Cecidit Terram
3 Babá de adolescente
Notas iniciais
O dia que se segui foi tenso. Recebi algumas encaradas. Ouvia-se o silêncio dos talheres tocando os pratos. Nada de cochichos, risadas e papos do cotidiano.
Pego algo para comer e saiu dali antes de dar uma respota mal-educada a alguém que me encare por mais de 5 segundos.
Morar com aquelas pessoas nunca foi fácil. A maioria não tinha o costume de falar comigo... Eu tinha uma má fama. Mas isso não me importava.
Quanto menos ligações, melhor.
Na entrada principal encontro B., a nossa bruxinha. Ela esta sentada na grama tomando sol e meditando. Sento-me ao seu lado.
–Oi encrenqueira, como está lá dentro? — pergunta com olhos fechado e sem sair de sua posição.
B. tinha a pele morena e os olhos claros, mas que não eram visíveis no momento. Seus cabelos amarados em um coque me davam uma visão melhor da cicatrizes em seu pescoço.
–Está estranhamente quieto.
–Ouvi falar que apenas uma das crianças voltaram ontem.
–Uma de quantas?
–Três.
–Já foram atrás delas?
–Não, e nem vão. 2 adolescentes de 13 e 14 anos. Não parece de grande importância para a sua família.
–Órfãs?
–Como quase todos nós.
–Vamos busca-las? Só pra irritar um pouco os superiores.
–Ah, eu estou com preguiça.
Ela sai da posição de meditação e deita.
–Para com isso bruxa preguiçosa — belisco sua barriga e ela rir.
–Só se...
–Eu te contar o que aconteceu ontem — completo.
–Isso mesmo — ela senta e me encara.
Agora sim é possível ver os seus olhos. Verdes-acinzentados, eu quase esquecia o conforto que eles me davam.
–Além que preguiçosa é curiosa.
–Você quer ajuda pra encontrar as pirralhas ou não?
–Ok, ok.
Eu nem queria realmente encontrar as garotas. Elas podiam até estar mortas numa hora dessas, mas eu sei que se as encontrassem seria um trabalho a mais para os superiores. E nada melhor do que irrita-los.
Conto-lhe tudo o que aconteceu na ultima noite. Da hora que sair até a hora que cheguei. Ela já havia tido algumas visões sobre o que aconteceu, mas não contou porquê sabia que eu iria voltar bem para casa.
Saímos do estacionamento ás 9:45 da manhã. A parte legal de ter uma bruxa como amiga é que ela podia ser o meu GPS e mostrar onde estavam as garotas perdidas, caso estejam com seus colares.
O sinal de onde os colares estavam era em um galpão abandonado. Havia três demônios nível 01, seria moleza acabar com eles.
A vantagem de um nível 01 é que eles só eram maiores e mais fortes que os humanos, mas nada demais.
–Vem comigo ou vai ficar ai? — pergunto a B. antes de sair do carro.
–Pode ir, vou ficar esperando aqui — diz e estende as pernas sobre o banco.
Desço do carro e me escondo em uma construção caída próximo do galpão. Dois dos demônios conversavam enquanto o outro ler uma revista.
Jogo uma pedra atrás de alguns barris de óleo e o negro alto vai olhar o que é..
Sigo até lá e encontro ele no meio de algumas caixas de madeira. As pilhas eram altas, não daria para os outros me verem.
–Procurando alguma coisa? — pergunto atrás dele.
O demônio vira para mim e observo seus pequenos chifres na cabeça careca.
Corre para cima de mim como um touro, mas dou um passo para o lado e enfio meu canivete de 10 centímetros em seu pescoço. Ele cai morto no chão.
Espero o outro chegar. Encosto minhas costas em algumas caixas amontoadas e meio minuto depois o outro passa por mim.
Sem que me veja enfio mais uma vez o canivete e lhe mato também.
Que coisa chata e fácil.
Com a ponta da faca que guardo na bota arranco seus chifres e pego a pedra da lua que tem em cada um. Quem manda serem exibidos? Podiam ter escondidos os seus chifrinhos. Tipico de nível 01.
Pego a arma do demônio negro e mato o terceiro que ainda lia a revista distraído.
Abro a porta do galpão. As duas garotas, uma loira e uma morena, estavam sentadas e amarradas no canto. Tiro a fita da boca da loira.
–Como se chamam? — pergunto.
–Meu nome é Maria, ela é a Julia — a loira responde tremula.
–Então, Maria e Julia, eu vou falar uma vez só, ok? Da próxima vez que saírem sem autorização e forem pegas, eu mesmo vou vim aqui para assistir a morte de vocês.
Corto suas amarras e elas em silêncio me acompanha até o carro.
–O que tem lá? — B. pergunta e se acomoda no banco.
As garotas entram no banco detrás.
–Tem água, comida e alguns materiais de higiene. Acho que são roubados. Crianças — chamo atenção das garotas — quando chegarem deem o endereço daqui e mandem alguém recolher tudo.
Elas acenam com a cabeça e passamos o resto do caminho em silêncio.
–Se perguntarem por mim, não responda — falo quando chegamos e saiu do carro em rumo a rua.
–Onde você vai? — B. pergunta.
–Dar uma volta.
–Posso ir?
Paro por alguns instantes e vou até ela.
–Você não estava com preguiça? — questiono.
–Ah, qual é. Você me tira da minha meditação para ser babá de duas adolescentes e agora não que me levar pra dar uma volta?
As duas garotas já tinham ido, então não me importei em sorrir abertamente e bagunça os seus cabelos escuros. Seria bom ter alguém por perto pra variar.
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