Cavaleiro de Sangue
10 Capítulo 9
Notas iniciais
Duas semanas haviam se passado e Hinata estava amedrontada.
Em suas mãos jaziam a carta enviada por seu pai dando-lhe um ultimato.
Estava desesperada, tinha medo de chegar perto do lorde e medo do castigo que seu pai lhe daria.
Estava sentada na orla da floresta segurando as lágrimas de desolação. Se forçava a ser forte. Um barulho na copa das árvores a despertou e, num único movimento, pegou seu arco e disparou certeira abatendo uma pobre ave.
Passou as mãos pelo rosto sentindo um pouco da pressão se esvaindo junto com a adrenalina da caça e foi até sua vítima.
Estava com a cabeça tão cheia que nem percebeu que Naruto a observava pasmo.
O chefe da guarda que se aproximara sorrateiramente pigarreou para não levar também uma flechada como aquela.
– Hinata. — disse se apresentando e caminhando até ela.
A garota deu um pulo de susto e tentou, inutilmente, esconder o arco em suas costas.
– Sir Uzumaki! O que faz aqui? — perguntou em pânico.
– Acho que a pergunta é o que você faz aqui Hyuuga. Se bem que ao ver isto — disse ele apontando para o animal abatido — Já imagino o que tanto faz na floresta. Minha dúvida é: Por quê? Não vejo nenhum perigo eminente para você carregar um arco no castelo.
Hinata engasgou, gaguejou e andou para trás e sentiu um tronco em suas costas.
– É... é só um passatempo, senhor. — respondeu baixo — Para me distrair.
Ele fitou a mulher e sentiu uma pontada de culpa por seu jeito rude.
Fora difícil admitir que ela não era um perigo para Sasuke, ainda mais porque ambos sabiam que ela não estava ali sem um propósito. Porém, a medida que o tempo passou e conhecera um pouco melhor a filha mais velha de seu inimigo, soubera que ela era diferente.
– Desculpe pela minha grosseria. Você tem uma ótima pontaria, eu sou péssimo com arco. — admitiu cabisbaixo.
Hinata sorriu um pouco mais relaxada. Sabia que estava sendo observada pelo loiro e por isso começou a observá-lo também para não dar um passo em falso em sua frente.
A imagem pintada por seu pai de um garoto burro, sem ideais e mimado foi substituído pela admiração por um homem forte e determinado. Bem humorado e um homem feito que a deixava sem graça quando ela o pegava olhando em sua direção.
– Obrigada — respondeu baixo tirando o arco das costa e sorrindo fraco — Não acredito que seja tão ruim... — permitiu-se brincar um pouco para aliviar a tensão que estava sentindo.
Ele levou uma mão ao cabelo louro e bagunçou, abrindo um grande sorriso.
– Sou melhor com a espada, mas, dê-me aqui, vou ver se consigo caçar o jantar. Imagina a cara da vovó se eu chegar com um pato selvagem?
– Aqui não tem patos selvagens — Hinata riu ao ver a cara de confusão do rapaz e pegar errado no arco — Com licença — se aproximou do rapaz e pousou sua mão na dele que segurava o arco e a que puxava o fio. — Segure com mais precisão e respire antes de soltar a flecha.
o corpo dela estava junto ao dele e Naruto conseguia sentir os montes femininos pegando em suas costas. Deu uma olhada de esguelha para a moça concentrada e reparou no quanto parecia frágil e bela. Ela disse mais alguma coisa e ele respirou fundo tomado por seu perfume e soltou a flecha, acertando em cheio um pássaro que ciscava ali.
– Ará! — gritou animado — Não foi tão ruim, não é? — virou-se para encará-la e seu sorriso ficou mais tênue, sem perceber levou a mão ao rosto da jovem e fez uma pequena caricia no queixo. — Você estava chorando.
Hinata sentiu o rosto esquentar ao toque do rapaz e seus olhos perderam-se nos azuis hipnóticos de Naruto. Os dois se olhavam como se fosse a primeira vez e o momento havia congelado naquele instante.
– Nã-não foi na... — Hinata começou a sussurrar, mas foi interrompida por um som alto e distante de corneta.
Naruto afastou-se na hora olhando para a direção do som e dando um sorriso entusiasmado.
– Juugo. — exclamou ele voltando o olhar para a morena — eles chegaram.
(...)
Sakura havia separado algumas horas naquela tarde para cuidar de seu jardim. Desde que as novas pessoas haviam chegado e sua mãe sido trazida para lá, não conseguira tempo para relaxar e cuidar direito de suas flores.
– Boa tarde, dona Mikoto. — Sakura cumprimentou sentando-se exausta em frente ao túmulo. — Viu como esta ficando lindo aqui? — perguntou orgulhosa olhando as mudas começarem a florescer. Ela respirou fundo olhando todas aquela mudanças, mas algo não a deixava sorrir.
– Minha mãe está pior. — confessou baixinho olhando para a pedra lisa com o nome da lady — Apesar de tudo, de todos os esforços... Tem sido todos tão bons conosco. Tsunade e Hinata rezam bastante por sua saúde, Naruto traz remédios do vilarejo e o lorde tem auxiliado com mantimentos e dinheiro... ele tem sido de grande ajuda. Não sei como poderei retribuir a todos. — enxugou uma lágrima de seu rosto e voltou seu olhar para as flores. — Seu filho tem requisitado minha presença todas as noites — disse mais humorada querendo pensar em outra coisa — Gosto de conversar com ele sobre o vilarejo, sobre o castelo... ele já me deu permissão para fazer o que eu achar necessário aqui, acredita? Sakura sorriu olhando as próprias mãos. Seu coração ficava inquieto só de se lembrar da voz soturna que a fazia se arrepiar.
– Ele ainda não sai do escuro. — sussurrou mais para si — Gostaria de saber o que de tão ruim pode ter acontecido com ele.
O som de trombetas a fez se levantar num susto. Correu para a entrada do jardim vendo Naruto abrindo os portões.
Sem entender, ela olhou para Hinata e Tsunade, que se juntam a ela.
– Os homens do lorde — Hinata respondeu ao ver a incompreensão de Sakura. — voltaram das buscas do corpo de lorde Itachi.
Sakura ergueu as sobrancelhas em compreensão vendo a cavalaria cruzando os portões portando espadas e armaduras, ao fundo o estandarte da família Uchiha. Um leque preto e vermelho.
Naruto fez um sinal de continência ao maior dos homens, este desceu de seu calo e retirou o elmo, mostrando os fios alaranjados e um sorriso tão cansado quanto aliviado.
Sakura se surpreendeu, mas sorriu ao ver o abraço apertado que dois velhos amigos que não se viam há tempos, trocaram.
Olhou para Tsunade e Hinata, e com a voz firme, mas feliz ela deu a ordem.
– Vamos preparar os quartos e um belo banquete. Daremos honrosas boas vindas aos nossos guerreiros.
No alto da maior torre do castelo, um corvo pousa observando os 80 cavaleiros voltarem para casa.
(...)
A noite chegara animada no castelo. Os homens guiados pelo capitão Juugo se reuniram no grande salão a espera do prometido e merecido banquete. Alguns não esperaram, pois preferiram o aconchego de seus lares e da família que a muito não viam.
Naruto adentrou no salão seguido de perto por Sakura e Hinata e logo voltou atenção ao seu velho conhecido.
– Sasuke quer lhe falar, ele precisa ouvir da sua boca que não encontraram Itachi.
Juugo, era um homem grande que a primeira vista, intimidou as meninas, mas logo sorriu e as fez retribuir.
– Ele ainda anda rabugento, ou já melhoraram o humor dele? — perguntou mais baixo vendo as duas mulheres servirem os homens com vinho e carne assada.
– O mesmo rabugento de sempre. Um pouco pior, eu diria. — Naruto fez uma careta engraçada.
Juugo riu com gosto, mas logo sua expressão ficou séria e ele torceu a boca respirando fundo.
– Vamos acabar logo com isso.
– Me siga. — disse o loiro seguindo em frente.
Juugo respirou fundo vendo Naruto abrir a porta. O breu o cercou assim que adentraram o quarto de Sasuke. O grande homem se ajoelhou em respeito e abaixou a cabeça.
– Meu lorde. — cumprimentou com a voz baixa. — Sinto informar que falhamos em nossa missão.
Sasuke pressionou com força os braços de sua poltrona e seus lábios se tornaram uma linha fina. — Juugo. Fico... fico contente que tenham retornado bem. Nenhuma notícia do meu irmão?
O ruivo se levantou dando um suspiro cansado e olhando para a escuridão de onde saía a voz.
– Seguimos todas as pistas que encontramos, fomos até os confins do país do Fogo. Nada foi achado. Eu sinto muito, Sasuke. — Juugo disse deixando a solenidade de lado e demonstrando sua amizade à Sasuke.
Sasuke permaneceu por alguns minutos em silêncio. Sua dor era tão palpável que Naruto pode senti-la em suas entranhas, ele sabia mais do que ninguém o quanto o amigo sofria.
– Obrigada Juugo, receio que precisaremos de seus serviços antes do que imagina, mas por hora vá descansar. Aposto que precisa rever seus familiares — A última palavra foi dita e sentida como brasa no coração de Sasuke.
– Irei, mas estarei a disposição. Amanhã poderemos conversar sobre os motivos para que me chamaram? — perguntou sentindo Naruto a seu lado.
– Claro, amanhã. — respondeu firme. Uma bola se formava em sua garganta.
Naruto então abre a porta dando passagem para o capitão e deixa o amigos a sós. Em silencio voltaram para o banquete pois não havia mais nada a se fazer no momento.
(...)
Sakura não aguentava rir mais. Tsunade havia se enfurnado no quarto de Mebuki quando um dos homens de Juugo a cercou. Hinata estava tímida, mas ria também, contagiada com a alegria daqueles homens.
O prato do lorde estava feito quando ela viu Naruto e Juugo descendo as escadas com os semblantes tristes. Sakura sentiu seu coração apertar, sabia que naquele momento ele havia recebido a mensagem que acabaria com as suas esperanças.
Preparou um prato para si também e subiu as escadas cumprimentando os dois homens no caminho.
Parou em frente a porta e bateu nela com o cotovelo.
– Meu lorde, posso entrar?
No momento que os dois homens saiíram do quarto Sasuke deixou a torrente de tristeza sair pelos olhos. Sentia-se como um pobre homem amaldiçoado que não tinha mais ninguém.
As lágrimas corriam livres pela face e desta vez ele não se importou.
Quando ouviu a voz tão conhecida chamar levantou e foi até a janela fria, agarrou-se nos panos das cortinas e permitiu que ela entrasse.
– Entre Sakura.
Sakura ouviu a voz, que sempre foi firme e rouca, um pouco embargada. Suspirou e entrou no quarto assoviando.
– Titã, tenho algo gostoso pra você. — disse baixinho escutando o lobo caminhar rápido em sua direção e logo o sentiu o focinho gelado em uma de suas mãos.
De um dos pratos ela tirou um pedaço de carne e deu ao lobo, escutando somente o mastigar do animal.
Andando vagarosamente, sentiu a cama dele e se sentou colocando um prato ao lado e o outro em seu colo.
– Não tinha espaço lá embaixo, espero que o senhor não se incomode em me fazer companhia.
Ele suspirou erguendo o rosto para cima na escuridão e balançou a cabeça, esquecendo-se de que ela não podia vê-lo.
– Claro que não, mas não estou com fome Sakura.
– Oras, não me lembro de ter perguntado se estava com fome. — disse com leve humor. — Por favor, me acompanhe.
Ele tentou sorrir, mas não conseguiu.
– Trouxeram noticias do meu irmão. Ele não foi encontrado...
Sakura suspirou e pousou o talher no prato, não sentia fome também. Não sabia como agir, mas conseguia sentir a tristeza dele chegar até si.
– Eu... eu realmente sinto muito por sua perda.
Ele soltou a respiração presa e andou em direção e ela. Mesmo no escuro ele via. Oh sim, ele via.
– Iria gostar dele, reza a lenda que era tão charmoso quanto eu. — disse abrindo um leve sorriso e parando em frente a moça.
Sakura deu uma risada breve sentindo o homem parar a sua frente.
Apesar da piada, ainda sentia a dor que ele carregava no peito. Era algo quase palpável que deixava o ambiente pesado.
Levantou-se e no impulso tocou-lhe o peito. Ficou com a mão ali, parada, sentindo o couro do colete dele. Gelado como a noite que caminhava. Sentiu o peito se mexer com a respiração profunda e pode perceber que ele era bem mais alto.
Engoliu em seco tentando desanuviar sua mente e voltar a consolá-lo. Ergueu a cabeça e procurou a mão do homem com a sua, sentindo-o retesar ao toque, mas deixa-a apertar com delicadeza.
– Ele deve se orgulhar do senhor. Onde quer que esteja. — sussurrou com certeza em seu tom.
Sasuke fechou os olhos ao toque dela, era a primeira vez que ela fazia tal gesto. A pele era macia e quente. Ele pegou a pequena mão que jazia nervosa em seu peito e levou até a boca, roçando de leve os lábios.
A respiração pesou, mas desta vez era por conta da pequena distância em que estavam, só ele sabia o quanto aquilo era perigoso.
Buscou o rosto dela com a outra mão e a segurou pelo queixo.
– Você teria orgulho de um homem como eu Sakura? — sua voz saíra tentadoramente baixa e rouca.
Sakura sentiu seu corpo arrepiar e seu coração palpitar ainda mais forte quando o som da voz dele tocou seus ouvidos. Havia se esquecido por um momento que aquele era seu lorde e, que aquilo era íntimo demais para um lorde e sua camponesa.
O quarto escuro, os sentimentos desconexos, os sussurros da noite e aconchego de um toque fazia o resto do mundo desaparecer.
Ele havia feito uma pergunta, e ela tinha a resposta.
– Teria. — respondeu num sopro erguendo a cabeça ainda mais num ato inconsciente. — Eu tenho....
Ele fechou os olhos com força ao ouvir o sussurro quase que desesperado dela. Era demais até para um homem como ele. Não quis mais pensar, somente levou a mão até a nunca dela e a puxou com força pela cintura.
– Sakura ... — sussurrou antes de a beijou com paixão.
Sakura não teve tempo de pensar quando sentiu os braços fortes circularem sua cintura e a puxar segurando firmemente sua nuca com a outra mão e a boca ser tomada por outra feroz.
Não sabia como reagir, tanto pela inexperiência quanto pelo susto, então abriu a boca e deixou-se se entregar.
Seu corpo pedia por aquilo, mesmo sabendo ser errado. As bocas mexiam-se se sincronizando com o tempo.
Seu nome sussurrado entre a caricia a fez perder a força nas pernas. O beijo continuou afoito, até que uma batida desesperada a fez se afastar subitamente.
Sasuke se afastou rapidamente enquanto a porta abria e um Naruto assustado entrava.
– Sakura... a sua mãe.
As pernas ainda estavam trêmulas quando as palavras de Naruto fizeram algum sentido. Saiu do quarto, seguindo apenas a tênue luz distante que vinha do andar de baixo.
– Mãe... — murmurava já sentindo os olhos carregados de lágrimas e a deixando cega.
Tropeçou em alguns móveis no caminho para o quarto de sua mãe. Ao chegar ao local, os soluços não puderam ser parados. Tsunade limpava o sangue que acabara de escorrer depois de um ataque de tosse e as outras mulheres rezavam rodeando a cama de Mebuki.
Sakura colocou a mão na boca, estagnando os soluços desesperados que não paravam de sair.
– Mãe...- murmurou chamando a atenção da mulher.
Mebuki virou o rosto lentamente e encarou a filha. Os olhos estava turvos, como se ela estivesse se esforçando para se manter sã. Sua expressão abatida trazia um desespero sem tamanho ao coração da pobre filha, que de joelhos deixou as lágrimas escaparem.
– Sak... minha filha... — a mulher sussurrou sofrida como se lhe faltasse ar.
– Por favor, mãe. Não diga nada — implorou sentindo a devastação que a perca daquela mulher iria fazer em seu coração.
Os sussurros das orações, o ar gélido daquela fatídica noite, tudo fazia a ocasião parecer mais mórbida.
Mebuki tossiu mais algumas vezes, e desta vez foi Sakura quem a limpou. Murmurando o nome da mãe e de Deus enquanto se debulhava em lágrimas.
– Encontre a luz...
– Mãe...
– Onde há escuridão.
As orações se mesclaram com os soluços e Sakura se jogou sobre o corpo da mãe quando os olhos perderam a fagulha de vida. Naruto teve que contê-la, quando os soluços se tornaram quase gritos e o corpo convulsionava de tristeza.
Sakura se sentia sem chão e com um buraco enorme no peito.
Não existia nada além daquele quadro triste de ter sua mãe morta em seus braços.
Foi levada para seu quarto, sem protestar.
Naruto disse algo, mas ela estava tão afundada em sua tristeza que não prestou atenção. Tudo o que queria agora era deitar e chorar. Chorar a perca de mais alguém importante em sua vida.
Sentir a dor que a morte traz e que nunca nos deixa.
Agora chorava num desespero crescente, ao se dar conta de que estava sozinha naquele mundo e nada mais fazia sentido.
***
Os sons de gemidos e de corpos batendo preenchiam o quarto escuro e mau cuidado.
As finas paredes do cortiço permitiam que os outros moradores também ouvissem o ato de pura luxuria que acontecia ali dentro.
– Ah isso é ... muito... bom – gemia a mulher enquanto cavalgava no corpo másculo abaixo do seu.
Com as grandes unhas arranhava o peito forte do homem que jogava a sua cabeça para trás em delírio ao senti-la daquela forma.
– De..mais.. — gemeu ele em resposta apertando as coxas nuas com força.
Depois de beijos quentes e muito suor os dois chegaram ao clímax, caindo na cama de cobertas amassadas e velhas.
– Por Deus, achei que me mataria hoje.. – suspirou ela em busca de ar.
Ele sorriu e passou a grande mão pelo rosto.
– Tinha que fazer uma despedida à altura. – respondeu saindo da cama.
Ela ficou por alguns segundos observando o corpo nu a sua frente. As costas largas e fortes eram cravejadas por finas cicatrizes, herança de um passado sombrio. A cintura fina dava abertura a nádegas muito avantajadas e por sua vez as coxas eram grossas e duras, ah como ela gostava de apertá-las com suas mãos tão pequenas.
Ele caminhou até a cômoda de madeira gasta e pegou um pouco do rum que a mulher guardava para as ocasiões especiais, virou tudo na boca e fez uma pequena careta quando o liquido desceu queimando. Virou-se de frente e sorriu.
– Nem em um milhão de vidas me acostumarei com esta visão. – disse ela deitando de bruços na cama e apoiando os braços com os cotovelos.
– Não viveremos tanto assim. – respondeu ele dando de ombros e saindo em busca de suas roupas.
– Disse que é uma despedida. – falou a mulher lembrando-se das últimas palavras de seu mais doce e perigoso amante.
– Sim, viajarei amanhã pela manhã.
Como ela não respondeu o homem virou-se para encará-la. Os olhos azuis contrastavam com os cabelos castanhos, o corpo esguio era quase uma pintura na cama velha de cobertas puídas. Sentiria falta daquela cama.
– Não me diga que achou uma esposa?
Ele gargalhou.
– Não, sabe que não sou o tipo de homem que casa.
– Claro, com tantas mulheres no seu rastro como vai escolher uma só? – ele sentiu uma pontada de mágoa.
– Não me diga que tem ciúmes?
– Oh, não me tome por tola. Só faço o que sou paga para fazer com você, nada mais que isso. — “por tantos anos” completou mentalmente amarga.
Devidamente vestido o homem andou até a cama e a puxou pelo queixo selando-lhe os lábios em um beijo quente que fez ambos ansiarem novamente.
– Você é única a quem eu pagaria pelo resto da vida.
Ela sorriu e puxou o lençol para cobrir-lhe as partes, com um carinho no rosto fino viu ele se afastar, e por um momento teve que segurar as lágrimas quando percebeu que seria a última vez que veria aqueles longos cabelos negros em sua cama.
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