Cavaleiro de Sangue
11 Capítulo 10
Notas iniciais
Tsunade, mais uma vez, aguardava do lado de fora do quarto com um tigela de sopa. Há dias Sakura não comia direito e vivia seu luto sem sair do quarto.
A mulher estava preocupada com a garota e em todas as suas orações pedia para que Deus a salvasse, pois em sua vida, depois da guerra, soube de mulheres que morreram de tristeza, e temia que Sakura tivesse o mesmo fim.
Bateu na porta com o nó dos dedos.
– Minha menina, fiz uma sopinha de legumes pra você. — a mulher disse escutando um fungado triste do lado de dentro.
– Obrigada, Sra. Tsunade, mas não estou com fome. — Sakura respondeu de forma baixa e dolorida.
Tsunade balançou a cabeça em pesar. Lhe doía ver a garota naquele estado, ela havia sido o sina que Tsunade sempre pedia em suas orações. Ela pedia uma luz em meio àquela escuridão. Ela pedia a visita de um anjo para purificar aquele lugar. E eis que tantos anos tendo fé, recebe a visita de um anjo. Uma anjo desbocado, atrevido e corajoso, mas que trouxe uma vida nova para ela, Naruto e Konohamaru.
Trouxe um vida nova sem ao menos perceber o quão mais leve se tornou ficar naquele lugar.
Ela havia conseguido livrar aquele castelo das imundices de Karin e tirado ela do posto de castelã. Havia, até mesmo, conseguido abrir uma brecha na maldição do lorde e estado em sua presença sem ser corrompida para o mal.
Tsunade sentia que não poderia deixá-la assim. Ela tinha que dar um jeito e salvar aquela menina.
Sem bater, ela entrou no quarto fechando a porta de forma lenta. A loira olhou com compaixão para o monte enrolado no meio da cama. Sakura estava deitada de costas para a porta e continuou assim, mesmo escutando uma cadeira se arrastar para seu lado e uma mão quente passar por seus cabelos em sinal de carinho e consolo.
Os olhos verdes marejaram com aquele contato. Ela pensou que depois de ter chorado tanto, não conseguiria mais. Mas ali estava ela, sucumbindo ao soluços de tristeza e saudades.
– Deixe as lágrimas lavarem sua alma, minha criança. — a mulher disse abrigando Sakura em seus braços e sentindo o corpo da moça ter espasmo quase desesperados por causa do choro. — Deus sabe o que faz. — disse como sempre dizia para aliviar o coração da menina. — Ela se juntou aos anjos, do lado do Senhor. Ela já não sofre mais.
Sakura sabia que eram palavras de consolo, mas ainda sim doíam.
Ela vivia com a sensação de que a qualquer momento iria encontrar a mãe. A dor da aceitação era forte demais para ela se entregar, mas Mebuki não voltava, e jamais voltaria. E quando a realidade a atingia, ela perdia as esperanças até de viver.
– Isso não é justo.... — murmurou embargada com o rosto enterrado no colo da mulher. — Não é justo...
– Temos que passar por provações para sermos pessoas melhores... — Tsunade tentou argumentar.
– Ela não deveria ter morrido... não deveria!
Tsunade respirou fundo e apertou mais em seus braços. A balançou como uma criança de colo e logo uma melodia conhecida tomou sua mente.
Sorriu com o sentimento nostálgico e então começou a cantarolar aquela canção da forma calma como se lembrava. Sakura sentia o corpo sendo balançado e o som grave saindo de forma suave da garganta da mulher. Era acolhedor, calmante, aconchegante.
Seu corpo relaxou e os olhos pararam de transbordar. Se deixou ser cuidada enquanto a melodia, que ela podia comparar à uma canção de fadas, a abraçava num manto quente.
Tsunade suspirou deixando as últimas notas caírem no silêncio daquele quarto.
Sakura parara de chorar e ainda absorvia aquele momento. Tsunade voltava aos poucos para a sua realidade, sem deixar de olhar a lua bonita pairava sobre a janela.
– Lady Mikoto quem cantava esta canção. — Tsunade disse de repente, e a menção do nome da lady fez Sakura prestar atenção naquelas palavras.
Ela se desgarrou dos braços da mulher e se sentou atenta. Esfregou os olhos e o rosto e olhou para Tsunade com um breve sorriso agradecido.
A mulher suspirou feliz e entrego a sopa nas mãos de Sakura com um olhar repreendedor quando a garota não aceitou.
– A senhora conheceu Lady Mikoto? — a garota perguntou com uma fagulha de curiosidade.
– Conto se você comer. — a mais velha disse entregando a sopa novamente. Sakura se encolheu pegando a tigela e saboreando, em pequenas quantidades o alimento aquecido.
– Eu cheguei a este castelo um dia após o nascimento do primeiro filho do lorde Fugaku. Já faz tanto tempo, 32 anos. — lembrou-se olhando para o teto – Era muito diferente do que é hoje. Era cheio de pessoas, com banquetes comemorativos em toda mudança de lua. Havia música, e ah, como Lady Mikoto cantava bem. — lembrou-se com um sorriso nostálgico. — Era tão bonita, gentil e sorridente que deixava todos agradecidos por servir tão bela alma. Lorde Fugaku era um homem feliz ao lado dela, todos eramos quando estávamos ao lado dela.
“Eu a ajudei a cuidar de seu filho mais velho, Itachi. Que menino bom. Puxou a gentileza de Mikoto, mas o rosto era de seu pai. Cinco anos depois nasceu lorde Sasuke. Ele era um rapazinho tão rabugento. — riu ao se lembrar do pequeno garoto e Sakura deu um pequeno sorriso involuntário – ele sim havia puxado os traços de Mikoto, porém o jeito era do pai. Todo mandão, responsável e sério, e muito apegado à mãe, assim como Fugaku também era. Eram uma família muito bonita, até que Fugaku mandou seus filhos para longe, Itachi tinha 19 anos e Sasuke 14. Você deveria ser muito nova, talvez uma criança ainda quando tudo começou a mudar.”
Sakura sabia do que Tsunade estava falando. Sakura tinha um pouco mais de 5 anos quando os rumores de guerra começaram. Ela não entendia, mas lembrava-se de ficar aflita somete em ver a aflição dos pais com os rumores. Lembrava-se que árvores foram cortadas para a fabricação de armas, havia estudado isso na escola. Sobre a guerra que demorou anos para ser iniciada, anos para ser lutada, e que por anos deixaria sua marca naquele mundo.
– Ela ficou triste. O lorde não saía de seu gabinete e de missões militares, não conseguia falar com seus filhos pois jamais sabia por onde andavam. Foram dias difíceis para nós, mas ela os sentiu com maior intensidade. Não podia chorar de saudades, não podia correr atrás deles, deveria ficar aqui, sorrir e ser uma lady.
Sakura havia terminado a sopa e nem se dera conta, encarava Tsunade com fervor esperando o desenrolar daquela história. A mulher ficou com a expressão triste e suspirou profundamente colocando as mãos no colo e olhando para elas.
– Ela foi acometida por um mal. Manchas começaram a surgir em sua pele, logo elas viraram feridas, o cabelo começou a cair e da cama ela já não saía mais. Lorde Fugaku correu o mundo atrás de uma cura para ela, mas nada era eficaz. Ela sabia que não iria conseguir e pediu que os filhos voltassem para casa.
“ Eu estava com ela aquela manhã. Ela segurou minha mão, assim – Tsunade segurou a própria mão se lembrando nitidamente daquele dia – Ela estava muito triste, pois não daria tempo de vê-los mais uma vez. Nós rezamos juntas e pedimos a passagem dela ao céu. Ela estava fraca e já não parecia quela linda mulher sorridente que enchia este castelo de música e felicidade. Ela definhara e sofrera. Senti o aperto ficar frouxo e quando olhei para ela e soube que havia chego a hora. — Tsunade colocou a mão no peito e fechou os olhos com força. Era uma das lembranças mais forte que tinha, e uma das mas tristes também.
Sakura segurou a mão da mulher, deixando de lado sua própria dor e devolvendo o carinho recebido.
– As últimas palavras dela, foram para que eu continuasse aqui. Para cuidar de sua família quando eles voltassem. — disse o que nunca havia dito a ninguém – Que não deixasse que sua morte fosse um martírio, e que sempre guardássemos o melhor dela.
Sakura sentiu algo diferente no tom de voz de Tsunade e algo fortificar dentro de si depois dessas palavras. Havia a dor da perca, havia a saudade, havia o sentimento de solidão, mas parecia que ao decorrer da narração de Tsunade, Sakura podia visualizar a bela lady que havia visto em foto. A bela lady, que adotou como amiga confidente no jardim.
Uma sensação nova se fez presente no coração da jovem. O sorriso de Mebuki e os carinhos que recebia da mãe entraram em sua mente e isso a fez sorrir um pouco. Os momentos felizes que valeram a pena em meio à tanta pobreza.
Elas haviam sofrido e agora Sakura conseguia ver com clareza que todo o sofrimento havia passado. Sua mãe estava num lugar melhor e havia dito que era para encontrar a luz em meio à escuridão.
Ela tinha um objetivo e iria se agarrar a ele para continuar vivendo.
Tsunade se levantou da cadeira arrumando a saia e deu um beijo no topo da cabeça da garota. Ia dizer mais alguma coisa, mas um Naruto sem jeito abriu a porta e colcou a cabeça para dentro.
– Naruto! Esse é um quarto de uma dama, você não pode ir entrando assim! — Tsunade ralhou com o garoto que deu um sorriso sem graça.
– Desculpe. — pediu com a voz baixa olhando para o teto e depois para Sakura, que para sua felicidade, parecia bem melhor. — É que alguém quer vê-la, posso deixá-lo entrar?
***
Sasori e seus homens – muito menos da metade que tinha – estavam acampados na floresta próxima à Konoha. Conseguira fugir com êxito de seu castelo, algo que vinha tentando há muito tempo desde que o Rei Sarutobi vinha desconfiando de sua aliança com Hanzo e tendo uma tropa de Konoha fazendo investigações.
Mas ele conseguira e agora estava pronto para atacar.
Em sua tenda, ele recebeu a visita de quem esperava com ansiedade. Hiashi adentrou a tenda e curvou-se em respeito perante o lorde Akasuna.
– Novidades? — o lorde perguntou impaciente.
– Tenho, meu lorde. — Hiashi sorriu de canto sentindo o sabor da vitória. — Minha filha está infiltrada no castelo e me enviou uma carta onde dizia que somente pouco menos de cem homens retornaram, não há tropas em segredo, não há armas especiais... Lorde Uchiha não é uma ameaça.
Sasori sorriu. Konoha finalmente iria ser sua e assim conseguiria por em prática o seu objetivo.
– Comandante Deidara. — chamo o loiro que apareceu na tenda olhando de esguelha para o Hyuuga. — Prepare os homens, mande celar os cavalos, afie as espadas. Logo iremos entrar em guerra.
***
Hinata chorava em desespero dentro de seu quarto. Mais uma carta de seu pai havia chego e nesta ordenava que voltasse para casa. Ela sabia o que iria acontecer. Sabia o que esta mensagem significava.
Mas, apesar do medo de conviver com o lorde, ela havia criado um laço tão forte com Sakura e Tsunade que não conseguia pensar em sua antiga casa como um lar. Era ali que ela queria ficar, e era eles quem ela queria ajudar.
Uma batida na porta a fez se sobressaltar e guardar o pedaço de papel com rapidez embaixo do travesseiro.
– Srta. Hyuuga? A senhorita está bem?
Hinata quase engasgou ao ouvir a voz de Naruto, preocupado do outro lado.
– Sr. Uzumaki... estou bem. Obrigada – respondeu colocando a mão na porta.
O coração disparou ao simples soar da voz dele, e ela não entendia porque, mas ele era um dos motivos principais de não querer sair de lá. Era reconfortante o sorriso simpático e juvenil, caloroso o contato que tinham brevemente. E os olhos azuis tão profundos e alegres que a fazia esquecer os problemas de casa.
Encostou o rosto na madeira sem saber que do outro lado, Naruto estava com a testa encostado na mesma direção.
– Você não me engana. — ele respondeu em toma mais baixo.
Ela suspirou e esfregou o rosto com as mãos.
– Preciso ficar sozinha. — respondeu ainda mais baixo.
A porta foi aberta lentamente, mas ela nem resistiu. Se afastou deixando Naruto entrar, e quando o viu lançar um olhar cheio de preocupação, não pensou duas vezes em voltar a chorar e o abraçar com força.
***
– Oi garotão! — Sakura sorriu passando a mão pelos pelos negros do grande lobo que se sentou a sua frete e pousou a cabeça com um olhar pidão em sua direção. — Estava com saudades de você. — disse recebendo um grunhido como se ele entendesse e o sentimento fosse recíproco.
Afagou o lobo sentindo o coração voltar a se aquecer novamente. Permitiu-se rir quando Tsunade quase caiu de susto ao ver o lobo correndo para dentro do quarto e sair em disparada de lá clamando por todos os santos. Permitiu-se sorrir de verdade e aquietar a tristeza ao ver os olhos inocentes daquele animal, e por fim, permitiu-se sentir-se amada ao lembrar-se que não estava realmente sozinha.
Colocou as mãos no lábio lembrando-se do dono daquele lobo. Se tivesse acontecido em outro dia, em outra ocasião, teria sido uma bela lembrança. Mas o beijo, seu primeiro beijo, veio cheio de mistério e seguido de uma tragédia.
Titã resmungou quando Sakura parou o carinho, ela sorriu triste e voltou a dar atenção ao grande lobo.
Sua cabeça estava uma confusão e seu coração estava machucado, mas ela sabia que deveria seguir em frente e que deveria encontrar a sua luz.
Sentiu o lobo se levantar e dar as costas à ela. Não entendeu e não queria que ele se afastasse, pois sentia algo bom quando o animal esteva com ela.
– Titã. — o chamou recebendo somente um olhar para trás até que o lobo passou pela porta.
Ela sentiu as pernas fracas quando se levantou da cama. Saiu do quarto percebendo como tudo estava do mesmo jeito desde que se trancara no quarto.
– Titã. — chamou-o mais uma vez.
Parou em frente a escada sentindo o coração palpitar, como se clamasse por mais daquele carinho inocente do lobo, como se a presença dele lhe trouxesse esperanças. Como se a felicidade que ela tanto precisava naquele momento estivesse escondido naqueles olhos negros.
Ela o seguiu até o pé da escada. O lobo continuou subindo e então ela ouviu o baixo assovio de seu lorde.
A respiração ficou trancada em seu peito. Colocou a mão no peito sentindo a dor desaparecer um pouco.
Ela não estava totalmente sozinha.
Como se estivesse hipnotizada pelo chamado, ela também subiu as escadas.
***
A ruiva andava trôpega pelas ruas do vilarejo. O vestido estava rasgado e imundo e seu rosto sujo de barro, fuligem e sangue.
O cheiro que emanava era de sujeira, bebida e desgraça.
Aparou o tombo segurando-se em uma parede de pedras e sentiu a bile subir pela garganta. Vomitou tudo o que não tinha no estômago, sentindo todo aquele gosto ácido tomar mais uma vez sua boca.
Chorar já não era mais uma opção. Sua desgraça havia chego ao ponto que lágrimas não poderiam mais compreender.
Karin sentou-se arrastando as costas pela parede fria. As pessoas que passavam a olhavam com nojo e desviavam o rosto no mesmo momento. Ela já não mais se importava, sua mente vagava para uma conversa que teve há alguns dias.
“– Eu vou te contar tudo, quero que o destrua. — ela disse com todo a sua fúria e Hiashi gostou daquilo.
– Diga meretriz, qual o segredo dele.
Karin estava decidida, mas um guarda entrou dando um recado em particular para Hiashi, então ela teve tempo para repensar o que estava fazendo ali. Teve tempo para desistir do que estava fazendo.
O lorde havia a escolhido para ser sua, e somente sua. Nunca havia se deitado com outro somente com ele e nutriu um amor doentio por aquele homem, que não lhe dava carinho, mas também não a deixava ao relento.
Ele havia confiado nela, ele havia conquistado seu coração e ela usou as oportunidades que teve para conseguir o dele também. Estava amargurada, estava enciumada, estava louca de raiva, mas assim que Hiashi voltou ela se deu conta do que estava prestes a dizer.
– Karin, não? Vamos, diga-me o que ele esconde.
Ela hesitou e Hiashi viu isso.
– Ele não esconde nada... — respondeu sem pensar nas palavras que usara, só tomava cuidado pensando se deveria ou não dizer tudo.
– Nada? Vamos, você será muito bem recompensada por isso. — o homem andou até sua mesa e de lá tirou uma bolsa de couro vermelha, um pouco maior que um punho fechado e fez as moedas lá dentro fazerem barulho ao jogá-las em frente a meretriz. — Diga.
Karin viu o ouro brilhar diante de seus olhos. Estava disposta a dizer sem receber nada, mas o ouro dava um incentivo diante de a sua vida sem futuro.
Pegou a bolsa e guardou dentro de seu decote com agilidade.
– Pois bem, não há o que temer diante do lorde. — disse rapidamente já se preparando para sair.
– O que quer dizer com isso? — ele a segurou pelo braço sentindo a ansiedade florescer. — Não há armas, exército escondido...
– Não há nada, ele é somente um homem amaldiçoado. — ela respondeu sentindo o nó na garganta. — Ele não é uma ameaça.”
A meretriz ergueu a cabeça com dificuldade e de longe pode visualizar o castelo com suas torres bem iluminadas.
Levantou-se sentindo o estômago embrulhar em protesto. Continuou vagando por onde sua mente enevoada a levava.
Teve uma vida horrível. Nunca foi amada pelo homem que sempre amou e agora sabia que seria a ruína dele. Mas ao invés de satisfação sentia certo desespero.
Tinha uma vida medíocre? Sim, mas ela estava feliz em imaginar que um dia tudo seria do jeito que sempre quis. Que iria ouvir palavras bonitas de seu lorde, que acordaria com ele ao seu lado e que teriam uma família feliz.
Sentiu as pernas correrem. Acabou esbarrando em pessoas que nunca vira e que nunca mais viria.
Correu sabendo para onde iria e sentiu seu coração apertar de arrependimento. Ela o amava e seria dele como ele quisesse. Ela sempre estaria ali, ela prometeu que nunca diria nada e que sempre o serviria.
– Te traí, meu amor... — disse sentindo as pedras cortaram as solas de seus pés descalços sem nem ao menos se importar.
Depois de dias sentiu os olhos arderem e as lágrimas embaçarem ainda mais seus olhos míopes.
Correu e sentiu o cheiro de eucalipto que sentia toda vez que estava perto do castelo. Correu deixando as lágrimas caírem sem secá-las, e grunhiu como um animal ferido sentindo o arrependimento se transformar em uma queimadura profunda em seu peito.
A bolsa de couro caiu no chão de terra, mas ela nem pensou em voltar para pegá-la. Seu maior tesouro estava naquelas paredes e ela sentia que ele precisava dela. Em sua mente, ele sempre precisou.
– Só uma criança assustada... assustada... — repetia débil alcançando a orla da floresta.
Estava decidida. Iria avisar seu lorde do que havia feito, quem sabe iria receber seu perdão... mas precisava avisá-lo. Ele corria perigo. Ela precisava salvá-lo, poi só ela poderia.
Ainda estava longe o suficiente para que ninguém escutasse seu grito. Um grito abafado por uma flecha que cravou em seu pulmão direito a fazendo cair no chão num baque.
Ela ergueu os olhos molhados vendo a imagem distante e distorcida do castelo a sua frente.
A respiração ficou difícil, sangue tomou sua boca e saiu em torrentes e ela chorou ainda mais. No fim sabia que merecia aquilo.
– Meu lorde... meu amor... — a voz de quem se afogava verbalizou suas última palavras antes que outra flecha atravessasse sua nuca.
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