. Não era a intenção – ele se inclinou para tentar ver o rosto dela. Logo em seguida retirou o braço e se afastou no banco.

— Não, tudo bem. Eu só não estou acostumada a isso – ela o encarou.

— Eu também não, só achei que seria legal e fiz. Me desculpa, não queria te deixar desconfortável.

— Para com isso – Alhena olhou para frente. Ela encarou a multidão que se acumulava. – Eu só não estou acostumada com encontros e coisas desse gênero.

— Não encare isso como um encontro de casais. Somos só amigos por enquanto, tudo bem? – ele sentou encima das mãos e tentou enxergar o rosto dela por debaixo da cascata de cabelos que caia sobre ela.

— Pode ser – por mais que tentasse parecer concentrada nas manchas dos tênis, ela queria olhar mais uma vez para ele.

— Eu fiquei de te mostrar as tatuagens, lembra? – ele também estava começando a se sentir desconfortável. Ainda preferia não desistir do que tinha guardado por tanto tempo naquele vagão.

— É verdade. Você disse que tinha várias e que ia me levar para fazer uma.

— Já decidiu? Podemos ir quando quiser. Meu irmão que me fez essas. Eu desenho e ele rabisca em mim. A gente até tem uma que combina – Antares puxou a manga das camisas para cima e exibiu as cores em sua pele.

— Eu não sabia que você desenhava suas próprias tatuagens. São muito bonitas – Alhena passou as unhas pelas linhas e fez com que ele se arrepiasse e tremesse.

— Eu acho que você vai gostar da que eu fiz atrás da orelha. Me diz o que acha – ele abaixou e afastou o cabelo.

— São os olhos do Celta? São mais escuros do que os meus e mais profundos.

— Eu gosto dos seus também. Mas se um dia quiser conhecer os do Celta, nós ficaríamos felizes de te receber em casa.

— Um dia eu vou visitar meu amigo de olhos verdes. Agora, eu acho melhor a gente pegar o trem.

Eles dispararam para pegar lugares no vagão. Não haviam dois, lado a lado, que pudessem ocupar. Acabaram por ficar de pé. Conversaram sobre as tatuagens e as cores que Antares já tinha pintado o cabelo. A viagem seguiu tranquila. Apesar da distância e dos deveres que tinham, ficavam voltando os pensamentos sobre aquilo ser certo ou não. Não era um bom começo. Apesar de terem assunto, ainda assim parecia superficial demais. Continuariam com aquilo por mais um tempo. Talvez não fosse realmente o melhor jeito de começarem.

O jeito de terminar aquilo seria pior ainda.

Notas finais
AAAAAAAAA terceiro do médio AAAAAAAAAAA vou demorar mais pra postar AAAAAAAAAA tenho lição então postei e sai correndo AAAAAAAAA nois se vê por ai AAAAAAAAAAAA socorro e isso não é brincadeira AAAAAAAA Vejo você no próximo se eu não morrer até lá.