Celebrities
1 Photograph
Notas iniciais
Well, that's okay baby
Only words bleed
Inside these pages you just hold me
And I won't ever let you go"
- Ed Sheeran.
“Cinco minutos!”. Pensei batucando os dedos no balcão. Era completamente impossível se concentrar quando faltava pouco tempo para o fim do expediente.
A loja estava vazia, mas isso não era novidade. Os preços eram tão altos que somente celebridades compravam aqui. Algumas mulheres entravam aqui por engano e logo saiam com caras assustadas ao olharem os preços. Às vezes homens também apareciam para comprar e acabavam suando frio ao verem o total da compra e pedirem para embrulhar para presente.
Eu já estava acostumada. Minha gerente é super gente boa, então logo me aconselhou a não reparar nos valores assim que eu comecei a trabalhar. Por incrível que pareça, ainda há muitas pessoas que compram roupas aqui.
- Finalmente! – Comemorei desligando as luzes, ativando o alarme contra ladrão e saindo pela porta dos fundos.
Hoje é quinta-feira e tenho aula na UCLA às 6:00 pm. Eu sei que é uma universidade, mas é o que a minha falta de dinheiro pode pagar. Dirigi pelas ruas de Los Angeles por 20 minutos em meu i30 preto. O trânsito até que estava tranquilo para uma noite de janeiro.
Sai do carro sem pressa. Estava quase na porta da frente quando algo puxou meu ombro me fazendo parar. Victoria me lançou um sorriso tímido e disse que iria me acompanhar até minha sala.
- Como foi o fim de semana, Penny?
- Sem graça, como sempre... Terminei a primeira temporada de Dr. House. É incrível como...
- Legal, vai para a festa do Oliver sábado? — Disse ela interrompendo meu pensamento. Suspirei. Quando puxo esse assunto ela sempre me ignora. Já me acostumei, apesar de tudo.
- Não sei não, Vicky... Você sabe que eu não sou muito fã de festas... — Menti. -Além disso, Oliver não me convidou – Isso era verdade.
Mas assim que terminei a ultima frase Oliver aparece, coloca-se no meio de nós duas e nos puxa por nossos ombros para perto dele.
- Eu ouvi isso, Penelope Charmosa... E é claro que você está convidada para a minha festa sábado. Um amigo de um amigo meu tem outro amigo que é um DJ super famoso e badalado. Ama uma boa festa e como a minha festa vai ser boa. — Oliver piscou para mim e gritou se afastando – 8:30 sábado na Lake Ville! Não fuja, Penelope!
Fiquei vermelha ao sentir todos os olhares em mim. Oliver passava pelos corredores balançando seus cabelos castanhos claros que caiam nos ombros, sorria de forma simpática, o que sem querer, ressaltava seus olhos castanhos.
- Vocês deviam sair qualquer dia... Tá na cara que ele gosta de você! — Sussurrou Victoria ao meu ouvido. Respondi com um sorriso sarcástico e fui para minha sala.
Oliver era um bom menino. Sempre me ajudava com os cálculos financeiros, já que ele fazia economia. Seu corpo é magro e alto, mas com as roupas certas podem destacar seus braços definidos. Eu gosto dele, nunca imaginei como algo a mais.
Na verdade, nunca imaginei ninguém assim. Talvez só alguns atores e cantores, mas completamente inalcançáveis. Meu ultimo namorado foi um trauma na minha vida. Namoramos por três anos e eu, literalmente, me entreguei para ele completamente, tudo isso para no final descobrir várias traições. Esse é outro motivo para eu ter deixado Oklahoma.
O professor de logística entrou em sala acabando com meu pensamento. Quando a aula acabou fui para as outras três aulas até as 10. Victoria me esperava na porta da universidade mexendo em seus cabelos ruivos. Eu dava carona para ela já que sua casa ficava a dois quarteirões da minha.
- Pense no que eu falei... Vamos lá, Penny! Todo fim de semana eu te convido para sair e você sempre enrola! Vai ser legal! Vai ter bebidas, meninos gatos, música, dança... Vai ter até meninas se esse for o seu caso...
- Cala a boca! — Falei dando um leve soco em seu ombro e rindo. — É que eu não gosto tanto assim de sair...
- Fala sério! Você se mudou faz dois anos e nunca saiu para uma festa!
- Saí sim!
- Sair para comer e acabar sendo arrastada para um bar no dia de seu aniversário não conta
- Droga, então...
- Vamos logo! Vais ser legal! — Parei o carro na frente da casa dela. Victoria abriu a porta e ficou esperando minha resposta
- Tá bom... Eu vou... — Falei com certa relutância
- Perfeito! Vem me buscar às 8! — Ela gritou enquanto fechava a porta do carro
Chegando em casa me joguei na cama. Meus dias se resumiam a estudar pela manhã, ir para a loja à tarde e ir para a aula quando chega à noite. O nome da loja é Be Yourself e pagava tão bem que eu nem preciso trabalhar dois turnos (também não aceitaram quando eu pedi). No inicio comecei a trabalhar para guardar dinheiro para continuar pagando a universidade de cinema, já que perdi minha bolsa por cortes no orçamento da própria universidade. Passando dois messes com meus pais pagando acabei desistindo pelas própria dificuldade do mercado, além do fato de ser muito caro e difícil para eles. Agora estou em uma universidade mais barata cursando administração.
Meus pais ainda moram em Oklahoma com meu irmão de 12 anos Paul. Eles sempre me deram o maior apoio em todas as minhas decisões, ajudando-me do jeito que podem.
Liguei meu notebook para terminar um trabalho que deveria entregar amanhã. O protetor de tela é uma foto da minha família comigo na ultima vez que fui para Oklahoma no verão passado. Meu coração bateu mais acelerado e as lágrimas surgiram. Mexi na minha pulseira prata, foi de minha bisavó, depois de minha avó, minha mãe e antes vir para Los Angeles minha mãe entregou ela para mim. É difícil ficar longe de quem você se importa e quer bem.
Alguém estava me chamando no Skype. Era Paul para uma chamada em vídeo. Seu rosto apareceu sorridente assim que eu atendi.
- Penny? Tudo bem com você? Tava chorando? — Perguntou ele com papai e mamãe surgindo logo atrás dele
- Eu... Só estou cansada... Muito trabalho
- Ah, minha filha... Cuidado – Falou minha mãe sorrindo. Seus cabelos loiros e enrolados estavam presos em um coque malfeito.
- Claro, mãe. Eu ia ligar para vocês de qualquer jeito. — Limpei as lágrimas dos olhos e levei o computador para a sala. — Olhem! Finalmente comprei os últimos móveis para a sala!
Moro em um loft quase no centro de Los Angeles. Ele é bem simples. Uma sala/cozinha, um quarto e um banheiro. Somente após dois anos morando nele consegui mobiliá-lo completamente.
- Lindo, filhona. — Disse meu pai, com sua voz rouca e com um sorriso que fez sua cabeça carca brilhar. — Qualquer dia vamos visitar você. Sempre quis conhecer Los Angeles.
- Vai se apaixonar, papai – Fiquei feliz ao saber da possibilidade de encontrar com eles.
Ficamos conversando por algumas horas sobre a minha faculdade e as notas baixas de Paul. Meu pai é dono de uma concessionaria, ficou falando sobre os seus lucros e grandes vendas do mês. Ele adorou quando soube que ia me formar em administração. Para ele, após a minha formatura eu voltarei para Oklahoma e assumiria seus negócio. Não é o que eu tenho em mente, mas é uma opção.
- Por favor, George. Penny nunca gostou de carros – Interrompeu minha mãe piscando para mim. Então ela começou a falar de como venceu um concurso de jardinagem local mostrando uma faixa com o seu nome: "1º Lugar — Daisy Wood".
Rimos por horas, mas já estava tarde e eu não tinha feito meu trabalho. Nos despedimos e eu tornei a derramar lágrimas no computador. Eram 6 horas da manhã quando finalmente terminei meu trabalho. Deixei o computador ligado e peguei no sono encarando a fotografia de minha família.
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Acordei atrasada para o trabalho e levei uma leve encarada de minha gerente. A loja estava lotada, fotógrafos na porta sem poder entrar, mulheres elegantes em pequenos grupos sussurrando coisas uma no ouvido da outra. Uma carga gigante tinha chegado pela manhã e todas as atendentes estavam arrumando as araras com as novas roupas.
- O que houve? — Perguntei para Emily a atendente mais próxima de mim. Eu trabalhava no caixa da loja, portanto não precisava ficar louca arrumando tudo. Ao não ser que me mandassem fazer isso, claro.
- A estilista que criou essas roupas, dona dessa loja vem aqui hoje! Não é maravilhoso? Ela é perfeita! Estilista, atriz, socialite, rica, linda! — Falou Emily com uma animação que a fazia pular tirando alguns fios do lugar de seu cabelo perfeitamente escovado.
Fui correndo para o banheiro. Olhei minhas roupas e não havia o que melhorar. Era o uniforme da loja. Calça jeans azul clara e uma camisa branca. Soltei meu cabelo do comum coque e passei os dedos nele tentando arrumar o desastre que foi sair com pressa. Passei uma maquiagem básica e discreta. Geralmente eu não me arrumava para trabalhar, somente passava um batom quando a gerente pedia pela da presença de alguém famoso ou algo do tipo. Mas hoje era diferente a DONA estava vindo! Preciso desse emprego para poder continuar vivendo em Los Angeles, nada melhor que parecer bem para a chefona que provavelmente é uma daquelas mulheres finas, esnobes e com idade avançada. Estilo a Meryl Streep em Diabo Veste Prada.
- Vamos logo, Penny! Ela está chegando! — Gritou Jen, a gerente, esmurrando a porta do banheiro.
Fui para trás do balcão e comecei o trabalho. Após duas horas de inúmeras mulheres gritando, jogando roupas, pedidos e comentários desnecessários a respeito das outras, a tão esperada estilista entrou na loja. Gritos e flash para todos os lados que não consegui olhar na direção dela. Apesar de a loja estar com mais pessoas que a sua capacidade pode aguentar, o clima no ambiente ficou frio e esquisito com a sua entrada.
Abriram caminho para Jen falar com a estilista. Elas se cumprimentaram com dois beijinhos em cada bochecha e ouvi risadas falsas vindo daquela direção. Seguranças afastavam a multidão de perto de três pessoas. Enfim, consegui ver os três.
Jen estava de salto alto com uma roupa de cores claras que ressaltavam sua pele morena e seus cabelos negros presos em um rabo de cavalo alto, sorria radiante. Um homem muito charmoso que expirava sexo, alto, com cabelos negros, pele branca, roupa toda preta e óculos aviador. Sorria apenas com um canto da boca para mulher loira do seu lado.
Ela é a estilista. Muito diferente de como eu imaginava. A garota aparentava ter a minha idade. Seus cabelos loiros brilhavam a cada risada forçada. Ela conversava com a gerente, mas sua cabeça e olhos cobertos pelos óculos escuros varriam o lugar. Às vezes sua boca contorcia ao encarar algumas clientes que gritavam seu nome. Nem preciso dizer o quanto seu nariz era empinado. Ele estava quase batendo no teto. A verdade é que provavelmente ela é mais uma celebridade metida e esnobe de Hollywood.
As clientes foram deixando o local à medida que os seguranças pediam. Não demorou a loja estar vazia. Um grupo de cinco paparazzis entrou e bombardeou o casal com perguntas a respeito de um novo filme. A entrevista demorou cerca de três horas. As atendentes e a gerente aguardavam ansiosas para falar com a atriz. Eu era encarregada de fechar a loja todo final de expediente. Já havia perdido o primeiro horário de aula. Meu trabalho tem prazo para o terceiro. Minha vontade era de expulsar aos chutes todos da loja.
Eram 8:30 quando a entrevista terminou com a estilista levantando a mão e fazendo gestos de "corta". As meninas que trabalham na loja correram até a atriz. Mais flashes e mais minha paciência se esgotava. Quando todos saíram tranquei o local e fui à direção de meu carro no estacionamento da loja.
Parada ao lado do meu carro estava a artista mexendo em seu celular com um grande segurança ao seu lado, ele parecia um armário gigante. Passei pelos dois, mas antes de entrar no carro notei que as roupas da esnobe eram perfeitas. Ela usava o casaco mais bonito que eu vi na vida.
- Bonito casaco. — Falei olhando para ela. Sem desgrudar os olhos do celular ela murmurou um “valeu”.
Olhei o relógio e suspirei. Perdi mais a segunda aula. Já estava na merda mesmo, não custava nada tentar.
- Eu sou caixa da sua loja. Você cria roupas muito bonitas e...
Ela abaixou o queixo e me encarou por cima dos óculos escuros.
- Se eu tirar uma foto com você vai calar a boca? – Antes que eu pudesse dizer o quanto ridícula foi àquela frase, ela pegou o celular da minha mão, colocou na câmera e tirou a foto.
Era uma foto bonita. Em poucos segundos ela tirou a cara de antipática e sorriu para a foto. Minha cara estava confusa, eu abri a boca para falar alguma coisa, mas quando vi a câmera meio que sorri.
- De nada. – Ela empurrou o meu celular para mim e voltou para o que estava fazendo antes.
Eu não disse nada e sai de perto dela. O segurança dela me olhou e sorriu meio que dizendo: “Esse é o jeito dela”. Quando eu estava saindo do estacionamento uma limusine entrou no mesmo. Era do tamanho de três carros meus e teve dificuldade em manobrar no estacionamento minúsculo.
Olhando a foto esperava nunca mais encontrar essa garota na minha vida. Esperava continuar sem saber seu nome. Mas o destino não é tão simples assim. Mal eu sabia que muita coisa ainda estava por vir e que aquela foto mudaria a minha vida.
Notas finais
O nome de cada capítulo vai ser o título de uma música que eu imagino que tenha a ver com a história que está ocorrendo.
É a minha primeira fic com essa nova conta, portanto espero que gostem. Estou me dedicando bastante a ela e já tenho três capítulos prontos.
Se vocês quiserem posso fazer um capítulo especialmente com a foto que me usei como base dos personagens. É só pedir =D
Geralmente demoro de dois a três dias com cada capítulo.
Críticas, elogios, recomendações são aceitas com o maior prazer e respondidas com todo meu amor s2
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