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7 Suddely I See
Notas iniciais
Flash. Muda de pose. Olha para baixo. Olha para cima. Flash. Sorri. Flash. Ficar séria. Muda de pose. Flash. Sorrir. Não ficou bom. Flash. Séria. Olhar para a direita. Flash. Olha para a esquerda. Flash.
– Vamos dar uma pausa de 5 minutos para outra troca de roupa. Você está perfeita, Penny. Quero uma maquiagem nude nela agora, Jessie! – Falou a fotógrafa chamada Rebeka. Ela possuía um estilo roqueiro, seu cabelo era preto com mechas azuis e um pequeno undercut do lado direito. Um belo piercing na narina esquerda, diversas pulseiras ocupavam seus pulsos, vestia uma calça preta e uma camisa do Ac/Dc.
Um grupo de três pessoas me guiou para a quarta troca de roupas. Lizzie conversava com a fotógrafa e outro homem chamado Josh escolhendo as melhores fotos, às vezes ela também aparecia para fazer alguma mudança em minhas roupas.
Foram quatro horas de fotos até Liz ter o material que ela queria. Scott apareceu dez minutos antes de eu tirar um quilo de maquiagem do meu rosto. Saímos do estúdio e a limusine de minha pseudo namorada nos esperava na porta.
Tive dificuldade para andar por conta do salto alto que usava. Finalmente parei de reclamar para Liz e aceitei as roupas que ela me mandava. Comecei a usar mais maquiagem, aquilo que antes era quase impossível eu usar. Minhas roupas eram quase todas: saias e vestidos. Precisava caçar calças jeans, shorts e regatas. Muitos óculos escuros também, pois para todos os lugares usava um par diferente, ao menos tentava.
– Para onde vamos? – Perguntei animada.
– Scott e eu temos uma entrevista para um programa de radio. Você precisa ir para dizermos que nós três somos grandes amigos e blá blá blá. – Liz explicou enquanto virava uma taça de champanhe.
– Eu vou precisar falar alguma coisa?
– Talvez, mas concorde com tudo o que eu disser.
Revirei os olhos. Aposto que Scott também não estava muito contente com tudo aquilo. Ele não disse nenhuma palavra desde que saímos e não parava de encarar a janela. Imaginava ser difícil para ele ter a mulher de seus sonhos rejeitando o seu amor, além de esfregar a nova namorada na cara dele. O galã percebeu que eu o encarava, ele sorriu para mim e falou:
– Vou dar uma festa sábado. Algo bem simples, nada de mais. Quero que você vá.
– Claro! – Fiquei contente por ser meu primeiro convite a uma festa chique, mas Liz logo interrompeu o convite bonito.
– “Simples”. Corta essa, Scott. Você sabe que vão aparecer mais de 300 pessoas no dia.
– Estou torcendo por você estar errada, Lizzie. Mas, sinceramente, dessas coisas não tenho controle.
– Como assim não tem controle? – Quis saber curiosa.
– Os paparazzis de alguma forma conseguem descobrir a data, a hora, o local. Avisam para a galera e muita gente aparece. Fica difícil até mesmo para os seguranças permitirem a entrada das pessoas. Além de que uma pessoa vai chamando duas, não tenho como barrar ninguém. Fica até mal para a minha imagem.
– É complicado ser famoso, Penny – Suspirou Liz abrindo a porta quando paramos em frente ao prédio da IHeartRadio. Ouvi gritos vindos do lado de fora. Coloquei meus óculos escuros e sai do carro.
Não conseguia me acostumar ainda com a multidão de paparazzis. Passaram-se apenas cinco dias que eu e Liz estávamos “namorando” e os jornais, revistas não falavam sobre outra coisa. O site do TMZ possuía uma coluna sobre nós ao lado de várias matérias sobre a Miley Cyrus. Meu instagram possuía apenas duas fotos: uma com Oliver e outra com Liz. Eu tinha dois milhões de seguidores! Fotógrafos cercaram a entrada do meu prédio o fim de semana inteiro, mas eu não saí de casa. Segunda antes de ir para a faculdade não havia nenhum sinal deles e respirei mais aliviada.
Entretanto, a faculdade que antes era meu refúgio tornou-se meu maior tormento. Victória pediu a ajuda de alguns amigos e eles faziam barreira para afastar a multidão todas as vezes que eu ia para a aula. Penso em abandonar o curso baseada na promessa de Liz, mas não tenho coragem. Ela ainda não fez nada para me ajudar, não quero ser chata e ficar cobrando, mas sei que cedo ou tarde vou acabar sofrendo mais ainda na faculdade e não verei outra saída se não abandonar.
Fiquei do lado de fora da cabine de gravação durante toda a entrevista. Quando o repórter falou sobre mim fiz um pequeno aceno de mão para ele, Liz logo me elogiou e mudou de assunto. Scott e Liz possuíam uma química incrível, não havia como negar. Eles completavam as falas um do outro e riam da piada certa, ao momento certo. Lizzie, realmente, conseguia ser gentil quando queria.
A entrevista não demorou mais de uma hora. Despedimos-nos de todos e voltamos para a limusine enfrentando os paparazzis novamente. Estava quase no horário de minha aula quando eles me convidaram para jantar. Recusei, mas agradeci o convite, não queria perder mais aulas.
– Me deixem na esquina, por favor.
– Por quê? – Perguntou Liz digitando fervorosamente uma mensagem em seu celular.
– Não quero ser vista saindo de um carro desses. Vai aumentar ainda mais a multidão que me persegue lá.
– Falando em multidão. Eu contratei seu segurança. O nome dele é Lucas e Jock o achou perfeito para o trabalho. Ele começará amanhã, vai te acompanhar a todos os lugares e será seu motorista. Toma. – Ela jogou uma chave em meu colo. Scott nos olhou de lado se soltou uma risada abafada – Seu novo carro.
– Oi? Que carro? Pra quê?
– Jock disse que no dia em que eu passei mal ele não conseguiu entrar direito em seu carro, portanto eu resolvi comprar um novo para você. Chega amanhã, também. Você só precisa assinar uns papeis e tudo pronto.
– Negativo. Não vou aceitar um carro, Lizzie! – A limusine parou em frete a faculdade.
– Considere isso um pagamento por ser minha namorada.
– Não sou puta! Não preciso de pagamento! – Deixei a chave do carro no banco e sai às pressas daquele lugar batendo a porta com força. Não parei para lidar com as pessoas que me encaravam e me seguiam. Fui para a minha primeira aula bufando e ignorei todos ao meu redor.
Os dois primeiros horários passaram voando. Quando estava indo para minha terceira aula uma garota loira estava impediu a minha passagem.
– Olha, eu me expressei mal. Desculpa. Comprei esse carro para você se sentir mais seguro. Para eu me sentir mais segura sabendo que você o está dirigindo. É um presente.
– Fala sério, Liz... – Suspirei com a multidão se aproximando de nós e gritando, mas Jock enxotou todos do local.
– Ele é blindado e maior do que o seu. Não precisa se livrar do i30, sei que foi um presente de seu pai, mas aceite o meu por enquanto. – Ela colocou a chave do carro em minhas mãos e ficou segurando elas por um tempo. – Faz parte do acordo, lembra?
A garota piscou para mim e saiu da faculdade como se nada tivesse acontecido. Eu fiquei parada olhando ela ir com um misto de emoções me dominando. Não sabia se ficava com raiva por estar sendo bancada por alguém, ou feliz por essa pessoa se preocupar comigo a esse ponto, ou triste por Liz ter quase me chamado de “puta”, ou contente por ter um carro novo.
Victoria apareceu para me tirar do transe e me guiou para a sala.
Acordei na quinta-feira com o interfone tocando avisando da chegada do carro e de um homem anunciando ser um segurança. Meu novo carro é um Audi S7 preto e era perfeito. Papai nem acreditou quando mandei uma foto para ele. Acredito que Liz ganhou meu pai com essa jogada. Muito mais confortável do que meu pequeno i30.
Quanto ao meu segurança... Ele era um Deus grego de terno. Loiro, olhos verdes, branquinho com a barba mal feita, seus músculos faziam o uniforme ficar justo em seu corpo. Lucas não era de falar muito, mas sempre que falava sorria para mim. Aceitei a ideia de ter um cara desses andando atrás de mim por todos os lugares.
Mostrei meu apartamento para ele e combinamos nossos horários para quando eu sair. Ele disse que foi contratado para ser meu motorista também. Hesitei com a ideia. Ainda era estranho alguém me seguir, sempre fui sozinha desde que me mudei. Concordei e dei a chave do meu apartamento para ele.
Meu telefone não parou o dia inteiro. Pessoas de quem eu nunca havia ouvido falar me ligavam pedindo entrevistas, fotos, oferecendo vagas de modelo para a marca deles. Lucas, às vezes, ia à portaria receber algumas cartas e presentes que chegavam de supostos fãs. Uma ou duas ameaças de morte por eu estar namorando Liz, mas Lucas disse que me protegeria.
Almocei com Liz, ela me aconselhou sobre o que fazer e com quem assinar contrato. Deu algumas dicas de atuação e disse que treinaríamos nesse final de semana. Precisei acompanha-la no set de filmagem para uma cena de ultima hora.
– Penny, quero que você conheça Max Joseph. Ele é incrível. – Liz me empurrou para cima de um homem jovem, mas de cabelos grisalhos. Ele sorriu a me ver e ajudou a manter meu equilíbrio depois do empurrão de minha namorada. Eu estremeci, já o havia visto na televisão.
– Ah, ouvi muito falar de você, Penny. Parabéns pelo namoro. Estou muito feliz pelas duas. Prazer em conhecê-la.
– É... Não... Tipo... Você é incrível... Amo... Peixe. – Tudo o que eu consegui falar porque sou uma idiota. O nome do programa dele é Catfish! Porque eu falei peixe?
– Eu também, obrigado. – Ele sorriu e precisou se afastar de nós.
– Se seu primeiro contato com pessoas vai ser assim, Penny... Não pode dizer para as pessoas logo de cara que você ama peixe. Nosso acordo não vai funcionar desse jeito. – Ela enxugava as lágrimas de tanto rir.
– Cala boca, Lizzie.
Não demoramos muito e logo Liz me deixou em casa. Ao fim do dia minha agenda para a próxima semana estava lotada e todas as propostas eram incríveis! Guess pediu uma sessão de fotos para a nova linha de bolsas, testes para um novo filme romance do Nickolas Spark (disseram que eu era parecida com a principal), Scott pediu para eu estrelar o próximo vídeo clip dele. Precisei implorar para os horários não baterem com meus compromissos da faculdade. Recebi uma ligação de Liz quando estava quase dormindo. Falamos por alguns minutos e logo adormeci.
Foi um erro. Estava tão distraída com as possibilidades, tão cansada que me esqueci de ir para a faculdade. Ouvi a porta sendo aberta e o relógio indicava ser 10 da manhã de uma sexta-feira. Levantei tonta e encontrei Lucas deixando um pacote em cima da mesa.
– Por que você não me acordou? – Perguntei assustada para Lucas. Ainda vestia as roupas do dia anterior. Eu estava com olheiras, possuía trabalhos acumulados e meu telefone voltara a tocar.
– Pensei que você não tivesse mais nenhum compromisso...
– Eu perdi aula! Droga! Mais matéria acumulada... Victoria vai me matar porque eu não avisei a ela. Merda! Tenho um seminário segunda-feira que vem.
Tomei o café que meu segurança trouxera, foi muita gentileza da parte dele. Abri uns pacotes deixados na portaria. Eram alguns envelopes contendo dinheiro (158 dólares no total), ursinhos de pelúcia, fotos minhas andando na rua, montagens de fotos minhas com outras pessoas, caricaturas. Achei um pouco assustador no inicio. Lucas me ajudou a responder quase todos e devolvi o dinheiro para os remetentes agradecendo a generosidade.
Na minha caixa postal havia várias mensagens de Victoria, sendo as ultimas com a garota quase gritando e discursando a respeito de responsabilidades. Passei o resto da manhã me preparando para o seminário de segunda. Eram meio dia e eu almoçava com Lucas quando uma mensagem de Liz apareceu nas notificações: “Seu primeiro pagamento já está na sua conta.”. Arregalei os olhos e quase me engasguei com o yakisoba. Pagamento do que?
Entrei no site da minha agencia bancária e cinco mil dólares haviam acabado de cair em minha conta. Passar 4 horas em pé sorrindo era à mesma coisa que trabalhar dois meses na loja contando com as horas extras. Não conseguia acreditar naquilo.
A campainha tocou e Lucas foi atender. Um perfume forte adentrou o apartamento e pude ouvir uma voz grossa. Tirei os olhos de meu computador e o maravilhoso Scott Lincoln estava em meu apartamento.
– Boa tarde, Penelope Wood. Dormiu bem? Trouxe chocolate. – Ele deixou uma caixa de trufas em cima da mesa e se sentou ao meu lado.
– É... O que você está fazendo aqui? – Scott é a ultima pessoa no mundo que eu imaginaria estar em meu apartamento.
– Vim visitar minha querida amiga e implorar para ela aceitar fazer os testes para o próximo filme do Nickolas Spark, porque eu sei que te ligaram ontem oferecendo.
– Como assim? Hã? – Informação de mais vinda de uma visita de depois do almoço.
– Estou produzindo o filme e indiquei você para o diretor. Ele concordou com a ideia, mas quer conhecer seu jeito primeiro e ter certeza que você é a garota certa.
– Eu não sei atuar! Você e Liz deixaram bem claro isso semana passada.
– Nada que umas aulas não possam dar um jeito nisso. Você só precisa ser você mesma e deixa com que as câmeras façam a magia. – Ele balançou os dedos durante a palavra “magia” e sorriu torto para mim. – Trouxe o script do filme para treinarmos. Vamos lá, Penny. Não há nada a perder.
Passamos a tarde toda treinando. Ele me deu dicas a respeito de como me portar diante da câmera, o que fazer e o que não fazer. Ensinou umas expressões faciais e como as fazer parecerem verdadeiras. Scott era uma companhia divertida, pois nada parecia abala-lo. Bem... Exceto quando falávamos de Liz. Toda vez que o nome de minha falsa namorada vinha à tona ele se fechava e parava de sorrir. A loira ainda é uma ferida em seu coração de galã.
– Excelente! Seu jeito é tão natural. Estava certo em ter te indicado ao papel.
– Obrigada, Scott... Mas... Não é o que eu quero... Quero ser diretora, ficar a frente das câmeras não é para mim...
– Isso é uma decisão que você precisa fazer e eu respeito isso. – Ele sorriu. Seu celular tocou e após a ligação ele estava de pé próximo à porta. – Preciso ir, Penny. Gostei de passar esse tempo com você, obrigado.
Olhei para o relógio e tomei um susto por quase estar na hora da minha aula. Precisei correr para me arrumar e chegar à universidade a tempo. Lucas dirigia feito um louco vendo meu desespero e tive a leve impressão de meu dinheiro da sessão de fotos ir direto pagar multas por esse atraso.
Coloquei meus óculos escuros, apesar de ser noite, e atravessei o estacionamento da universidade com diversos fotógrafos e pessoas me cercando. Tive sorte de Lucas estar comigo, pois as pessoas passaram a se sentir intimidadas e ele ameaçava todos aqueles que tentavam se aproximar sem a minha permissão. Ao fim do segundo horário a situação já estava quase tão normal quanto antes de eu ficar um pouco mais famosa, exceto por ter um homenzarrão aos meus calcanhares me seguindo a todos os lugares.
Minhas matérias estavam todas acumuladas e para completar eu havia tirado nota baixa em quase todas as matérias. Sai da ultima aula me lamentando quando ouvi uma voz ao meu ouvido.
– Olha só, quem resolveu voltar a se misturar com a plebe. – Victoria e Oliver me esperavam em frente a minha sala no final da aula.
– Deixa disso, eu estive com tanta coisa para fazer que nem consigo mais vir para universidade. – Andei mais rápido que ele e precisaram correr para me acompanhar. Precisava voltar para casa e treinar para o teste de Scott.
– Sua nova namorada não é uma boa influência aos seus estudos... – Falou Oliver na maior cara de pau.
– Você também não era uma boa influência, Oliver – Rebati e Victoria conteve um riso – Mas ela não tem culpa disso. Fui eu quem aceitei o acordo... Tenho que arcar com as consequências.
– Então esse acordo não é bom para você
– Para com isso, Victoria.
– Eu só estou tentando te proteger, te ajudar.
– Como consegue ver: Não preciso de proteção!
– Penny... Para! – Ela gritou quando estávamos a caminho do estacionamento. – Olha só para você... Em uma semana está tão diferente... Ignora minhas mensagens, não fala mais comigo ou se quer olha na cara de Oliver... O caso do Oliver eu entendo, mas e eu?
– Ei! – Protestou Oliver – Eu também estou preocupado com ela. Nós três éramos inseparáveis, Penelope. Olha como estamos agora! Só converso com a Victoria e sempre que tentamos falar com você é impossível.
– Éramos tão amigas e agora nem retorna mais as minhas ligações... Quem é esse? Seu segurança? E o quê aconteceu com seu antigo carro? Pra quê tanta maquiagem no seu rosto?
– Gente... É complicado...
– Sério? Tão complicado que eu nem reconheço mais a minha melhor amiga... – Eles foram embora me deixando parada encarando o nada no estacionamento. Lucas me guiou para o carro, pois os fotógrafos haviam filmado a cena, agora se aglomeravam ao meu redor e perguntavam sobre Victoria.
Voltei para o carro e me questionei se estava tão diferente assim. Eram apenas roupas novas, um pouco mais de maquiagem e uns amigos novos. Eu estava seguindo meu sonho, por que meus amigos não conseguem entender isso? Meus pais estão preocupados com o que eu possa me tornar, mas eles confiam em mim. Não confiam?
Uma notificação de Liz piscou em meu celular. Já sabia sobre o que se tratava, mas ignorei. Tudo o que eu menos queria era mais um escândalo sobre mim. Fechei os olhos e amaldiçoei o dia daquela foto.
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