Cavaleiros do Zodíaco: Longínquo Passado

3 Capítulo Dois – O peso de uma Guerra.


Notas iniciais
Alguns personagens são apresentados enquanto o Santuário é parcialmente desvendado.

A confraria de Atena sempre contou com 88 membros, cada um deles representado por uma constelação celeste, que nomeava cada uma das armaduras, desde os cavaleiros de bronze até os poderosos cavaleiros de ouro. Muitos tinham suas vidas regidas por elas, porém, nunca houve um momento em que todas as armaduras fossem ocupadas em sua totalidade, por vezes aspirantes falhavam ou nenhum nascido sob uma constelação era enviado aos duros treinamentos necessários para tornar-se cavaleiro. Neste momento o Santuário contava com mais de 50 representantes, bem divididos entre as três classes existentes, mas isso ainda não fazia com que os corações dos habitantes dessas terras ficassem em paz; a noite pós-ataque foi recheada por um clima de insegurança e incerteza, eles temiam a guerra, pois mesmo seus avós eram incapazes de lembrar-se de tempos como esse. Houve conflitos, sempre haveria conflitos, mas a última batalha em larga escala acontecera há mais de 250 anos, desde então a vida que os homens saboreavam era de relativa paz.

No topo da fortaleza do Santuário estavam localizadas as Doze Casas, os templos dedicados às dozes constelações solares que davam nome às doze armaduras de ouro. Acima delas se encontra o palácio do grande mestre, uma estrutura magnífica construída baseada na arquitetura clássica, erguida na era dos heróis e que sobreviveu até os dias atuais. Em um salão dedicado a cerimônias, encontra-se uma imponente mesa circular contendo doze lugares, cadeiras com o símbolo das doze constelações esculpido em seu encosto, além de mais duas, entre o respectivo assento de Áries, o primeiro segundo o zodíaco astral, e Peixes, o último, lugares dedicados ao próprio Grande Papa e a divina Pallas Atena, tronos elegantes e confortáveis para a soberana do mundo e seu porta-voz.

A luz da lua ilumina perfeitamente o salão, auxiliada por imensas luminárias que impediam que o escuro da noite tomasse espaço sequer. Dos doze lugares apenas um está vazio, o assento destinado ao Leão, que se encontrava sob cuidados médicos devido aos ferimentos sofridos durante o duelo no porto, que se sucedera pela manhã. Todos estão em silêncio, não há troca de olhares, nem movimentos desnecessários; graciosamente aguardam pela chegada de Atena que se encontra no monte Star Hill, buscando as respostas necessárias para auxiliar a todos nos dias que viriam. Em seu trono, o menor dos dois, o Papa, assim como os demais, aguarda pacientemente, ainda que encare um por um dos Santos de Ouro, buscando algum sinal de medo, o que reafirmava para ele – e assim para a própria Atena, que todos ali estavam prontos para o futuro, pois não havia medo algum em seus olhos, apenas convicção na vitória.

“Atena, nossa senhora, busca respostas para os dias que se aproximam”; aturdiu o silêncio com suas palavras esclarecedoras, o tom firme transmite sua segurança, capturando a atenção dos onze membros da elite do Santuário. “Infelizmente, apesar de sua imensa sabedoria e pacifismo, logo chegará o momento de pegarmos em armas”; continuou, enquanto voltava a encarar cada Santo de Ouro, “Ela decidiu, com todo o pesar, que sua vida é e sempre deverá ser o escudo que ampara os indefesos e, por isso, todos deveremos lutar até que nosso inimigo caia”; terminou.

Próximo ao Coliseu, escondido por uma encosta íngreme, o prédio se projetava para fora do paredão como se tivesse se erguido junto à rocha natural. Chamado de a Fonte de Atena, o local era servido pela natureza, cercado por árvores frutíferas além de uma fonte de água cristalina – que doou seu nome ao prédio, onde dizem que no passado, a própria Deusa ia para tratar do corpo ferido de seus queridos guerreiros. Nesse local de repouso quem comanda as ações é um Cavaleiro de Prata reconhecido como um dos mais poderosos de sua geração, Esto o Santo de Taça; conhecedor dos mistérios da natureza, das ervas e do corpo humano, ele lidera uma pequena equipe de não cavaleiros que trata de todo o Santuário, apesar do local ser secreto e poucos o conhecerem de fato. Era lá onde Gizan se recuperava, muito a contra gosto já que, ninguém menos que a própria, Atena ordenou que não saísse da cama onde Esto o colocasse. Junto dos dois também estava um terceiro Cavaleiro de Prata, que desde o dia anterior era o guarda do local, seu nome é Zarco, o Santo sob a constelação de Órion, aquele dito ser poderoso ao ponto de chegar ao patamar de um cavaleiro de ouro, e era exatamente a quem o Leão dourado importunava, como se fosse um menino, pedindo para que fosse liberado, pois precisava ir ao conclave no Salão Cerimonial; “Vamos Zarco, você apenas precisa ir ao pátio que eu irei sair pela outra janela, ninguém verá nada”; ele falou em tom displicente enquanto tirava as ataduras do braço esquerdo, revelando a extensão dolorosa de suas feridas de batalha, mesmo ele ignorando qualquer reação física, era claro que ele ainda precisa descansar se não pelo braço, pelo seu flanco esquerdo, também avariado e enfaixado por Esto.

Atena retornava ao Salão, mas ainda se mantinha calada, parecia esperar alguma coisa. No entanto, o Papa ainda mantinha seu discurso – com consentimento da Deusa, explicando sobre a situação e dando as possíveis razões para tudo aquilo.

“Eu... eu não posso fazer isso Senhor Gizan... tenho ordens a cumprir...”; falava Zarco, um pouco sem graça, mas mantendo-se firme em suas ordens. Seu professor, Mikel o Cavaleiro de Peixes, o instruiu que mantivesse o Leão dourado lá a qualquer custo, pois ele precisava se tratar os demais cavaleiros, e mesmo os cidadãos do Santuário não podiam vê-lo tão ferido daquela forma, seria ruim para a moral da confraria, todos o viam como um irmão mais velho, um grande amigo que faria tudo para ajuda-los e que nunca havia sido ferido gravemente. O cavaleiro de ouro sabia que a reunião já devia estar começando e por isso não poderia se atrasar, por isso, concordou com Zarco e voltou-se para cuidar de suas feridas, enquanto Esto não voltava das visitas que fazia diariamente as vilas que cercavam o Santuário.

O concílio de guerra termina, durou horas a fio, mas Atena e o Grande Mestre explicaram tudo o que os Cavaleiros de Ouro precisavam saber. Todos os presentes são procurados pela jovem Atena, que gentilmente se despede de um por um, atitude respeitada e muito apreciada por todos, mas apesar disso, simpatia não era o único motivo que a levava a cumprimentar cada. Ysra – o nome verdadeiro da jovem Deusa, desejava dizer algumas palavras para cada um deles, algo que os tocasse e os inspirasse, fosse naquele momento ou quando a situação se fizesse necessário.

Para o Santo de Leão, o último a chegar, sem sua armadura e coberto por um manto branco, ela gentilmente diz; “Tenha força e esperança em seu coração, poderoso Leão de Ébano”. Por um instante ele não compreendeu a mensagem, mas por alguma razão aquela doce voz se torna parte constante da sua consciência e de alguma forma o conforta perante toda a situação, afinal, como todos lá, por mais poderosos que fossem os cavaleiros de Atena, ainda eram humanos e temiam que por isso pudessem falhar, mesmo que escondessem isso no ponto mais profundo de suas mentes.

“Gizan..”; aquela voz jovial o tirou do transe momentâneo, “Você poderia me contar como foi seu encontro com o invasor?”; quem falava com ele era o defensor da primeira casa zodiacal Hezequiel, ele gostaria de saber mais detalhes sobre todo o ocorrido para que pudesse se preparar melhor. O cavaleiro de Leão rapidamente se prontificou; “Hezequiel.. você”; ele hesitou por um instante, mas logo se pós a todas as perguntas; “Direi tudo o que você quiser, pode perguntar-me!”.

A conversa logo atraiu alguns dos outros membros da elite de ouro, discutiam o que havia acontecido e teorizavam baseados no que ouviram do Grande Mestre e Atena, sobre o que esperar do futuro. Depois de algum tempo de conversa todos se despediram e rumaram para suas moradas, precisavam descansar, pois a manhã que se seguiria exigiria bastante de todos.

Na morada de Leão o cavaleiro de Taça aguardava Gizan com remédios que o ajudariam a estar pronto para o início daquela batalha; por algum motivo aquelas feridas estavam se recusando a melhorar rapidamente.

Na manhã seguinte, ao raiar do sol, o Coliseu e suas cercanias já estavam totalmente prontos para o evento que ocorreria em poucas horas, os engenheiros do santuário juntos a própria guarda correram para organizar toda uma estrutura para acomodar todos os habitantes daquele Santuário mítico, caso eles atendessem o convite feito por Atena. Muitos viriam por informações, o acidente na cidade portuária já havia repercutido por todos os lados, outros estavam em busca da benção da Deusa, um meio de se sentirem seguros, confortados contra o medo e incerteza que sentiam apertar seus corações.

Exatamente às 10 horas da manhã, seis mantos brancos — e um vermelho, que cobrem placas douradas, atravessam o portal, escuro pelas sombras, que leva diretamente a sacada por onde Atena ira se pronunciar. Áries; Touro; Leão; Libra; Sagitário; Aquário e Peixes; se posicionam a frente de um luxuoso palanque, todos virados para a multidão, que ocupava muito mais do que todos os lugares dentro do Coliseu. Vestindo suas vestes cerimoniais, o Papa e Atena os seguiram pelo mesmo portal, porém a jovem Deusa se dirigiu ao palanque enquanto o Papa ficava a baixo, mas ainda ao seu lado. A Deusa é ovacionada quando faz sua aparição, mas logo pede para que todos se acalmem com um gesto simples com sua mão, então um sentimento de tranquilidade começa a nascer, tomando o coração de todos os presentes ali, levando sua mensagem.

“Sejam bem vindos ao Coliseu”; falou cordialmente com o intuito de “quebrar o gelo” diante da situação. Um coro de surpresa seguiu as primeiras palavras, aquela voz falava em seus ouvidos, como se ela própria conversasse particularmente com cada um deles.

“Serei breve e sincera com todos vocês.”; a pausa rápida aconteceu para que ela encarasse a todos os presentes. ”Como Atena, tenho a obrigação de proteger todo o mundo do caos e tragédias que podem se abater sobre ele, por isso não permitirei que ninguém avance contra inocentes.”; continuou com convicção seu discurso.

Enquanto o discurso era feito uma dúvida caia sobre aqueles mais próximos à sacada, e principalmente entre os demais membros da confraria, cavaleiros de prata e bronze: onde estavam os demais cavaleiros de ouro? Não havia uma resposta simples, para aquela pergunta, todos estavam fazendo algo importante, algo que somente eles, o Grande Mestre e a própria Atena sabiam. Gêmeos fora enviado para investigar a aparição misteriosa de uma estrutura palaciana nas montanhas ao Leste da Grécia, um cosmo opressor foi sentido lá pouco depois da aparição do primeiro inimigo; Câncer foi se certificar de que os antigos Deuses não se metessem nos assuntos atuais; Virgem estava encarregado de olhar pelos homens no mundo; Escorpião ia ao Oeste investigar estranhos pilares de luz que surgiram na costa; e Capricórnio foi enviado até Creta, uma ilha que já foi o lar de uma grande civilização mas desde o seu fim não oferecia muito ao mundo, sua missão era a mais incerta, ele deveria apenas ir lá e relatar o que visse durante sua visita. Suas missões, apesar de em primeiro momento parecerem supérfluas e incompatíveis com seus postos eram de alta importância só podendo ser cumpridas por aqueles que portavam as armaduras brilhantes, os cavaleiros de ouro.

“A partir deste momento, estamos nos preparando para a guerra e um ataque do inimigo é uma situação plausível”; A jovem parou e elevou seu cosmo aquecendo o coração de todos os presentes, “Estejam prontos, confiem em si mesmos, nós venceremos.”; bradou ao terminar sua oratória, com o ímpeto da vitória em sua voz. Um silêncio se abateu, não foram boas notícias, mas havia uma certeza: fariam de tudo para alcançar a causa de Atena, suas próprias causas. A comoção tomou a todos e irrompeu pelo coliseu e redondezas com aplausos e gritos de euforia, ela, a jovem Atena, acabava de unir todo o santuário em prol da defesa da terra, da justiça, da amizade e do amor.

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A alma de Atena reencarnou na Grécia, mais uma vez, porém não em uma grega. Chamada de Ysra por seus pais adotivos, membros de uma caravana comercial do Santuário, foi encontrada em terras sem nome, ao Norte da península grega durante uma viagem. A caravana atravessava um vale montanhoso durante uma noite escura, sem lua, quando uma estrela caiu sobre a terra a quilômetros de distância, dentro das montanhas que cercavam o vale como muralhas imensas. Um homem e uma mulher, um casal que nunca foi capaz de ter filhos, imediatamente sentiu algo em seus peitos: um impulso, a necessidade de ir buscar algo que se encontrava lá onde a estrela caira. Mesmo contra as ordens do líder da caravana os dois investiram até o lugar, horas depois acharam uma vila soterrada pelo que parecia ser um deslizamento de terra, porém em meio aos escombros e a escuridão um choro de bebê chamou a atenção. Era uma menina de cabelos enferrujados e olhos esverdeados, enrolada em trapos e pendurada em um galho, protegida do fim fatídico de toda sua família. O casal rapidamente a resgatou, embrulhando-a em suas roupas para poupá-la do frio penetrante. A pequena carregava consigo um colar bem simples, com um pedacinho de madeira com as letras de seu nome, “Ysra”, e dessa forma o casal passou a chamá-la. Enquanto voltavam até a caravana carregando a pequena criança algo muito mais peculiar que tudo aquilo acontece: o chão ao seu redor desaparece, assim como a paisagem a volta deles. Logo estão no espaço, cercados pelo cosmo, com galáxias e estrelas passeando a sua volta. Eles, como membros da população do santuário, conheciam parte dos mistérios do cosmo, e logo entenderam do que se tratava. A voz sem sexo definido atingiu seus ouvidos, e pedia que cuidassem da menina que em poucos anos seria a própria Pallas Atena reencarnada na terra, mas por agora ainda era um bebê e precisava ser protegida e cuidada com todo o amor possível. Quando chegaram à caravana todos sabiam o que devia ser feito, pois o evento que tomou o casal também ocorrera com eles. Sem perder tempo um grupo se destacou e voltou para o santuário, levando a pequena Ysra, a Deusa Atena, para a segurança de seu septo, onde ela vive desde então. Já faz mais de 15 anos desde que ela foi encontrada e agora ela se depara com seu maior desafio.

Notas finais
Espero que gostem da leitura! E qualquer feedback será super bem vindo (:
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.