Cavaleiros do Zodíaco: Longínquo Passado

2 Capítulo Um – Quem se ergue do Mar


Notas iniciais
Um homem que luta pelos mais fracos revela-se contra a ascensão do Mal.

Capítulo Um – Quem se ergue do Mar

Homens trabalhando arduamente descarregam seus barcos, agraciados pela bênção de Atena que os manteve em segurança durante suas viagens dentro do imenso Egeu. Eles aportam em um dos vários píeres que ocupam boa parte da grande enseada, mas que deixam uma enorme faixa de areia para quem quiser aproveitar as praias de água morna abastecidas pelo Mediterrâneo.

Nesse dia especial, passo a passo uma sombra irrompe nas águas escuras, se aproximando da costa, imperceptível a todos os habitantes que vivem suas vidas normais, marinheiros que descarregam suas mercadorias recém-chegadas, mercadores que vendem seus produtos, soldados da guarda que patrulham as ruas da pequena cidade costeira. Nesse dia nublado, com muitas nuvens e brisa gelada, onde as aves marinhas tendem a evitar o porto ignorando a oportunidade de conseguir comida com facilidade, algo parece não estar certo, mas todos os habitantes tendem a deixar qualquer superstição de lado.

No Relógio de Fogo, um prédio de arquitetura clássica envolto de mistério e poder localizado a quilômetros de distância da costa, as doze chamas interagem com o horário e com aqueles interessados nele. Mesmo com o tempo acinzentado, com as nuvens ocultando o astro rei, ele se encontra em seu pico, e o Relógio indica precisamente às doze horas, por isso e apesar da brisa tentar mudar a situação, faz muito calor, e os trabalhadores que dão duro em seus afazeres sofrem com o calor e o ar abafado, assim como aqueles que têm por dever esperar o momento em que serão necessários. Mas ventos gelados, tempo fechado e ar abafado costumam significar que tempestades estão se aproximando.

A Atenas desconhecida para a cidade de Atenas ergue-se em uma acrópole suntuosa ao sul da capital, protegida pela vontade de Pallas, vislumbra as alturas enquanto guarda todo aquele lugar, acompanhando as mudanças pelo mundo e orando pela paz. Mesmo deste lugar tão distante a sombra que invade as águas da cidade Ateniense não passa despercebida, apenas não havia tempo para discussões, inocentes estavam à mercê do destino, a vontade de algo que ia além da compreensão mundana da humanidade.

O cavaleiro de armadura dourada vai enfrentar o destino, movido por uma força de vontade que nem ele mesmo compreende, lutará para proteger todos aqueles que não podem se defender.

Na praia a imensa presença se desfaz em passos pesados rasgando a água ao seu favor, avançando até a areia, enquanto emerge lentamente. A comoção dos populares em volta do indivíduo toma toda a praia e a guarda chega para averiguar do que se trata. Assustados os cidadãos temem que aquele ser seja uma criatura enviada diretamente do mais profundo inferno e, por isso, os guardas são levados a apontar ameaçadoramente suas armas para ele, o homem saído do Egeu.

“Onde estão os cavaleiros?”; perguntou, falando com um sotaque estranho, como se não estivesse acostumado a falar aquele idioma com frequência. Os soldados agressivamente movem suas armas em sua direção, preparando-se para investir contra o ser que tinha forma de monstro, mas tomara a aparência de homem antes de sair das águas escuras do Mar.

“Onde está Pallas Atena?”; voltou a bradar com seu sotaque estranho, quase arcaico. A forma dura do homem falar é o suficiente para que os soldados ataquem, cometendo o pior erro de suas vidas, que acabava agora. Suas armas são partidas ainda no primeiro segundo, ao mesmo tempo em que a areia da praia eleva-se com requintes do sobrenatural, para que na sequência tudo em um raio de três metros; madeira, terra, carne, se transformasse em poeira, enquanto eram alvejados por um feixe de luz avermelhada surgida do corpo do homem monstro que saira do Mar há poucos instantes.

Os gritos dos habitantes do porto se sucedem a cada frame de ação do revelado assassino invasor. O terror que toma seus corações após a visão do ocorrido só não é maior que o terror do vislumbre da própria morte de quando o assassino se aproxima. Pessoas comuns eram uma a uma mortas pela vil figura.

“Merda! Estou atrasado... já há vítimas...”; julgou suas próprias ações em voz alta enquanto saltava pelos prédios se aproximando do porto. Durante o percurso via as pessoas correndo na direção oposta a que ele se dirigia, mas em pânico nenhuma delas notava o borrão dourado que se movia bem acima de suas cabeças.

A quatro quadras da praia o homem mostro, que veio das águas, continua atacar todos aqueles que ele encontra, deixando para trás um rastro de corpos e destruição. Ele grita buscando por aqueles chamados de “Cavaleiros” e aquela chamada “Pallas Atena”. Ninguém o responde, ninguém tem a resposta para sua pergunta e, por isso, todos devem morrer.

Até que...

“Finalmente cavaleiro!”; exclamou o invasor sem um foco específico para suas palavras, “Tenho uma mensagem e você será aquele que a receberá”. Largando no chão o corpo, inerte e pesado, de um soldado recém-abatido, o homem do Egeu instiga o seu oponente, provocando-o com a morte que ele espalhava sem o menor pesar.

A cena do corpo caindo incomoda o cavaleiro recém-chegado, “Não enviarei mensagem a ninguém”; ele responde irritado, enquanto joga seu manto branco para que o vento o carregasse. Estava oculto na sombra de alguns prédios mais altos, mas neste momento sua armadura começa a pulsar em um dourado exemplar, “Eu vou te matar e vingar a morte de todos que você matou até agora. É assim que vai ser”; diz o cavaleiro de armadura dourada ao encarar o invasor friamente.

O invasor ri; “hahahaha, o humor da superfície é tocante, mas...”; não há continuação pois ele é interrompido abruptamente. O homem de armadura dourada irrompe através da sombra, revelando sua pele cor de ébano, que cria um contraste tão incomum quanto belo quando somado a cor dourada da armadura que carrega em seu corpo, que avança ferozmente, como um predador atacando sua presa. Em um breve instante a estreita rua é alargada quando os prédios que a cercavam são reduzidos a escombros devido a descarga de energia usada para a sutil demonstração de poder. Da posição final de seu ataque o cavaleiro de ouro analisa a situação em um mero instante, ele já sabia que seu ataque havia sido evitado, portanto só restava descobrir onde seu oponente se encontrava: na cobertura de um terceiro prédio a cerca de quinze metros do local do ataque, sorrindo.

“Seja lá quem for, é melhor agir com mais seriedade, caso contrário arrancarei seu braço”; impôs o cavaleiro de ouro, com um teor até que bem humorado, deixando claro que seu primeiro ataque, apesar de suas palavras, não tiveram a intenção mortal.

“Errou de propósito, então? Que bom, achei que fosse um principiante.”; tagarelou com o estranho sotaque. Sua atitude era bem incomum comparado ao que o cavaleiro de ouro estava acostumado, mas ele estava certo, o golpe havia sido errado propositalmente.

“Ponha sua armadura, não sou covarde para matar alguém que não pode se defender sozinho”; disse o homem de pele ébano enquanto caminhava até o prédio onde o invasor se encontrava. Sua aura dourada se intensificava a cada passo que dava tomando grandes proporções, com tons alaranjados a figura de um leão furioso ia surgindo acima dele, até que ele brada para seu oponente ouvir; “Me chamo Gizan, Santo cavaleiro, protetor da quarta morada, Leão. Lembre-se desse nome, pois será o último que ouvirá em vida!”.

O invasor ao ouvir a ameaça de seu oponente sorri outra vez, porém desta vez havia um teor de insanidade que quase contagiava o ambiente. Seus cabelos louros, quase brancos tremularam pela ação de sua cosmo energia laranja escura se manifestando, chamando por algo, que o atende em um único segundo. Um raio de luz rompe o mar Egeu, o céu e o que estava a sua frente até tomar seu corpo por completo. Em um piscar de olhos o invasor agora trajava sua imponente armadura. “Diga a sua Deusa Criança que está na hora dos fedelhos deitarem, os adultos precisam trabalhar!”; dizendo essas palavras o homem que veio do Egeu parte para o duelo contra o cavaleiro de ouro sem se apresentar ou dizer a quem servia.

O cavaleiro de Leão não desprende seus olhos de seu inimigo e ao mesmo tempo em que seu oponente avança, ele também parte para a sua investida. Aqueles que pudessem acompanhar movimento a movimento veriam dois homens da mesma estatura e porte preparando suas técnicas mais poderosas para dilacerar um ao outro. A ação acontece rapidamente, em milésimos de segundo o embate termina com um estrondo magnífico ecoando por quilômetros além da cidade portuária.

Uma cratera com mais de dez metros de raio é o indício mais claro de que duas forças titânicas colidiram ali. O Leão dourado estava no centro, seu braço esquerdo sangrava abundantemente enquanto seu punho direito, esticado e erguido acima de seu peito, pulsava com um brilho dourado hipnotizante. Naquele momento ele, Gizan o Cavaleiro de Ouro de Leão, e todos que acompanhavam o combate da secreta acrópole de Atena, sabiam o que estava por vir.

Notas finais
No próximo capítulo, o santuário será revelado.