CelleXty Saga - Temporada II

16 Entre Santos e pecadores


Notas iniciais
*Cainan = Segundo a crença de muitos vampiros, Cainan teria sido o primeiro vampiro. Milênios atrás quando a humanidade ainda era jovem, Cainan teria assassinado o seu irmão, Bemalin por ciúmes. Aquele foi a primeira morte da humanidade! Como castigo por ter matado o irmão, Khyrie, a divindade suprema reconhecida por muitos mutantes mais antigos, sentenciou Cainan a vagar pela terra por toda a eternidade, sem poder viver sob a luz do sol, se alimentando do sangue e dos lamentos do homem. Ele seria contra todos e todos seriam contra ele pelos séculos dos séculos!

Personagens no capítulo: Basco Khassan, Gregory, Simeão, Alex Aleff e um adolescente desconhecido mordido por vampiro.

Antagonistas mencionados: Os Sete vampiros portugueses — especialmente Acordador, Tempestade, Inverno, Espelho, Lobo e Gentil.

Local: São Paulo (Boate Mascarade) e posteriormente Santos, litoral paulista.

Ambiente: Dias após a batalha de Osasco. A neve sobrenatural desapareceu, mas a sensação de ameaça permanece no ar. Os CelleXtys seguem em alerta máximo enquanto investigam a presença dos vampiros portugueses.


Alguns dias haviam se passado desde a invasão ao centro de Osasco. A neve sobrenatural que cobria as ruas da cidade havia finalmente se dissipado, sinal claro de que os vampiros conhecidos apenas como Os Sete já não influenciavam diretamente aquela região. Mesmo assim, o encontro com dois daqueles seres sanguinários havia deixado um gosto amargo de vitória. Os CelleXtys haviam sobrevivido, mas o preço pago fora alto demais.

Pela segunda vez, a equipe sentia a dor de perder seus entes queridos.

Acordador utilizara seu terrível poder de despertar os mortos e trouxera de volta à vida cinco CelleXtys que haviam falecido recentemente em decorrência do Vírus Legado. Graças à ação conjunta dos heróis, dos novos integrantes da equipe e da ajuda inesperada dos vampiros Caitiff liderados por Simeão, os mortos foram derrotados. No entanto, Acordador e Tempestade — dois membros dos Sete — conseguiram fugir do local antes que pudessem ser destruídos.

Para Simeão, a perda fora ainda maior. Todos os Caitiff que haviam lutado ao seu lado pereceram na batalha.

Diante daquela devastação, Basco tomou uma decisão inesperada: convidou o vampiro a se juntar à equipe. Após alguma discussão, todos concordaram com a proposta. Simeão demonstrou relutância inicialmente, mas sabia que não seria aceito novamente na Boate Mascarade e que o Cemitério da Consolação havia sido tomado por vampiros de um dos grandes clãs. Suas opções eram escassas.

Assim, os antigos inimigos tornaram-se aliados.

Mesmo com a vitória parcial em Osasco, ninguém acreditava que a ameaça havia terminado. Os CelleXtys mantinham-se em alerta constante, aguardando uma segunda onda de ataques.

E ela não tardaria a acontecer.


Nos dias seguintes, os CelleXtys passaram a realizar rondas constantes pelo centro de São Paulo e por algumas regiões da Grande São Paulo, incluindo Osasco. Em duplas ou trios, buscavam pistas sobre possíveis “ninhos” onde Os Sete poderiam estar escondidos. A estratégia era simples: patrulhar, observar e reagir rapidamente a qualquer atividade incomum envolvendo vampiros.

Durante uma dessas rondas, Basco, Gregory e Simeão receberam um pedido de socorro vindo da Boate Mascarade.

Ao chegarem ao local, encontraram a antiga casa noturna aparentemente intacta por fora. A fachada secular permanecia de pé, silenciosa e escura. Porém, ao atravessarem as portas do estabelecimento, perceberam imediatamente que algo terrível havia acontecido ali.

No interior do prédio reinava apenas a morte.

Cinzas cobriam o chão de madeira e os salões outrora movimentados estavam tomados por restos carbonizados do que antes haviam sido dezenas de vampiros. Alguns corpos mantinham suas últimas posições, como se tivessem sido congelados no momento exato em que foram destruídos. Outros exibiam expressões grotescas de pavor, mas bastava um leve toque para que se desintegrassem completamente.

Simeão observou o cenário com um olhar sombrio.

Ele se lembrava bem que, nos finais de semana, a casa recebia grande quantidade de humanos. Durante a semana, porém, o Mascarade tornava-se território quase exclusivo de vampiros. Aquela era uma quarta-feira, e já passavam das dez da noite.

Gregory caminhava entre os restos dos mortos, temeroso em descobrir que um daqueles cadáveres poderia ser de Cibele, sua amiga de infância, mas não havia sinal dela no local... quando percebeu algo.

Aquilo não havia acontecido naquela noite.

Pelo estado das cinzas e pela ausência de qualquer vestígio recente de luta, o massacre parecia ter ocorrido há alguns dias. Em seu íntimo, Gregory não conseguia sentir pena daqueles vampiros carbonizados. Ele próprio havia sofrido muito nas mãos de frequentadores daquele lugar quando era apenas uma criança.

Simeão analisava a cena com atenção.

— Isso aconteceu ao mesmo tempo em que lutávamos contra Acordador e Tempestade em Osasco — disse o vampiro. — Aposto nisso.

Basco, por sua vez, não parecia impressionado com o cenário. Após tudo o que havia presenciado no Limbo, seu coração aprendera a lidar com visões macabras com uma frieza quase assustadora. Mesmo assim, algo naquela trama lusitana o intrigava profundamente.

Para ele, havia um motivo diabólico por trás da divisão das forças dos Sete.

Enquanto dois enfrentavam os CelleXtys em Osasco, outros haviam destruído o Mascarade.


Enquanto caminhavam entre os destroços, Simeão parou subitamente.

Ele havia escutado algo.

Uma respiração.

Era fraca, irregular, quase imperceptível. O som lembrava o de um vampiro irritado ou nervoso, mas havia algo estranho. Simeão sabia que vampiros não respiravam de verdade; seus pulmões não exerciam mais as funções naturais da vida.

O antigo soldado fez um gesto silencioso para que Basco e Gregory o seguissem.

Minutos depois, o trio chegou ao terceiro andar, diante da chamada Sala Vermelha, antiga sala de reuniões de Venâncio. Simeão lembrava-se de ter estado ali pouco tempo antes, acompanhado por La’Vern. O salão que antes fora majestoso agora não passava de um emaranhado de madeiras quebradas, móveis destruídos, tapeçarias rasgadas e restos de vampiros reduzidos a cinzas.

Mesmo assim, algo chamou sua atenção.

Nenhum daqueles restos parecia pertencer a Venâncio.

Simeão atravessou o salão devastado até parar diante de uma parede ao fundo. Ali encontrou um fundo falso parcialmente aberto, revelando um pequeno compartimento semelhante a um closet.

Dentro dele estava um garoto.

O garoto parecia ter aproximadamente a idade que Gregory possuía quando fora encontrado por Basco anos atrás. Estava agachado, abraçando as próprias pernas e tremendo violentamente.

Parecia em estado de choque.

— Vampiro? — Perguntou Basco.

Simeão aproximou-se e observou atentamente o garoto.

— Humano... por enquanto. Mas foi mordido. Um garoto de recados de alguém. Dou menos de vinte e quatro horas para ele se transformar.

Gregory franziu a testa.

— Para mim parece morto.

Simeão balançou a cabeça.

— Quando há uma caçada como a que aconteceu aqui, seria improvável deixarem alguém vivo ou “abraçado”. E se eu escutei a respiração desse garoto lá da entrada... os portugueses também teriam escutado.

Basco ficou intrigado.

— Então por que o deixariam para trás?

Simeão respondeu sem hesitar.

— Não deixariam.


O trio assumiu posições de combate, imaginando que aquilo pudesse ser uma armadilha. Contudo, o garoto saiu lentamente do closet, cambaleando e apoiando-se na parede. Basco o ajudou a se sentar em uma cadeira quebrada. O jovem respirava com dificuldade e parecia lutar contra dores intensas.

Ele afirmou que fora deixado ali como um aviso.

— Você é um dos Filhos da Meia-Noite, não é? — Perguntou Gregory.

Esse era o nome dado às crianças ou adolescentes que eram transformados em vampiros. O próprio Gregory fora um deles antes de ser salvo por Basco. Nos bastidores vampíricos existia uma espécie de acordo informal entre os clãs para que crianças não fossem mordidas antes dos dezesseis anos. Vampiros muito jovens tendiam a se tornar extremamente poderosos, mas também instáveis e perigosos.

No Clã Toreador, alguns membros mais “humanos” justificavam tais escolhas dizendo que estavam salvando entes queridos, imortalizando a inocência ou tentando preencher a própria solidão através da criação de um “filho”.

Quase sempre terminava em tragédia.

O sangue amaldiçoado de Caim inevitavelmente corroía a mente da criança.

— Eles estiveram aqui — disse o garoto com voz fraca, cuspindo sangue. — Procuravam por um objeto antigo... de Portugal... um punhal de ouro. Um deles disse que sentiu o cheiro aqui no Mascarade. Outro falou que não poderiam deixar o Brasil antes de conseguir isso... e a “rapariga”.

Basco franziu a testa.

— Rapariga? Que rapariga?

— Eu... não sei. Parece que ela estava em Osasco.

Simeão aproximou-se.

— Para onde eles foram?

O garoto tentou responder, mas seu corpo começou a tremer violentamente.

— Eles... eu... isso dói tanto que...

Subitamente sua pele começou a escurecer.

Em poucos segundos seu corpo inteiro se deteriorou, transformando-se em uma pilha de cinzas diante dos três.

Basco arregalou os olhos.

— Mas que diabos aconteceu aqui?

Simeão recuou alguns passos, claramente surpreso.

— O Silêncio de Caim.... Eu nunca tinha presenciado isso antes.

Gregory cruzou os braços.

— Eu só tinha ouvido falar nisso.

— Vampiros muito antigos que estudaram necromancia ou magia infernal podem desenvolver sangue tóxico. Quando abraçam alguém, a vítima começa a morrer durante a transformação. Quando finalmente se torna vampiro... simplesmente se desfaz em cinzas.

Basco ficou sério.

— Está dizendo que esse garoto foi mordido por um dos Sete?

— Aparentemente... sim — respondeu Simeão.

Basco permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Então seu telefone tocou.

Ele atendeu e ouviu atentamente.

Quando desligou, olhou para os dois.

— Acho que temos uma pista.

Gregory ergueu as sobrancelhas.

— Qual?

Basco respirou fundo.

— Alex acabou de me ligar.

Ele apontou para o litoral em um mapa do Estado de São Paulo na parede.

— Eles encontraram os Sete.

— Estão em Santos.


Localizada no litoral paulista e a cerca de 72 quilômetros da capital, Santos ostenta o quinto lugar no ranking de qualidade de vida dos municípios brasileiros, conforme o Índice de Desenvolvimento Humano aferido pela Organização das Nações Unidas. O município abriga o maior porto da América Latina, com treze quilômetros de extensão e responsável por grande parte das cargas que entram e saem do Brasil configuram como principal fonte de riquezas do município, fazendo de Santos a cidade da Região Metropolitana da Baixada Santista mais importante economicamente e uma das mais ricas do País.

Em pé de igualdade com os jardins e a praia, como principais pontos turísticos e cartões-postais da Cidade, está o Centro Histórico. Região vizinha ao complexo portuário, o Centro conserva vivo em suas estreitas e charmosas ruas com calçamento de pedra um passado de glórias com a comercialização do café, que já figurou como principal produto de exportação brasileiro.

Pelo seu ponto estratégico de saída pelo mar, Santos recebeu muitas criaturas da noite no decorrer dos séculos. Chamada de Enguaguaçú pelos indígenas Guaianases que ocupavam a área antes da chegada dos invasores, a região deu origem à ocupação territorial e fundação a partir de 1546. Durante o período colonial, a cidade de Santos foi um importante ponto de escoamento da produção açucareira do interior do estado de São Paulo. Também era parada obrigatória para quem se destinava à capital paulista.

Até o final do século XVIII, percorrer o trajeto entre Santos e São Paulo não era simples. O caminho pela Serra do Mar era tão tortuoso e íngreme que os jesuítas o apelidaram de muralha. Apenas em 1792 o percurso ganhou a Calçada do Lorena, primeira via de ligação entre as cidades.

Com o crescimento da exportação do café no século XIX, o porto tornou-se mais importante e o escoamento do grão ficou mais ágil depois da construção da ferrovia São Paulo Railway o que também atraiu investidores vampíricos de muitos clãs principalmente da Alemanha, França e Inglaterra.

Os primeiros vampiros vieram para Santos a partir de 1884. Um de seus protagonistas mais conhecidos era Maurice Durand (*1698 +1723 *1723...), um francês do Clã Ventrue!


Os Ventrue acreditam que a história não deve ser escrita por vitoriosos, afinal, se este modo fosse o correto, porque existiriam tantas versões do mesmo relato!? Assim, a sua história é escrita por sobreviventes, relatos de um povo. A história pode parecer fantasiosa e talvez com algumas falhas, mas é a história vista por um povo, um clã, e que dá muito orgulho aos membros Ventrue.

Durand era jovem, de alta estatura, magro, pele pálida como de costume, cabelos castanhos fartos e cacheados, olhos da mesma cor, porém, tornavam-se azulados quando assumia a sua postura vampírica. Vestia-se como um verdadeiro cavalheiro não dispensando sua bela cartola e uma elegante bengala. Chegou ao porto de Santos acompanhado por um amigo brasileiro, chamado Benedito Calixto, jovem e promissor pintor que conheceu em Asnières, um bairro afastado do centro da capital parisiense.

Ambos frequentaram o ateliê do famoso artista local Jean-François Raffaëlli, porém, influenciado por Durand, Calixto deixa o ateliê. Pouco depois a dupla ingressa então na Académie Julian! Estudam composição de desenhos a partir de modelos vivos. Embora fosse constantemente tentado a “abraçar” Calixto, Maurice continha os seus extintos. Aliviava as suas tentações nos poucos bordéis da cidade e vez por outra em Paris. Em 1884 Calixto retorna à Santos trazendo, além da tela “Longe do Lar”, uma câmera fotográfica, que mais tarde o auxiliaria no registro de cenas para a elaboração de suas telas históricas e religiosas.

A seu convite, Durand o acompanha na viagem. O vampiro do Clã Ventrue ansiava por novos ares, novos desafios e aceitou ao convite do amigo de bom grado. Em 1890, Calixto decide tentar algo novo na capital, retornando apenas 4 anos depois vivendo no litoral até o final de sua vida. Maurice por amizade e apreço, revela sua verdadeira natureza ao amigo fiel na tentativa de que ele aceitasse a eternidade…Calixto, porém, recusa e acaba por se afastar de Durand que durante a ausência do pintor também fez o seu próprio “ninho” abraçando alguns jovens santistas!

Durand acompanhou toda a carreira artística de Benedito Calixto, ora próximo, ora à distância até o dia 31 de maio de 1927 quando lhe deu o último adeus no leito de morte. Durand promete a Calixto proteger a esposa, os filhos, netos e bisnetos do amigo e proíbe que os membros de sua ninhada lhes façam algum mal.

Com o passar dos anos, Maurice investe pesado no alvorecer do turismo na região e torna-se um dos maiores empresários do ramo. Ainda no final dos anos 1910, por exemplo, o Ventrue já havia inaugurado o primeiro Cassino de Santos, o La Rochelle! O Cassino era o centro das atenções e recebia muito bem os estrangeiros, homens de negócios e principalmente políticos que em troca de alguns “pequenos favores promíscuos” faziam o lugar crescer. Entretanto, nos bastidores obscuros do La Rochelle, Durand possuía um comércio paralelo onde o produto principal era fornecer sangue fresco e alimento à vampiros já instalados na capital.

Em 1927 é inaugurado o Cassino Monte Serrat, em um local afastado do centro e com uma das mais belas vistas do litoral santista, acaba atraindo os olhares de muitos investidores. Já em 1955 o vampiro francês restaura, ao lado do Cassino, a secular Igreja de Nossa Senhora do Monte Serrat. Poucos sabiam, mas Maurice foi um dos investidores que arcou com os custos de restauração da igreja, contudo, também ordenou que erguessem aposentos secretos nos subsolos sagrados, onde ele e seus filhos pudessem repousar.

Durante décadas o jovem Durand permaneceu ativamente à frente dos negócios do Cassino, porém, com o passar das décadas, não havia como esconder a sua imortalidade e incumbia servos humanos desejosos de se tornarem vampiros que administrassem o espaço em seu nome. Mesmo no período da Ditadura Militar, os vampiros de Santos gozavam de certa invisibilidade, descrição e ínfima perturbação em seus negócios, graças a acordos realizados com membros do alto escalão do governo militar que usufruíam dos espaços do Cassino! Contudo, recentemente a “maré virou” para os vampiros santistas!

Época atual — dias atrás

Maurice Durand já havia testemunhado muitas coisas em sua longa existência. A queda de reis, revoluções sociais, o surgimento das máquinas a vapor e até o desejo da humanidade de alcançar as estrelas. Ainda assim, nada o preparara para os visitantes que atravessaram as portas da Igreja de Monte Serrat naquele frio entardecer de inverno.

Seis criaturas demoníacas.

Uma após a outra, elas exterminaram todos os vampiros e humanos que defendiam o local. Entre elas estava Lobo, um vampiro capaz de assumir a forma de um gigantesco lobisomem de pelagem negra. Outro era conhecido como Espelho, capaz de copiar a aparência e os poderes de seus inimigos. E então havia o líder.

Inverno.

Alto, pele branca como neve, cabelos igualmente pálidos e olhos frios como um glaciar. Enquanto caminhava pela igreja devastada, Inverno ergueu do chão uma cruz caída e a recolocou em seu altar.

— Interessante como os humanos se prendem a velhos costumes... — disse ele calmamente. — Os clérigos sempre disseram que nós somos descendentes de Cainan*, que ele teria sido o primeiro de nós, amaldiçoado por ter dado cabo da vida do irmão. Eu particularmente não creio neste conto.

O vampiro então começou a narrar a antiga lenda de Senkari, sugerindo que os vampiros não eram filhos de Caim, mas descendentes de uma maldição ainda mais antiga.

Segundo Inverno, Senkari era um ser místico de um remoto clã conhecido como Montreais e teria traído Khyrie, uma divindade suprema tão antiga quanto o tempo, sendo um dos que tentaram usurpar o trono divino deste Ser. Pela sua traição, Senkari e seus irmãos foram banidos para o mundo dos mortais. Cada um dos Montreais recebeu uma punição que refletia a sua índole e traição.

Por toda a eternidade o Montreal Senkari e sua semente seriam obrigados a se alimentar do sangue dos inferiores, mesmo aqueles que vieram a ser como ele e jamais poderiam caminhar à luz do dia novamente. Ninguém sabe onde ele estava e nem se ainda estava “vivo”, mas os sete vampiros portugueses acreditavam que eram os “filhos de Senkari”, descendentes de sua linhagem.

Durand ouviu tudo em silêncio.

Até perceber o verdadeiro motivo da visita.

— Tu não cheiras como eles! — Aponta Espelho para os cadáveres, vampiros, filhos de Durand.

— Concordo.... Tu não nascente nestas terras…de onde vens? — Pergunta com a voz rouca e baixa, o vampiro o qual se apresenta como Acordador

— Eu vim da França....há muito tempo! — Responde Durand a contragosto

— E mora nesta praia desde então? — Questiona Espelho enquanto retorna a sua forma original

— O que posso dizer? A vizinhança é boa! Pelo forte sotaque, são de Portugal. Estão longe de casa

— Voltaremos em breve. Já temos quase tudo o que precisamos! — Responde um outro vampiro que se denomina como Tempestade

— O que querem em Santos? — Pergunta Maurice

— Um navio...e você irá nos fornecer um...irmão! — Responde Inverno.

— Lamento, mas o cais está fechado!— Responde Durand de forma sarcástica enquanto rapidamente retira de suas mangas pequenas esferas e as lança no chão, criando explosões de fumaça negra e com forte odor de enxofre e alho! Em segundos todo o espaço da igreja está tomado pela névoa negra. Um forte golpe no estômago, desferido por Maurice em meio à fumaça, faz Espelho recuar alguns passos. O mesmo ocorre com Acordador e Tempestade que recebem golpes no rosto, nas costas e nos joelhos.

Em meio a fumaça negra garras afiadas rasgam o rosto de Lobo, fazendo-o urrar com ódio e furor. Durand surge como uma sombra nas costas do vampiro que até o momento não havia pronunciado uma palavra sequer, porém, o mesmo é tão rápido e ágil quanto ele. Os olhos azuis de Durand, brilhavam em um azul intenso, a ponto de quem os visse, poderia jurar que o homem estava vivo!

Ambos usam golpes de ataque e defesa em todos os ambientes da Igreja parecendo que a luta não teria um vencedor, até o vampiro conhecido como Gentil estender um dos braços e fazer o ar inteiro congelar. Os movimentos de Durand tornam-se lentos para um vampiro e quando percebe parte do corpo já estava congelado, fazendo-o desiquilibrar e destruir uma das portas laterais expelindo-o para a mata ao lado da igreja!


Capturado e humilhado, Durand recebeu uma ordem final.

Ele deveria encontrar um navio. Um navio capaz de levar os seis vampiros de volta a Portugal.

Por sorte — ou azar — um cargueiro frigorífico chamado MCS Capricórnio encontrava-se no porto de Santos. A embarcação transportaria carne e produtos perecíveis até Lisboa em poucos dias.

Usando hipnose vampírica, Durand manipulou alguns tripulantes para preparar um espaço no compartimento de carga. Um esconderijo adequado para as seis criaturas.

O navio partiria em dois dias.


Continua...