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8 Trap Queen
Notas iniciais
– Eu não vou voltar para aquela universidade, Liz. Preciso de um trabalho com algum diretor ou algo assim. Não queria ter que fazer isso, mas não vejo outra forma de acabar com as fofocas.
Fechei a tela do computador e me joguei no sofá massageando a têmpora. Lucas me entregou um chá de camomila e tomei um pequeno gole. Odeio chá. Lizzie respondeu do outro lado da linha.
– Entendo... Vou fazer umas ligações e ver o que arrumo para você até segunda-feira. Provavelmente vou pedir para Max te aceitar como assistente da assistente dele. Nada remunerado, mas é melhor que nada. O filme está terminando as gravações e logo vão começar a edita-lo. Acho que essa vai ser a parte que você mais vai gostar. Tchau, passo ai mais tarde almoçarmos. Beijinhos, gata.
Fim da ligação, pois ela nunca esperava minha resposta, ou argumento. Encarei o teto por alguns minutos ainda tentando avaliar o que faria da minha vida. Desistir da faculdade seria um grande passo para mim. Abdicaria de dois anos de estudos pela incerteza em pessoa (Lizzie Chermont). Duas lágrimas escorreram de cada olho meu. Preciso dar esse voto de confiança nela, pois quero ser diretora mais que tudo nesse mundo, é o que sempre sonhei.
Olhei para Lucas que lavava a minha pequena louça suja cantarolando uma música do OneDirection. Ele fazia tudo o que eu pedia sempre com um sorriso no rosto. Tenho a leve impressão que ele é gay, mas nunca vou perguntar. Não era da minha conta, a pesar de achá-lo bastante atraente. Entretanto, não posso me atirar para ele, ou flertar. Ele trabalha para mim, é contratado pela minha suposta namorada e acredito que Lucas seja areia de mais para meu pequeno caminhão. Não consigo imaginar todos esses músculos em cima de mim e...
– Penny? Tudo bem com você? – Ele parou o que estava fazendo e agora me encarava.
– Hã? Lógico! Eu estou bem só estou... – “Muito tarada hoje” – cansada. Acho que vou dormir um pouco antes de Liz chegar.
Fui para o meu quarto. Passei o resto da manhã ouvindo música e me sentindo culpada por meus pensamentos safados relacionados ao Lucas. O que está acontecendo comigo? Tive minha fase safada assim que terminei com o antigo namorado que tinha em Oklahoma. Porém isso não demorou uma semana e a timidez tomou conta de mim quando cheguei a Los Angeles. Estava me soltando mais com Liz e Scott, agora os considero amigos. Apesar de minhas brigas com Liz, acredito ser só o jeito difícil dela e preciso aprender a lidar com ele.
Meio dia uma música alta invade a minha sala de estar. Saio correndo do quarto e me deparo com Lizzie segurando uma caixa de som com roupas que rappers usam fazendo beat box e pulando como uma macaca loira.
– Tá doida? – Perguntei rindo da situação.
– Acordei no estilo hoje para a festa de Scott e você também devia. – Ela se aproximou dando um giro e esticando os braços.
– Não estou muito no clima para festa...
– Por que não, rapper Penny?
– Já olhou as notícias de hoje?
– Alguns assaltos, Justin Bieber maconheiro, Britney Spears, a bolsa de valores...
– Briguei com Victoria ontem...
– Ah, isso? Quanto mais você ficar olhando o TMZ mais vai ficar mal. É isso que eles querem! Eles criam notícias, aumentam fofocas para que nos descontrolemos e arrumemos mais merda para eles falarem mais. Ignora que é o melhor a se fazer.
– Falar é fácil...
– Fazer também é! Vamos logo almoçar. Vou ligar para minha amiga Victoria e meu amigo Oliver. Vou convida-los para minha festa de hoje à noite e tudo vai ficar bem.
Lizzie me puxou para fora de minha própria casa. Entramos na limusine e refleti sobre a ultima fala de Lizzie.
– Você é muito possessiva... “Minha festa”, “meus amigos”, “minha namorada” – Falei tentando imitar a voz dela. Nós rimos e Liz tomou um gole de seu habitual champanhe.
Após o almoço fomos para a casa da minha amiga/namorada procurar roupas para a noite. Assim que sai do closet com o vestido que Liz havia me mandado experimentar, ouvi-a falando no telefone com alguém sentada em sua cama.
– É... Pode vir mais cedo aqui para minha casa e de lá vamos para a casa de Scott... Não aceito um não como resposta, viu? Jock vai te buscar as 4... Sim, já falei com ele. Jock vai buscar vocês dois e vamos juntos... Prazer em conhecê-la também, Victoria. – Gelei. – Até mais tarde.
– O que você está fazendo? Era séria a história de convida-la? Quem são “vocês”? Você? Não! Não! Por que fez isso?
Surtei! Lizzie havia convidado Victoria e Oliver para a festa de Scott. Os dois estão com raiva de mim e por mais que eu queira arrumar as coisas entre nós, não acho que durante a festa seja uma boa. A imprensa vai estar lá, paparazzis e famosos. A ultima coisa que quero é mais fofoca e boatos.
– Você fica engraçada surtando assim... – Ela riu – Fica calma. Vai dar tudo certo. Victoria e Oliver querem fazer as pazes com você e nada melhor do que uma festa para vocês se divertirem! Sabe o quanto eles gostam de festas, não?
– Sei, mas como é que você sabe? – Ela riu mais. Esse misterioso jeito de Lizzie me dava nos nervos. Sinto-me manipulada e espionada sempre que temos essas conversas. Toquei em meu pulso girando minha pulseira.
– Você me disse naquela vez que fomos para a Disney. Confia em mim, Penny. Tudo vai dar certo. Eles vêm daqui a pouco, vamos para festa de Scott – Ela se levantou da cama e foi se aproximando de mim – Vamos dançar – Ela me girou como em uma dança – Beber – Seu rosto foi se aproximando do meu. Pude ver seus olhos azuis encarando os meus e sentir seu hálito de champanhe. Hesitei quando senti um arrepio e me afastei.
O hálito de Liz me fez hesitar. Quantas taças ela já havia bebido hoje? Desde a nossa briga em relação à bebida tentei parar de me importar, mas agora era meio impossível. Fico preocupada com a saúde dela, vê-la bebendo desse jeito desenfreado aumenta todas as minhas apreensões e não quero que ela continue assim.
Lizzie franziu a testa e voltou para seu antigo lugar. Disse que gostou do vestido e que precisávamos encontrar um sapato que combinasse. Voltei para o closet e me encarei no espelho. Vestia um vestido liso azul escuro de costa nua, amarrado atrás ao meu pescoço. Ele ficava certo ao meu corpo e acentuava as curvas quase inexistentes.
– E você vai com que roupa? – Joguei-me ao lado dela na cama, mas ela estava de cara amarrada encarando o celular. Agora, conhecendo Liz melhor descobri que essa atitude dela podia significar duas coisas: “Você fez alguma coisa que eu não gostei e agora vou te ignorar”, ou “você é tão chata e eu estou com tanto tédio que vou ficar mexendo no celular por não ter coisa melhor para fazer”. Acredito que agora se trata da primeira opção, pois ela apontou, sem me encarar, para um vestido pendurado na parede.
– É perfeito! — Era um vestido tomara-que-caia azul claro de renda, o forro do vestido acabava acima da metade da coxa e a renda continuava até o chão.
– Eu sei. – Revirei os olhos e ela riu. Lizzie sentou próxima de mim e voltou a encarar meus olhos. – Seus olhos são tão verdes, querida. Quero come-los
– Obrigada, Hanibal. Você é adorável — Sorri
– Vamos descer. Preciso fazer uns bolinhos para levar hoje à noite. – Ela encostou o nariz dela no meu e se afastou. Senti um arrepio momentâneo por estarmos tão próximas. Fui puxada por Lizzie até a cozinha.
Ficamos cantando músicas da rádio enquanto ela preparava a massa do bolo. Lizzie a cada segundo olhava o celular falando alto a receita enquanto segurava uma taça de vinho. Ela separou os ingredientes e começou a junta-los na tigela. Errou a quantidade de leite, não sabia qual era a clara e qual era a gema do ovo, colocou mais chocolate do que trigo.
– Para! Para! Tá tudo errado! Já fez bolo alguma vez na vida?
– Claro que não, mas não devia ser tão difícil assim. – Ela cheirou a tigela com todos os ingredientes e enrugou a testa. Algo fedia lá e... Por que, diabos, havia um pedaço de tomate lá dentro?!
– Não devia mesmo... Tem um tomate ai!
– Penny... Acho que não é tomate... Mas se a gente colocar logo no forno...
– Vou jogar fora isso! – Despejei o conteúdo todo no lixo. – Deixa que eu faço para você.
– Obrigada, Melinda não pode vir hoje e esqueci completamente dos bolos. – Ela sentou em cima do balcão da cozinha e mudou a estação do rádio. Assim como toda a casa de Liz, a cozinha era supermoderna. Era preta e branca, possuía tudo o que um chef de cozinha profissional precisaria. Peguei a batedeira e misturei os ingredientes quando a massa estava quase homogênea Liz colocou algo verde junto com a mistura.
– O quê é isso?
– Marijuana. – Ela disse usando um sotaque meio espanhol e tomando mais um gole de sua bebida.
– Lizzie!
– Sempre levo para as festas... É a sensação. Você não precisa provar se não quiser, mas dá o maior barato. É gostoso.
– Não é certo isso...
– Relaxa, Penny. Nada vai acontecer. Se você não provar, claro. – Minha louca amiga despejou o conteúdo da batedeira em alguns potinhos pequenos e os levou para o forno. – Agora vamos dançar!
Lizzie colocou uma batida eletrônica para tocar e se aproximou de mim. O dia estava conspirando para ficarmos super próximas. Senti outro arrepio. Ela segurou minha cintura com uma mão e a taça de vinho com a outra e me fez seguir seus movimentos até o chão algumas vezes. Lizzie dançava de um jeito muito sensual encarando meus olhos, ela conduzia meus braços, tocava em meu cabelo e sorria todas as vezes que me pegava a encarando. Assim que a música parou ouvimos passos se aproximando e nos afastamos.
Jock entrou na cozinha com Victoria e Oliver. Eu não consegui evitar sorri ao vê-los. Era evidente a insegurança dos dois. Eles não pareciam muito felizes em estar lá e evitaram olhar para mim.
– Bem-vindos! Todos os amigos de Penny são meus amigos também! – Ela definitivamente já estava bêbada e a festa nem tinha começado.
– Tá bom de bebida, amor – Peguei a taça de vinho da mão dela. Ela me encarou com raiva. Podia jurar que seus olhos ficaram cinza naquele momento. Eu sorri tentando acalmar a fera e aparentemente funcionou, pois ela me abraçou e riu também. Acho que a única vez que Lizzie me abraçou foi quando aceitamos nos tornar namoradas. Se fosse antes e eu tentasse tirar a bebida dela, ela provavelmente teria me dado um tapa. Estávamos evoluindo no quesito: Tornar a Lizzie mais legal.
– Penny, queremos pedir desculpas por ontem... Oliver e eu conversamos e percebemos que fomos duros de mais com você. Acredito que foi uma semana difícil para todos nós e...
– Está tudo bem, Victoria. Desculpem meu comportamento também.
– Nós não precisamos te desculpar, você fez o que foi preciso para conseguir o que quer. Eu admiro muito isso em você – Falou Oliver.
– Nós só queremos o seu bem, Penny – Victoria abaixou a cabeça e lancei um olhar de compaixão para ela.
– Vamos deixar para lá. Amo vocês. Não me imagino sem vocês do meu lado. – Eles foram até mim e demos um abraço triplo. Deixar a mágoa para trás é a melhor forma de ficar feliz no futuro. Eles são meus melhores amigos desde quando cheguei a Los Angeles. Não vou deixar uma briguinha atrapalhar tudo o que construímos por anos e acredito que eles também não vão.
– E nós estamos de bem, Penelope? – Oliver segurou em meus ombros olhando profundamente em meus olhos tentando ler se mentirei para ele ou não. Suspirei.
– Estamos bem, Oliver. – Sorri.
Vamos seguir em frente, certo? Eu estou em outra e ele também... Vamos dar mais uma chance a amizade, o que de ruim pode acontecer? Mais tarde descobri que tudo poderia acontecer...
– Venham provar os meus cupcakes! – Lizzie gritou um pouco menos porre que antes. Eu segurei os dois e balancei a cabeça negativamente. Conseguimos enganar minha namorada falando que não poderíamos comer sem cobertura.
Passamos mais uma hora na cozinha enquanto Victoria e eu preparávamos a cobertura. Todas as vezes que Lizzie se aproximava da vasilha parecia que algo dava errado e precisávamos começar desde o inicio a receita. De todas as habilidades de Lizzie a única coisa que ela não sabia fazer de jeito nenhum era cozinhar. Percebi depois de hoje que ela também era pé frio quando estava, até mesmo, acompanhando.
Oliver ficou a entretendo com um copo de água dizendo ser vodka. Ela foi recuperando a consciência aos poucos e o seu mau humor estava de volta. Após os cupcakes ficarem prontos Lizzie nos levou para o seu quarto onde nos arrumamos para a festa de Scott.
O vestido de Victoria era um simples tubinho preto rendado, mas minha amada estilista a impediu de usar e caçou em seu gigantesco closet um vestido do tamanho de Victoria. Ela encontrou um vestido vermelho meio rasgado em algumas partes. Ficou perfeito em Victoria, pois a deixou sexy sem ser vulgar do jeito muito top. Meu querido ex e novo amigo, Oliver, vestia uma camisa social azul marinho, calça jeans preta e um sapato-tênis preto. Lizzie declarou que não havia muito que fazer por ele, mas arrumou o cabelo dele. Ela passou um gel para deixar mais alinhado e tivemos que concordar que seu visual ficou bem melhor.
Jock entrou no quarto informando que a limusine estava pronta. Eram nove horas da noite quando saímos da casa de Lizzie. Não demoramos muito dentro do carro, pois um pouco mais adiante encontramos uma casa tão grande quanto da Lizzie cheia de paparazzis na frente. Minha pseudo namorada deu um gole na sua primeira taça de champanhe da noite enquanto tentávamos atravessar o mar de fotógrafos até a entrada da casa de Scott.
Assim que descemos do carro fomos recebidos por uma multidão de pessoas famosas abraçando e falando com Liz. Perdi Victoria e Oliver de vista, pois Lizzie segurava minha mão firmemente e não me deixava me afastar. Quando a deixavam falar a primeira atitude tomada era me apresentar para a pessoa. Reconheci nomes como: Kendal Jener, Paris Hilton, Britney Spears, Karlie Kloss, Jason Derulo, Harry Styles.
Pessoas que nunca esperava encontrar na vida estavam lá bem diante do meu nariz. O melhor de tudo era que elas sabiam o meu nome, algumas vezes, sem nem Liz precisar apresentar. Eles tiravam fotos com minha pseudo namorada, às vezes pediam para eu entrar na foto e outras simplesmente me empurravam para o lado, mas Lizzie vinha ao meu socorro e brigava com aqueles que assim agiam.
Somente após uma hora conseguimos nos afastar de todos. Ser famoso era completamente irritante e você tem que lidar com vários tipos de pessoas puxas-saco. Encontramos com Scott na cozinha que sorriu ao nos ver.
– Festa só para amigos, é? – Perguntei rindo e abrindo caminho pela multidão para poder falar com ele. Havia mais de três mil pessoas naquela mansão. Pessoas importantes faziam fila do lado de fora para entrar.
– Sabe como é... Cada um vai chamando dois amigos e esses dois mais dois... Quando fui ver a casa está desse jeito e provavelmente a festa só vai acabar semana que vem. – Eu ri. Scott me entregou um copo com uma bebida rosa nele. – Vodka com morango. É gostoso, experimente.
Ele estava certo, mas a bebida estava muito forte e logo senti meu corpo esquentar. Ele riu da minha careta. Lizzie chegou por trás de mim me abraçando, tirou a bebida de minha mão e acabou com metade dela. A Lizzie sóbria de poucas horas atrás se fora.
– Tá fraco.
– Você que vai ficar fraca se não parar de beber. – Scott brigou. Ela revirou os olhos e me puxou pela mão para a sala de estar onde estava tendo uma pista de dança com música eletrônica.
Ela virou o resto da bebida do copo e o entregou para a primeira pessoa que passou ao seu lado. Ela mexia em seus cabelos loiros enquanto balançava o corpo no ritmo da música. Eu tentava ao máximo evitar que ela bebesse, todas as vezes que um copo surgia na mão dela eu a deixava tomar o primeiro gole, depois o pegava para mim e sumia com ele. Não demorou muito para ela perceber e me fazer beber na frente dela (vadia). Eu precisava tomar todo o conteúdo do copo, mas já estava ficando bastante tonta. Não aguentava mais dançar direito e sorria para todos que se aproximavam de mim enquanto me apoiava em Liz que estava um pouco em melhores condições que eu.
Scott se aproximou de nós e sussurrou algo no ouvido de Liz. Ela soltou a minha mão e sumiu na multidão. Senti minhas pernas falharem, pois eu estava me apoiando nela. Estava indo de encontro ao chão, mas por sorte Scott me segurou. Eu gargalhei olhando para ele.
– Quanto você bebeu? – Ele gritou próximo ao meu ouvido e respondi fazendo o mesmo.
– Um pouco... Eu acho... Bebi tudo para evitar que Liz bebe... – Voltei a rir. Droga, não estava me controlando. Tentei me afastar de Scott, mas só consegui quase cair de cara no chão novamente. Minha boca estava dormente e isso me fazia rir. Minhas pernas, Scott tão próximo de mim, meus braços sendo segurados por ele, todos meus movimentos, tudo me fazia rir. Gargalhar. Queria beijar o bonitão na minha frente, mas algo no fundo da minha mente dizia não e resolvi ouvi-lo.
– CUPCAKE! – Liz surgiu do nada ao meu lado e empurrou um bolinho na minha boca. Estava gostoso. Após alguns segundos me senti mais leve e relaxada. A dormência tornou-se um pouco menos engraçada. – Sai da minha namorada, Scott. Vamos dançar! Penny!
Ela me afastou de Scott e começou a rebolar até o chão passando a mão por meu corpo. Algumas pessoas fizeram uma rodinha para assistir o showzinho de Liz. Eu permaneci parada rindo. Normalmente me sentiria envergonhada, mas não estava no meu normal, então deixei Lizzie continuar.
– Dança comigo, Penny... – Ela sussurrou em meu ouvido e me arrepiei. Essa menina fazia algo comigo que eu não consigo controlar.
Rebolei de modo tímido ao ritmo da música. Era um rap que falava sobre uma vadia, mas a batida era contagiante. Liz cantava a musica e me fez ficar de costas para ela. Tocou em meus quadris e rebolamos juntas até o chão.
A atriz depositava beijos em meu pescoço e orelha me levando a loucura. Eu passava a mão pelos cabelos dela e me agarrava ao seu pescoço buscando não cair, ela era meu apoio. Nossos rostos ficaram mais próximos do que nunca um do outro e me senti tentada a beija-la. Acredito que ela queria também, pois não se afastou quando me aproximei.
Senti uma mão masculina tocando meu ombro e tomei um susto. Afastei meu rosto de Liz e nosso momento mágico havia passado. Eu encarava um Oliver confuso que carregava Victoria em seus braços.
– Ela bebeu muito e acabou desmaiando. Não consigo acorda-la. Estou desesperado.
Jock e Lucas surgiram atrás de nós naquele momento. Eles ajudaram a levar Victoria para a limusine. Eu e Lizzie os seguimos, ela ainda não havia soltado minha mão desde a dança. Seguimos caminho para o hospital mais próximo e os médicos levaram Victoria rapidamente. Passamos o resto da noite na sala de espera do hospital. Victoria estava próxima a um coma alcoólico e pude notar o olhar desesperado de Liz.
– Obrigada e me desculpa, Penny – Lizzie me abraçou por alguns minutos. Ela devia estar se sentindo culpada por ter levado minha amiga até a festa, ou por ir poder ter acontecido com ela se eu não tivesse ficado ao lado dela a festa toda.
Correspondi ao abraço, mas logo ela adormeceu com o rosto em meu colo e a mão entrelaçada com a minha.
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