Notas iniciais
Eu tinha outros planos para esse capítulo, mas... Admito que ficou menor que os anteriores e um pouco confuso também. Mas espero que gostem.

Ela teve aula de Tiro Com Arco com Quíron que ensinava Prática de Alvo. Nessa ela arrasou, mas não foi tão boa em Espada e Escudo com Clarisse. Ela era muito rígida e Isabelle desejou que fosse Percy quem estivesse ensinando-a. A próxima aula foi de Cavalo Alado Com Riding do chalé de Deméter. Ela adorou fazer trilha e piquenique. Foi então a aula de Técnicas de Atacar Monstros com o chalé de Hermes. A próxima era de Escolha Livre então Isabelle escolheu Escalada Com Sátiros. Após a aula de Nadar na Praia com nereidas era finalmente um tempo livre.

Isabelle desmoronou na sua cama, completamente exausta. Esse foi um dia agitado. Ela mal se lembrou do pesadelo da noite passada. Mas agora que estava quieta e em silêncio o pesadelo veio vívido em sua mente.

Ela ficou em dúvida sobre contar ou não a Annabeth sobre seu pesadelo. Mas era apenas um pesadelo. Certo? Não, não adianta Isabelle se enganar. Ela sabia que aquilo era mais que um simples sonho. Mas ela devia contar?

Ela então tomou um banho e foi dar uma volta pelo acampamento.

Parou no deque e ficou observando o lago com os pés balançando no ar a centímetros da água. Era um fim de tarde agradável. Soprava uma brisa fresca, espalhando seus longos cabelos pelo vento. Isabelle pensou sobre sua vida. Bem, geralmente é o que fazemos quando estamos em um momento desses.

Ela pensou sobre como sua vida mudou completamente nos últimos três dias. Como ela se tornou completamente insana. Nunca que um dia ela iria imaginar que sua vida teria uma reviravolta dessas.

Três dias que seus pais foram levados. Muitos, bem, praticamente todos pensam que eles estão mortos. Quanto mais tempo se passar mais aumenta as probabilidades de estarem mesmo.

-Uma moeda por seus pensamentos. – disse uma voz atrás de Isabelle.

Isabelle se virou e viu Annabeth andando em sua direção e sentou-se ao seu lado. Seus cabelos dourados voando no vento.

Isabelle olhou para seu reflexo na água.

-Estava pensando nos meus pais. – ela disse.

-Isabelle... – começou Annabeth.

-Eu sei. – interrompeu Isabelle – Mas eu já te disse antes. Eu sinto que estão vivos. Mas a cada dia que se passa podem não estarem mais. Eu tenho que salvá-los, Annabeth. Eles são minha única família.

Annabeth não respondeu. Fez-se um silêncio tenso por um longo momento. Annabeth pensava que os pais de Isabelle estavam mortos, mas Isabelle discordava. É claro que não estão.

-Isabelle me diga... Como se chama seu pai? – perguntou Annabeth quebrando o silêncio.

Isabelle olhou-a de cenho franzido. Que pergunta estranha. O que isso tem haver?

-Michael Atherton. – disse ela – Por que?

-Atherton? – repetiu Annabeth pasma – Mas o seu não é Mercer?

-Sim, eu recebi o sobrenome de minha madrasta. – explicou Isabelle – Miranda Mercer.

Annabeth congelou.

-Michael Atherton, Miranda Mercer... – ela disse – Styx! Por que você recebeu o nome de sua madrasta? Supostamente deveria ser o do seu pai!

Isabelle não estava entendendo nada. Annabeth estava agindo como uma louca.

-Ei! Brigue com ele, não comigo! – exclamou Isabelle – Ele me disse que era mais bonito. – ela deu de ombros.

Annabeth jogou os braços para o alto, exaltada.

-Mais bonito! Di Immortales! – ela levantou e começou a andar de um lado para o outro – Eu desconfiava que você fosse filha de Descendentes... Mas era uma possibilidade pequena...

Isabelle se levantou e se pôs diante de Annabeth, interrompendo-a de sua trajetória.

-O que o nome do meu pai e da minha madrasta tem haver? E o que diabos é Descendente? – perguntou Isabelle calmamente.

Annabeth respirou fundo, se acalmando.

-Descendentes são de descendência de um meio-sangue, usando o mesmo sobrenome de geração há geração e com habilidades de um meio-sangue. A maioria dos Descendentes são Caçadores das Sombras que cujo principal objetivo é livrar o mundo que conhecemos de monstros. – disse Annabeth – Atherton é de uma linhagem que pensávamos estar extinta há quase setecentos anos. Mas para você e seu pai ser uma Atherton obviamente não estão extintos.

Isabelle pensou a respeito.

-E os Atherton são de qual linhagem? – Isabelle perguntou cuidadosamente.

-Você já ouviu sobre Órion?- perguntou Annabeth — Órion era um gigante caçador, amado por Ártemis, com quem a deusa quase se casou. Apolo não gostava do relacionamento deles. Certo dia Apolo teve a oportunidade de se ver livre de seus aborrecimentos, e enganou Ártemis para matar Órion sem que soubesse que era ele. – ela contou –Órion antes de se envolver com Ártemis relacionou-se com uma mortal e geraram um filho. Atherton.

Isabelle estava em choque. Ela não sabia o que fazer nem o que falar. Seus pensamentos eram uma completa bagunça. Ela apenas ficou ali, encarando Annabeth de olhos arregalados.

Ela piscou e se recompôs.

-Você está dizendo que... Que eu... – ela gaguejou.

-Você é Descendente de Órion. – concluiu Annabeth para Isabelle – Setecentos anos atrás, o último Descente de Órion desapareceu em uma caçada, concluiu-se que ele fora morto pelo monstro que caçava. Desde então pensávamos que a linhagem havia acabado. – ela pausou – Mas seu pai é um Atherton.

Isabelle balançou a cabeça.

-Não pode ser. Pode ser qualquer outro Atherton. Um que não seja da linhagem de Órion. – argumentou Isabelle.

Annabeth balançou a cabeça.

-Pense Isabelle. Se Ártemis fosse se relacionar com algum homem e tiver uma filha com ele, as chances deste homem ser alguém comum são zero. Mas se este alguém for um Descendente de Órion, eu diria que as chances são... – ela olhou para Isabelle e sorriu – Cem por cento.

Isabelle ficou um tempo em silêncio. Certo, ela era uma meio-sangue da linhagem de Órion, um antigo amor de Ártemis, que se pensava estar extinta. Ela só precisa de um tempo para lidar com isso.

-Órion era um filho de Poseidon. – disse Isabelle – Isso quer dizer que eu também tenho poderes como um meio-sangue filho dele?

Annabeth balançou a cabeça.

-Descendentes herdam apenas as habilidades. Não seus poderes. – contou ela – Um meio-sangue tem velocidade, agilidade, sentidos essas coisas melhores que um mortal. Você deveria saber disso.

Isabelle semicerrou seus olhos e fitou Annabeth.

-Eu sei disso. – ela mostrou a língua.

As duas riram e Isabelle suspirou.

-No dia que invadiram minha casa, eu vi meu pai e Miranda com armas do tipo espada. – começou Isabelle. – Isso que dizer que eles são, huh, Caçadores das Sombras?

-Provavelmente sim. – disse Annabeth dando de ombros – É curioso sabe. Uma linhagem supostamente inexistente e uma Caçadora exilada estarem casados. E você ter o sobrenome de sua madrasta e não do seu pai.

Isabelle franziu o cenho.

-Duas linhagens supostamente inexistentes? – repetiu ela – Quer dizer que Miranda também é uma Descendente?

Annabeth assentiu.

-Sim. Ela é uma exilada, ou seja, uma ex-Caçadora das Sombras. Eu li em algum lugar, eu acho, que ela fugiu grávida de um Caçador das Sombras. – Annabeth olhou para Isabelle – Você tem algum irmão?

-Irmão? – perguntou Isabelle alarmada – O quê? Não! Eu não tenho. – ela franziu o cenho — Eu nem sabia que ela teve um filho. – ela murmurou.

-Se teve, deve de tê-lo perdido. – concluiu Annabeth – Deuses. – ela respirou fundo e fechou os olhos – Isso é tão complicado.

Isabelle bufou.

-Imagine para mim. – ela disse – Deuses, semideuses, monstros, Caçadores das Sombras, Descendentes... E o que é um Instituto?

-É como o acampamento, mas apenas para Caçadores das Sombras. – disse Annabeth – Vamos Izzy.

Isabelle olhou confusa para Annabeth.

-Para onde? – ela perguntou.

-Para a Casa Grande contar a Quíron a descoberta. – ela disse e olhou para Isabelle – Você insiste tanto que seus pais estão vivos. E sabendo de sua Descendência quem sabe conseguimos uma missão.

-Uma missão para o quê? – perguntou Isabelle.

Annabeth revirou os olhos, segurou o braço de Isabelle e puxou ela em direção a Casa Grande.

-Para procurá-los. – ela disse.

***

Glossário

Descendente: são de uma linhagem de meio-sangue, herdando apenas sua habilidade de semideuses.

Caçadores das Sombras: são Descendentes caçadores de monstros e downworld. Eles moram nos Institutos.

Semideuses: são meio-sangues. Meio deuses, meio humanos. Moram no Acampamento Meio-Sangue ou apenas nos verões.

Monstros: são criaturas da mitologia grega.

Downworld: são criaturas humanas com habilidades sobrenaturais de nascença ou de transformação como vampiros, bruxas, fadas, metamorfos (que se transformam e animais como lobisomens, draki etc) e etc.

Notas finais
No próximo, eu pretendo escrever sobre investigarem o desaparecimento dos pais de Isabelle, uma noite na fogueira e oh sim, interesses amorosos. ;)