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6 Smile Like You Mean It


Notas iniciais
"We lost track of the time Dreams aren't what they used to be Some things sat by so carelessly Smile like you mean it" The Killers

– Fica com a coluna reta! Você precisa ir de um lado pro outro com o queixo levantado, Penelope. Para de balançar os braços!

– Desiste dessa ideia, Liz. Ela não leva jeito como modelo.

Joguei-me na cama entre Liz e Scott. Estávamos no quarto da minha futura namorada tentando encontrar alguma coisa na qual eu fosse boa. Mas não conseguíamos nada. Não sou uma boa escritora para ser repórter, não sei dançar, não tenho habilidades para ser produtora nem o currículo necessário, ou influências. Agora eles decidiram que não posso ser modelo de passarela.

– Tenta alcançar a nota que eu vou cantar. – Scott cantou: “lá”. Tentei imita-lo. Liz colocou os dedos nos ouvidos e ele enrugou os lábios. – Talvez com playback...

– Esquece, Scott. – Liz sentou-se em cima de mim, balançou minha cabeça me puxando pelos cabelos e depois fez cócegas em meu pescoço. Eu ri muito. Aquele era meu ponto fraco. – NÃO SABE FAZER NADA, PENELOPE?!

– Vadia! Sai... Liz! Para! – Tentava me livrar dela, mas só conseguia rir mais. Scott estava ao nosso lado gravando e rindo da situação.

– O próximo vai ser você, seu puto! – Minha atacante o ameaçou olhando para a câmera. Ela me olhou e piscou. Eu entendi na hora.

Pulamos em cima de Scott e tentamos fazer cócegas nele, mas não funcionou. Ele não ria, apenas tentava se defender de nossas unhas. Não demorou a ele prender Liz entre as pernas e segurar minhas mãos.

– Ganhei. Além disso, não tenho cócegas. – Ele nos soltou.

– Claro que tem, mas ainda não descobrimos onde. – Liz começou a passar a mão pela perna dele, mas ele a impediu.

– Intimidade de mais para uma ex-namorada, Lizzie.

– Ainda não terminamos, amor. Ainda posso me aproveitar de você.

– Vem cá que eu vou te fazer continuar comigo. – Ele segurou os braços de Liz acima da cabeça dela e começou a esfregar a barba dele no pescoço dela, mas isso só a fazia rir.

– Vou deixar vocês sozinhos... – Falei saindo de fininho de perto da cama. Não queria atrapalhar os dois.

– Penelope, volte aqui! Scott é só meu amigo. Nada vai acontecer. – Liz tentava se livrar dele e acabou conseguindo, mas porque ele deixou. Scott abaixou o rosto, ficou em silencio por uns segundos e depois saiu do quarto.

– O que houve com ele? – Perguntei confusa sentando-me ao lado de Liz.

– Sei lá. Às vezes dá essas loucuras nele.

A atriz pegou seu celular, ficou tão concentrada nele que não reparou quando eu saí falando que precisava beber água. Atravessei alguns corredores e consegui encontrar a escada. A cozinha ficava ao lado da sala de jantar. Reparei que Scott estava lá também. Ele encarava a janela e suas mãos batucavam sem parar o balcão. Parecia que alguma coisa o incomodava.

– Está tudo bem? – Perguntei me aproximando, mas ele se afastou para outro lado da cozinha.

– Claro, por que não estaria? – Sua voz era grave e rouca. Podia jurar que ele estava chorando.

– Você saiu de modo estranho do quarto... Liz pode não notar...

– Ela nunca nota... Lizzie é...

– Difícil, eu sei. – Suspirei ouvindo aquela pela milésima vez.

– É. E tem coisas que ela não entende, ou finge não entender. – Acho que eu sabia do que aquilo se tratava. Agora fazia sentido o motivo dele não querer que eu namorasse Lizzie. Ele quer continuar com ela. Ele...

– Você gosta dela.

– Claro que eu gosto. Ela é minha amiga desde quando éramos crianças e...

– Não. Você gosta REALMENTE dela. Como algo a mais. — O galã hesitou por um instante e, finalmente, me encarou. Será que Lizzie sabia?

– Eu gosto... É complicado... Ela é complicada.

– Isso eu entendo. Mas ela sabe disso? Vocês namoram! Mesmo que de mentira, mas devem passar muito tempo juntos... Você nunca tentou nada?

– Claro que eu tentei. Eu tentei falar para ela o que sentia, tentei dar a entender, pedi para namorarmos de verdade... Ela não aceitou nada. Disse que eu sou o melhor amigo dela e é só assim como ela me vê. É doloroso de mais. Quando ela falou que ia namorar você eu até achei uma boa ideia, mas não me vejo longe dela.

Eu não sabia o que dizer. Scott é lindo, aparência perfeita, é sexy, engraçado, muito gente fina... Ele pode ter todas as garotas do mundo sem precisar abrir a boca! Mas ele quer a garota única garota no mundo que não deseja ele! Eu estou começando a ficar revoltada com essas injustiças da vida.

– Ela não sabe que está perdendo um cara incrível. – Ele riu do elogio. Queria faze-lo se sentir melhor, ele merece.

– Obrigado e ficaria feliz se não comentasse isso com ela. Aposto que Liz está ficando com raiva dessa história.

– Que história? – Liz invadiu a cozinha e nos encarou.

– Da Penelope não conseguir ser boa em nada. – Scott foi mais rápido e piscou para mim sorrindo.

– Descobri algo que ela pode ser boa. Olhem essas fotos. – Ela entregou para ele o celular e passou algumas fotos dos nossos últimos dias. Nossa primeira foto, fotos na Disney, no meu apartamento, no restaurante. – Penny, você é muito fotogênica! Tenho uma agencia que ficaria muito feliz em trabalhar com você e você pode ser o próximo rosto da minha linha de roupa! Perfeito!

– Por que eu não posso trabalhar logo com esses diretores que você me prometeu?

– Porque você precisa primeiro ser CONHECIDA. Ninguém vai aceitar alguém sem experiência. Quando você ficar um pouco mais famosa pessoas irão te notar e é quando as oportunidades aparecem! Confia em mim, gata. Vai dar tudo certo.

– Assim espero, Chermont. – Suspirei.

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Chegando em casa 10 horas da noite, a primeira coisa que fiz foi deitar em minha cama e dormir. No outro dia meu celular estava cheio de mensagens de Oliver e Victoria. Ambos queriam saber por onde eu andava e como havia sido meu dia ontem. Minha cabeça girava. Estava com medo da reação dos dois quando contasse os planos de Lizzie.

Oliver apareceu para me buscar exatamente meio-dia. Fomos para sua casa e ele disse que havia cozinhado para nós dois. Eu estava tremendo por dentro, pois não queria contar a ele sobre meu acordo com Liz. Eu ia perdê-lo. Somente quando olhei para ele percebi a burrada que eu havia feito. Mas, apesar de tudo, iria desistir do meu maior sonho por um cara? Eu ainda não tenho essa resposta. Minha cabeça girava com as dúvidas.

– Então, como foi seu dia ontem? Penelope?

– Ah, desculpa. Eu estava justamente pensando nisso. Oliver... Lizzie me fez uma proposta. – Contei para ele todo o plano de Lizzie, até o fato de ela ter me contratado para ser sua modelo e demitido do meu emprego. Ele somente me ouviu, nada disse, estava sério. – Você não pode contar a ninguém... Mas é meu sonho...

– Porra, Penelope! Tá doida? Não pode fazer isso! Essa garota só vai se aproveitar de ti! As revistas de fofoca vão falar mal de você, vão falar mal de mim, de Victoria! Você não vai mais consegui ir para a faculdade!

– Lizzie vai contratar um segurança para mim e vai ficar tudo bem, mas vou ter outras responsabilidades...

– E a gente? – Ele se levantou deixando a cadeira cair atrás dele. Seu rosto estava confuso, sobrancelhas juntas e tremendo. Olhei para baixo e remexi em minha pulseira.

– É por um tempo, Oliver. Ela pode realizar o verdadeiro motivo de eu ter vindo para Los Angeles! Entenda isso, por favor. Podemos ainda nos ver. Não estou namorando de verdade com ela.

– Não poderemos sair juntos, não podemos ser vistos juntos. Até quando? O lançamento do filme é apenas em novembro...

– Daqui a dois meses... Nem é tanto tempo... Por favor...

– Eu gosto pra caramba de você, Penelope Charmosa... Não sei se é vou conseguir...

O celular de Oliver que estava em cima da mesa tocou e o identificador de chamada dizia: “Sofia”. Seu rosto ficou sem cor e pegou rapidamente o celular. Senti um aperto no meu peito. Eu tinha que estar errada.

– Não vai atender? – Desafiei. Ele atendeu pouco antes de parar de tocar.

– Sofia, agora não é um bom momento e... – Oliver sorriu por um instante e continuou a falar – Isso também não é uma boa ideia... Sim... Mais tarde nos falamos.

Ele estava de sacanagem com a minha cara. Eu me lamentando, pedindo desculpa, tentando melhorar as coisas, e ele conversando com outras garotas.

– Você é impossível! Caralho, Oliver! – Levantei da mesa e caminhei até a porta.

– Ei! Você que disse para irmos com calma, não nos prendermos... Depois chegou com o papo de ter uma namorada.

– O fato de não nos prendermos não te dava permissão de sair aplicando nas meninas...

– Permissão? Garota, você não é minha dona! Penelope, volta! Eu...

Tinha atravessado todo o jardim e caminhava pela calçada procurando um taxi. Oliver me seguia tentando me impedir de seguir em frente.

– Esquece tudo, Oliver. Foi só uma transa de uma noite. Você ficou satisfeito, eu também fiquei. A aposta acabou, seguimos nossas vidas normalmente.

– Mas não precisa ser desse jeito, Penny... Eu não quero te perder. Não faz isso comigo. — Ele realmente deveria estar desesperado. Nunca me chamava de Penny.

– Você não vai me perder. Nunca fui sua. – O encarei e tentava segurar as lágrimas dos olhos. Aquilo que eu mais temia estava acontecendo. Eu não queria terminar a nossa amizade, mas estava magoada, e a verdade era que parte daquilo era minha também. – Vamos ficar bem, só preciso de um tempo, por favor.

Oliver me puxou para um abraço e afundou seu rosto em meus cabelos. Ficamos daquele jeito por alguns minutos. Tudo o que passava pela minha cabeça eram momentos da nossa noite de sábado e o quanto eu queria beija-lo, mas me contive.

– Deixa eu te levar para casa. – Ele não esperou meu argumento e me guiou para o seu carro. A viagem foi silenciosa. Despedi-me dele e voltei para o loft.

Passei a tarde conversando com Victoria pelo telefone. Contei a ela tudo. Desde minha aposta com Oliver até o acordo com Lizzie. Minha amiga ruiva achou a história muito “roteiro de filme”, mas apesar de tudo me apoiava nas minhas decisões, sabia sobre o meu desejo de ser diretora e estava revoltada por Oliver ser um idiota.

As aulas à noite não ajudaram a melhorar minha situação. Cada vez mais era cercada por pessoas pedindo informações sobre Lizzie e Scott, sobre o filme, até mesmo sobre outras pessoas que eu nunca havia ouvido falar. Não falei com Oliver, nem cruzei seu caminho naquele dia, o que considerei bom no final das contas.

Liguei para meus pais e expliquei a situação, disse que talvez repórteres fossem atrás deles fazendo perguntas sobre mim. Eles ficaram com um pé atrás a respeito de Lizzie, afirmaram que ela não é uma boa influencia para mim e não viam como namora-la poderia ajudar na divulgação do filme. Após horas conversando eles concordaram, nunca foram pais conservadores quando o assunto é homossexualidade e sempre me apoiaram em todas as minhas decisões. Amo meus pais por isso.

Lizzie me ligou meia noite e disse havia terminado com Scott naquela tarde. O motivo dado à imprensa era que ela estava gostando de outra pessoa. Liz saiu como a “vilã” da história para salvar galã de ser linchado pelas fãs. Entretanto ela não é exatamente a malvada, pois a mídia sempre se solidariza quando o assunto é amor.

Ao fim, disse que sairíamos juntas na sexta-feira para um lanche, ela mandaria minha roupa por Cal durante a semana e Jock estava ocupado fazendo entrevistas para meu futuro guarda-costas.

A semana passou voando. Oliver e eu trocávamos poucas palavras, somente o necessário. A minha futura namorada ligava-me todo dia alugando meu ouvido sobre suas filmagens, entrevistas e sua linha de roupas. Confesso que achava sua vida mais interessante que a minha e a admirava por isso. Quando perguntava sobre mim tudo o que eu fazia era me lamentar por meu caso que não deu certo. Lizzie estava se esforçando para ser uma boa amiga, isso eu gostava nela.

Cal deixou uma mala de roupas na minha portaria quarta-feira. Jurava que ira ser somente um par para sexta, mas havia vestidos de festa longos e curtos, camisas, regatas, shorts, calças, sapatos de salto, sapatilhas. Tive um leve orgasmo quando vi aquilo. Eu me sentia culpada por aceitar tudo aquilo, porém se eu dissesse para Liz isso ela gritaria comigo.

Sexta-feira a tarde uma limusine estacionou em frente ao meu prédio. Liz aguardava-me do lado de dentro. Ela me deu as instruções sobre como me portar, dizer e como não agir de hipótese alguma. Paramos no shopping principal de LA. Caminhamos por ele de mãos dadas o tempo todo. As pessoas não eram discretas, apontavam e tiravam fotos. Poucos tinham coragem de se aproximar, mas logo Jock os enxotava.

Entramos em algumas lojas para Liz conversar com as gerentes, provavelmente parte dos negócios dela. Lanchamos sanduíches do Burger King e tentávamos mostrar as pessoas que estávamos nos divertindo, mas isso não foi muito difícil. Liz estava sendo uma ótima companhia.

– Penny, está sujo aqui. – Ela se aproximou, passou o guardanapo na minha bochecha e depois deu um beijo nela. Um arrepio tomou conta de mim e me senti um pouco esquisita. Não estava acostumada com esse tipo de contato vindo de uma menina.

– Obrigada, querida. – Sorri tocando seu rosto e fazendo-a rir.

– Estou a um tempo querendo perguntar para você. – Lizzie abriu sua bolsa e tirou de lá um pacotinho vermelho. Continha um anel dourado com um diamante em cima e um bilhetinho escrito: “Diga sim!”. Gelei.

– Você está me pedindo em casamento?! – Gritei um pouco mais alto do que devia. Quase todos os rostos da praça de alimentação se viraram para nós. A pequena multidão que nos seguia aumentava cada vez mais. Não estava no combinado esse anel!

– Ainda não... – Ela riu, mas me chutou por de baixo da mesa. – Isso é um anel de compromisso. – Liz levantou a mão e mostrou o dela. – Quero saber de você, Penelope Wood, quer ser minha namorada?

– Claro!

Nós levantamos e nos abraçamos. Gritos, palmas de comemoração eram ouvidos. Rios daquela situação. Pessoas começaram a se aproximar, mas Jock foi mais rápido e nos guiou para saída. Dentro da limusine Lizzie gritou comigo.

– QUASE QUE VOCÊ ACABA COM TUDO, PENNY!

– O anel não estava no combinado... – Tentei me justificar.

– Isso é verdade, mas agora acho que o seu grito chamou a atenção de todos o que foi algo bom. Você está de parabéns, namorada.

– Obrigada, amor. Agora vamos esperar a bomba estourar.

– Vai ser incrível. Marquei para você uma sessão de fotos no meio da semana. Você será o novo rosto da minha marca. – Lizzie fez um quadrado com as mãos e tentou encaixa-lo em meu rosto.

– Você tem cada ideia, amor...

– Ainda não viu nada, querida... — Lizzie segurou minha mão, revivemos o que havia acontecido e rimos a viagem inteira.

Notas finais
I'm back! Desculpem MESMO pelo atraso. Meu computador estava para a assistência técnica e esqueci de salvar na nuvem os capítulos que eu havia escrito. Para compensar meu atraso preparei uma playlist com todos os capítulos que eu já escrevi e com aqueles que eu ainda tenho uma vaga ideia do que vão acontecer. O final da história ainda é incerto, então não se preocupem com as últimas músicas. Talvez eu tenha mais ideias com o decorrer da história e faça uma ou outra alteração. Se isso acontecer deixo vocês avisados. Obrigada pela paciência e pelos comentários. Sem vocês a fic teria parado a muito tempo s2 Continuem comentando =D