Celta E As Duas Estrelas

4 Minha Vez De Jogar


Notas iniciais
Eu sei que sumi e que vou continuar assim, mas bom capítulo :)

A viagem de volta foi mais tranquila. Eles já não estavam tão tensos. Conversaram sobre a faculdade e a vida pós-apocalipse, ou pós diploma. Antares prometeu uma viagem quando Alhena terminasse as aulas. Com diploma ou sem. Mesmo que tivesse dúvidas sobre um relacionamento mais sério, já eram ótimos amigos. Antares se propôs a levá-la em casa. Poderiam discutir sobre mais algumas coisas. A conversa realmente parecia agradar a ambos.

— Me conta a história da tatuagem no seu pescoço? – Alhena tinha perguntado sobre todas. A vergonha não pareceu permitir que ela questionasse sobre a mais irregular.

— Achei que você tivesse esquecido dela – ele andou mais um pouco encarando os pés.

— Se você não quiser, não precisa – apesar de toda a timidez, ela já considerava a presença dele mais agradável. O suficiente para começar a ser ela mesma.

— Não, tudo bem. Eu fiquei bêbado uma noite, depois que o meu turno terminou. Eu tinha acabado de sair de um relacionamento um tanto perturbador. Eu subi no estúdio do meu irmão. Não é tão legal ter um estúdio de tatuagem bem encima do lugar onde você trabalha, apesar de algumas vezes eu conseguir salvar algumas pessoas de fazerem besteira. Eu tinha uma cicatriz no pescoço de quando o pássaro da amiga da minha mãe me atacou. Quis cobrir de qualquer jeito. Ele disse que só faria a tatuagem se eu conseguisse desenhar o que queria.

— Atacado por um pássaro? Como isso pode acontecer? – ela parecia não se aguentar de rir.

— Ele fugiu das mãos do meu irmão. Não foi legal ficar com o curativo por um mês.

— Você parece não gostar dela. Tem mais alguma coisa sobre ela? – as lágrimas de riso escorreram. A expressão mudou quando ela viu o sorriso fraco dele.

— É a única que eu me arrependo. É muito aparente. Torta. Nem faz sentido. Acho que é meu pior desenho também. Mas o problema é a parte que tá na nuca. É uma rosa. As raízes formam as linhas verdes que se enroscam nos espinhos.

— Parece maravilhoso. Abaixa. Quero ver – ela pulava nas costas dele. Ele agachou na calçada e levantou o cabelo. – Você falou com uma voz. Eu achei que eu tivesse desenhado esse negócio para ficar tão ruim. É bonito. Eu gostei.

— Você não precisa falar só para me animar. Eu até estava pensando em alguma coisa para cobrir.

— Acho bom mesmo. Assim ela vai ser exclusivamente minha. Acho ainda melhor que você ainda tenha esse desenho guardado. Ou seu irmão. Quero fazer no pulso. Será que dá? – ela encarou o braço e enroscou os dedos no pulso para medir. – Eu sou tão magra que aposto que nem vale a pena.

— Você está mesmo falando sério. Sua primeira tatuagem vai ser a que eu mais odeio? Não é justo. Deixa eu desenhar alguma coisa mais a sua cara.

— Eu já sei o que eu quero. Vou pedir dinheiro pros meus pais. Eles vão ser difíceis de convencer.

Ele parou e a olhou. Ela fez igual, sem entender. Erradicando o espaço que havia entre eles, ele a abraçou. Ela envolveu os braços no pescoço dele. Riram. Ele não era grande, mas era maior do que ela. Ele a segurou com força e a girou no ar. Logo que a colocou no chão, segurou seu rosto e sorriu. Estava feliz como uma criança. Ela gostava até do que ele não apreciava nele mesmo. Aquela decisão errada. Ela apoiava e queria fazer também.

— Desculpa. Eu só fiquei feliz – ele deu um passo para trás e passou as mãos no cabelo.

— Tudo bem – Alhena prendeu uma mecha do cabelo atrás da orelha.

— Desculpa, eu meio que me empolguei – eles continuaram olhando um para o outro na rua parada. Ele andou até ela e colocou a mão direita na cintura dela. – Você fica ainda mais bonita quando fica com vergonha.

— Já vi que sua iniciativa tem modificador -6 – ela envolveu o pescoço dele com os braços, não só para tentar alcançar o rosto dele, mas para finalmente conseguir o que tanto queria.

Alhena acreditava que só saberia se eles dariam certo ou não se o beijo tivesse química. Pelos céus, como aqueles lábios eram macios. Até mesmo o gosto que ele tinha lhe parecia bom. Ele se afastou para olhar ela. A respiração descompassada de ambos parecia uma melodia sincronizada. Os sorrisos eram internos. O vento frio nem ao menos fazia a pele se arrepiar. A troca de calor era intensa e desnecessária, já que ambos queimavam. Os dois possuíam química, física e história.

Não pense que a pausa durou tanto quanto as palavras e os sentidos. Os segundos que levaram para recuperar o fôlego foi bem mais do que o necessário para reiniciar o beijo. A conexão que antes existia entre as mentes se transformava em algo mais palpável.

— Minha lábia vai compensar minha iniciativa. Você podia passar a noite e a semana lá em casa e eu te deixo na faculdade de noite. Eu acho que o Celta fica muito tempo sozinho, ele precisa da companhia de alguém da espécie dele.

— Por mais que eu queira, meus pais não vou deixar – Antares segurou o rosto de Alhena e pressionou o nariz dele contra o dela.

— Minha lábia é para os seus pais. Contra você eu tenho outras armas para usar – ele virou e encarou a rua. Puxou a mão dela em direção ao que ele acreditava ser a certa.

Notas finais
Hey! Eu sei que sumi, mas minha vida ta ladeira abaixo e eu to tentando o máximo que posso para controlar, mas né, o controle ta sem pilha. Enfim, ta foda, mas eu vou tentar voltar e postar algumas coisas aqui e ali e revisar meia dúzia. Não prometo nada infelizmente, porque duvido que vá conseguir cumprir. Eu não vou desistir, só vai ficar mais difícil antes de facilitar. Parei de desculpas. Espero você no próximo capitulo, não morra até lá.