CelleXty Saga - Temporada III

3 Protocolos de Contenção: a colmeia


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Personagens: Raial, La’Vern, Sennefer, Zahur, Caetano, Nico, lycans da alcateia egípcia, o Homem de Olho Vermelho, agentes Borg.

Ambiente: Trechos isolados da Rodovia dos Bandeirantes, próximos a áreas de mata fechada que sobrevivem entre os corredores industriais da região. No interior da floresta, a alcateia de Sennefer mantém um acampamento temporário iluminado por tochas e protegido por antigos símbolos lunares.

Contexto: Após o confronto nos túneis do metrô, Raial e Caetano conseguiram destruir dois dos perseguidores — o faxineiro e a idosa — antes de escapar do homem de olho vermelho e da mulher que os acompanhava. Horas depois, alcançam o esconderijo da alcateia de Sennefer, onde um antigo ritual começa para impedir que La’Vern complete sua transformação em lycan. No entanto, algo muito mais perigoso do que lobisomens agora caça nas sombras.

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A maioria dos CelleXty ainda se recuperava na residência de Maurice, em Santos. A casa do antigo vampiro francês havia se transformado em uma espécie de refúgio improvisado após a devastadora batalha contra os vampiros portugueses. Alex Aleff caminhava lentamente pela varanda, observando o oceano ao longe enquanto refletia sobre os acontecimentos das últimas horas. O silêncio da madrugada contrastava com a tensão que se acumulava dentro dele. Havia dois dias que não recebia notícias da Escola Brasil X. Aquilo era incomum e profundamente preocupante.

Foi nesse intervalo que uma mensagem de Folkhen chegou do sul do país. O gaúcho relatava os estranhos acontecimentos ocorridos no litoral de Torres e mencionava o surgimento de novos mutantes na região. Aquela informação apenas reforçava a sensação de que o mundo estava mudando rapidamente ao redor deles. Alex suspirou fundo antes de finalmente tomar uma decisão.

Talvez seja hora de voltarmos para São Paulo e reorganizarmos a equipe, disse ele, virando-se para os demais.

Basco Khassan, que observava o horizonte apoiado na mureta da varanda, respondeu sem hesitar.

Nem todos os perigos desapareceram. Ainda existe um nome que não saiu da minha cabeça… Sétimo.

Alex assentiu lentamente.

Tudo ao seu tempo, meu amigo. Primeiro precisamos colocar ordem na casa. Depois lidaremos com os fantasmas que ainda caminham nas sombras.

O líder dos CelleXty então distribuiu as novas tarefas. Noah e Beatrice permaneceriam em Santos para auxiliar Maurice e os moradores da cidade, que ainda tentavam compreender o caos causado pelos vampiros portugueses. Basco, Gregory, Lucius e ele retornariam para São Paulo imediatamente. Simeão, que permanecia silencioso até então, decidiu acompanhar o grupo.

Lucius não perdeu a oportunidade de provocar.

Então agora teremos um vampiro na equipe?

Basco ergueu uma sobrancelha.

Algum problema, clérigo?

Lucius não respondeu. Limitou-se a desviar o olhar. Aquela tensão entre os dois já vinha crescendo havia algum tempo. Lucius era profundamente devoto de Khyrie, uma entidade divina que guiava sua fé e suas ações. Basco, por outro lado, carregava em sua história experiências com o Limbo e com forças arcanas que o clérigo simplesmente não conseguia aceitar. A morte do vampiro português Gentil havia ampliado ainda mais aquela diferença. Lucius não compreendia por que Basco parecia lamentar a perda de um inimigo.

Talvez ali estivesse nascendo algo mais do que um simples desacordo. Talvez estivesse nascendo uma rivalidade.

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A floresta próxima à Rodovia dos Bandeirantes respirava lentamente sob a luz da lua cheia. O vento atravessava as copas das árvores altas produzindo um sussurro contínuo que lembrava o som distante do oceano. Apesar da proximidade com a rodovia, onde caminhões cruzavam o asfalto durante toda a madrugada, aquela área permanecia mergulhada em uma estranha sensação de isolamento. Entre troncos antigos e raízes retorcidas, pequenas tochas iluminavam um círculo improvisado no interior da mata, revelando os sobreviventes da alcateia de Sennefer.

Muitos estavam feridos. Alguns apresentavam cortes profundos e ossos quebrados, enquanto outros permaneciam sentados sobre pedras ou troncos caídos, recuperando forças em silêncio. Restavam apenas doze. Muito menos do que havia poucas noites antes da emboscada ocorrida na Universidade de São Paulo.

Raial e Caetano haviam chegado ali poucas horas antes, exaustos após a fuga desesperada pelos túneis abandonados do metrô. O confronto contra os perseguidores havia sido brutal e confuso. Eles conseguiram destruir dois dos inimigos — o homem que fingia ser um simples funcionário da limpeza e a idosa aparentemente frágil que caminhava apoiada em uma bengala —, mas o que encontraram sob a pele daquela mulher continuava assombrando a mente de Raial.

Quando as garras de Julia rasgaram o rosto da velha, não havia carne ali. Nem sangue. Havia metal. Cabos finos. Fragmentos de circuitos brilhando sob a luz fraca do túnel.

Aquilo não era humano. Mas também não era uma máquina comum. Era algo intermediário, algo criado para imitar a humanidade… até o momento em que decidisse atacar.

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No centro do acampamento, Sennefer preparava o ritual que poderia decidir o destino de La’Vern. Em suas mãos estava um papiro antigo, cujas bordas quebradiças indicavam que o documento havia atravessado séculos. Os símbolos escritos ali não pertenciam a nenhuma língua moderna. Ao lado dele permanecia um lycan mais velho, de pelagem grisalha e olhar profundamente sereno. Seu nome era Zahur, o curandeiro da alcateia.

Entre os dois, preso ao chão por correntes ritualísticas, estava La’Vern.

O corpo do francês permanecia preso entre dois mundos. A transformação havia avançado, mas ainda não estava completa. Pelos escuros cobriam seus braços e parte das costas, enquanto suas mãos alternavam entre dedos humanos e garras lupinas. Seus músculos se contraíam involuntariamente em espasmos violentos e seus olhos refletiam a luz da lua com uma intensidade selvagem.

De tempos em tempos um rosnado escapava de sua garganta, como se a criatura dentro dele lutasse para assumir o controle definitivo. Raial observava aquela cena com um aperto doloroso no peito. Cada segundo que passava aproximava o amigo de um destino que talvez não pudesse mais ser revertido.

Zahur aproximou-se lentamente do corpo do mutante e colocou a mão sobre seu peito, como se escutasse algo invisível sob a pele do rapaz. Seus olhos permaneceram fechados por alguns instantes antes de finalmente se abrirem novamente.

— Ele não pertence ao nosso mundo.

A frase caiu sobre o círculo como uma pedra em água parada.

— O que quer dizer com isso? Perguntou Raial.

Zahur respirou fundo antes de responder.

— O sangue dele é…. Diferente. Alguma coisa aconteceu com este jovem. Algo antigo. Talvez até divino.

Sennefer permaneceu em silêncio por alguns segundos.

— Então explique melhor.

O curandeiro passou novamente a mão sobre o peito de La’Vern.

— Ele não nasceu para ser um lycan. O espírito dele não pertence à nossa linhagem. Porém… o vínculo foi criado. Mesmo que consigamos interromper a transformação, ele jamais estará completamente livre da influência da lua.

Raial sentiu um frio percorrer sua espinha.

— Você quer dizer que ele nunca voltará a ser completamente humano?

Zahur assentiu lentamente.

— Ele sempre estará ligado aos lycans.

Sennefer abriu o papiro e levantou o olhar para a lua.

— Então teremos que, pelo menos, quebrar o ciclo.

— Como? Perguntou Raial.

Sennefer olhou diretamente para ela.

— Você será a catalisadora.

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O ritual começou.

Raial posicionou-se no centro do círculo formado pelas tochas enquanto Sennefer e Zahur entoavam palavras antigas escritas no papiro. O vento que atravessava a floresta começou a girar lentamente ao redor do acampamento, fazendo as chamas das tochas se inclinarem na mesma direção. A luz da lua intensificou-se gradualmente, como se o próprio céu respondesse ao chamado daquele ritual antigo.

O corpo de Raial começou a se elevar lentamente do chão, envolto por um brilho prateado intenso. A energia que emanava dela lembrava o brilho do sol refletido sobre um espelho de prata. O efeito sobre os lycans foi imediato. Seus músculos se tensionaram e seus olhos brilharam com intensidade renovada. O poder da lua corria por suas veias com força dobrada.

Foi então que o vento mudou. Primeiro vieram os sons. Passos. Muitos passos.

Entre as árvores da floresta começaram a surgir silhuetas humanas. Homens, mulheres, jovens e idosos caminhavam lentamente em direção ao círculo iluminado pelas tochas. Havia algo profundamente errado na forma como se moviam. Seus passos eram sincronizados demais. Seus olhares eram vazios demais.

Quando pararam na borda da clareira, todos ergueram a cabeça ao mesmo tempo. Seus olhos brilharam em vermelho. O homem de olho vermelho caminhou para frente.

[ — Interrompam essa profanação. ]

Os civis falaram em uníssono:

[ — Protocolos de contenção ativados. ]

...

A batalha começou.

Os lycans avançaram com velocidade selvagem entre as árvores enquanto os civis revelavam habilidades impossíveis. Alguns saltavam entre os galhos como felinos. Outros esticavam os braços como cabos metálicos, criando redes vivas de contenção. De punhos aparentemente humanos surgiam orifícios que disparavam projéteis como metralhadoras.

A floresta explodiu em caos. Mesmo quando atingidos, os inimigos continuavam avançando.

— Eles não sentem dor! Rosnou Caetano.

Durante o combate, Sennefer testemunhou algo ainda mais aterrador. Um adolescente aparentemente comum abraçou um dos lycans da alcateia... Era Nico!

Seus braços se alongaram como serpentes metálicas e se enrolaram ao redor do corpo da criatura. Em segundos o lycan caiu no chão, contorcendo-se violentamente. Então se levantou novamente. Seu olho direito brilhava em vermelho. Parte de seu corpo havia se transformado em matéria “tecnorgânica”.

[ — Licantropo assimilado ], disse o garoto.


O homem de olho vermelho ergueu a voz.

[ — Ouçam mutantes… ouçam licantropos. Uma nova era está nascendo neste país. Fomos criados para assimilar a humanidade a uma coletividade perfeita. Submetam-se… ou sejam exterminados. ]

Ele fez uma pausa.

[ — Nós somos Borgs. ]


No mesmo instante, o ritual alcançou seu ápice. A luz lunar explodiu sobre o corpo de La’Vern. Raial caiu inconsciente. O homem de olho vermelho aproximou-se para assimilá-la. Mas um escudo de gelo surgiu. Quando o brilho desapareceu, algo havia mudado no ar da floresta. O frio que agora emanava de La'Vern não era apenas gelo. Era poder.

La’Vern estava de pé. Seus olhos brilhavam como geleiras.

— Ela não vai morrer hoje.

Um bloco colossal de gelo surgiu no ar como se tivesse sido arrancado da própria atmosfera. O bloco foi lançado contra o homem de olho vermelho. O impacto foi devastador. O corpo do militar foi arremessado vários metros para trás, atravessando árvores e criando um rastro de devastação antes de desaparecer entre os destroços da floresta. Os demais agentes da coletividade cessaram as hostilidades.

O mutante ergueu os braços e o ar da floresta congelou em uma onda repentina. Estruturas de gelo surgiram ao redor de vários dos invasores, aprisionando seus corpos em enormes esquifes cristalinos. Dentro daquelas prisões congeladas, chamas azuis começaram a surgir, queimando silenciosamente os corpos dos agentes enquanto o gelo permanecia intacto.

Uma muralha de gelo foi erguida separando os sobreviventes da coletividade. Minutos depois, uma explosão destruiu o muro congelado. Mas a floresta já estava vazia. Os lycans haviam escapado.

O homem de olho vermelho observou os destroços ao redor.

[ — As criaturas escaparam. ], disse um dos civis com uniforme dos correios.

Outro Borg, uma senhora com uniforme de motorista de ônibus, respondeu:

[ — Vamos segui-los. ]

O militar permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de responder:

[ — Não. Vamos nos reagrupar. Hoje eles fogem…, mas a assimilação é inevitável. ]